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26 de dez de 2009

21 de dez de 2009

EgoPedra


O ego que cria prisões.
Padece pela sua ditadura.

Persegue aquilo que se impõe, se quer.
Deixa de ser, para então querer.

Para com o evoluir, e volta para a pedra.
Lança ao lago, e afunda com ela.

Sabe que está afundando e ainda assim afunda.
Sabe que a pedra é aquilo que lhe puxa
e ainda assim contempla a pedra com toda as suas forças.

Faz da vida um calvário desnesessario
a muito tempo que o prazer de ter a pedra
foi superado pela dor e falência que ela causa.

Leandro Borges

14 de dez de 2009

Savana e estrelas

Deixo e levo te comigo.
Eu sigo, porque o caminho é em frente.
Não deixo pra trás, vou em frente e comigo levo.
Leve vou com o passar dos passos sem ferir a grama.

Tenho a força como leão para atingir meus objetivos
e a sensibilidade muito acentuada
que faz com que não passo por cima dos outros.

Sensível para lidar os impulsos como um domador de leões.
Sigo, e persigo, e vejo meu seguidores.
A sutileza com que os vejo, não lhes desejo dominar.

Sem impor meu peso passo leve e rápido.

A força e o coração aberto a te ouvir.

Os ventos levam os pelos e cabelos ao ar
e a luz do sol faz reluzir o amarelo ouro.

Te tenho no coração, para ele não desilumine.
Busco a fé para que meus pés não vacilem
que o alvorecer seja mais sublime que o abismo.

Coragem para cruzar os longos caminhos
passar pelo vale das sombras
buscar o auto conhecimento
a superação
e o teu coração.

Não duvide de minhas palavras
se em sua mente quer desconfiar
deixe seu coração/estrela reluzir e verá.

Deixe sobreviver, veja nos meus olhos como vive.
E brilha tanto que a cada dia nasce uma nova estrela.

Não é a toa que vejo o Arapoty nos teus olhos.

Leandro Borges

7 de dez de 2009

Pleno de emoções


Hoje eu morro de alegria sabendo que amanhã eu vou chorar.
Inevitavelmente vou chorar, chorar todas as alegrias que serão passado.
Derramarei as lágrimas por saber que aquele mundo de alegria
serão somente uma lembrança que (com cada dia que passar) vai se amarelar.

Hoje eu sou a pessoa mais feliz do mundo
explode meu coração, transborda de tanta alegria.
As cores saltam aos olhos.
Tudo parece ser tão simples e sereno.

Amanhã eu sou a pessoa mais triste do mundo
implode meu coração, esmaga de tanta tristeza.
As cores falecem aos olhos.
Tudo parece ser tão complexo e caótico.

Eu levo comigo essa minha alegria e as minhas dores.
Peço apenas que respeitem a minha dor
que não julguem a minha alegria como leviana.
Porque essa alegria é o que me mantem ainda vivo.
Porque essa alegria é sobrevivente a toda essa dor
toda essa tristeza, todo esse descaminho.


Deixe meu coração em paz.


Ele sangra nesses intensos extremos.
São tantas tristezas desse mundo.
São tantas alegrias desse mundo.

E quem ainda me dizer: Leviano!
Eu direi:

"Pelas emoções sei que por este mundo vivi.
E nada mais sensato que viver uma vida plena de emoções."

Leandro Borges

1 de dez de 2009

O escrever/caminhar da vida


Temos a caneta da nossas vidas nas mãos. Temos a linda e sabia missão de saber usa-la, ter a consciência e dimensão que cada escrever, marca nossos passos, escreve com os pés/caneta no grande livro da vida. A beleza é importante e necessária, ter consciência dela, para vermos como é sublime viver, no mais simples de ser: viver!
O olhar puro, a alegria entre amigos, um abraço longo verdadeiro, o amor materno e paterno, o primeiro raio de sol do dia, o cantar dos pássaros, o cheiro da natureza, o gosto das frutas, o toque leve do ninar, um carinho, um estalinho, um zelar, a melodia de todos os tempos que toca eternamente, e os artístas/canais, colocam em evidência nesse plano a luz do outro lado.
O beijo sem máscaras, a risada mais sincera, um jogo entre amigos, almoço em familia, sorriso de crinça, sorriso dos avós, a companhia da eterna namorada, o embalo no balanço, as canções e histórias dos pais, a sabedoria da espera, a magia do encontro, o sabor da familia compartilhando, os sonhos infantis, as descobertas da quase-não-mais-infância, o conhecimento da adolescência, a busca do jovem, o valor da maioridade, a sabedoria dos anos, as cores do arco-íris, o brilho do brilho: a seiva, o sangue, o vento, a terra, o fogo, as matas, as águas, a maresia, o crepusculo, o poente, a lua plena das suas faces, o ponto onde todas as coisas se interligam que é manifestada na célula/atomo/energia/awen de tudo.
A sabedoria de não deixar que o caminhar vá para estradas que levam a cegueira emocional, também a cegueira de não saber que se é uma aldeia global, não saber que a vida tem mil cores.
O sabio caminho de deixar a caneta/pés andar por caminhos proseguintes, que levam sempre a frente, a cima, sem cair em redemoinhos, sem cair em abismos, sem andar no mesmo ponto, sem andar em volta do próprio rabo/umbigo, sem cair no espelho e apaixonar-se cegamente e parar no caminho.
Sapiência de ter a consciência das sua ações/reações/escrita, saber escutar o sentimento alheio, ser humilde, simples, receber, respeitar os mais sabios, ter benevolencia com os demais, deixar vir a sua criança interior falar, ter ela em paz e aliada. Não cair nas vicietudes de atitudes, seja de ação, locomoção, revelação, consumo. Aprender com a intuição, deixar ela beija-la com a sua voz.

Leandro Borges

23 de nov de 2009

Mesclar das Almas


Ao abrir do olhar percebi o nascer
do astro mor da tua alma.
Era límpido como o lago a meia-noite.

É de um anjo, é de uma ninfa.
É de uma doçura.
É de uma cura.

O teu olhar desagua.
O teu olhar mergulho.

Estrelar das almas.
Vejo as labaredas
os ventos cintilam o nosso ser.
Ser.
Somos um elo
e desse nós somos um eu
o fogo um
a onda um
o sol
a lua.

No abrir das nossas janelas
nos vemos de interior para interior
puro, pleno, sublime, espiritual
grande, forte, simples e real.

Onde almas se tocam
onde caminhos se encontram
onde o ponto momento é estrondoso.

As ondas geradas
são claras
redondas.
Para o relógio do tempo
e continua:
o soprar do teu vento
o arder do meu fogo
e os corações ainda batem
no mesmo momento dos ponteiros congelados.

Leandro Borges

17 de nov de 2009

palco-vida

claro que de pedras temos de passar
pelo caminho

e um caminho é como uma marca

teu palco
tua vida

coloque o foco no sincero
que o sincero lhe virá
como uma onda

mesmo que caiam pedras
sei que és uma menina que não merece essa dor

use a explosão para a vida alegria irradiar

e por mais que os dias sejam dias com
dor
culpa
pranto
descaminhos...

sei que tens a força para encontrar outros caminhos

assim como o protagonista contorna os obstáculos
irá com poder e sutileza que tens
encontrará quem saiba te amar

tens o raio de sol nos olhos
nunca deixe de brilhar

mesmo que existam olhares quebrados...
olhares serios...

o teu brilho, tua atenção, sempre me cativaram
sei que te conheço pouco
mas não importa pra mim ao menos
não são de mentes brilhantes que o mundo precisa...
disso ele está cheio

é de corações brilhantes como o teu que ele precisa

minhas sinceras palavras

Le

A Menina dos olhos


Nos olhos dos olhos
no raio do teu olhar
como a lua cheia
carregada de brilho
(no mesmo instante)
vejo a imensidão
essa magnitude fulminante

vens
-----vens
----------vens

altera a minha maré
--------------------traz as ondas
----------------------------------a emoção
-------------------------------------------e volúpia

Leandro Borges

Tempo-Vida

Águas são Águas... saiba conhecelas
pois elas te levam aonde queres ir! - e saibas
que a vida é um ponto momento, e deste momento
que a aquarela infinita da vida é feita.

Se foram de ondas... São de ondas que te levarão aos grandes mares!

21 de out de 2009

http://74.125.113.132/search?q=cache:VqnNfsSbpmwJ:todasaspalavras.com/ends-with-by-length/or/+%22palavras+terminam+com+or%22&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk

São flores e falsos amores



São flores e falsos amores
São cores e falsos pudores
São dores e falsos autores
São suores e falsos opores
São piores e falsos calores
São atores e falsos humores
São teores e falsos sabores
São fatores e falsos expores
São furores e falsos impores
São motores e falsos rigores
São supores e falsos valores
São pavores e falsos setores
São cantores e falsos tenores
São caidores e falsos ardores
São doutores e falsos clamores
São credores e falsos tambores
São tratores e falsos pastores
São fulgores e falsos pintores
São amadores e falsos compores
São bravores e falsos adutores
São rancores e falsos propores
São sensores e falsos tensores
São auditores e falsos batedores
São comedores e falsos bicolores
São curadores e falsos delatores
São faladores e falsos equadores
São gemedores e falsos frescores
São geradores e falsos invasores
São genitores e falsos matadores
São pecadores e falsos redatores
São relatores e falsos sabedores
São pagadores e falsos mediadores
São voradores e falsos conectores
São MSTores e falsos agricultores
São partidores e falsos louvores
São multicolores e falsos sonhadores
São corruptores e falsos vereadores
São senadores e falsos poupadores
São falsificadores, impostores, assessores
ministros , cargos de confiança e falsos agitadores;
alicerciado por presidentes malfeitores!

