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30 de out de 2012

Apenas o começo


É mais de cem horas, é mais que um infinito
É mais que mil instântes, é mais do que distante
Espaços tão longínquos e tão vazios
São tantos não-lugares a percorrer, são tantos não-dizeres a escutar
São tantas pessoas presas, tantas pessoas dormindo, tantas pessoas cegas-surdas-perdidas... anti-vidas
MegaFuracões
MegaCiclones
MegaTempestades
E mais do que transbordo, é mais que inundação
São mais do que um milhão de tragédias, são mais que bilhões de aberrações
MegaZombies
MegaQuimeras
MegaDemônios
Legiões de sugadores de energia, legiões de bilhões de megatempestades de megapesadelos

A MegaÁrvoreDaVida em um filme-cíclico-gerador-eterno-de-frutos: pendurados-mortos-suicídas-nativos!

A MegaÁguaMangedouraTerraAstronaveArVidaPlanetaMãePai Urra um Pranto Descomunal!!

Escancarada os portões dos infernos:
É lama radioativa-incandescente-ácida-viral-atômica-bacteriana-transgênica-insana!!!

Leandro Borges

26 de out de 2012

Por mais um dia ainda

Chove.
Por mais um dia chove...
Chove, sim, por mais um dia ainda chove.
A cada gota que explode na borda da minha janela.
Tenho um flash do rosto dela.
Lembro do rimel borrado, escorrido
de tanto ter chorado
as lágrimas que eu te dei.
O choro negro que eu te dei...
Lembro de cada noite fria, chovia,
que por vezes em meus braços dormia
depois de ser vencida pelo sono.
A cada segundo, era mais um para nós,
era mais uma gota de eternidade.
Lembro da infinitude do teu olhar.
Era um brilho sem igual, hoje sei.
Lembro que não entendia
a tua irradiante alegria, hoje sei.
Lembro dos teus dias turvos.
Pensava que a culpa era minha, hoje sei.
Lembro da minha insensatez, minha arrogância,
insegurança, ciúmes e egoísmo.
Era como um cego suicida, hoje sei.
Afoguei, soterrei, incendiei e devastei.
Matei o que de mais bonito havia entre nós, hoje sei.
Como não chorar ao lembrar de ti,
ao lembrar de mim e do monstro que eu era.
Refletir me fez mudar, fluir como a chuva.
É, hoje eu sei. E como sei...
Foi aquela chuva negra que eu te dei.
Chora.
Por mais um dia chora...
Chora, sim, por mais um dia ainda chora.

Leandro Borges

6 de set de 2012

9 de ago de 2012

Fabuloso tango



yo estoy a volar con el pensamiento

paró en tus pies, miro fondo en tus ojos

hay fantasía y color

mezclado en fevor



si me preguntan por ella

yo respondo que és mi cariño

entonce yo recuerdo el sabor de sus besos



en la vida hay un peligroso camino,

una flor roja y muy bella



un camino feroz e pulsado

un corazón brillante y alado



anoche, un baile de tango

sacarte, és mi fabuloso plano

si quieres

bailaremos por la heternidad



Leandro Borges dedicado a Camila Burel - 22/11/2007

Louca, Sorriso e Explosões

Loucura irmã do outro lado do bar
Ébria menina cativante, mesmo distante te sinto
Sem nenhuma palavra te arranco sorrisos
E quanto mais converso, mais quero escutar
E quanto mais concentro a energia em ti mais próximo sinto
Me tira de pescares tantas risadas doces, cenas inusitadas...
Faz tudo que queria fazer e reprimo as vezes...
Tão profundo como docemente louca
Tão falante como sabiamente louca
Tão colorida como simplesmente louca
Se eu sou um fofo, é porque me arranca o de mais precioso em mim.
Se eu sou teu anjo, é porque me cura enquanto te protejo.
Teu sorriso parece meu.
Tua loucura parece minha.
Cada segundo do teu segundo valem mil vezes mais
que quedar com essa
gente:

chata,
sem graça
sem sal
sem cor
sem sorriso
sem sol

Não estou por fantasiar.
Contigo como é agradável, divertido, especial, singular, porra-loca, simples, avoados, conversamos, andamos, teu sotaque de brincadeirinha...

Entraste na memória e pernamece.

Confesso que é estranho sentir tão forte saudade.
Nos embrenhamos e me sinto tão bem contigo.
A tua energia me contamina, é desses olhos que preciso mergulhar.
Não pude responder...
Na despedida foi tãoi impactante, emudeci sem querer.
Eu também gostei muito de ti.
É preciso maid e 24 horas, mais e mais.
Eu quero contigo estar.
O futuro é futuro.

Ao alongar o corpo algo além corpo ultrapassou os limites dos limites.
Deitamos no palco de ilusões.
Nossas troca de carinhos são reais e ao redor chocamos.
E o a vida com sentimento choca, e todos os invólucros ao redor caem.

Não quero chorar.
Eu quero o nosso aleatório sagrado.

O mais forte é o nosso abraço sincero.
Eu quero nós dois.
Vamos?

Somos doidos. E daí?
Vamos?
O mundo vai acabar. E daí?
Vamos?

Vejo a estrada linda do teu sorriso.

Eu devo tá viajando, meu coração tá sequelado ou eu to com saudades, das nossas conversas, dessas trocas, de ideias, carinhos e sentimento.

Só peço não maltrata esse palhaço.
Eu quero te conhecer mais de perto.
de alma.
de coração.
Quando encontro uma rosa, ana, o resto se torna pequenas flores sem importância.

Como é sagrado quando unimos a nossa loucura.

O palhaço chora,

mas chora de alegria.

Leandro Borges

8 de ago de 2012

Ao tecer da vida

Sol torrido, sombra gelada.
Andando nessas terras descampadas.
Nesse liso infinito lugar.
Onde o tempo é amigo, querido do viver.
Os pássaros passam calmos.
Cantam cirandas e acordam os sonhos.

Um riacho, olhos d’água, mansidão.
Demasiado ensolarado, vida tão colorida.
Mesmo na seca, a flor vence a razão.

Cor de pele bonita.
Miscigenação de povos encantados.
Cantarolam os ancestrais.
Explodem corações alados.
Identidades renovadas, fortalecidas e florecidas.
Pelo tecer das
mãos
rodas
cantigas.

Sorriso feito navalha


Baby, no teu altar há sangue podre.
Segue a risca, essa tua cartilha suja.
Mostra teu vestido branco, mui rubro.

Passa o vento e continua a seguir os rótulos.
Come os lixos, lambe os porcos.
Passa o tempo e continua a pôr os rótulos.

Vem o ceifador e te tacha de vagabundo.
Um mundo que te chama de drogado.
Estudante inútil, palhaço, palhaça; sustentado.

A hipocrisia do mundo sorri.
Diz mil absurdos incontestáveis.
Te aponta na cara e te chama de fracassado.
Uma vida limitada, mal amada e uma linda fachada.

Transa com um pesadelo.
Acorda em pelo, em gelo e solidão.
Ouve vagas lembranças de outra garota desconhecida.

Falsa vitória de uma sombra de vida.
Uma ferida pra te fazer feliz.
Por um triz, que não morres novamente.
Cada fracasso que sente, me de presente
o que eu quis, ao invés de me fazer infeliz.

Hipocrisia,
eu
tenho
uma
pra
viver.

