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30 de jun de 2012

Rasgue o véu do dinheiro

Não, não podes entrar nessa porta por dinheiro.
Não, não conseguirás abraçar enquanto não soltares o ouro.

Essa casa, cada pedra é feita de outro material.
Teu ouro não compra um grão de areia aqui.

Quando dás um abraço de amor, aqui nasce uma flor.
Quando outro compras um sorriso, aqui morre uma flor.

Tua fama aqui não é nada.
Teu status aqui não é nada.

Aquele que avalia pelo que tu veste,
não sabe que cor a tua alma veste.

Porque a Babilônia quer o teu sangue, o teu suor e a tua felicidade.
Não terás vida, sobreviverá apenas, e comprar será o único pseudo-viver.
Não se iluda com o doce do dinheiro.
O amargo vem depois, quando o vazio chegar ao teu coração.
Quanto mais valor deres ao ouro, menos coração terás.
Nenhum par de ás lhe dará paz.

Utilize o dinheiro com o coração.
Valorize quem e o que precisa ser valorizado.
Não corra atrás do dinheiro, não viva para ele.
Viva pela vida, pela dignidade.
Há coisas que só o amor paga.


Enquanto o Deus-Morte for mais forte que o Deus-Amor,
animais, humanos e anjos choraram rios de lágrimas.

Não deixe que o feitiço dessa gente sem-coração lhe tomar o controle.
Quando o Deus-Dinheiro-Morte cair, cairá também os seus vampiros-prostitutos.

Quando as Babilônias caírem, não poderás mais
comer dinheiro, beber dinheiro vestir dinheiro, andar dinheiro.
Uma nova moeda nascerá em nossas consciências, corações e mentes.

Há somente uma bússola nessa vida, o coração banhado de amor incondicional.
Grafite no teu coração, só um Deus, só um amor, só um coração.

Leandro Borges

"Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro. Vós não podeis servir a Deus e as riquezas."



17 de jun de 2012

Sem Pena

Um mundo pingado de coisas.
Muitos pontos e muitas partes.
Muitas memórias em desassossego.

Meu peito bate quase feliz.

Eu olho pra tantos lados, pra tantos lugares.
São tantas realidades e tantos contrastes.

Meus olhos quase choram.

As ruas quase ruas.
As estrelas quase estrelas.
As casas quase casas.
As pessoas quase humanas.

Andam com tanta pressa e tantas rugas de mal dormir.
Andam com tanta fome de dinheiro e tanta falta de vida.

Se eu vejo a tristeza alheia, como posso passar alheio a tudo isso?

São rachaduras de um corpo.
São dormires de andar de pé.
São solas gastas de muitos quilômetros.
São fomes de comer frio e vazio.

O céu deveria ser azul.
A água deveria ser limpa.
A vida deveria ser feliz.
A arte deveria ser viva.
O dinheiro deveria não ser Deus.

Leandro Borges

Posso te dar o meu sul

É este tempo-espaço de vão, lacuna pras almas.
Espaço entre as chamas.
Onde és liberdade.
Onde sou espera.

Preciso mergulhar no teu universo, fique mais um pouco.
Conhecer à que somos e à que façamos.

Sinto o teu raio e nele me conforto.
Sinto o teu abraço e nele há um casulo.

Vou deixar correr esse lobo no vasto pasto.

Eu-pássaro escolho a minha morada, onde o rio corre.
Tempo-espaço entrecruzam, transpassados estamos.
Abraçados nesse eterno-abraço.
Quando o olhar deságua no meu, me tens em direção.
Posso te dar meu sul.
Posso ser teu, só teu.
Quando rompi a linha não acreditei no que vi.

Será devaneio?
Será futuro?
Será projeção?

Cuido em segredo, a tua energia que deixas-te em mim.
Essa rosa que és tão rara.
Essa prenda-flor que és tão cara.
Valor de sentimento, onde as moedas estão no coração.
O preço de viver à dois.

Posso voar toda uma vida.
Podes correr toda uma vida.

Que rio somos, que rio seremos?
Que centelha minha está contigo?
Que centelha tua está comigo?


Naquele ponto-momento as águas eram uma só.
Una pareja y un solo océano.


És milagroso y divino mirar, abrazar y sentir.
Paraíso és acostar en el corazón.


Onde em um salto o caminho dirá.
E as nuvens da incerteza passarão.

De quaisquer formas, estás no meu coração.

Leandro Borges
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