Leandro Borges

20 de out de 2009

29 de set de 2009

um mundo mais vazio

é um circo de horrores
é um ciclo masoquista
cansei de errar no amor

se te trato na palma da mão
me trata na sola do pé

se te trato na sola do pé
é porque não quero nada de ti

sonho com outro dia a sorte não mais me errar
que o amar encontre o amor

dizem que os ventos trazem, quando menos se espera...

preciso aprender voar
concentrar a ação no agora
ser livre
ser leve
sem me importar com lá fora

se dos teus olhos caem lágrimas
dos meu também já caíram

se do teu colo não tenho abrigo
abrigo agora é tudo aquilo que outrora era campo minado

somos dois maiores abandonados ao azar do amor
se eu olho uma flor

hoje não penso em lirismo...
penso na morte que logo a murchará

pode ver o valor das pétalas?
o que são palavras jogadas?
não sabe quem eu sou... e me deste espaço pra isso?
se te falo não é porque estou cheio disto?

não sentes?
não sentes?
não sentes quando me lês?
não sentes quando me lês na minha íris?
não sentes quando me lês na euforia das entrelinhas?
não sentes meu calor?
meu transpirar?
minha respiração?
o bater do meu coração?
não sentes a minha verdade?

eu continuo a olhar o espelho
e dele nada vem

olho a tua boca
poderia falar de tudo que posso ver

prefiro senti-la
mas que bobagem... nem isso o fiz

senti-me oco
com a tua ausência
sinto a presença da dor

não sei quem sou, nem nunca saberei
busco aquilo que sou
e se te olho, são olhos que pousam
olhos que buscam
olhos que deixam e permanecem

continuo a martelar
fico preso nas memórias
um labirinto de idéias
e só idéias
o mundo real, a realidade é dura e triste

diz pra mim
quem é que queres
uma ilusão
ou eu revelado?

quero, mais me venha sem saberes
vamos sentir
não é isso?

Leandro Borges

21 de set de 2009

entre-AGULHA-linhas

cuidado moça, teu salto-alto pode prender a agulha nas entrelinhas

olha por onde anda
olha por onde fala
olha por onde escreve

meu olhar apurado reconhece um tropeço
vi que quase nada
no teu

andar
falar
escrever

houve uma pequeníssima oscilação
e foi ali que percebi o teu salto te trair
pela altura que chegaste
por tudo que falaste
deixaste muitas agruras no caminho
e nas entrelinhas criaste micro-abismos irremediáveis
como uma bela heroína trágica
desabaste do teu próprio veneno sem perceber

Leandro Borges

13 de set de 2009

Transbordo, inflado, gordo


Poluição entrou nos meus olhos, me cegou a poesia.
Cidade seca de vida.
Tudo permanece dormindo na cidade.

Contaminado, na minha alma não nasce mais flores.

Olho para os lados e vejo ruas transbordando, calças transbordando, filas transbordando, pratos transbordando, lixos transbordando, carros transbordando, stress transbordando, caos transbordando, ignorância transbordando.

E eu tentando não me molhar disso tudo!

Leandro Borges

28 de ago de 2009

"EU VOU!"


Olha no fundo dos meus olhos e promete... ah se promete!
E pra que! Sim! Eu digo, pra que?

Fala, vibra, promete, confirma; diz que vai
e na porra do fim da história... não vai!
É tanta hipocrisia, tanta enganação; dissimulação.

Fala "por educação" que vai...
Mas pra que?
Por que?

Cultura cretina, cultura podre; lixo-pobre-viver.

Escarro na tua face toda a mentira.
Escarro na tua face toda a balela.
Escarro nessa tua vidinha de merda.


Assim ó! - olha bem no fundo dos meus olhos!!!
Tenha o respeito, tenha o valor, tenha a decência e a virtude.

E fala com todas as letras: EU NÃO VOU!

Leandro Borges

26 de ago de 2009

Engarrafar dos Sonhos

Engarrafar dos Ventos


Sabe que ao fechar os olhos temos a alforria de tudo aquilo que pretende ter descodificado, tabelado, classificado visualmente.
Ao sentir o mundo, perde a cegueira que a cerca, poda e desnutre.
Vive o pleno viver, deixa o sabor do vento lhe tomar o pensamento.

V
..E
....N
........T
................A
................................N
................................................................I
................................................................................................................................A

Vai com o vento,
quebra a percepção do tempo,
transcende o agora
sente parte do todo.
No mar do "si mesmo"
e percebe a sua totalidade.

Leandro Borges

Engarrafar das Cores


Houve o tempo em que as flores falavam
e o mundo não se resumia a milhões de cores.
A natureza não era muda para os homens
e o sonho existia sem precisar adormecer.
Ou melhor, não era preciso despertar.

Como pode tantos milhões de existência
terem mudado o mundo em um punhado de décadas?
Sorte que nossos corações esteja preservado esse mundo.

Não por acaso, vida explode por todos os ângulos
e a plenitude do mundo não nos é alheia.
Carregamos a bandeira borrada de tantas cores
como um borrar de tudo aquilo que precisa ser dito.

Se um nascer do sol abre as portas de mais um dia
o teu sorriso abre as portas desse mundo de sonho.
Quase em um flerte de pensamento, lembro do momento
exato instante que as nossas almas se tocaram.

Senti tudo aquilo que nunca saberia explicar,
mas o sentir basta e nos traduz plenamente.

Quantas cores cabe nesse sorriso?
Se eu disser: "são 16 milhões..." estaria enganado.
É uma explosão, que não há como medir, está a explodir.
Tende ao infinito e é lá que moram os sonhos,
os mitos, todos os deuses e entidades.

Leandro Borges

21 de ago de 2009

Muito além do vermelho


Ando de ónibus com todas moedas contadas.
As vezes que consigo andar de carro,
ando olhando a kilometragem
no limite dos últimos números.
Abasteço quando posso
e o ponteiro anda grudado no fim.
Ando de 40 em 40 kilometros.
Com dívidas, feridas e com medo das mentiras.
Falta comida, falta água, falta alegria.
Sorrio pra minha mãe,
choro no escuro da minha casa.
Passo o cartão com medo
o medo irmão que tenho ao olhar o saldo.
Comprei aquele presente de aniversário
trocando o troco do ticket restaurante por dinheiro.
Como pouco pra tentar sair
do vermelho e olho no espelho e vejo outro.
Quem é esse com olhar oco?

Leandro Borges

4 de ago de 2009

Pântano de Cadáveres


Que estourem todos os furúnculos!
Que venha a tona toda a podridão!
Apareçam todos os ratos, saiam dos esconderijos.
Mostre o lixo, o pus, a carne podre e todos tecidos necrosados.

Que toda putrefação apareça ao sol do meio dia.
Decomposição de toda a matéria emerja!

Mostre a sua cara.
Cai a máscara!

Há merda no teu falar!
Há lixo no tua cama!
Há lodo no teu coração!
Há corrupção na tua ação!

No teu olhar eu vejo o gérmen da desgraça!
A não transparência da tua vida
é a chave mestra da desgraça.
E não por muito tempo mais irá esconder
esse teu pântano de cadáveres.

Leandro Borges

19 de jul de 2009

Espelhos


Esse frio que me dói até os ossos
me faz lembrar dos Invernos passados.
No pano é projetado o filme da minha memória
é tanta história, que me perco no labirinto.
Mergulho dentro da caixinha de musica,
uma caixinha de espelhos gigante.
Me vejo cercado dos meus eus,
olho me por dezenas de ângulos,
em muitas ângulos inéditos até o momento,
assim me vejo fora de mim.
Me vejo em terceira pessoa
desapropriado de mim mesmo.
Me vejo como narrador e vejo a minha dor.
Aqui em todos esses ângulos
percebo os diversos filmes que rodam simultâneamente.
E eu era um menino, um adolescente,
E era um nerd, um louco, um trabalhador,
um aventureiro, um sonhador, um apaixonado,
um errante, um poeta, uma ilusão.
Somos tantos e no entanto somente apenas... um.

Leandro Borges

Pelas ruas lá fora


Para na esquina e implode em dor
são veias entupidas, sentimento estancado.
Um grito freiado, uma explosão contida.
Não, nenhum caminho se abre
nas vias desse pesadelo urbano.
É feita de cordas enferrujadas
a harpa que constrói essa estrada.
Leito.
Sangue.
Fluxo.
Um chão banhado por um mar de sangue.
As cordas do mar alcançam a praia.
Esse mar não da pé nunca.