Leandro Borges

Chama-Luar

Onde encontrei o teu, calado.
Veio um sereno frio de doer.
Um luar radiante, tão branca cor
molhava os corpos de luz.
Ver tudo encharcado pelo branco da noite.
Lua cheia.
Cheia luz.
Onde a sereia encontrou o cerrado.
As águas invadiram o sertão.
A lua transborda das tuas águas.
Límpidas cristalinas fabulosas.

Beija o grito da sua luz.

Fogueira de encher os corações
com lenha de cheiro
com som de acalmar.

Fogo, fogueira, lua, mulher.
Vidrados ficam os meus olhos.
Encantados com a chama.
Inflama meu coração aflito.

Beija o grito da sua chama.

Onde a lua transborda luz.
Onde a fogueira transborda calor.

Mil bondes


Nunca é.
Nunca é!
Sentimento de nunca é.
Sentimento de... Agora vai acontecer.
E quando tu se depara, não é.
E acontece denovo.
Tu olha bem e não é.
E tem uma hora que vai acontecer.
E tu ta lá, com um pé lá!
E não é.
Sentimento horrível de nunca é.
Nunca é pra acontecer e nunca acontece.

A gente experimenta uma vez. A primeira vez.
Começa pequenino e vai crescendo.
Crescendo.
Até chega uma hora que toma forma.
Que toma o corpo.
Ai a gente conhece de fato, pleno e completo.
E ai um dia acaba.
Um dia desses que tem um sol, nublado ou chovendo tanto faz.
Eai se passa por um tempo sem saber aonde se está.
Para aonde se vai.
E quando se reestabelece o caminho.
Continua o caminho.
Até que chega um momento que se encontra.
Se encontra.
Se encontra novamente.
Mas aí que tá o problema.
Ou não tá o problema.
Tu olhas e vê.
Bem na tua frente
Mas tu sabe
Tu sabe que não é mais, que tu não é mais a mesma pessoa.
E ai, começa antecipa tudo.
Eai que tá a desgraça.
Por causa da fome se antecipa.
Ai que tá o fel.
Aí que tá o erro.
Mas a fome é tão grande que te faz erra sempre.
A fome é gerada pela própria falta.
E a falta é inevitável.
E quanto mais se evita, mais tem falta, mais cresce e mais se erra.
Parece que não tem fim

Eu queria ser hipócrita.
Hipócrita que nem todo mundo.
Que nem todo mundo uma parcela na verdade.
Que não tá nem ai.
Pega um bonde.
Sai dum donde pega outro.
E quando vê acha que tá indo pro primeiro destino e já tá lá no 15º bonde.
E é só uma ilusão e quando se dá conta se tem 40 anos e se desce do bonde e fica perdido e se dá um tiro na cabeça.
É engraçado as pessoas fogem, de uma fuga fugindo de novo.
É pra mim não faz sentido, eu queria ter essa hipocrisia, e essa... chega ser uma ignorância.
Uma não conciencia.
Um desatinar no mal sentido.
No não saber.
E quando saber enlouquecer.
Se dá um tiro na cabeça.
É horrível.
Deixa que um caminhão passa.
A cabeça esmague o cérebro.

Ah, e tem um divertido agravante.
Ele que sempre acompanhou a humanidade.
Ta cada vez mais vivo, mais presente e mais devorador.
O medo.
Hoje se tem medo pra tudo.
Medo se viver.
Medo de errar.
Medo de se permitir.
Medo de fome.
Medo da pobreza.
Medo de estranhos.
Medo de ficar sozinho. De apodrecer sozinho.
Medo de tudo.
Medo de sonhar.
Medo de pensar.
Geração do medo.
É, ai ai, acho bonito isso.
Bonito esse quadro patético: Medo.
Medo que tomou o palco, tomou a cena e agora é protagonista.
Medo.
Medo que faz tudo ficar estático.
Nada acontecer.
Enclausurar.
Olhar pro espelho.
Beijar o umbigo.
A merda do medo de amar!
Ninguém se encontra.
Ninguém faz nada.
Ninguém fala nada.
Tudo fruto do medo.
Medo ridículo.
Medo de não se permitir viver.
Medo de não arriscar.
Medo de cair.
Medo de viver de verdade.
E por não viver de verdade a gente vive essa vida pequena, ilusória, vida de plástico e sem sentido.

Eles chamam de jogo.
É.
Mas eu não acha nada diverto.
Pra mim não tem diversão.
Pelo o contrário.
Eu sofro.
Eu não consigo entende!
A pessoa se intensa por alguém e faz exatamente o oposto.
Evita.
Foge.
Essa brincadeira de gato e rato.
Ridículo!
E hoje em dia parece a coisa mais bonita que tem.
É, parece como se fosse uma queda de braço pra quem é mais duro.
Tai.
Tai, a sociedade é dura.
Que ver até a que ponto se chega a dureza dela.
É isso que eu não suporto.
Eu não quero ser duro.
Pelo o contrário.
Eu faço o movimento contrário.
Eu prezo pela vida.
Pela natureza, pelo humano.
O humano não é duro, é de carne.
O plástico é duro.
É impressionante.
Não sei como é que uma pessoa pode demonstrar carinho, respeito, afeto, admiração; desdenhando.
Pra mim isso é um jogo de suicídio, isso sim.
É ilusório.
É doído.
Dói.
Pra mim dói muito.
Eu vivo intensamente.
As pessoas que vivem a conta gotas.
Talvez seje legal esse: “Não tô nem aí”, “Te vejo qualquer dia desses.”
Ah, aaaaah é tô cansado disso tudo.
É muita loucura.
Não verdade eu que sou o errado.
Se a maioria se adaptou a isso eu sou a exceção.
E a exceção, e a exceção é o erro.
É.
Por isso que eu sofro tanto por não me adaptar a essa sociedade:
Conta gotas
De plástico
Que foge
Que tem medo
Que anda de MIL BONDES.

Leandro Borges

amora - 8 de outubro 2007

8 de outubro 2007

é, é estranho
é bem estranho

eu imagino que seja um certo tipo de refugio
como uma naufrago que volta pra ilha
que não se acustumou com a realidade do continente
aquele naugrafo que prefere ser naugrago rodiado só de agua
que vive em terra firme, firme continental
e fica sonhando na sua propria ilha sem conviver com ninguem
só ele e a ilha
é aí que tá a babaquice toda, é aí que tá a burrice toda
ele e uma ilha
uma ilha
uma ilha deserta
só por se tar na ilha é um erro, um erro absurdo
uma fuga burra, ignorante e medrosa fuga a dois
é um enclausurar no proprio erro
é um ilhar-se e ficar rodiado de um nada profundo
agora atravessar o mar, sair da ilha ai sim
seria, deve ser um surto de inteligencia

