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29 de dez de 2008

Lindas rosas


imunda saliva
escorre do crânio
esperma putrefato

Leandro Borges

Rindo de tudo

Desejo e não desejo, não me deste o beijo.
Foi apenas escondido, que me deste o proibido.
Enlaçados, encobertos, sedentos e famintos.
Um sonho outrora, agora, é apenas um dia.
Não pintarei em cores, não sonharei em versos.
Cansado de correr, deixo meus pés ao teu alcance.
Deito em teu colo, beijo ventre, abraço o quadril,
sinto teu leve arrepio em mim, dentro das veias;
fervilhante pólvora vermelha, explode a cada segundo.
As horas escorrem nos lençóis, deitados, envoltos, soltos,
dançamos, abraçados, descansamos, saímos voando e voando.
Passa mais um dia, vejo a tua face branca,
teus rubros lábios em flor e teus olhos de boneca.
Esbelta e curvilínea, deitas no leito do mar,
em um sono sem tempo e lugar; deixe meu vento te soprar.
Atravessamos entre a frenesí e o caos, sigamos rindo de tudo.

Leandro Borges

Reino de sonho


Sonhos insólitos esfacelam com um tiro de flores.
Explode uma bomba as cinco horas na avenida central;
pinta, com excessos de tinta tudo ao redor.

Manchas vermelhas, pingos em amarelo, respingos de azul,
borrões em roxo, tudo profundamente sujo em multicores.

Há ainda muitas pessoas na sala de jantar
continuam a nascer e nascer e morrer e morrer.

Ilumina os jardins com um feixe feito de aves brancas
Um clarão em arrevoada, batem asas e ventam.
Uma golfada de ar entre os cabelos, leves e soltos.

Correm soltos, envoltos em canção, parte, pulsa,
parte e expulsa todas as mortes em pôr-do-sol.
Irrisória promissória de um falso amor.

Tigres distorcidos, leões derretidos, baleias voam
entre nuvens lilás e esmeralda, esguicham jatos em prata.
Reluzem em sua pele de vitral, baleia de sonho e frescor.

Leandro Borges

22 de dez de 2008

por ti, eu vivia cheio de alegria
agora vivo cheio de saudade e tristeza

Leandro Borges

Liebe unter dem Mond schwarz


eine grüne Fee
ein Mondlicht in Flammen
die Sonne nach innen nach außen
der Ruhe der Nacht fordern die Toten

eine geheimnisvolle und schöne Frau
eine weiße Haut wie Milch
Ihre Augen hypnotisieren und mich erschrecken
Ihre schwarzen Kopftuch führt mich zu Ihrem Bett
Wir haben die Liebe unter den Mond schwarz

Leandro Borges

nero amore


una vita di solitudine
non si vuole che il tuo perdono
dimmi quante volte mi ha tradito?
damn è stato il giorno che ho incontrato è

un fiume di sangue
dolore
loathing
malato
malinconia
entrambi gli occhi gonfi dal pianto e pianto

fiamma blu in memoria
il suo spessore cosce e magnetici occhi
e ho detto a scomparire
un amore fatto di spine
Ho lasciato solo le ferite

Leandro Borges

18 de dez de 2008

Puta porca sem coração


a veia exposta
a rua suja
a tua face falsa
a menininha cheia de sangue sujo
vaza das tuas entranhas o teu aborto
brinca com porcos
dorme com o desespero e não dorme
boletas e mais boletas
rega tudo com tristeza
gritos mudos
solidão
depressão
fuga
morre para a tua mãe
esquece do teu pai
cai na vida todo dia
sai toda noite
cai toda noite
cai todo dia
finge que não sabe
finge que não tem importância
morre na ignorância
morre pregada na cama
desmaia por horas e horas
finge que é feliz
e diz e diz
no intervalo dos abismos
fica em estacas pelo corpo ao alto
impregnada de imundice
puta porca sem coração
bebe da latrina
come do lixão
fétida flor
mulher de lupanar
noiva de satanás
morra em morte lenta
a cada centímetro de dor
mergulha em laca incandescente

Leandro Borges

perdido boulevard


cai uma pétala do meu bolso
e me incendeia o pensamento

concentro a atenção neste perdido Boulevard
andando em mão contrária e me fixo no metal
minhas asas murcham, mais um dia deixo de voar

Leandro Borges

8 de dez de 2008

Puerto corazón


Un corazón, grande corazón.
una explosion por aires.
Queda en mi mirada
las mariposas azules encantam
todas las olas de mi alma.

Hay un pajaro volando bajo
buscando el plata al sur.

Tengo muchas cosas para conecer
y ahora no puedo más vivir en pedra.
TEngo muchos amores en la vida,
laliberdad, el amor, la arte y el universo.

Acostado en tu corazón puedo volar
y volar, transcendo espacio y tiempo.
Las tardes caem en Porto Alegre
en verdad, la alegria és vivir
en el puerto del corazón desta valorosa ciudad.

Leandro Borges

Fatia da realidade


Tocam os sinos em ondas
flutua a voz entre a floresta
deita ao chão, sente o vento falar.
Ouve as flexilhas chiarem ao vento.
As quedas d'agua recheiam o som
escorre abrindo como fenda a rocha
um calor à brotar, cravejado ao sol
uma lua vermelha, cheia, abre o céu.
O véu celeste branco da noiva esparramada.