Eu te expliquei que nem todas batalhas
são vencidas, mas também morre aos poucos
quem mata.

O coração cheio de espinhos ferozes,
escuto vozes na canção da memória.
Era uma estória antiga, de uma menina negra
que não tinha o que comer.
Os porões da parte velha da cidade gritam até hoje...

Eu gostaria de resgatar a pureza de um sorriso de criança,
a vida me deu essa ferida e já não posso mais sorrir...

Sabe meus sonhos hoje não há mais nuvens, mas há demasiado cimento...

Por que no meus olhos não consegue ver felicidade?

Quem sabe ela foi passear...

Leandro Borges

18 de jul de 2009

Legião Feminina


A insolitude de uma vida projetada.
São peças de uma vida criada pela
soma dos absurdos dos sonhos.

Uma soma de sonhos reprimidos de todas
as mulheres da tua família, geração à geração.

Agora tu, a descendente de toda essa árvore
queres vingar toda essa legião feminina?

Quem paga o preço? O teu filho também
não será pai de uma nova geração de mulheres?

Se pender a balança pra o teu lado, também
não vês que será em ti que, ao girar do mundo
cairá de volta em ti as dores desse mesmo mundo?

Toda mulher merece uma vida com os pés na terra,
desde que essa terra não soterre o pai da sua neta.
Assim como todo homem merece o mesmo.

Leandro Borges

10 de jul de 2009

A chuva das más águas


Eu me lavo em lágrimas!
E o que é que tem porra?
Sim porque as lágrimas são minhas, e de mim eu mesmo entendo!
Homem é aquele que chora e chora em público; sangra e vive.
Sim porque eu sempre ouvi essa asneira de vozes femininas: "homem não chora!".

Quer saber?

Vão tudo se tratar com essa merda de machismo reprimido e não admitido.

A mulher mais interessante que conheci foi aquela que admitiu que muitas delas tinham
Essa merda de machismo incrustado na alma.
Essa realmente era honesta e inteligente.
Era digna de uma conversa franca sobre gêneros.

Deixem as águas de ares rolarem,
Despertem para o comportamento condicionado
E refletido de geração a geração.

Deixe com respeito o meu pranto rolar,
O meu peito desaguar a dor em notas gris.
Explode a represa do meu coração,
Lavo as minhas vestes
Choro, e choro muito,
De pingar tempos e tempos...
Há tempos são os homens que choram.
Outros são os covardes que o fazem escondidos.


Antes de adormecer no leito,
Choro a chuva das más águas.


Leandro Borges

24 de jun de 2009

Dor inútil

Uma dor assim pungente do meu Brasil
foi inutilmente sentida, agora essa ferida
essa chaga do passado continua sangrando.

É tanta mazela e destruição, a maioria do povo
anestesiado da vida da sua rua,
alienado da cultura e riqueza brasileira,
como podridão internacional virtual,
no computador,
na televisão,
em rede nacional.

Somos inundados.

Nossos inconscientes pairam a guerra no Iraque, a guerra no Afeganistão,
ódio de judeu, ódio de muçulmano, ódio de cristão.
Cegos para a vida do nosso povo alegre e sofrido que chora,
continuam a chorar muitas Marias, muitas Clarisses, muitas Anas,
muitas Joanas, muito Jazões, muitos Creontes, muitas moças bonitas.
Essas tais moças que não passam mais por aqui,
pois a caminho do mar há assalto, sequestro, terrorismo; bala perdida.
Essas tais moças ficam em casa murchando como flores não desabrochadas.
Na janela não há como parar para ver a banda passar cantando coisas de amor...
Não há como parar hoje em dia...
Não há mais bandas passando nas ruas por aqui...
Não é nem caretas pra eles se alguém fala de amor, é pior, é irreal.

Seguem letárgicos...

Hollywood...

Seguem letárgicos...

Comem a não saúde...

Seguem letárgicos...

Não lendo... Lendo revistas de fofoca...
Lendo revista de pessoas pseudo-importantes.
Lendo livros de auto-ajuda.
Vendo novela.
Reenviando centenas de slides em emails inuteis de mensagens vazias.
Escutando o que uma mente não se abre.
Mentem.
Dissimulam.
Traem.
Fofocam.


Falsidade.


Continuam com suas vidas de uma rotina cretina, infrutífera, egoísta e capitalista burra.

Transam letárgicos... Dirigem letárgicos... Falam letárgicos... Sonham letárgicos...

Compram.
Compram.
Compram...


Compram tudo aquilo que não precisam.
Compram ostentação.
Compram vaidade.
Compram humilhar.
Compram o rei na barriga.
Compram a dignidade alheia.
Compram o mundo!


Cuspindo em Deus.


Morrem letárgicos...

Leandro Borges

23 de jun de 2009

Meu pesadelo Teu


Quem é essa que era o sonho.
Agora pesadelo.
Essa que é e não é ela de verdade.
É ela dentro de mim, essa é muito má
me maltrata, desdenha, tem nojo ainda.

Ela aqui fora, agora, ignora; ou melhor,
dá uma pseudo-atenção,
não sobrou nem o imenso
nojo que ela tinha por mim.

Ela dentro de mim é recriada,
não basta a condenação que tive
na vivência do sofrer no plano físico,
agora sofro por ti dentro de mim
a cada pesadelo que tenho com a tua figura.

É engraçado, quando creio que consegui te tirar dentro de mim
(virar a página) tu surges bela e com asco na face ao me ver,
nesse profundo e doloroso pesadelo.
Alguém por favor me ensina a me livrar,
a controlar esses malditos pesadelos,
que só são pesadelos (outrora sonhos bons)
porque te vejo, e nos teus olhos
transpira o asco de aturar a minha presença.

Quantas vezes, eu idiota, te mandei fora da minha casa?
Por dentro meu coração não querendo, bravo contra o meu orgulho.
Esse sim; ferido te mandou muitas vezes embora, por mandar.

Agora a ironia do destino me revela,
que não consigo te mandar embora da minha cabeça.
Por dentro o meu coração quer paz,
o meu orgulho eu já sei controlar a maior parte das vezes,
agora os meus sonhos, eu tenho menos (ou melhor) nenhuma autoridade.
Comparado a minha casa, essa sim ainda me sobra um quase resto de poder.

É eu sei, eu acho lindo esse quadro patético,
o meu amar se tornou em trauma e dor.

Leandro Borges

22 de jun de 2009

sul-riograndense

Tenho orgulho e vergonha de ser sul-riograndense!
Vergonha pelo bairrismo de merda que insiste nas mentes acéfalas de muitos!
Orgulho por não fazer parte dessa mediocridade que muitos insistem.

Quem só olha para o próprio umbigo,
acaba por ficar cego.
Consegue ver penas o mundo de bactérias, esporos, ácaros e fungos do seu umbigo.

Eu olho o mundo, que é feito de diferenças, etnias, povos e nações.

Em que mundo você vive?

leandro borges

20 de jun de 2009

Baile de Estrelas


Olha aquela estrela como brilha,
que luz forte emana e tão forte
tanto quanto a luz da lua cheia.

É engraçado como parece andar essa estrela,
e como parece ser triangular, e parece fazer feixes,
e parece estar acompanhada de visitas...

Uma luz magnética e sedutora, intensa e profunda.
Agora vejo melhor, como é curiosa essa estrela,
com muitas estrelas pequeninas a cerca-la.
Essas tão diminutas, ora ali, outra acolá.

Aparecem e correm como riscos no ar.

Estrelinhas que brincam com a nossa percepção,fazem curvas, voam rápido!
Nesse dia eu conheci um novo tipo de estrela, daquelas que se divertem
no grande parque de diversões chamado espaço sideral.

Leandro Borges

16 de jun de 2009

Não existe saída para quem não quer encontrar.

Não existe saída
para quem não quer encontrar.

Leandro Borges

6 de jun de 2009

Na vida, no olhar, no coração


Se não fosse a poesia eu morreria
Não teria o brilho nos olhos
o prazer de viver
a alforria da dor
a delicadeza de ser
o respeitar da sutileza
a leveza
a magia
o nascer do sonho
o amor sem dor.

Não veria a cores
o sabor
a alegria de viver.

Leandro Borges

4 de jun de 2009

Ela diz:

Eu não fiz amor com o teu pai.
Eu quero saber de ti.
Dá pra ser mais claro, querido?

Tem dias que nem me olhas nos olhos
tem outros que teu rosto nem mesmo eu sei.

Tem horas que eu me vejo sonhando na escada
tem outras que eu fico sozinha como um pássaro.

Os vãos me parecem muito mais interessantes que ela em si.
Da minha janela eu via a tua sombra, hoje não consigo nem ver a minha.

São tantos sons que invadem o meu coração que eu já nem sei como ele ainda bate.

As portas me parecem todas distantes assim como o teu coração.

Sim, eu também lembro daquele bilhete que eu te escrevi no teu aniversário,
e podes estar certo, tu és ainda muito especial pra mim.

Hoje eu acordei a mais feliz das mulheres e também a mais triste.
Sim, porque pra mim esses sentimentos coexistem de forma natural.