agora indagam a minha porque?
eu disse simplesmente por um soluço?
por um soluço eu não
eu não crio vínculo, né?
não assumo compromisso por um soluço
não, olha pra mim esse tipo de coisa tem que ser algo forte
tem que ser uma pessoa que eu admire, que eu goste
que não por uma via racional
mas por sentimento
inteligencia emocial
e algo me diga que, que é aquela pessoa, sabe?
que, que , que tenha a ver
que goste, que goste de tá junto, que goste de conversar,
que goste dos pensamento, que goste do universo dela
ou que participe do que a pessoa tenha
aiii
eo convivio, pelo menos que seje, que revele
que seje pouco mas que revele
não por um suspiro não
não
tem que ser algo forte
o olhar tem que dizer muito
eu gosto de pessoa com personalidade, sabe?
que seje... é que tenha gostos, sabe?
que não seje pacato tb
fechado demais
ter gostos fortes, sabe?
ter opinião, que saiba argumentar.
sei lá, que seje leve também.
que goste de ri e falar basteira
que fale merda, e que não crie neura, não crie tanta complicação
que crie tanta regrinha pra vida, uma pessoa leve, que admiro a força
pessoa que vai atrás, que busca, que não tenha cheio de nhenhenhé.
um soluço defenitivamente não tem como ter compromisso, sem gostar, um gostar crescente
que se veja furuto, que se veja luz no fim do tunel, por ai
agora, essas pessoas que um soluço serve, uma ilha deserta serve
eeeh
eu fico besta, fico pasmo, realmente eu não entendo, e isso que não tem nexo me causa
absurda, me causa um desconforto, não cabe, pra mim não serve

agora, de tanto comer maça
não sei quando eu provar eu vou reconhecer o gosto da amora
sabe o gosto da amora, eu realmente não sei se eu vou reconhecer
por que eu posso tá provando, amora
mas não é amora.. é pessego, pessego!
sim, porque...
comendo maça, maça e aparece outra coisa, vou pensar:
nãaããããooo...
eu conheci uma vez isso, é amora
mas não, pode ser um pessego
eu tenho medo de ter esquecido qual é o gosto da amora já
isso me causa um frio interior
é estranho
parece que o ar
o ar fica líquido em volta
os pensamentos flutuam
é o uma realidade fantástica
aonde os pensamentos se solidificam
onde tudo fica mais claro
ou mais turvo
dependendo do tipo de água
dependendo da origem
eu realmente queria, voltar, ficar só com a amora
deixar de lado todas as maças
dizer: muito obrigado mas eu não quero pessego!
não

Leandro Borges

Vida Dilacerada


Luzes.
fogos.
Luzes e
sombras.
Névoa,
clarão,
andando
na ilusão.
Figuras
destroços,
vidas perdidas.
Mulheres,
crianças:
caos total.
Vidas partidas,
separadas.
Destino dessa vida.
ó vida dilacerada!
Leandro Borges

Medusa, Calibã e Yamandú


Azuis, Verdes e Amêndoas.
Tempos de boas novas!
Uma calmaria invade o pala.
Traz da convalescença
o seu termino inerte a ela.

Todas as estrelas a cair estão.
Simples e suspenso, perdido do coração.
A força da Medusa, o olhar do Tupã.
A seiva, o orvalho e o pequeno Calibã.

Olhos em chamas, em um raio os parte.
Um falso brilhante me causa alarte.
A camada de doce mel é espessa.
Deixe o viver e deixe o morrer
antes que realidade cruel apareça.

Parto ao fato de fino contato.
Faço a força das fadas enfáticas.
Na pilha de ir para trilha
a uma milha da pequena ilha.

Chamarei Teju Jagua, Mboi Tu'i
Yacy Yateré, Moñai,
Ao Ao, Luison e Kurupi.
São os pessadelos de criar horrores
mas lutarei e vencerei todos os meus temores.

Serei lider forte e livre: Yamandú!
Criarei Arandú,Tumé Japeusá,
também meu filho Marangatú!
Então vou para a oca, regressar,
e mais uma vez uma música cantar.

Leandro Borges

Ela está morta


São épocas.
São músicas.
São épocas na vida tudo parece fazer sentido.

Tudo converge para certas ações.
Parece inutil lutar contra a força
maior invissível que move tudo.

Quando tudo parece cinza, as músicas
estão cinza, as propagandas estão cinza.
O céu fica cinza, o clima entre as pessoas
fica cinza, as ações tornam-se cinza.

Eu realmente não queria ter dito aquilo.
Gostaria de ter sido outro.
Não voltará.
Não voltará!
Tudo roda na minha cabeça, tudo que eu disse pra ti.

Me perdoa?
Me perdoa!?
Agora é tarde demais.
Ela está morta.

Leandro Borges

Leander e Sabina


Caíram as aureolas
e eu preciso de asas.
Para poder voar,
sair do fundo do mar.

Morto pela busca da amada:
herói grego afogado, face sem cor.
Era guiado pelo farol, quando anoitece
mas em meio as tormentas adormece.
Ele no fundo, morto e profano.

Ela que fora raptada
pelas mãos do romano.
Uma marionete desalmada.
Está toda ela ensanguentada.
Deixa se levar pelo mau insano.

Podres; malévola e lunático: aborto!

Um amante da heroína raptada, morto.
Uma ex-donzela levada pela depressão, sem perdão.
Dois destinos horríveis: destruição.
São dois filhos horrendos: infecções.
Amor exagerado e promiscuidade depressiva:
SOIS ABERRAÇÕES!!!

Leandro Borges - 20/08/2006

lapso de vida


Um teto colorido.
Pinga texturas.
Sons doces.

Lençol de placidez.
Uma nuvem de pesadelos.
Geada cobrindo a morte.

Falaceia, envergar da voz.
Gira entre pontas de euforia.
Cardume de silfos.
Manada de ondinas.

Castelo vermelho ensolarado.
Falta pão.
Falta vômito.

A gasolina falta.
A roda quebra.
A perna anda.

Sopros salgados.
Esvoaçados.

venta a lentidão.
Beijo desconhecida.

Sem nome.
Sem sentimento.

Raio de platina.
Feixe vervilhante.

Entrelaçado de caos e vazio.

Salta a pipa do descaso.

Não sei se caso ou compro uma forca.

Um seco oceano.
Demora um ano.
Na parede está escrito:
"_________!"

Folhas amargas e sem sal.

Computadores felizes.

Eletrodomsticos solícitos.

Móveis angustiados.
Temerosos.
Cheios de pesadelos.
Ouvem-se estalos da madeira.
Eles estão se contorcendo.
Medo dos seus monstros internos.

Há tempos que jovens se perdem.
Morrem!

Seja por suicídio.
Seja por não ter direção.
Seja por amor.
Pela falta...

A insônia beija os lábios de todos derrotados.

Em um lançar de dados:
a sorte, a morte, o improvável.

Segue
Atravessado.
Atravessando e rebeldiando.

Leandro Borges

Os(As) cinzas


Naquele dia - MORREU algo em mim!
Uma dor tão forte que parecia
que não iria aguentar.
Algo morreu em MIM! - naquele dia.

ME CULPEI POR TODAS AQUELAS DORES!

Passaram rios nos meus olhos.
Dias e dias a fio, sem descanso.
A sobra do teu sorriso nos meus sonhos.
Meu peito feito areia movediça
trancado para tudo, comprimido, doído.

A cada ano um aprofundar da relação
um aprofundar: dos sentimentos, quando em leito me ama.
Foi algo que entrou tão fundo no coração
ao arrancá-lo, me feriu drasticamente no peito, na alma.

Precisei te matar e matar pra sobreviver!
Agora que estou totalmente liberto
e posso te dar vida novamente.

Agora consigo lembrar das nossas coisas
sem morrer por dentro, posso voltar
a lembrar de tudo aquilo que não queria.
Aquilo que me auto flagela ao lembrar.

Outro dia me lembrei daquele dia no Guahyba.
Era um banquinho, nós dois e um mui belo poente.
Era um laranja que nunca mais vi igual.
Na nossa frente, o futuro.
Atrás teu pai a nos olhar.

