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25 de dez de 2010

Prenda-Flor

Ao olhar nos teus olhos fiquei paralisado
algo gritava dentro de ti, e não era dor

Te beijar devagar, descobri uma rosa escondida no teu coração
Mudou meu pensamento
Irrigou os meus sonhos
Me propôs um outro caminho

Ao viajar pelo vento eu encontrei um sonho escondido
uma fome nasceu
Criei nova casca e plantei novamente coração inflamado
meu pensamento inflamado em ti passou
e continuo pensando em ti
Que me importa outra

De um porto a outro
Centenas de quilômetros nos separam e eu ainda lembro de ti
e o que encontrei no teu coração

Era pequena, era nova, era flor
tinha a alma no brilho do caminho
cor de cegar olhos
na tua guria eu te via
sincera autêntica feliz

São teus olhos o rio grande
E com os meus eu levo os dois

Olhos de engolir
Olhos, grandes; seios, boca, suave eram os dois

Mulher de parar mundo
Poder de Cleópatra, mulher dos Pampas
És mulher, além Ana
És mulher, além Bibiana
És mulher, além Anita
És mulher, além Evita
És mulher, além Mar

Mulher fronteira do melhor dos dois mundos
Tens a força da beleza e o açúcar de uma prenda-flor

Tens a graciosidade dos pássaros ao sul
És guapa
Cabelos negros-furacão como tal
Cabelos lisos reflexos prata como tal
És de um preço, apreço, presente
És prenda, és mulher que veste em flor

Dança ao toque de gaita
Amo minha terra
Amo as mães dessa mãe-terra

Dança entre matéria-energia
Os corpos em cargas opostas e em unidade
As ondas de átomo
minhas partículas
tuas partículas:
partículas de Deus!

Leandro Borges

20 de dez de 2010

Das quimeras brasileiras


Minha vida transpira alegria
Sorve emoções mil
Transborda todo amor que houver nessa vida!
Somos muitos e seguimos!

Onde vês vazio, vemos poesia e imensidão

Somos muito mais que teu sonho vão
Sou poeta das quimeras brasileiras
Sou poeta que canta flores
Meninas, mulheres e cores

Canto sabores que nunca conhecerás

Me deste alimento infinito
Minha criação em sobra transborda em letras e versos mil

Eu sou a derrota de muitos, pois sou apenas um peito aberto que sente a vida
Para quem perde a alegria de viver eu sugiro morrer e nascer

Leandro Borges

Suposta-evolução não-sustentável


Os santos são falsos nas bocas alheias, cheias de prostituição

Não faças do vôo a perdição

Sigo leve
Sou amor

Livre e consciente

Sou dança, sou alegria

Tu és muito aquém dessa sabedoria

A vida é muito maior que um golpe

Preciso de flores

A doença do mundo é o teu coração de lodo

A vida leve segue a doce canção

Sou brisa
Sou poeta: simples mortal

Farpas apodrecem na tua boca, tua inveja é teu lodo

A justiça é forte e certa
Soterrará todo o lodo!

Somos pássaros-poetas: livres
Sigamos fora da coleira do mundo
O mundo, imundo de dominação e consumo

Se meus olhos choram, é porque não há mais tanta esperança
Somos um caminho sem volta para o abismo insustentável e cruel

Os olhos da medusa-industrial que transformou toda natureza em pedra
sem cor, sem amor, sem vida, sem nada: apenas cinza


Pedra cinza, cimento cinza, aço cinza


Me desgasto sem rumo
numa cidade perdida
com um coração de pedra

Medusa cruel que matou toda cor
matou todos os sonhos, as lendas, os mitos

Somos escravos de uma suposta evolução não sustentável, burra e auto-destrutiva

Eu tenho vergonha de viver nesse mundo, nessa civilização

Somos cobaias, bois, manipulados, sem saída!

"Crer-se no progresso não significa que já tenha tido lugar qualquer progresso.
Franz Kafka"

Leandro Borges

Tecendo por uma vida mais digna


Sou mais que sua vã filosofia pode um dia alcançar

Minhas asas são feitas no agora

A minha vida é feita de luz
por mais erros que tenho, busco a luz

Sou leve
Sou eu
Sou apenas genuíno

Persigo mistérios
Procuro almas de coração leve
Vôo com as assas mais fortes
Aprendo com sua astucia e ousadia

Minha vida vence a ferida
Sou mais que superação

Penso nos altos vôos da liberdade
Derreto nas valsas do tempo

Todo o calor ascende as minhas vísceras

Somos brasa
Somos fogo
Somos imensidão
Somos transbordo

Leandro Borges

Pouso a vida ao voar


Se o céu me é permitido tocar, entre quantas estrelas posso estar?