Meus cabelos longos, tão longos, que um dia eu cortei pra ti ver sofrer
eu também os pintei pra ti ver sofrer ainda mais, sim porque os cabelos são meus,
quero tu saibas bem disso, e que fique tudo muito claro entre nós.

São pontos e fios saindo de nossas cabeças.
E como elas dançam!
São tantos movimentos que meu pensamento fica cansado em querer gravar.
Acompanho o aqui e o agor, deixa que lá fora o inverno corra e vá embora.

O que me incomoda é que de todos esses anos passou
e tu ainda não aprendeu a amar.

Olha quantas garotas tu já conheceu.
Sim eu sei, não vou dizer isso, é claro que elas também te usaram.
Não sou louca nem machista a esse ponto.

Já viu como as folhas caem?
Sim podes esmaga-las, mas nunca se tornaram um "nada",
mesmo que estejam em pó.
Elas continuam folhas de certa forma.

Olhe o universo com olhos e o coração de criança, com a pureza inicial.

Leandro Borges

2 de jun de 2009

Que a luz do amor seja guia, que o tempo seja irmão

"Que a luz do amor seja guia, que o tempo seja irmão."
(Leandro Borges)

Retorno ao centro


Não importa os tempos e os movimentos.
Eu continuo a ser o mesmo, com as mesmas paixões.
Apesar da curva, apesar do tombo, apesar da tempestade.
Eu não posso negar, eu sou um amante das artes,
seja a boa conversa, uma vela janta, uma diversão,
uma brincadeira, um simples sorriso de criança
me leva a crer que das coisas da vida sou.
Se não fosse seria apenas um amontoado de pregos.
A arte que transborda das minhas veias,
me eleva o pensamento, a alma, a emoção.
As artes que me iluminam, que me curam, que me elevam.
Me transportam para uma dimensão muito além do além.
Eu sei quem eu sou, sei o que quero,
e sei que Deus me guia pelos caminhos da vida.
Não se atrevam a duvidar daquilo que nem
temos a capacidade de compreende.
Somo ínfimos, limitados a poucos neurônios e poucos anos...

Leandro Borges

27 de mai de 2009

Conversa à dois

Eu te levei pra profundezas da minha alma.
Só revejo você quando eu estou mergulhado nas profundezas.
Eu então olho nos teus olhos e vejo a perfeição
o rosto que eu escolho, a mulher que vejo.
É uma pintura de um campo mui florido
tens o olhar que pela eternidade miraria.

Eu sei nem mesmo um errorex te apagaria da minha mente.
Eu preciso dizer que não quero mais mulheres feitas de bolhas de sabão.
Eu cansei de ilusão.
Cansei de perfecsionistas.
De Super Tpms.
De carência.
De fragilidades.
Conversas rasas.

Sim, sim...
Eu também cansei de mim.
Um eu que hoje não sou mais.

Cansei da minha teimosia, cansei da minha carência,
do minha arrogância, do meu mau humor, da frenesi,
da insatisfação, da prepotência, da verdade, da ciência,
da lógica...

Eu sei que muitas vidas são perdidas pelos tortuosos caminhos da mente.

Eu prefiro olhar o sorriso de uma criança.

Leandro Borges

Eis que passará


Não tenho tempo para os pensamentos.
Não tenho tempo para o refletir profundo,
sem tempo pra ler, pra cantar, dançar...

Sem dinheiro para uma vida redonda, sigo com minhas arestas.
Sigo com portas e espelhos quebrados , e roupas por lavar.

Digo que não é tarde para o retorno, para o outro.

Como é que se sorve a: "sublimação".

As lutas são feitas de sangue, vontade e crença.

Deixa essa nuvem passar que eu te mostro o colorido do meu olhar.

Leandro Borges

21 de mai de 2009

Igreja


Procurei por um pedaço de mim em lugares distantes, que tempos atrás foram minha morada.
Procurei por um pedaço de mim em páginas de jornais, em classificados.
Procurei e desbravei reinos pra encontrar algo a mais de mim.
Busquei uma frase, trechos de diálogos, conversas inacabadas, tubos de ensaio, em moléculas, células e partes de código genético.

Disse pro espelho:

- Que verdade procuras?

Foi então que um raio me antigiu a razão.

Mas a minha alma voava livre, e não soube responder aos incrédulos.
Eu sabia em que lugares podia pousar e que lugares eram hostis.

A minha batalha era saber olhar a alma.
Olhando a alma tinha a chave do coração de cada um.
Foi quando percebi que tinha perdido a chave do meu.

Nesse instante procurei por todos os cantos, era uma chave pequena, minúscula.
Adornada por diamantes e carvão.

Seria uma saída pular fora desse labirinto, mas então seria fadado pela cegueira eterna de todos os tempos.

Quando me deste aquela flor, a minha única resposta que encontrei no momento foi:

- Eu odeio esses sentimentalismos bacacas.

Eu falei de uma forma tão ácida, doce e engraçada que muitos riram, alguns soluçaram, e uns poucos choraram.

Se me diz uma verdade, ela seria melhor que mil flores.
Sabe por que?

Por que as verdades não murcham.

A crueldade que tenho de deixar teu caminho longe do meu e a mesma que tens de empurrar uma vida pra mim que não cabe mais no meu mundo.

Os olhares que percebíamos na rua, não sei se te lembras... eram de reprovação.

Como pode uma freira estar casada com um carpinteiro?

Os olhos de todos os vizinhos escorriam lodo e ciúmes.

Feito em pó.
O nosso show chegou ao fim.
Foi bom enquanto nos torturou.
Agora deixamos o palco para outros encenarem as suas ceninhas tão idiotas quanto as nossas.
Eu queria saber orar, porque então e conseguiria conversar com alguém de verdade e leal.
A camada fina que separa a luz da escuridão.
E feito em chão de pedra.
Se lama saí das nossas mentes, é porque pensamos pensamentos baixos.

Se experimentou falar da falta de felicidade que vive os Brasileiros?
Como é triste o Carnaval?

Somente um gringo mesmo ou alguém ingênuo em concluir que somos um povo feliz.

Já parou pra olhar nas esquinas pessoas pedindo uma saída para morte, uma ajudinha?

A centralização de grana... as mazelas típicas financeiras... Brasil de poucos brasileiros, um Brasil onde cabe 300 picaretas e um amontoado de mendigos.

É eu sei, falo pela voz de quem come.

Tudo bem, só queria deixar claro que eu não gosto dessa situação, faço a minha parte para a transformação.

Ontem vi uma bela ave na sacada de uma laranja.
Era fria.
Azul.
São pontos de fuligem perto do mar.
Ovos pintados de sofrimento.
Árvores ornamentada de desespero.
Acreditam em um amontoado de carne possam salvar as suas vidas?
Não dão valor para o sentimento que representa e sim pelo pessoa o que detêm.

Se é o caminho, não há como ceder a minha mão para ele me buscar.
Ela abriu a porta, mas eu que tenho que amar.
Ok, ele amou a humanidade e deu seu corpo para nos salvar, por amor.
Agora, se eu apenas creio que ele fez isso e eu também não o faço.
Na verdade não há como ele fazer.
É ao mesmo tempo a representação, o exemplo, o caminho, mas que cada caminho é direfente pra cada, mas todos apontam pro mesmo morro.

É eu sei, falei demais de religião.
Mas esse vazio que sente é por falta de algo mais profundo.
Se viver na superficie, nunca encontrará a profundidade que procuras.

São gotas de orvalho flutuando nas mentes, abertas ao amor.
Colorindo um barco de sonhos.
Um saber e sentir que vem da vontade de viver.

O dia passa largo.
As noites são frias e sabias.
O teu toque me mostra aquilo que tinha esquecido.
Me fez lembrar de como é.
Eu quando olho pro horizonte sei.
Mas nenhum segundo pode ser substituído por outro.

Leandro Borges

16 de mai de 2009

Mon Coeur


Me deixa falar as coisas do meu coração, mon coeur.
Se cafajeste fosse, traria uma rosa no olhar?
É incrível que quando me falas, as mesmas sensações eu também sinto.
Se colher assim o teu mel, seria como colher uma fruta que ainda é flor.
Não é a toa que as estrelas trepidam
Também não é à toa que elas dançam.

Quando eu olho pro céu, nem sempre eu lembro de ti.
Agora quando sinto meu embebido coração, mon coeur, é inevitável:
Deleite
Aconchego
Regozijo
Arroubo
Encanto
Néctar.

É através da limpidez dos teus olhos que eu quero ver, não da interrogação.

Leandro Borges

14 de mai de 2009

As portas


Se peço uma manhã inteira.
Se peço uma poesia.

Chove.
Faz sol.

Um curto espaço de tempo entre acreditares.

Abre uma porta e um vulcão.
Desse ângulo vejo nenhum vintão.
Se a vida fecha uma ferida
agora é a hora para uma investida.
Siga, diga ao mundo em cantiga:
os momento de vida mais importantes
são os que a flâmula amiga tinge
de cor e sabor o céu de Ondjiva.

Que a verdade não seja pouca.
Um minuto faria diferença,
mas a crença não é referência
para a massa crítica coletiva.