Era um céu tão lindo, tão colorido.
E como contigo tudo era mais colorido,
logo aquele o dia, magnifico e inesquecível,
foi o mais colorido céu da minha vida.

Me pergunto por onde andas.
Para que caminhos rumou.
Como se tivesse nestes quatro anos
dormindo, curando e renascendo.
Porque na minha mente quente e confusa,
foi um lapso no tempo espaço: perdido!

Hoje sou outra pessoa e pior.
Não consigo mais sonhar sem olhar
para as pedras, cacos de vidro e espinhos.

É um desejo com medo!
É um sonhar com doença!

Hoje não vejo mais, tais céus...
Hoje vejo muito mais os(as) cinzas!

Leandro Borges

Am("a" OR "o")r


O que me impressiona não é o desamor e sim o desamar.

A ausência não me dói.
O que me dói é a perda.

Burro era o poeta.

O amor é eterno. (Imortal)
O amar é vida. (Mortal)

Amar, verbo conjugado por duas pessoas.

O amar sobrevive sadio, somente, acolhido pela manjedoura de dois corações.

O amar nasce na linha de um olhar.
Duas almas, através da janela dos olhos.

Leandro Borges

Indigestão

Teu cheiro, teu choro.
Inundam a minha alma.
Agora calada e contemplativa.

Forjo o fogo sem medo.
Entram feixes cortando a cortina.
Repartindo a sala em seis partes.

Contra o vento vem.
Sem sonho.
Sem som.

Falta clareza.
Fala em carinho.
Condenado a falsetes amores.
Ao amanhecer só sobram dores.

Cansado, quero terra firme.
Alguém pra amar, alguém pra confiar.
Cansado de andar entre ratoeiras e ratos.
Me olhar no espelho e sentir medo.
Um medo de ter me tornado mais um roedor.

Aquele que não devora o amar, não dá a ninguém.
Apenas rói pequenas partes que juntas,
ficam despedaçadas, sem forma.

Fragmentos de vida, que juntas não formam uma.
Um tecer sem sentido, retalhos desconexos.
Matando a fome com migalhas e lixo.

Sentir-se errado para pessoas erradas.
A falta de uma via para conhecer a alegria.
Não encontrar ninguém.

Condena aquilo que também faz.
Diz aquilo que não queria falar.
Engana ao pensar no sonho bom.

A beira do lago espera.
Um doce beijo.
Nuvem mesclada.

Leandro Borges - 05/11/2007

Desejo de um Saltimbanco


Eu quero a alegria do serelepe saltimbanco.
Eu quero sorte do artesão pra transformar o sonho em souvenir.
Eu quero coragem de bailar com tudo que há de vir.
Tudo se transforma em brincadeira que de tão leve é como uma brisa nos olhos.
Eu quero ser o merecedor da flor dos teus beijos, o caçador dos teus íntimos desejos e escultor dos mais belos cortejos.
Eu quero a rara cena de ver o nascer dos teus olhos na alvorada encantada, o raio de sol dos teus olhos que vem banhar a minha face com o teu carinho e calor.
Eu quero descobrir no teu sorriso escondido, o brilho que não revelas nem ao menos ao teu íntimo amor; estas notas de luz e cor.
Eu quero dar golpes de pincel à delicadeza da tua alma, de banhar de sonho e encantamento. Te lançar ao vento e deitar no ramalhete do teu coração.
Eu quero olhar os longos, e tão longos dias pra delicadeza do teu corpo de cores e brilhos.

Leandro Borges

Biblioteca Perdida


Cratera oca. Espaço distante. Voz roca.
Estrelas cintilantes. Lua cheia. Peles e implantes.
Palavras amontoadas. Livro em pétalas. Folhas envenenadas.
Solidão e frio. Navego no universo. Negro rio.
Vazio navio. Deserto lunar. Inevitável naufragar.
Corredores estreitos. Salas e leitos. Velhos defeitos.
Calor humano. Gosto de traça. Mofo e desgraça.
Tempo insano. Vozes distorcidas. Abertas feridas.
Falas incompreendidas. Memória em clarão. Vozes de trovão.
Tempestade, náuseas, asco e tufão: pressão.
Olho cego. Boca cerrada. Corrompido ego.
Caminho controverso. Corrida sofrida. Passo imerso.
Agonia incessante. Frenéticos movimentos. Ar distante.
Seta lançada. Palavra proferida.
Oportunidade viva. Vida perdida.
Espelhos em pedaços. Cacos de coração. Perdidos laços.
Fotos rasgadas. Sangue no chão. Máscaras amareladas.
Lobos selvagens. Uivo desolado. Cão alado.
Corpo laço. Fardo de aço. Grilhões em maço.
Animal aberração. Fera em fúria. Fogo-rio bestial.
Engole coração. Arranca o cérebro. Cospe vil metal.

Leandro Borges

Branca Voz

Vozes e luzes em um campo limpo.
São minervas, pairando em ervas
deixando seu odor e cor.
Paz e calmaria, deixa rosa que se cria.
Faz um tempo que a vi, e agora respondi.
Assas brancas, doce sabor, cheiro de mel.

Uma dama na tua cama, feita em flor e amor.
Pousa e repousa no teu peito, bate coração.
Tão pura e nua como a flor ao desabrochar.
Deixa o teu mar inundar a emoção.

Vento, que escorre pelo tempo deixa o seu quinhão.
Feito fogo, como lento, consome toda a lenha-grão.
Casca grossa de madeira de lei, parte em dois.
Agora, o antes e o depois se fundem em um só.

Tempo, espaço sem fim, de dentro de mim agora sinto.
Como é belo a simplicidade de um caminhar limpo.
Em faces desnuda da sujeira, deixa a casca grosseira cair.
Ao sentir teus realces de cor, deixo meu peito repleto de amor.

Face ao luar, deixa o lírio cantar sua canção baixinho
e falar pertinho do teu plexo a melodia formosa.
Passa a noite e chega o frio, e em mais de um mês de abril
faz um confortável ninho no coração, uma pequenina cotovia.

Leandro Borges

Apenas uma brisa morta


Acabou mais uma vez.
É triste, sempre acaba.
Alguém um dia me disse que era pra sempre.
Que bobagem...
Sempre acaba.
É um fim pelo fim, sempre fim.
Todos que conheço encontram o fim.
Um fim bem breve.
Um fim com notas fúnebres.
Uns poucos passos antes do abismo.
Por que isso outra vez?
Acaba, assim, sem nem uma palavra.
Pessoas ocas, secas; podres por dentro.
Uma geração de podridão o qual faço parte.
É triste ser o lixo da vida, ser a podridão em si.
Andamos de relacionamento, como lesmas vampiras.
Nojentas, sedentas e sem coração.
Seria mais digno ser um pássaro, buscando um norte.
Hipocritamente ainda alguns casais resistem, e continuam os relacionamentos:
com traição, com mentiras, sem amor e sem vida.
É uma geração inteira que não sabe dar bom dia,
e fala a palavra "amor" como se fosse "bom dia".
Eu gostaria de ser um sapo, que come mosca e coaxa.
Triste é ser um ser que não é animal e nem verdadeiramente humano.
Somos o resto de humanidade que só sobrou o ego.
O lixo do ego, o resto do resto: a soberba.
Gostaria de ser um rato, seria mais digno.
Saber dar valor ao poder da natureza, saber que ela ao menos existe.
E sempre acaba, pro lixo sempre resta o fim.
Final.
Acabou.
Fim.
É só isso.
Apenas uma brisa morta.
Foram palavras largadas.
De tão largadas, deixaram de existir.
Falam tanto de amor, de que me adianta.
Todos falam de seus umbigos tão bonitos.
Eu gostaria de saber como vai a sua irmã, torta, que tanto você esconde de todos.
Humanidade é uma palavra morta também. Tem dias que o relógio não anda, ele raspa em cada número, machuca... sim machuca muito. Nesses dias o tempo não escorre, ele sangra. É tudo tão mórbido que se penso em um coração, ele apodrece ao relento.