São as fortes ondas do sul que me fazem voar muito mais alto!

Somos sol
Somos verão
Somos sul
Somos cores
Somos azul
Somos flores
Somos céu
Somos amores
Se em um ponto de vida posso encontrar todas as formas

Pouso a vida ao voar

Não necessito de guerras, e sim de paz, amor e amigos!

Leandro Borges

Coragem de um vento


Furo o vento, o medo, o tempo
A vontade de fazer teatro me faz mais vivo, sigo

Quase corro, quase morro

É uma mistura de respiração ofegante, suor e garra e fome de teatro

Aperto passo, o coração e abraço a alegria

Me sinto leve, confiante e ofegante

Existe alguém mais apaixonado do que eu?

Fazendo malabares com navalhas

Isso é fazer arte aqui

Me corto nas ruas, mas meu sangue berra, não perde força, avança, luta; sonha!

Sigo por avenidas pequenas
Vejo prédios não charmosos
Tecnologia vazia
Olho para meu coração e vejo um charmoso café e três luas crescentes
a mata atlântica e a Amazônia

O teatro dita meu tempo.
Tempo de arte.

Sonho
Canto
Luto

Leandro Borges

Na estrada em volta do planeta


Gira-Mundos como nós
Alavancam em cada ciclo
Voltam a cada volta

Andarilhos como nós
Viajam a cada ponto
Ao unirem entram a conexão

Viajantes como nós
desbravam pelas cidades
De lugar em lugar, desvendam

Aventureiros como nós
Navegam os sete mares
A cada porto, amam

Mochileiros como nós
Carregam a cada cultura
A cada conhecimento, crescem

Gitanos como nós
Atravessam as sociedades
a cada estação uma nova vida

Passantes como nós
Percebem milhares de mínimos detalhes
A cada quilometro um simples caminhar

Forasteiros como nós
São quase sempre estranhados
A cada contradição, uma nova visão

Nomades como nós
Seguem o movimento do vento
A cada ventania, metamorfoseiam

Estrangeiros como nós
Voam por muitos ninhos
A cada pulso, um novo amor

Clandestinos como nós
Fogem a cada esquina
A cada rima, um novo verso

Errantes como nós
Falham em muitas bifurcações
A cada degrau, evoluem

Irmãos como nós
Despertam dos sete véus
A cada consciência, iluminam!

Leandro Borges

3 de dez de 2010

Flamenco-Namastê


Lábios de ladeiras sem fim
Correntes de palmas estridentes, esvoaçantes
Garras nos olhos, sabores nas almas
Corpos contentes cantando
Corpos tristes cantando

Dançando com o corpo
Tocando com os pés
Seguindo a canção

Melodia Andaluz dos tempos áureos

Sagrados sentimentos, opostos dançando
Em um mundo de paradoxos alados, complementares
Refletem a beleza metafísica, o estado zen
O belo caminho da iluminação pela sublimação dos opostos

Jorra teu sangue nos ares, movimentos circulares
Curvas de uma dança infinita
Onde a dança e o dançarino são fundamentalmente a mesma essência
Onde o caminho e o caminhante são um

Onde só existe a Escuridão-Primeira
As cores das almas
O brilho dos mirares
A ligação entre essas estrelas

Onde o pulsar do coração e o pulsar da música são UM

Janelas abertas, olhos abertos

Onde partículas de Deus se fundem

Flamenco que transcende a vida
Flamenco que transcende o tempo-espaço

Flamenco, Namastê!

Leandro Borges

2 de dez de 2010

Horizonte

Não consegui de outra forma te dar, o presente-sentimento guardado.
É um sol, um olho de deus, meu universo pra ti.

Eu teço partes de mim exteriorizadas,
são sois, corações, manifestações do ritmo louco da minha pulsação.

Com um coração leve, te dou.
Com um coração leve, consigo voar.
Com um coração leve, sou a ponte dos mundos.

Sentir os olhos brilhando a luz da alma.
Admiração por reconhecer a tua chama.
Encantamento por contemplar a tua natureza.

Leandro Borges

1 de dez de 2010

Renascer em primavera


Cansado de andar por galáxias distantes
longe da minha natureza
todos cheios de pressa
Mesmo entre esses astros vemos tanta lama
e não há fama que justifique
Andamos distantes, em planetas opostos
e não por acaso vejo o outro lado

Deixamos de lado todo luxo e todo lixo
Ambos abomino

Te convido para um não-convite
Recebo o retorno da chave perdida

Voo calmo
Retorno a planetas
Recapturo nuvens
Danço novas músicas
Meu peito se expande em flor esmeralda

Leandro Borges
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