Quantas portas existem, são quantas você pode ver.

Leandro Borges

13 de mai de 2009

O coração é o porta-aviões das emoções.

O coração é o porta-aviões das emoções.

Leandro Borges

2 de mai de 2009

Universo Particular


A cada pôr do sol sinto um sentimento crescendo dentro de mim.
É uma fome e uma sede forte.
São tempo de um tempo que não em adapto.
Um sorriso de criança.
Uma canção antiga.
Goteja a memória, cada pingo uma gota d'água,
Uma imagem, uma prisão, um ciclo, uma dor.
Volta ao interno reino, horizontes e olhares.
Um sentimento de prisão, de solidão, de tristeza,
Um cinza sem sol, ter os relógios congelados.
Uma alegria não divertida, uma perseguição,
Um julgamento, um inquérito, uma bifurcação,
Um carrasco expondo tentações, conflitos
E feridas não curadas e escondidas na sombra da alma.
Contemplando um deserto imenso...
Um casal que não encontram, um.
Abraço a beira de um grande lago,
Uma madrugada eterna e mui escura.
Uma lua enorme ao horizonte (ou seriam três?) espelhado ao lago.

Leandro Borges

nuvem negra

e se eu te visse na lanchera
que bom que era
ou um pesadelo

sentaria ao meu lado e conversaria
ou então traria um defunto ao teu lado

tiramos mutuamente a inocência
quando partiste
outra camada me foi tirada
conheci em carne viva a maldade do mundo
e nada, nunca mais, meu mundo nunca mais foi igual

Uma prisão do coração ainda lembra de ti
depois de tantos anos; engraçado que pra ti
alguns meses depois já seriam muitos e muitos carnavais...

A flor da pele
ultrasenssível
perdido, desorientado

Sem esperança nem razão
Talvez reviver ainda essas dores seja um trauma mesmo.

Leandro Borges

Lapso de espaço


Uma vida por uma vida.
Um grão de areia.
Forja uma carência.
Pensa nas tuas culpas.
Deixa-me em vão.
Teu caminho não me deixa.
Teu coração não me fala.
Minhas dores tiram a tua atenção.
Teu beijo não faz verão.
A vida por um olho mágico.
Trágico momento envolto em teu peito.
Meu coração é teu.
Diz pra mim, cade você?
Se lembra das noites em que passamos?
Nem tudo eu te disse.
As poucas palavras que falei são reais.
Meu mundo está longe do seu.

Leandro Borges

29 de abr de 2009

Lembrança branca


Não fala de amor assim,
pois de amor assim não pode ser...
Deixa de ser o que não se é.
O que não se sente.

Me deixe sozinho.

Uma vida deixada em vão.
Suspende o traço em cima da tela.
Diz que não vive, diz que não sonha...

Tocou outro dia um samba bonito, tão bonito...
Aí eu lembrei de você.
Lembrei do teu rebolado ou não.
Lembrei da minha sorte.
Da nossa insanidade de fantasia.
Da nossa mocidade.
Intensidade.
Vontade.
Amizade.
Cumplicidade.
Do nosso tesão.
Do teu blusão...
Daquele verão...
Ah que verão foi aquele!

Leandro Borges

Pleno, um


Acompanha o voo das aves com os olhos.
Ouve a brisa leve no rosto, sente as árvores conversando, sente o odor da natureza pungente. Corre o pensamento sorrateiro, dança para toda esperança, deixa mais uma vez a melodia tocar, os lábios tão incertos pairam nos desertos de um paraíso escondido. A lua flameja e águas trazem o coração. As nuvens relaxadas deitam nas ondas distantes, falam para as dunas muitos versos, doces, baixinho. Vive dentro de um quadro, percebe o instante da vida, cores contrastadas, luzes e sombras afloradas, o pensamento para no tempo, mergulha no momento, volta com o vento. Para, com mil braços abraça, novamente o sente. Sente-se um.

Leandro Borges

Corre a vida


Um passo fora do espaço.
Digo que fui um.
Não pise na grama.
A tarde e a noite transadas.
Manofaturo meu fururo.
Teço no aqui e agora.
Sai, de uma esfera para outra.
Um subito espasmo no tempo.
Vê num flash toda a vida.
O pouso da memória
No porta-aviões dos sonhos.
Corre, deixar correr,
que essa corrida é merecida,
é digna e febril.
Tangueia no Samba e
Samba no Tango.

Leandro Borges

23 de abr de 2009

Sozinho, Bar cheio

Na mesa fria
vazia
não encontro o amor.

Tenho a vontade de conhecer-te
errada
de tantas erradas estou farto.

Errado, errante sigo em curvas
tortuosas e labirinticas.
Não vejo retas as paredes desse bar,
todas me parecem envergar.
Se contraem e expandem freneticamente.
Bebo um mar de cerveja, pouso em uma ilha
e não encontro mais ninguém.
As pétalas caem antes do desabrochar.

6 de abr de 2009

Semente do Coração


Sabe, eu tenho fome das inquietações do mundo. Tenho vontade de engolir todas
as grande obras de arte da humanidade, quero que ao termino não sinta falta
de nenhuma parte, nenhum fragmento obscuro. Quem se alimenta de migalhas,
com o tempo passa a ser aquilo que come. Eu sinceramente não tenho vocação
para viver como resto de alguém, não eu querida. Eu sempre busco tudo por
inteiro, pois esse mundo fragmentado é igual ao teu coração, quebrado em mil
ilhas.
Não, não é verdade. Quando te conheci ele não estava assim. Sim é certo que havia
água formando poças de solidão, mas a ponto de criar ilhas... definitivamente não.
Não me pergunte como. Provavelmente não percebeste que a cada novo balde de água,
a cada dia, ia inundando tudo aos poucos. É óbvio que tu não poderia continuar leve,
e equilibrada com tanta água invadindo esse mundo e encharcando a tua alma.
Eu cravejei milhares de morangos em um vasto campo, lembra? Dava pra ver um mar de
morangos a perder de vista.
Realmente desejava que fosse o último lugar de nossas vidas, aquilo que
faria brilhar os nossos olhos sempre, como a primeira vez. Ah... como me era
caro, como era raro aqueles campos.

Falta de zelo? Carinho? Vontade?