Todas as canções de amor, mais uma vez, não fazem o menor sentido.

Leandro Borges

Música e coração

Uma linha suave sobre a beira da praia.
Leve toque de luz.
Ondas.
Voam.
Sombra e escuridão.

Passa, passos e pássaros.
Luz, lámina e laço.

Corre no espaço o tempo entre eu e o céu.
Nado nas ondas de um sentimento líquido e vibrante.

A face da uma donzela, corre; escorre.
É moema, bela e simples vênus brasileira.

Tão bela, tão carinhosa.

Eu acredito totalmente que os povos das brasas, do fogo, do brasil ser brasil antes dos saqueadores/colonizadores... dos nativos, o povo da pele da cor da brasa brasileira.

Sou descendente e grande parte do lado dominador e tenho peso por isso... peço perdão por milhões e milhões de mortes.
Nosso legado agora é, unirmos, sermos um povo de equilibrio, de saber de futuro.
De valorizar a terra, os verdadeiros dono dela.

Termos a consciência, dever e saber.

Sou um vento.
Canto distante.
Sou pássaro, pouso leve.

A vida em notas sem notas.

Apenas música e coração.

Leandro Borges

homenagem à herança


Liberto o que anda desperto.
Foge pelo caminho aberto.
Anda pelo gelo.
Fala pelo vento.
Anda feito criança.
Cria e dança.
Movimentos poéticos.
Faz onda.
Balança.

É uma chuva de cariño.
É um curar pra imensidão.
É o chão.
O cheiro.

Força, luz e sombra.
Espanta solidão.
Cria nova dimensão, faz voar.
Pensamento paira no perfume.
Desliza, bate, cai e levanta.

De ponta cabeça
faz o corpo um abismo.
cai, levanta e espanta.
Faz avalanche corporal.
Flui líquido, natural.

Contorna as bordas do sonho.
Mergulha na corda bamba.
Faz cores em flores.
Deixa o corpo em ebulição.
Debate tribulando no solo.

Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.

Morre e nasce doutro sexo.
Liberto.
Desperto.

Verte toda dor.
Todo pudor
do esconder.
Destila em suor.
Faz agora um novo verter.

Tenra carne fresca
exposta para o deleite.
Para o fresco do toque.
Deixa maturar o movimento
no meu peito calado.

Tira roupa.
Coloca vestido.
Limpo.
Sujo.

Explode, invade e comunica.
Climas, atmosferas e esferas.
Bolhas de calor feito em flor.
Magia entre corpos distantes.
Colados e em atrito.
Nasce uma estrela de amizade.
Focos, luzes e ar colorido.
Bailando energia emocional.

Felicidade no semblante em frente.
Um corpo distinto.
Enverga, flutua, faz vibração
alaga o pensamento de paixão.

Calmaria, revolução, nota e canção.
Pinta o quadro dos sons.
Melodia de absurdo desejo, tocante, infinito.
Largos passos para o teu abraço.

Mergulha no coração.
O vejo por dentro
pulsante
efervescência vermelha
flui da beleza ao prazer
cativante.

Transbordo de emoção sobe
gira, amorfo sentimento
fora de dimensão
são tantos movimentos,
enxuga a lágrima.
Costura o coração.
Deixa mais humano.
Brincadeira infame.
Sangue escorre pelo chão.

De homem para mulher.
Faz uma chuva de um cair de noite.
Vermelho.
Escorrega no chão, lã.
Faz costura de outrora desejos.
Agora demónios expelidos.

É uma palidez de sangue cruel.
Um abortar dos sonhos vivos.
Retoma a claridade da vida.
Deixa a ferida e volta a bailar.

Pequena ponte entre a razão e emoção.
Faz o improvável, deixa a coerência.
Reverencia a humilhação, aceita a opressão.

Torna-se produto, deixa o corpo virar assado
carneado, feito, pendurado em açougue.
É uma malícia de uma carne não mais humana.
O coração já é de plástico.
Volta ao que era, agora sem incomodo.
Servido ao sistema, é um consumível.

Flor despedaçada, sem pétalas: amassada.
Cada pingo se sangue verte dor líquida.
Tomates arremessados, destroçando a dignidade.
Mergulha num mundo de submissão.
Rola no chão, envolve em terra escura.

Questiona o entendimento da vida.
Coloca em xeque o homem carne:
Uma vida ou algo comestível descartavel?

Deixa o corpo exposto, em carne vida.
É vulnerabilidade a flor da pele.
Faz auto-culpar e mascarar sentimentos.

Sai de cena, sem valores.
Sentimentos esfolados.
Rasgada a alma por dentro se recolhe.

Leandro Borges

Afrodite


Era sexta-feira se ainda me lembro,
eram ventos de um novo tempo.
Pairava no ar um cheiro agradável
de rosas vermelhas, jasmins e orquídeas.

Dançava alegremente envolta por girlandas.
Ao leito do mar contemplava a criação virginal,
nascia a estrela sempre luminosa da manhã,
acompanhava uma suave brisa primaveril.

Revejo-te e voas entre as pombas
e nadas por entre os cisnes.
O sorriso sedutor, o falar doce,
o suspiro mais persuasivo,
o silêncio expressivo
e a eloquência dos olhos.

Flutuas na dança do amor,
encanta com o brilho dos teus olhos,
a leveza da tua harmonia,
a radiante beleza oceânica,
te vejo ao horizonte nos campos Elísios.

Desabrocha na luz infinita
oculta dentro de nossos olhos,
sobre a concha, teu nascedouro.

Graciosa e fonte da criatividade,
tua mão delicada como as uvas,
traz papoulas, hibiscos,
e um cesto repleto de maçãs.

Eterna tolerância e sutil beleza,
cruel sensualidade; vital feminina.
Eternamente revelada na flor da mulher.

Eis que vejo claro em límpidas águas
um jardim colossal rosas e orquídeas,
banhadas pelo ouro do pôr-do-sol,
inebriado por um perfume, roubado da primavera.

Livra meu coração do suplício de tântalo,
vejo por um prisma as mil faces da felicidade,
danço desnudo em harmonia com a criação.

Sinto o encanto, me delicío no prazer da tua magia,
vejo flores multicolores brotando aos teus pés.
Desperta a flor do meu coração, o amor, a beleza,
a felicidade por estar pleno e vivo.

Mergulho na grande floresta e sinto o poder:
o templo feito de árvores e pássaros,
respiro profundamente o cheiro da terra,
e o perfume das flores selvagens.

Escuto a música delicada dos pássaros,
uma orquestra campestre vívida e singela.
A bela Flor me oferta um presente: uma orquídea.
Sinto e incorporo todo o seu aroma.
Eis que vejo uma pomba pousar em meu braço.

Teu olhar mágico, então compreendo
a tua beleza misteriosa, teus raios em rosas,
teu corpo em graça e harmonia,
dança em beleza e pura fertilidade.

