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26 de set de 2010

Flor Esmeralda

Como se no teu beijo morasse um flash novo de vida.
Um ponto alto de luz.
Uma quebra.

Como um vôo de uma jovem cotovia.
Em sonho fura nuvens.
Desliza leve.

Em uma noite tão suja, surges.
Tão alva, tão doce.
Leve, tão leve.

Leve-me, Love me.
Leve-me, Love me.

Pode uma sinfonia tocar.
Pode um anjo nos abraçar.

Há uma balada tocando no exato momento do primeiro estalo do nosso beijo.

Os Beatles nunca serão mais os mesmos.
Agora todas aquelas letras açucaradas posso saborear.
São tão doces, tantas sabores, tantas cores.
Tenho a chave da permissão para todo o sentimento.

Se te abraço mais firme é porque no brilho dos teus olhos vejo uma estrela maior.

Cansado de andar por galáxias distantes
longe da minha natureza; todos cheios de pressa.
Mesmo entre esses astros, vemos tanta lama
e não há fama que justifique.
Andamos distantes, em planetas opostos
e não por acaso vejo o outro lado de ti.

Deixemos de lado todo luxo e todo lixo.
Ambos abomino.

Te convido para um não-convite.
Recebo o retorno da chave perdida.

Vôo calmo.
Retorno a planetas.
Recapturo nuvens.
Danço novas músicas.
Meu peito se expande em flor esmeralda.

Leandro Borges

18 de set de 2010

Miscelânea de um quadro


O quadro me deu essa ferida na cabeça.
Me deu, e por um bom tempo não tinha consciência da ferida.
E pra quem é?
Porque?

... por aquilo que se dá a alma, a vida.
Uma ferida seca, amarga.

Uma sala quase vazia...Um bolço quase vazio.

Muitas e muitas noites.
Muitos e muitos pingos de suor.

Da cor que não se vê, mas sabe que foi pra outrém.
Da forma como um olhar domina outro.

Pelo olho que cresce no ego.
Por mais nãos acumulados.
Pela fala de humildade.
Pelo não escutar.
Pelos ignorares.

Nú no alto, no chão de um saltimbanco.
Nú para o gelo ao redor.
Frio de não aquecer o coração.
De espantar o desejo.

Andando cego pelo chão, vejo quimeras e dragões.
Todos tão amáveis com suas coleiras de ouro.
Sigo e tento me manter forte.
Rodopio, tento criar um escudo de luz.

São tão fortes, as quimeras riem e os dragões cospem fogo.

O tudo entra em chamas e eu tento salvar a minha alma.
Entram todos em cena, todos nús.
O fogo queima as falas, queima as marcas.
Queimam as almas de todos.
E sobra apenas um resto de quase não-teatro.
Maquilagem derretendo, falta água, falta ar.


O espelho era pouco e se acabou.


A platéia joga moedas , mas a quarta parede não deixa nenhuma cair.

As quimeras riem e os dragões cospem fogo.

O tom da peça fica ainda mais dramático, o lixo começa a escorrer por entre os personagens, pelas veias de cada um.

Os olhos de duas atrizes crescem com fogo dourado, deixam cair de seus corpos os corações. Sai um líquido preto das suas bocas.

É uma cena não-ensaiada, há bicicletas voadoras no palco, e voa um velho palhaço.

Ele é morto por alguém da sala de comando.

O pano se fecha. E logo após é queimado pelo fogo.

O tom da peça fica ainda mais dramático.

Então os dragões tomam a cena, comem do melhor: os corações que sobraram.
As quimeras fogem.
Um barco surge em direção a favor do vento.
Um sol tão pequeno surge e escorre lodo.

Alguém da última fileira grita:

- Como é bonito ver um grupo de atores sangrando, desenhando com sangue no palco palavras indescifraveis.

Outro da primeira fileira grita:

- Deveriam ser artistas plásticos!

Um amigo da trupe na terceira fileira fala:
- Sucesso!!!

Leandro Borges

16 de set de 2010

A Cura

É disso que é feito toda essa energia.
Onde a vida verdadeira se detêm.
Onde vida e morte, tempo e eternidade; compactuam.

A capacidade de ter-te é força para substituir o poder.
É uma promessa, uma lembrança.
Entregar a tudo e sempre; jamais esquecer.
Não permitir que tão singelo gesto desapareça.
É estar com a presença divína permanente.

Ao ver, veja a luz noite.
Onde a luz do luar possas ver:
metade com os olhos e metade com o coração.