O desprezo que nasceu devagarinho do teu coração, cresceu as raízes dentro
dele, brotou, saltou da tua pele como um parasita, uma trepadeira, sugou a
tua energia, continuou, como extensão do teu corpo invadiu o mais lindo
campo de intermináveis morangos. Como eram vistosos, vermelhos, suculentos
e saborosos.
Os tentáculos desta horrorosa planta que brotou dentro do teu coração, inva-
diram e contaminaram o nosso campo, por fim; um a um, todos os morangos esta-
vam com a tua semente negra. Eu não tive opção de reação, era tarde demais,
como um degrade de cor igual ao sol se pondo, vi o nosso lindo mar rubro se
tornar um imenso campo de morangos mofados.
É, tens razão, pode até ser; mas prefiro a ter que viver num inferno, sacri-
ficar na própria carne, por uma ideia fixa viver nesse pesadelo sem fim.
Sabe quantas cores existem no arco-íris?
...
Não, resposta errada!
Bom na verdade tens certa razão, pois só vemos o mundo que deixamos ver e
conceber. Eu vejo milhares de cores, onde vês lacunas entre cores, vejo mais
cores e essa explosão de cores é que me faz mover. Não que não seja bonito
esse imenso arco-íris em preto e branco que vês no espelho, mas ver o mundo
com cores apagadas não é pra mim.
Deus sabe o quanto eu queria ter os campos de morangos pra sempre. Mas tu con-
taminou com mofo. Neste teu bonito filme em P&B com lindo réquim ao fundo.
Aprendeste a transformar uma vasta terra em uma porção de ilhas, esse arqui-
pélogo de solidão. Não bastou o mofo, teve a petulância de inundar aqueles
campos que já não são mais teus...
Foi tanta água, que água demais não fez bem, isolando de tudo e de todos.
Quantas vezes eu te disse que muita água mata qualquer coisa... um exagero
de água fez imergir tudo, isolar cada coisa fora do seu lugar original.
Não, não, não. Eu te juro! - eu gosto de água, eu também te juro que eu não
fiz por mal, chegou uma hora que não conseguia ver tanta água, o fogo foi a
única saída que encontrei pra tentar anular essa solidão. O fogo sempre foi
a minha raiz mestra, no fundo do meu coração, ele alimentou e nutriu sempre
a nossa relação. Em fuga eu me deixei levar pela escuridão, tentava encontrar
a saída em um lugar isolado e escuro. Aos poucos, comecei a dar muito
pouca importância as cores, aquela imensidão que sempre via no arco-íris dos
teus olhos. Quando me dei conta era quase tarde demais, eu confesso, estava
tomado por monstruosos espectros de mim mesmo, minhas sombras abissais.
A cada novo acordar era sempre noite. Uma noite seguida de outra...
Fechei todas as portas e todas as janelas, não queria mais as luzes na minha
vida, sem mais tanta vibração, tanta vida e tanta cor...
Vivi por muito tempo na escuridão, quando dei por mim estava ao fundo do poço,
sem emoção e muito pouco me restava de vida, então repensei sobre as cores.
A minha saída desesperada foi o fogo, o fogo daria aos meus olhos o retorno
da cor, e assim foi, fiquei fascinado, mas era pouco. Queria mais, a luz do
fogo nunca era o bastante, e queria mais e mais fogo, assim mais luz e cores.
Essa busca cega me fez ascender milhares de tochas para ver os teus campos de
rosas vermelhas. Sim, para minha surpresa haviam ainda um lugar teu escondido,
algo que só poderia conhecer depois da escuridão. Como era belo aqueles vastos
campos de rosas vermelhas que cintilavam ao ondular do tempo e espaço.
Com o tempo o meu fogo se tornou incontrolável, mas eu realmente não
via o fogo... eu via as cores, as tochas, as labaredas sem fim. Quando dei por
mim, tinha transformado o teu lindo campo rubro em um imenso campo de rosas
vermelhas em chamas, pra sempre.
Ateei fogo naquilo que mais me era caro, que mais me era raro. Se algum dia
esse fogo acabasse, o que sobraria seria apenas as hastes nos campos de flo-
res, em uma imensa montanha; como um amontoado de pregos. Ateei fogo em um
campo de rosas vermelhas e não pergunte-me como... nem eu mesmo sei.
Foi um tempo muito sofrido e muito confuso, percebo que já não sou mais o
mesmo, também sei que novos caminhos irão brotar em nossas vidas.
Não, não me peça pra mudar quem eu sou e não me peça pra esquecer tudo que
aconteceu. Eu tentei por mais de dois anos isso, e sabe? Foi a pior coisa que
eu já fiz em toda a minha vida. Eu sofria a dor no peito por cada relâmpago
de lembrança, então me condenava mais, a cada lembrança, mais uma passagem
de nossas vidas trazia a tona, jogava mais e mais terra e tentava soterrar
todos esses nossos momentos inesquecíveis.
Fui traído por esta terra, essa mesma que eu criei pra soterrar a memória, o
tiro saiu pela culatra, quando tive a consciência da situação eu estava com
o peito soterrado totalmente e como essa terra me pesava e me oprimia.
Eu buscava a paz ao tentar esse movimento, mas além de não ter a paz quista,
tive sim muito mais tormento e também colhi o fruto da dor da ansiedade,
nessa terra podre nasceu um enorme dragão dourado psicosomatizado.
Foi quando então perceber dentro de mim está criatura dentro de mim, tive
muitas vozes dentro da minha cabeça e milhares de questionamentos sobre os
rumos da minha vida.
Vi a face da morte de perto.
Vi a face da dor desesperadora de perto
Vi a face da depressão de perto.
Um certo dia depois de muito lutar e me escutar, eu percebi que eu poderia
domar este dragão e usa-lo ao meu favor, desfazer seu ninho de terra podre
do meio de meu peito e voar distante para um novo mundo, onde tudo pode
recomeçar e encontrar um lugar mais feliz, um novo mundo.
Baby, eu te peço uma coisa, me ouve.
Tá me ouvindo?
Poderias parar de me pedir essas coisas absurdas? Poderias sentir?
Quem sabe tu não podes me propor um novo caminho, aceitar o passado, seguir
em frente, abrir os olhos para as cores, conciliar as rosas vermelhas e os
morangos, encontrar equilíbrio entre o fogo e a água. Deixar a luz entrar
na casa das nossas vidas, deixar que o dia seja dia, contemplar o recomeçar
de cada novo dia e que cada raio de sol entre e nos ilumine.
Vamos a cada dia plantar na terra saudável dos nossos corações não
mais sementes de destruição e sim, plantar duas rosas siamesas douradas,
uma no teu e outra no meu coração.

Leandro Borges

5 de abr de 2009

Banho


Água cheia de vida
Escorre através e veste o corpo
Protege e nutre
Equilibra
Revigora
Tenho alegria no teu leito
Tenho alegria no meu peito
Caminho o caminho
Passo o passo
Gota a gota
Brilha intensamente
Refletidas imagens
Água viva
Cercado como um túnel de luz
Rolam águas de uma nova vida
Onde as grande águas moram
Onde todos os rios moram
De todos os planetas
De todo o universo
Todos eles se encontram
Onde tudo flui
Onde tudo há.

Leandro Borges

3 de abr de 2009

O teu perdão


Não há casa pra morar
Eu não vivo mais
Eu não vejo mais
Eu não sinto mais
Eu apenas olho
Tua mão na minha face
Meu desespero, torno a adormecer
Minha paz é o teu coração
Me de o teu perdão
A tua mão
Vamos dormir e sonhar.

Leandro Borges

2 de abr de 2009

O segredo é não te-las e sim convive-las.

O segredo é não te-las e sim convive-las.

Leandro Borges

Um dia acontece


A grande verdade é que ainda procuro,
E nessa busca gostaria de não buscar
E sim, que aconteça.
Um belo dia uma seta de luz nos encontra.
Os olhos então param de se perder
Então toda nossa geração olha e encontra.
Não por estar procurando
Simplesmente a paz se instala nos corações
Milhares de corações em par se fundem
Encontram unidade, se repelem, se atraem
Se completam, se antagonizam
Choram, sorriem, brigam, conciliam,
Explodem, abraçam, quebram, reintegram,
Plenos; completam juntos em par a caminhada da vida.

Leandro Borges

Um pano branco a espera


Foi sorte?
Foi destino?
Foi acaso ou desatino?

O que vale mais:
Um passado glorioso ou
Um presente glorioso?

Passado, não é passado quando o vídeo da vida
É ainda rodado no presente.
Memórias não são passado
Enquanto não forem esquecidas
Como um rolo que vira em pó, uma media deletada...

O projetor continua lá, esperando o rolo,
Será o antigo ou o novo filme da próxima sessão?

Leandro Borges

Voa distante


Instante voa distante
Vitória da memória
Resgata o infinito
Tece com vozes o alvorecer
De uma chama de flores
Infestado de um enxame de cores.

Um coração transborda dos ventos da paixão
Transfigura a própria vida e sintetiza em canção
É um caminho simples.
O resgate da pureza.
Faz um laço de carinho
Unidos por um só coração.

Esvoaçam as correntes dos destinos
Tintilam com os sons sinérgicos
Tramas de vidas outrora desconhecidas.


Uma dança entre os dados de Deus e o amor.


Ponteiros
Lugares
Pessoas
Eterniza este momento por inteiro para lembrar
todos os dias que uma noite foi plena, única e mágica.

Leandro Borges

Destom


Não, não me pergunte algo assim.
Não estrague meu dia.
Pare de buscar o pior
Incitar a dúvida e o caos
Abrir a caixa de pandora
Descarrilar o caminho da vida.

Cada um sabe o peso e a dor
A alegria e o prazer
Que é ser
Quem se é.

Leandro Borges

31 de mar de 2009

Dissonância


Durmo torto, sinto torto
Como torto, falo torto
Respiro torto, ando torto
Bebo torto, amo torto
Penso torto, ajo torto
Caminho torto, trato torto
Consumo torto, cresço torto
Transpiro torto, vivo torto
Ouço torto, toco torto
Cheiro torto, vejo torto
Acordo torto, brinco torto
Degusto torto, imagino torto
Creio torto, adoeço torto
Vivo torto, morro torto.

Leandro Borges

Homem

Um resultado químico-psíquico-físico
Emocional, nutricional, orgânico: natural.
A ordem, disciplina e organização.
Sabedoria, zelo e certo dosar.

Leandro Borges

Quem dirá


Todo o potencial de recriar.
Um homem que escolhe é escolhido?
Somo apenas um filme já gravado?
Somos marionetes da sorte?
Não temos o potencial de escolha?
Somos o fruto do nosso caminho
Ditado pelo andar e o próprio caminho?
Todo homem a margem é fadado ao crime?
Toda a dureza do mundo é criador do criminoso?
Não acredito em certezas imutáveis
Somente as fatalidades são certas
Como a seta lançada ao ar.

Leandro Borges

Acordem


Arde a indignação forte.
Sem ninguém acordado ao redor
A solidão de estar cercado de
milhões de sonâmbulos.

Um instante que só gera tensão
Não flui em criatividade
Não se transforma em alegria.

Ferido por dentro
Julgado por facas cegas
Ando no fio do teu fel.
Ferido por surdez, incompreensão, cegueira
Um adormecer da realidade.
Caem as máscaras.
Caem os véus.
Que caiam todas!

Leandro Borges

Posto em Cena


Eu te trago alucinações sonoras.
São brilhantes, sons dançantes.

Eu não quero uma garota impossível
Fazer rir uma mulher com depressão
viver um amor sem chão.

Que seja possível o mundo
Me deixa ser eu mesmo
Me entende ao menos dessa vez.

Não te feri por mal
Estava com uma vida doente
Era um menino perdido no mundo
Sem a consciência do seu próprio.
Existir, viver, ser e relacionar.

Sem tato vivi.
Sem rumo vivi
Em um raio te perdi.

Deixei-me mostrar o eu renascido
aquele mesmo eu que te viu pela primeira vez

Eu vivo tão só
Sem dó
Nem dor.