Entro no teu castelo de quartzo rosa,
me entrego como ao deitar em uma nuvem
sou cortejado por tuas por graças e musas.
Vou ao encontro do teu trono, em teus braços enlaçar,
o eterno sonho ao teu lado, dois corações fundidos.
Agradeço o prazer da tua presença, os momentos maravilhosos.
Acaricias meu rosto, massagea meus cabelos,
delicio-me no calor das tuas ondas ingenuamente.
Somos um compasso, um respirar, uma pulsação,
um simples e doce sentimento em profusão.

Leandro Borges

Na lembrança da memória


Diga-me que não sabe flores.
Diga-me que não conhece as minhas dores.
Fale sobre tudo que não mais se encontra no teu coração calado.
Olha pros lados.
Olha pro céu.
As árvores vibrando ao vento.
Os pássaros alçando voo rasante.
Por um instante passa pela cabeça o flash do nosso primeiro olhar.

Escuta o eco dos corações.
Palpitações, vozes e clarões.
Febre quartã, um sopro de loucura,
sem cura, sem remediar e teu plexo em chamas.
Por um instante passa pela cabeça o flash do nosso primeiro beijo.

Uma vidraça cheia de cores, lembra do momento do nosso vento
as fachadas das casas todas enfeitadas, uma festa em fitas e botões.
Contemplamos o vitral exuberante de todos os anjos dançando em roda.
Faz mais de um ano.
Faz mais de meia dúzia deles.
Caem gotas de sangue no mar da minha memória.
Nos campos verdes dos teus olhos eu pude ver
a maravilha de um mundo que apenas conheci por ti.
As ondas de um oceano revolto que apenas vivenciei por ti.
Um corpo de mulher pela primeira vez na vida, somente por ti.

Somente por ti eu vi mais cores, mais e mais cores.
Vi um universo de cores nascer dentro do meu oceano de cores.

Quando foste, apenas sobrou preto e branco.

Leandro Borges

Coração ao Sul


É pulsante radiação que explode no meu peito.
Salta o coração como um flecha, destino feito.
Corre como um menino para o grande protetor.
Ponteiro vermelho sangue, mostra o caminho: esplendor.

Aponta pro teu berço querido a direção.
Alinha o meu peito para voar então
seguindo a jornada como os pássaros a migrar.

Vai ao extremo buscar, o teu rumo.
Alcança teu alvo, acerto em sumo.

Segue no céu azul.
Revela o teu coração,
mostra a direção:
o teu norte, o sul.

Leandro Borges

Poente


O sol ainda brilha. Vou sair pra rua. Ver o mundo de perto. Deixar desperto o pensamento, viajar ao vento e ter os pés no chão. Caminhar de semblante alerta, mirando o horizonte, seguir distante o caminho errante. Em uma fagulha de instante respirar mais fundo, ir mais longe, aprofundar os conhecimentos, mergulhar nos sentimentos e viver o agora. Sem demora nem pressa, vivendo sem paradigmas e através dos rótulos. Reluto para não ser empacotado, ser embalado pela futilidade que invade nossas casas, invade nossas relações interpessoais, invade a arte e a ciência. Parto paro o outro lado da moeda, ouvindo o badalo das ondas curtas de um velho sino que quase ninguém mais ouve. Sigo leve, tão leve quanto o possível. Não me importa mais quão pesado é, sei que há mais força do que peso. Sigo forte sem medo de errar e com a fome de ser feliz que ninguém me tira.

Entro em na caverna dos poderosos:

Ouço a melodia do grunhido de cada monstro que me rosna com fome e com tanta raiva que espuma pela boca veneno negro, sangue ácido e inveja pegajosa.
Por trás das máscaras já amareladas revela a aberração de um rosto distorcido, cheio de cicatrizes do ódio e da vergonha, o inflado ego, pela falta de sensibilidade, pelo descontrole, foge como um menino de quatro anos, apavorado com o mundo que vê pela janela de seus olhos que choram sangue.
Litros e litros de indiferença, são taças feitas malévolas intenções, um prato servido ao gelo, mais uma dose de tortura por dias e dias, uma estaca cravada no coração, golpeada por mil homens sedentos pela dor alheia. Um brilho no olhar ao ver as vísceras arrancada ferozmente e jogas em praça pública, ainda vivo o corpo urra de tanta dor, as veias ainda pulsam em um esvaziar de seu ultimo suspiro de vida. Os canibais da felicidade alheia se deleitam ao comer uma pessoa genuinamente feliz, comem o seu sorriso, mordem as suas bochechas rosadas, engolem a suas risadas, o senso de humor, trituram com ácido toda a sua leveza e alegria de viver. Deixam as traças com apenas migalhas de um dia algo que se chamou de: ser humano. Agora nada de humano tem, apenas as cinzas sobram de uma vida que virou um resto, sem sentido, sem amor, sem uma verdade e sem cor. Os canibais de vidas alheias continuam a ceifar vidas.
Estão sempre a procura de mais corações, engolem amor e arrotam o ódio.
Já desviei muitas vezes dessa metralhadora de veneno, sei muito bem como evitar essa sujeira toda que tenham, o seu próprio veneno, os ceifadores de almas felizes. Engulam todo o veneno que plantam.

Vou continuar a esperar a chuva para lavam toda a sujeira. Vou esperar o decantar desse rio poluído. Seguir livre pela rua, sem pressa ou dor.

A virtude da vida estar em espalhar alegrias, enganar a dor e viver sem medo.
Os poderosos podem desgraçar muitas vidas, porém nunca terão uma.

Leandro Borges

Me roube


Bolhas, borbulhas e borbulhares
no peito o coração pula nos ares.
As ondas balançam e embalam
tornam graciosa a nossa dança.

É um embebedar de amor e paixão
nossos pés não há mais o chão.
Sigamos voando sobre a podridão.

A vida é bela, as cores saltam aos olhos.
A visão torna-se clara
em alto revelo se revela.
É uma caravela, é um nave espacial.

Vôo num mar de estrelas e espaço sideral.
Faço do universo um eterno Carnaval.
São luzes e espectros de cores.
Clareia e incendeia as formas do corpo.

Corpos colados, enlaçados pelo calor.
Segue de face desnuda, és crua e fiel.
Sinto teu cheiro cintilante no ar.

Roube o meu falar.
Roube o segredo.
Roube o meu sopro de vida
Roube tudo que há dentro de mim.
Deixe toda a loucura e mansidão te invadir.
Roube o meu ar.

Leandro Borges

Íris constelações


É o extenso lago de águas profundas que vejo.
Como se já conhecesse muito bem essas águas: clarão.
São águas claras, então assim vejo até o fundo: coração.
Ao acompanhar a sua vibração aniquilo todos os meus redemoinhos.

Sinto os seus carinhos, afaga-me leve... de mansinho.
Percebo no meu cálice interno o horizonte retificar.
Corria pelos corredores sem fim e parecia não andar.
Ao seguir a bússola de dentro, olho para os lados, e só vejo um portal.
Eu não me assustaria se só houvesse do outro lado esse lago angelical.

É incrível que ao pousar os olhos e mirar as suas águas
vejo claramente a inexprimível revelação escrita na tua íris.
Todas as constelações de todos os céus estão contidas.
Duplo oráculo vivo, é tão vibrante e profundo: flor-de-lis.

É o agora que vejo.
Não me importa o medo, o lugar,
a dor, a solidão, o passado,o futuro ou o desejo.
Mergulho no lago e sei e vejo que é onde devo estar.
[Mesmo que seja por apenas um átomo de tempo.]

