Seguidores

28 de jul de 2010

O Rio Grande em mim


No meu canto teço um pranto de dor e alegria.
E é com euforia que deixo meu pago.
Onde sou teu filho.
Onde sou raiz.

Tua história num rio de veias me diz.
Andei por tuas terras como um aventureiro
e sou herdeiro da tua tradição.
Então canto feito oração as bênçãos desta terra.

És de um carinho, és bela, és florida, és peleia, és minha terra, és pátria soberana.

De onde eu não deixo de amar.
Sou teu eterno lar.
És meu lar, e hei de te cantar quantas vezes for preciso.
E te digo, pago amado: te guardo no coração, e não é em vão.

Leandro Borges

Aquele bar

Minha alma voa, és em terra
És em proa.
Em azul marinho.
Vai voa.
Vagueia.
Segue estradeira o espírito voraz.
A paz contruímos no nosso mundo e nem o pensamento mais imundo pode nos destruir.

Não tem frios aqui nesse bar... mas eu tenho as fomes do mundo.
E o terror não trará horror a minha vida.
Mesmo que mais ferida seja a minha vida, vamos ser brandos, vamos ser fortes.

Aprenda a voar.

Sigamos a madrugada vadia, ele que nada tem.
Ela que vem em colapsos.
Vem com brumas.
Vem com mistérios.
Vem sem passado.
Vem sem ilusão.

Meu pão agora dorme faminto, com miséria e dor.

Todas as portas se fecham, e todos os mares se abrem.

Meu mundo precisa de um toque de gloria e nenhum amor leviano de bar poderá apagar.

As tuas garras podem ser grandes, mas o meu coração é maior.

Deixe-me voar!

Mas o meu vôo não é para fugir.
O meu vôo é para deixar todas as minhas forças livres.
É pra deixar livre o coração.
É pro céu ainda ser azul e lembrar do que se é.
A vida curta de tantos suicídios, mostrou a face mais horrenda...
E eu não vou sair por aí desesperado, porque meu ego nunca deixaria.
A minha força bruta, grito lágrimas, desespero, exagero e alegria.

Teu brilho me deixou vivo.
Não me deixe morrer.
Não se apaque para mim.

Eu sou a tela, eu sou a folha.
Deslisa, vaga, passeia; conversa, vagueia!
Meu coração te tateia, e tu... vagueia no meu mar.

Leandro Borges - maio de 2010

São Pauleou


São Paulo me cansa, me desgasta, me atordoa, me letarga, me adormece, me olheira, me tira o tempo, me tira o sorriso, me deixa liso, triste, enfadonho.

São Paulo me dá quilômetros para percorrer e me canso, mas não pra dizer.


Tira o meu estado SOLAR.


São Paulo são-pauleia-me:

Nubla-me;
Entrenubla-me;
Nuvea-me;
Anuvia-me;
Brea-me;
Turva-me;
Escureça-me;
Acinzenta-me;
Esqualida-me;
Descora-me;
Empalida-me;
Soterra-me;
Desajusta-me;
Desfoca-me;
Desestrutura-me;
Deprima-me;
Oprima-me;
Engula-me;
Maltrata-me;
Açoita-me;
Fira-me;
Humilha-me;
Exclua-me;
Bana-me;
Deleta-me;
Desapareça-me.

Ajuda a mostrar o meu lado mais avesso.
Vejo o Brasil aqui, e é um Brasil feio.
Ando por ruas quebradas, por sorrisos amarelos.
Pessoas cansadas, soterradas de trabalho.
Pessoas caladas, soterradas de tristeza.
Pessoas frias, soterradas de depressão.
Paro na esquina e vejo intolerância, ignorância e desesperança.

São Paulo é como toda cidade Brasileira, porém elevada ao quadrado.
Aos retângulos do teu corte aéreo, das linhas da tua silhueta.
Linhas retas e pessoas tortas.

Alguma coisa acontece no meu pulmão.
Que só quando cruza a Augusta e Av. Paulista.

Não te vejo imensa, te vejo pequena.
Concretista, concretíssima... poesia dura e feia.

Soberba do dinheiro... não me seduz.

Um braço forte... e um coração petrificado.


Em certos dias, vejo a tua garoa como pequenas lágrimas de São Paulo.

Leandro Borges

5 de jul de 2010

Dor desfigurada digital


Não vejo o outro vejo.
Se o deserto impacta em cheio
sinto o receio do veneno.
Toda dor condensada numa gota de saliva
lodaçal
pesada
intragável.
Sem porção de amigos
agora corroído com vocês.
Sons, trombetas tortas de anjos caídos.
Se o vento soprar e deixar
rolar o copo de plástico sem cerveja
nesse fim de quase não bar.
Minha vida perto de uma mesa
servido de nada vezes nada.
Tiro da ponta da caneta o triste traço dessas letras
que da caneta transpassada para o computador perde
a emoção dos meus rabiscos, das lágrimas misturadas a tinta,
dos borrões que traduzem muito mais a minha dor
do que estas simples palavras vãs...
Nesse mar de letras retificadas no computador,
fica tudo tão limpo, uma mentira do que sou...
perde o seu real valor...

Leandro Borges
Creative Commons License
Poesya, não burguesia! by Leandro Bastos Carneiro Borges is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at poesyas.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://poesyas.blogspot.com/.