Lembro ainda da constelação do teu olhar
Da tua forma doce de ser, agir, viver e amar
Amor.

Leandro Borges

Prova vida


Feito em caixa.
Prova viva.
Feito em pasta.
Prova o gosto.
Feito em fogo.
Prova sal.
Feito em prata.
Prova céu.
Feito em nuvens.
Prova papel.
Feito em brasa.
Prova luz.
Feito em diamante.
Prova terra.

Feito em coração.
Forjado em gloria.
Feito em sonho.
Forjado em vida.

Leandro Borges

24 de mar de 2009

Encontro


Na mesa fria
vazia
não encontro o amor
não encontro poesia.

Tenho a vontade de conhecer-te
errada
de tantas erradas estou farto.

Errado, errante estou farto de ser.
Sigo em curvas tortuosas e labirínticas.
Não vejo retas as paredes desse bar,
todas me parecem envergar em cima de mim.
Se contraem e expandem em ritmo frenético.
Bebo mais um gole de cerveja e não encontro ninguém.

Leandro Borges

Abismo de Neve


Cercado por vinte mil garrafas
penso em logo voltar para o fundo
desse copo raso e gelado.

Entre as cadeiras deixo uma fresta de mim,
do meu vazio, de um veneno viscoso e frio.

Entre as tuas pernas cruzam
o meu olhar e a tua gentileza.
Teus olhos queimam nas paredes
da minha boca, e o teu sabor
ainda está em mim, nos meus lençóis,
na minha roupa, no meu cachecol.

A tua boca suave faz sangrar
os meus lábios, o pensamento; a memória.
Sugas a fumaça e deixa alguns minutos queimados,
adquire muitas e muitas bactérias ao beijar-me.

Teu gosto me recorda o tempo que a grama
era verde, agora é branca e são muitas gramas.

Segues um rastro de neve feito em filete,
usas um espelho, mas nele apenas consegues olhar
o fundo dos teus pesadelos, a tua narina: nua.

Teu desejo repulsa meu beijo.
Te olho com outros olhos.
Me cheiras com outro nariz.

Mete o teu onde quiseres
- Eu cuido do meu muito bem, meu bem!
Agora não me pede pra apoiar o teu
que o abismo sem fim da perdição é logo ali.

Leandro Borges

Copos Vazios


Os meus amigos estão aqui
sentados,
não bebem.

Conversamos, ficamos em silêncio,
nos olhamos mas não bebemos.
Todos estão procurando
e procurando: nada a encontrar.

Os meus amigos estão aqui
sentados,
não, eles não bebem.

Só queremos nos divertir, viver, sorrir
e beber, mas a grana tá pouca.
A alegria tá escondida
assim como está negra essa ferida.

Os meus amigos estão aqui
sentados,
é verdade, mas não bebem não.

Passou uma onda, levou o ouro, alegria,
coragem, gana, ousadia, amor e desejo.
Nos deixou apenas a depressão profunda e o copo vazio.

Leandro Borges

21 de mar de 2009

Despedida


Me da as costas e morro.
As costas
Outra vez morro.
As costas novamente
E a morte me beija outra vez.

De tanto morrer
De cada vez acordo menos vivo.
É necrosado o tecido!

Hei de tanto morrer
Vendo só as tuas costas: morrendo...
Tenho medo de tanto morrer
Não acordar mais do pesadelo.

Certeiro.
Fulminante.
Escaldante.

Doloroso.
Mau cheiroso.

Uma centena
De mortes em vida.

Leandro Borges

20 de mar de 2009

Porto Alegre de todos corações


Eu tinha quase dezessete.
Uma cidade para conhecer e conquistar.
Tudo me parecia maior.
Tudo me parecia perigoso.
Era novidade toda banalidade.
Como era bom acordar cedo
ir ao último ano do colégio
e ser recebido de braços abertos.
Mesmo sendo um completo estranho.
Conhecer Porto Alegre pelo coração das pessoas.
Contos.
Casos.
Histórias.
Conhecer uma Porto Alegre que não se encontra em cartões postais,
e sim é olhando nos olhos, é sentindo o carinho.
Porto Alegre feito de açúcar.
-------------feito de pôr-do-sol.
-------------feito de parques, roda de amigos com ou sem chimarrão.
Meu encanto, minha sina.
A tua magia de formar casais.
A tua magia de fazer chorar de dor e alegria ao mesmo tempo.
Meus olhos brilham do teu olhar.
A tua guria dos olhos nos meus.
O sol dos teus olhos se põem nos meus.
Olhos de Marinha
de Gazometro
Ipanema
Redenção
Parcão
Minha vida se encontra
entre a Borges e a rua da Praia.
Foi no frio do teu inverno
que conheci o fogo do teu coração.
Chove corações
abre o sentimento
a ferida aberta
a flor da pele
o lírio do teu sangue.
Porto Alegre de flores, suicídios, paixões, dores, amizades, solidões, carinhos, bairrismos, compaixões, machismos, saudades, tradição.
Porto Alegre de valor, desencontros, liberdade, lealdade, falso amor, confiança
e brota do teu seio a esperança infinita, bonita; é bonita!

Leandro Borges

5 de mar de 2009

A vida não é um catavento multicolore derretido


Fácil - sonhos - vida - dimensão - eles

"Fácil" é viver em um catavento multicolore derretido.
Onde o viver é feito de engarrafar nuvens e "sonhos".

A "vida" nua e crua que finca os pés no chão
vê a alegria e a tristeza da vida plenamente.

Entende que o mundo não é apenas o seu, e sim
o entende em uma "dimensão" maior: ampla.

É pena que "eles", muitos deles, ainda não despertaram.
Infelizmente não tem uma consciência lúcida e não cega.

Leandro Borges

1 de mar de 2009

Estrelas Derretidas


as ruas estão fechadas
o céu está escuro e sem vida
tento te olhar nas nossas fotos...
mas só vejo uma profunda lembrança de um passado......
é tão ilusório quanto o furuto
quão infeliz sem ti sou?
o céu não terá cores enquanto a tua íris não vir aqui colorir
meu coração seco não vê mais água
minha garganta rasga entre mais rasgos
sem teu mel tudo se torna áspero e grosseiro
a falta da tua chama me provoca a alma doentia...
quero o champagne das tuas veias na minha
o delírio do lírio do teu coração é que faz pulsar a tulipa negra do meu sangue
verto teu sangue em canção pra ti beber inteira
preciso do teu céu, da tua boca, do teu calor pra ferver o vinho do meu coração
quero que derretas em baixo da minha língua e mostre toda a tua doçura
te espero e sonho contigo para suportar a distância e os dias
sei que tua alma dorme entre plêiades e supernovas
que nosso amor siga embebedado de estrelas derretidas