Leandro Borges

Estrela Particular


Da poesia do espaço é feito o meu coração e
um universo de pó são construídos os sonhos.
À partir da crença a poeira se solidifica.

Concretizamos pela fé e pelos caminho de luz
conhecemos os vastos rios que circundam a árvore da vida.
Na primavera caem até o céu os seus frutos
e assim nascem as estrelas.

Cada estrela é feita de sonho, luz e fé.
Nos silêncios atemporais Deus mora
e no meditar do coração encontramos a pura felicidade.

Leandro Borges

O fator ator: Sonho vivo

E como pode um ator selo sem dor.
Sendo como água, como terra, como ar e como fogo.

Fluímos, aterramos, flutuamos e incendiamos em cena.
Somos nem homem nem mulher; somos energia.
Todas energias em um só corpo, um universo descoberto.
A cápsula-homem, onde contém todo conflito e crise do mundo.

Sem a arte, a vida seria apenas um protocolo.

Pergunte ao pássaro, o que é mais importante o medo ou a coragem para voar.
O sábio pássaro responderá, os dois.

Já passei por vales do abismo e paraísos subtropicais.
Já andei contra o vento e sem o relógio do tempo.
Busquei verdades eternas e pensamentos soltos: etéreos.

O que me cansa nas pessoas, não é a beleza; é a falta de inteligência e humildade.
Obviamente o veneno sempre tem um pouco de antídoto em si.
Ou inverso, como queira.

Partes de memórias, fragmentos de histórias.
No teatro podemos e exploramos tudo, sem pudores.

Se o mundo fosse uma sobremesa, certamente escolheria uma colher grande.

É da fome pela vida e pelo mundo que move o verdadeiro ator.
Se não tivermos a capacidade de degustar do próprio néctar que a vida é feita.
Por que deveríamos querer provar o produto derivado desse néctar?

As horas mais belas da vida de um ator, não são nas palmas; mas sim no suor, no brilho no olhar e na queda.

O verdadeiro ator é aquele que respeita a entidade chamada teatro: aquela que reside há mais de dois mil anos.

Quando se abre o corpo para o mundo, aí então podemos ser todas as coisas do mundo.
Da mesma forma que nasce o sol, é o mesmo movimento da construção da personagem.
É um ângulo circular, crescente e cíclico.


O amor que move o ator a continuar, por mais que não seja valorizado a sua profissão.


Eu vivo da chama que Dionísio trouxe a este plano, foi por meio dele que se desvenda a arte, esta mesma o qual põe a tona no palco, o drama humano.

O mesmo valor de o sorriso de uma criança tem pra mim
é a lágrima ou riso verdadeiro da plateia.

Antes de subjugar o teatro, veja uma peça de teatro de verdade.

Uma peça de teatro de verdade quer o suspiro, o não piscar, o coração batendo junto no palco, o choro mais visceral, a risada mais profunda, a reflexão ou mesmo o simples estranhamento de universo.

Se de teatro minhas células agora transbordam, queriam que possa me embebedar dessa fonte por muitos anos, sem secar o meu ser.

Teatro é momento presente,
e só no presente que a magnitude da vida pode ser experimentada.
Onde se pode sentir as vísceras, o cheiro, a energia,
o vibrar do coração dos atores em cena.
Nenhuma câmera jamais captará tal façanha:
sem cortes ou edições, nem montagens ou colagens.


Quando as cortinas se abrem, o sonho vivo pode nascer mais uma vez.

Leandro Borges

No caminho da luz

Trago a bola de fogo nos olhos dos olhos.
São como passaros igneos selvagens.
Transbordam de energia e calor.

Em meu peito rufam tambores cintilantes.
Abrilhantam com a poeira sonora fantástica.
Banham de uma cachoeira de tons.

Uma respiração bela, cativa e estonteante.
Aspira a essência do meu sonhar.
Espira o mundo da tua estrela.

Deita no peito de Deus e sonha.
Revela o teu eu mais bonito, mais singular.
Deixa livre a estrada das estrelas.

Se o mundo anda coberto de sujeira.
Leva até ele a tua espada e escudo de luz.
Segue limpo, leve e voa; voa muito alto.

Leandro Borges

15 de outubro 2007: amizade

15 de outubro 2007: amizade

e outro dia
e outro dia eu escutei uma máxima:
"quem tem uma amigo tem tudo"
e eu parei pra pensar
foi graças a um amigo que eu quebrei o meu primeiro padrão
que eu me olhei no espelho e senti mais bonito, olhando pra mim mesmo
tendo a possibilidade de ficar mais agradavel
no segundo momento a ausencia de amigos me fez ve
que o amigo faz muita diferença realmente
um amigo ele não apenas te leva pra sair, mas ele te acolhe no peito e te leva pra ver o mundo
um amigo, não é apenas aquele que aparece nos aniversários e te congratula quando há uma boa nova
não
amizade é outra coisa, amigo é aquele que se compadesse, que ve alem das palavras do outro, que conforta
quando é preciso, que da um toque quando é necessário, aquele que chora junto, aquele que sente junto,
aquele amigo que mesmo na distância continua em sintonia, aquele que respeita a opinião
mesmo que seja totamente o contrário
aquele que sabe a hora de se calar
e fala na hora em que todo mundo se cala
amigo é aquele que
que quer ver bem do outro
aquele que se incentiva
aquele que dá força
que levanta o astral
amigo
amizade é aquilo que só se sabe que se tem quando a gente mais precisa
e ninguem vem
exeto ela
amizade é aquele tipo de sentimento que é colhido ao longo dos anos,
que é forte como um tronco de um carvalho
amizade é sentir bem ao lado de outra pessoa
poder contar com o ombro do outro
amigo é aquele que
sabe ouvir
amigo é aquele que
sabe se deixar ser amigo
amigo é confiar
amizade é como um pacto da folha com o vento
a folha se lança ao vento
sabendo que o vento não vai desapontar
que vai fazer a folha girar, ver o mundo por um outro momento, por um outro movimento, por um outro angulo
eo vento, confia no folha, por que sabe, sabe que a folha vai saber aproveitar, todas as forças do vento
sabe que a folha vai colorir a sua forma, sabe que a folha, vai saber dar valor
vai dançar junto, amizade

é aquilo que faz com que todos os sustos da vida, não se solte

amizade é aquilo que não se vê
não se vê
amizade é aquilo que o corpo recebe
assim como o sol, sente quando mergulhe no amigo mar
antes deixando o ceu alaranjado, pintando um quadro, de tons de vermelho, amerelo, laranja e rosa
mesclando o ceu, mesclando o ceu, com calda de amora, calda de amora com glacê

amizade é uma riquesa de compartilhar emoções, sentimentos, amizade é compartilhar uma vida
mesmo que por breves momentos, amizade
amizade é um porto seguro
é alguem que te escute, que realmente quer falar contigo e te tocar
amizade é a forma concreta do abraço
amizade é o estado solido do abraço