A vida é frágil, tão perene.
Um tempo sem o tempo.
Onde tudo permanece e é.
Deixa o ser, ser.
O cantar sem palavras
sem voz, sem início ou fim.
A valsa dos astros
a curva do espaço-tempo.
O passado sobreposto.
O presente está presente,
como presente para o presente.
Somos um coro diferente,
nosso fator que nos é igual
é a nossa diversidade.

Leandro Borges

Primeiro amor


Teu amor me constrange.
Tua luz me guia.
Teu olhar me acalma.
Teu caminho é água viva.
Somos a água do teu reflexo.
És tua a minha alegria.
Quero ser teu instrumento vivo.
No horizonte da tua criação
vejo a grandeza e simplicidade
da vida do belo alvorecer.
Quero que todos os dias
as estrelas do meu olhar
sejam reconhecidas como reflexos
da tua vida em mim.
A verdade, o caminho, a vida,
vibrando nos olhos vividos.
Quero servir os teus propósitos,
estar pronto para doar meu coração.
Amar e amar. Pela tua misericórdia
ser amado eternamente por ti.

Leandro Borges

Frutificar do coração


O jubilo da lavourar o amanhã.
A boa nova do novo tempo.
A certeza da vitória sempre
é o meu escudo, a palavra o meu sabre.

As pedras, os destroços e buracos
tentam impedir o meu sonho, a vida.
Existem parasitas, abutres e ervas
daninha da alma, nossa e alheia.

Um tempo bom surge, frutifica-lo
eu farei, na medida certa nutrir.
O equilíbrio e a disciplina como guia.
O caminho único do coração.

Leandro Borges

O despertador


Eis então ele sobe ao topo do monte. Infla forte os seus pulmões e dispara as quatro pétalas da rosa dos ventos um leve e ressonante canto. Uma melodia invade todas as dimensões. Reverbera nos corpos. Traz luz. É quebrado a bruma do sono que cobria todos os lugares. Olham a sua volta, admiram o horizonte, todos já com os olhos abertos, ainda assim, abrem os olhos. Acordam depois de décadas. Seus olhos brilham mais do que nunca. Seus corpos irradiam luz. Outros saem de seus tronos, cavernas, casulos, esferas. Rompem a barreira, abrem seus corpos, também começam a irradiar luz. Então ele vê com alegria, e todos inflam forte os seus pulmões e disparam as quatro pétalas da rosa dos ventos um leve e ressonante canto.

Leandro Borges

Passa uma sombra


A sombra da alma aprisiona o coração, a vida; a cor.
É uma sombra que passa.
Adoece a todos no seu rastro negro.
Polui os pensamentos, confunde a direção.
Perde-se no labirinto da mente.
É lama.
É fumaça.
É escuridão.
Em um fundo de túnel, poço, lago;
vejo a densa massa que se alastra.
São correntes, grades, grilhões,
fardos, são farpas estéreis sem vida.

Leandro Borges

Para os ponteiros


Isso não termina nunca.
Nada acontece.
Tudo para.
Não há emoções.
Como água morna.
Deito, como se dormir
fosse alguma saída.
Nada emociona.
Tudo entendia, tudo chateia.
Tudo me parece igual.
Uma mesmisse pasma e acomodada.
Passa por um ano, que para lugar nenhum vai.
O beijo da vida tem gosto insipito.
Eram flores em cores vividas,
agora são um ramalhete murcho de cores pasteis.

Leandro Borges

4 de dez de 2008

Passa o passo



Passa um passo.
Passa um poço.
Passa e passa.
Passa um dia, passa um ano.
Eis que tu passas mas não passa.
Passa na minha memória mas não passa.
Passa a dor.
Passa a crise.
Passa o trovão.
Passa em passinhos.
Passa de raspão.
Eis que outra onda passa.
Meu coração não passa, para.
Pra ti ver passar.
Pra ti ver sorrir.
Pra ti ver brilhar.
Pra mais um dia nascer.
É uma vida que passa.
Mas o que não passa
é o eterno da memória.
É a nossa estória,
que nenhum livro de história
há de contar.
Alarga o passo.
Olha seus passos na areia em frente.
E deixa passar tudo aquilo que passou.

Leandro Borges

3 de dez de 2008

Uma criança pura


Vira página e mostra a palavra desnuda.
Tira o encobrimento dessa maquete, da cidade.
Me voam as paginas até mim, volto ao ponto inicial.
Para um pássaro aos pés, olho para ele profundamente.
Fico pensando dias e dias e mais dias.
Que deixa o corpo solto, continuo a mirar.
Deus me guie, deixe o seu ar me levar, e tão somente ele.
Proteja de toda a chuva do inimigo, lobo a espreita.
Quero um canto seco, quero compartilhar a paz, o amor.
A consciência limpa, a confiança não abalada.
Ficar sem mais sinais em um canto, em paz.
Fechar os olhos e só ver a luz do alto.
Escutar a voz de Deus e dormir como uma criança pura.

Leandro Borges
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