Leandro Borges

11 de fev de 2009

Volto logo


Era uma noite fria de verão, sabia o quanto sonhará em conhecer o mundo. Tinha na memória os seus delicados dedos, as florzinhas pintada nas unhas. Um sorriso que invadia a alma, um sorriso, uma alegria que enchia de cor a aura. Seria apenas uma viagem a Bali, teria na volta muito tempo para reconciliar, abrir seu coração e reconquistar a sua pequena.
Estava na véspera de sua partida e certa hora, depois de muito refletir, no meio do parque, em sua roda de amigos diz:
- O ego é aquele que quando toma o centro do palco e expulsa todos, o mundo a sua volta se transforma. O orgulho se desvirtua, a virtude se desipa. Quero dizer a todos que o amor é o veneno que o ego não se envenena. Eu ainda luto contra a minha teimosia, e espero que na volta tenha coragem e força para vencer o orgulho.
Fora seu último encontro com os seus amigos nesse ano, a ultima palavra, o ultimo adeus antes da partida. Pensava muito, pensamentos rodeavam a sua mente. Tinha medo dela ter se tornado uma outra pessoa, uma pessoa que nunca tinha visto. Pensava nas outras possibilidades também da vida sem ela, e tudo parecia muito vazio sem ela, sem sentido. Sentia saudades do ano que passou, dois mil e um para ele tinha sido muito mais colorido.
Viu as árvores coomo se fosse a última vez, o gorgear dos pássaros como uma despedida arrastada e longe canto, sentiu o adeus dos seus pais no aeroporto com um aperto profundo no peito. Lembrava do primeiro beijo que dera em Gabriela, sua pequena, a menina, a mulher por quem amava e sofria. A dor de um amor, seus olhos de adeus pela grade...
A idéia de viajar fazia muito bem, fervilhava a sua alegria de viver, novos ares, novo ânimo, novos tempos; não seria mal conhecer outra cultura, outros valores, muito formas de amar e ser feliz.
Imaginava correr pelas praias de Bali, admirar as flores e sabores, lugares e pessoas novas. Um mês certamente passaria rápido, aliviaria a sua mente e o seu coração, seriam os trinta dias mais rápidos de sua breve vida. Uma melodia suave tocava na sua memória, um baile de formatura, via a alegria novamente nos olhos de Gabriela, via logo depois nos mesmos olhos, a decepção.
"Daria meu mundo pra ver o teu acordar, o teu nascer do sol, a tua alvorada, o amanhecer do teus olhos, do ser. Os primeiros raios do olhar dela, aqueciam o coração. O mais triste desse amar, é que talvez, esteja amando o passado, que agora ela seja outra." Pensava e repensava nessas palavras.
Os ventos fortes tribulavam as imagens da dua memória. Disolvia a sua história no ar. Pensava como em poucos anos ele conhece alguém, aprende a voar a dois e depois, tem que somente andar e se contentar a desviar dos buracos do caminho, quando não cai neles.
No alto do alçar voo, gradativamente via como tudo que era grande se tornava pequeno, ínfimo, quase insignificante ao olhar. No mesmo momento nascia o medo do amor de gabriela fazer o mesmo movimento.
Sua nuca gelava, via a figura de uma mulher de pele super branca, um véu negro cobrindo meio rosto. A face desventura do desamor. Era um deserto, um mundo sem cor. Era frio, vazio, uma dor no coração.
Acordou no meio do voo, olhara para o lado e vira uma pequena como Gabriela, mas sem o brilho no olhar, de qualquer forma, ficou perturbado porque não saberia o que falar, o que dizer, o que fazer. Sobrou apenas um cartão que ela escreveu no segundo aniversário de namoro. Todos os outros tinha já queimado. Queria ela como ela era, porque o que era certamente amava ele, e aquilo que ela se torou tinha medo de não o amar mais. Era insuportável a dor de amar alguém que o amava e não o ama mais, era muito pior. Já amar e não ser amado era normal. O problema era ver as rosas se tornarem um punhado de pregos. Ver um olhar que brilhava como um diamente, apenas por te ver se tornar em um olhar vazio, oco.
Acorou novamente, quando o avião estava pousando, ele sorria para todos sem entender uma palavra, tentava gesticular em vão, então chega um guia falando inglês. Com um inglês não tão bom, meio enferrujado, conseguiu se virar com o guia amador.
"Direto do aeroporto para praia." Queria ver o oceno Indico, olhava o mar e sabia que quando voltasse falaria com Gabriela de coração aberto, sem medo, seria para ela todo seu amor, perdão e sua segunda chance pediria. Teria mais trinta dias para desfrutar de todas as praias e passeios, olhava pela janela do vidro do taxi, olhou pra dentro do taxi e viu um calendário, era dia 12, uma bela tarde de sábado.
Ao mesmo tempo, pensava olhando tanta gente na sua frente, as mil possibilidades da vida, ficou pela primeira vez com o coração e mente repartidos. Uma grande bifurcação na sua vida abriasse.
Estava convicto que teria uma longa vida pea frente, um caminho progressor e feliz, certamente junto a sua amada, seja ela qual for, Gabriela, sua amada, sua pequena, sua branquela... ou quem sabe uma outra garota.
Na praia mesmo ficou sabendo de muitas festas que aconteceriam a noite, pensou bem e duas vezes e mais. Passou a tarde na praia, conheceu muitos estrangeiros. Era um lindo sádado de sol. Comeu petiscos exoticos na praia. Brincou com a areia e lembro do seu tempo de criança e como tudo era mais simples e não havia tantas escolhas a serem feitas.
Gostaria de resgatar a pureza e a simplicidade da vida, mas não conseguia ver um caminho para isso, pelo contrario, para ele a vida a cada ano que passava começava a criar mais e mais ramos de possibilidades, e muita a cobrança e pressão para que fisesse as melhores escolhas na vida.
Voltou a noitinha para o hotel, arrumou-se, tomou um banho. Na recepção do hotel conhece uma nativa, de nome XXXX. Ela tinha um brilho diferente de olhar.
Recém tinha chegado em Kuta. Bali lhe parecia tudo aquilo que espera e mais. A noite seria promissora como os hospedes lhe falaram do Sari Club, e era pra lá que ele iria nessa primeira noite. Com a carteira cheia de rúpias, seria facil beber muitas e muitas cervejas e relaxar.
Estava lá, no meio da noite, no Sari Club, seu recém conhecido Matt, um maluco australiano e surfista decadente, tinha já a sua barrigunha. Matt disse a ele que rinha escolhido o melhor mês para visitar Kuta, em outubro a ilha fica ainda mais linda! Fala para YYY que irá voltar ao hotel para buscar mais dinheiro. YYY ficou ali conversando com as amigas da garota que Matt já estava paquerando. Realmente as suecas são boa gente...
Era umas onze e quarenta e cinco, quase meia noite. Ele olhou a sua volta, eram tantos jovens se divertindo, de tantas nações, acreditou piamente que realmente o mundo tinha ainda uma esperança de não se aniquilar, sessar a morte entre irmãos da aldeia global. Um flash da sua vida cuidadosamente passa na sua mente como um raio.
Jovens dourados de sol.
Felicidade da vida de uma madrugada de ouro.
Uma linda ilha perfumada por Deus.
Tão delicada.
Encantadora e misteriosa.
Lendária da Indonésia,
bebe no teu seio, dançar nas tuas curvas
namorar em todas as tuas praias.
Águas verdes, um paraíso de muitas nações,
um vivaz ponto de encontro de jovens.
É de tanta alegria,
tanto festa e desfrutar.
Um clarão lançado ao ar.
Uma eclosão de fogo, dor e sofrimento.
Saltam tantos tons de vermelhos diversificados.
Ruínas em frações de segundos formadas,
tantos gritos e tanta desolação.
Uma memória agora dissipada ao ar.
Um amor que explode e definha.
Um rastro de uma vida passada.
Pela noite, se fez dia.
E para muitos foi seu último sono.
Dorme pequeno príncipe.
Dorme pois sua amada lhe encontrará
só em seus profundos sonhos.
As feridas feitas em tantas vidas.
Tudo aquilo que estava parado, se movimenta
de forma expansiva e destrutiva.
Um som ensurdecedor toma conta de tudo.
Um grande branco lava todo o cenário.
Uma musica logo após toca, e derrete.

Leandro Borges

13 de jan de 2009

Nobre Leão


Um leão acoado, não mostra o brilho, a juba, o rosnado
não corre pela savana, não brinca, não rola pela grama,
não expõe o coração, não ilumina os olhos; não queima.

Desperta leão valente,
mostra para toda essa gente,
o valor, o coração bom, o grande amor.
Com nobreza de coração e humildade, pega o castiçal,
senta no trono do ser, a realeza da vida,
o reinado do inconsciente, segue valente,
corre valente, segue em frente, desbrava a vida,
segue a lida, com formosura e beleza,
perfura o medo, vence o ego, acredita em si.

Leandro Borges
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8 de jan de 2009

labirinto labirinto coração labirinto labirinto

 
labirinto labirinto labirinto
labirinto coração   labirinto
labirinto labirinto labirinto

Leandro Borges

Coração ele um labirintos entre tem


Umcoração,temlabirintos.eletemeletemUmcoraçãotem
ele ele       tem                          labirintos
tem   ele tem   entre labirintos. Um  labirintos
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Um  ele    labirintosUm coração,        Um  coração
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coração,     coração,   coração,       entre
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Um coração, ele tem         Um coração, ele tem
Um coração,     entre     entre        entre  entre
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Um    Um    Um Um    Um  entre          entre
coração,            entre     entre  coração
ele    Um    ele       Um          Um coração
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Um coração,    Um coração,           labirintos
 ele         ele      Um  coração labirintos
tem    tem          Um   coração  labirintos
  entre        entre       ele              tem
labirintos.    labirintos. ele    labirintos   tem
coração,     coração,   ele labirintos   tem
labirintos.coração,labirintos.eleentreelecoração

Leandro Borges

Labi coração rintos


Ele tem um coração entre labirintos.
Um coração, entre labirintos, ele tem.
Entre labirintos, ele tem um coração.
Ele tem, entre labirintos, um coração.
Entre labirintos, um coração, ele tem.
Um coração, ele tem entre labirintos.

Leandro Borges

Coração Brasil

Alguma coisa acontece no meu coração:

Insuficiência mitral, endomiocardiofibrose,  isquemia;
enfarto do miocárdio, coronária, trombose, arritmogênia;
fibrilação atrial, síncope, ulceração, hemorragia.

Insuficiência cardíaca, disfunção sistólica, arritmia;
ataque do coração, hipertensão arterial, cardiomiopatia;
aterosclerótica, aneurisma ventricular,  válvula cardíaca com anomalia.

Amiloidose cardíaca, doença nas artérias coronárias,  miocardiopatia;
estenose aórtica, estenose tricúspide, miocárdio com hipertrofia;
angina, insuficiência aórtica, miocardite, hipertermia.

Leandro Borges

7 de jan de 2009

Tempo atravessa o firmamento


Tempo atravessa o firmamento
pensamento conhece o movimento
momento deixa o vento lento
sem alento nem lamento
nem sangrento ao indeferimento
segue e vive.
Cem por cento
explode em talento
escuta atento ao sentimento
deixa o fermento do nascimento
dar andamento ao experimento
e não viver a contento
entre o afastamento e o sofrimento
ter o discernimento
a sabedoria do tempo.

Leandro Borges
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