Como entrar no paraíso em vida.
É entregar a vida a outrém.

É ver além do além.
É ter os pés no ar em terra firme.

Onde o peso e a dor não podem entrar.
É banhar-se em plena primavera com os ventos da esperança.
É rever o mundo com os olhos de uma criança.
É seguir tranqüilo.

Um longo adeus que nunca se acaba.
Transforma o mais simples mortal, em ser especial:
aquele que vê toda a cor do universo.

Quando verdadeiro proferido: o universo transmuta e expande.
Trocamos nossa natureza grosseira e matérial, para uma expansão espiritual.
É o ponto onde se honra a vida em seu mais alto degrau.

A deriva do tempo, temos a nítida sensação de paz e completude da vida.
É a chave-mestra para todas as portas.
Onde os milagres residem.
Onde se basta.

Onde cura-se é preciso no agora, não ontem ou amanhã.
Um ato de fé que reside no altar mais elevado do ser humano.

No suspiro.
Nas palavras.
Nos gestos.
No brilho.
No olhar.
No escutar.
Na pele.
No arrepiar.
Nas carícias.
Nas batidas.
No coração.
No abraço.
Nos longos silêncios que justificam a incansável contemplação.

De onde as mãos emanam, os olhos, o peito palpitante, os lábios doces.
Íntimos, tão íntimos... tão marcados... tão entregues.
Em um beijo... vemos apenas uma alma.

É um despertar-se pelo outro, é um raio de sol humano.
Luz que clarifica todo mundano; torna-nos mitos em carne e osso.
Quantificar a sua luz, é o somatório de toda luz emanada recebida.
Conscientizar-se que é muito além de um aglomerado de átomos.
Deixar toda energia ser exatamente a natureza o qual fidedignamente emana.

Um mar de ondas perfeitas, onde cada onda é única e simples.
Que cada curva dança, cada movimento é grávido de emoção.
É ferver dois líquidos juntos em um só horizonte de gargalhadas.

É transferir a vida pela doação, ser pelo outro.
Onde tudo vence.
Não há caminho difícil ou insuperável.
Simples como sorrir juntos.

Sentir-se forte, generoso e cheio de vida.
Invade todo o universo com seu inquebrantável poder.

Vital força.
Latejante pulso.
Razão sem razão.
Emoção sem poréns.
Poder sem sombra.
Graciosidade sem ostentação.
Caminho de núvens.
Rodopios em alma.
Retrato inesquecível.
Poder indestrutível.
Fogo invisível.
Sabor de cores.
Confiança pura.
Vento profundo.
Canção do verão.
Fala do coração.
Elixir do espírito.
Calor do existir.
Refúgio do caos.
Sonho real.
Harmonia do cosmos.
A maior força do universo.
O significado de ser vida.

Tons.
Cores.
Música.

Em tantos caminhos te encontramos.
Em tantos versos já te foram feitos.
Nas partes mais remotas do universo irradia.

Generosa força transmutadora e metamorfoseadora.

Leandro Borges

14 de set de 2010

O brilho de uma criança


Alegria de correr... como um bebe crescidinho!
Se embriagar de alegria, pelo simples fato de sentir-se correndo.
Um sorriso simples de criança.

Tão pura.
Tão suave.
Tão inocente.

... e eu tão culpado.


Como pode os anos terem me deixado tão sujo?

Leandro Borges

13 de set de 2010

INFERNO-SP


Cidade-inferno.
Transito-inferno.
Atraso-inferno.
Dinheiro-inferno - tô pouco me fundendo pra essa merda!

Morra soterrada de dinheiro, poluição e concreto.

Engulam dolares, reais, euros e arrotem ostentação, stress, parada cardíaca e AVC aos 30.

Metrópole da gordura, obesidade e ego: tudo inflado!

Rotina de merda e vida cretina.
Stress, além Stress; cidade muito aquém: cidade sem coração.

Leandro Borges

7 de set de 2010

São Paulo, cidade escrota


São Paulo é isso, te traz uma lágrima; um rio.
Te aperta, te sufoca, te seca, te consome.
Desde a infância te xinga, te desdenha: não te dá atenção.
É poluído... de dor, de desgraça, de vaidade - te ilude, te inunda de carbono.
Nos poros.
Nas vísceras.
No pulmão.
Na alma.
No coração.
Muda a tua natureza, te faz escravo do sistema.

Vai um dinheirinho aí?
Quanto vale a tua alma?, a tua família??, a tua dignidade???

Leandro Borges
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