amizade é um sentimento que invade
é um sentimento que invade o peito
tido eleito de um pra outrem
amizade é uma eleição
de quem confia
que é mandada pelo coração
amizade é uma eleição que quem manda é coração
que escolhe o eleito e guarda no fundo do peito
feito em tronco de carvalho
amizade
amizade é isso
eu posso definir amizade dizendo como é não ter amizade
não ter amizade é um mundo vazio
aonde se conversar com sigo mesmo
e com superficies, superficialidades
não ter amizade é um mundo mais triste
não ter amizade é não ter com quem conversar de verdade
não ter amizade é doido, tiro o divertido
é não tem com quem brincar, se alegrar e conta piada
é compartilhar a vida, compartilhar momentos de vida e angustia
medos e paixões, ter uma amizade é saber falar não o que a outra pessoa quer escutar
e sim como a outra acolhe no coração e deixa fluir pelo próprio verbalizar
todo o afeto, mesmo que indireto, de um olhar singelo
amizade,
não ter amigo
amizade é bela
não ter amizade é a ruina da alma
não ter amigos é sentir sozinho
no meio de uma multidão
não ter amizade é sentir a dor no peito de ver tantos confraternizando com os seus amigos
e não ter ela, não ter amizade doi
não ter amigos é uma solidão doida
ter falsas companhias
um vazio absoluto
não ter amizade é não tem com quem se sentir alegre, pelas alegrias e conquistas dos outros
é o me alegrar com o alegrar do outrem
é um não compartilhar, o mais profundo do ser humano com outro ser humano
não ter amizade é triste, pode ser um não confiar no outro
não ter amizade é um enclausurar
é um enclausurar ignorante
enclausurar idiota no mal sentido,

não ter amizade é negar o maior tesouro que alguem pode confiar a alguem
não ter amizade é não entender o sentido da palavra abraço
confiar, carinho

abraço é o beijo dos corações

Leandro Borges

Ao tempo, ao caminhar, ao vento, ao destino, à juventude



Diz ao tempo ficar parado.
Só naquele momento ficar parado.
Enquanto eu eternizo as imagens.
Enquanto eu eternizo as sensações.

Diz ao caminhar nos esperar.
Deixar que o momento seja lento.
Deixar que todo o movimento
escorra por nossos corpos colados.

Diz ao vento namorar o tempo.
Cantar sua linda melodia celestial.
Lançar seu encantamento angelical.
Deixar que o aroma do amor invada os corações.

Diz ao meu destino dançar um samba
que agora na avenida há um novo sonhador
com graça e leveza faz dança,
transforma seu baile, feito em flor.

Diz à minha juventude ao pé do ouvido
que nunca se mude, que nunca me deixe,
que sempre flua sua beleza na minha alma,
que sempre brilhe sua força nos meus olhos.

Leandro Borges

Caro Abaeté



Caro Abaeté não entre no seu coração e tranque todas as portas dele.
Veja a chuva a cair sobre as folhas verdes sob um belo céu azul.
Caro Abaeté vem ver comigo o sol nascer tão bonito assim como você.
Vem sair e ver o mundo sorrir aos teus pés e sob as nossas cabeças.
Caro Abaeté és como a chuva e o rio, o sol e a lua, tens a beleza
linda por ser finitude das coisas, o instante e o grande horizonte.
Amigo Abaeté vem ser o filho da tua vida, vem mostrar o mundo quem és.
Deixe o chão do mundo passar pelos teus pés. Tome posse e tento.
Abra seus olhos para o mundo, os olhos do coração, deixe o mundo passar por ele.
Deixe o vento.
Um novo dia que acorda agora lhe acolhe em seus abraços de pai generoso.
Olha a sua volta, por toda parte, a simplicidade plena e silenciosa.
Querido Abaeté olhe outra vez.
Olhe.
Olhe.
Olhe!
Abra todos os olhos.
Sinta, respire o respeito de todo o movimento continuo do girar da vida.
Sorria para o coração.
Seja amigo da canção.
Sonhe.
Cante.
Lute.
Abaeté, meu caro, por favor não se abata,
pois só te fortalece o que não te mata.
Saibas que me és caro.
Saibas que me és raro.
Te tenho guardado no peito como medalha de vida.
Meu amigo Abaeté sejas como és,
sou as tuas asas quando cair.
Meu amigo Abaeté saia de dentro do seu medo,
contigo levo, sinta o teu chão subir.
Sonhe.
Cante.
Lute.
Abaeté és vitorioso mesmo nas derrotas da vida.
Vença a ferida, seja carinhoso com o sentimento.
Se lance ao vento, com os olhos ao horizonte
e deixa a fonte da vida lhe servir um gole.
Abaeté role pela grama ainda molhada pela chuva.
Chuva que é namorada de cada lágrima de alegria.
Abaeté quando sentir o frio do vazio, me chame.
Se um dia não me encontrar e eu no céu estar,
olhe para o teu coração, pois com o Pai estou.
Abaeté porque o mundo corre, ele nos deixa descansar.
Porque o vento é forte e não para.
Pássaro.
Montanha.
Pinheiro.
Ar.
Água.
Terra.
Cada uma:
Amor.
Você é ele.
É Abaeté, é.
A vida é como é.
Caro Abaeté amigo e companheiro, deixe o desejo estradeiro do destino te ser guia.
Sorria para o amor.
Seja nuvem. (Viva nuvem.)
Seja cor. (Viva cor.)
Abaeté, seja como for,
ame a vida como ela é.
Ele te guia.

Leandro Borges

Colorindo o Céu


Com a simplicidade de uma criança busca na tua essência, no teu coração, o fruto da vida. Passa e mergulha no teu interior, passa pelo portal do amor, a câmera secreta do teu coração. Em teu ser está o arco-íris, aí está todas as cores para colorir o céu, o mundo, a vida, a humanidade.

Na raiz do teu corpo encontrarás o roxo, pinta com ele delicadamente, então fluirá a vitalidade, o poder. Busca a energia dentro do teu templo, teu corpo, há muita cor para pintar, pintarás mil céus.

No sacro, na flor da tua vida, terás a tinta da criatividade, energia florescerdora, o feminino, tons alaranjados escorrem de ti, busca profundamente e verás, serão milhares de baldes de cor à escorrer.

Ao continuar, encontrarás um sol dentro de vós, rios fluíram, com sutileza colore, claramente verás o amarelo para clarear e estimular a mente, estará brilhando vivamente no teu centro. Aquecerá e pintará com muita alegria.

Ao subir verás pulsando, equilíbrio, o teu universo interior, o coração, toda natureza está contida, te apropria da sua cor do sabedoria, e faz o céu também pintado de verde. Apazigua toda a alma, afasta do teu céu as tempestades, te encontra e flui.

Em equilíbrio e paz, verás um pássaro na tua essência, busca com gratidão e verás a gloria do teu voo, suas penas riscarão teu céu fabuloso, transmitirá aos quatro ventos, és azul a paz que escorre e flui nesse canal.


Tens um portal de pureza, fé e elevação, dá vazão e mancha o céu de magenta. Abre as portas da tua visão, escorre de cor no túnel visão glorificada, encontrarás outro mundo ao lado, pinta o céu, revela tua cor, respinga com mais está cor tão bela o glorioso céu da tua vida.


Para completar não deixe de transformar tudo com a tinta violeta. De ódio só terás amor, de dor só terás prazer, de tristeza só terás alegria. Pinta para tudo mudar. Deixa fluir a borboleta que sai da coroa do teu templo, mescla o céu de violeta.

Completa o céu infinito do teu universo íntimo, assim finaliza em completa paz, harmonia, amor e gratidão por ter um tão lindo céu, todo em calda de cores.
Tua vida sempre reluzirá brilhante e o amor sempre jorrará do teu céu, do teu ser. Um eterno céu em arco-íris.

Leandro Borges

12 de jul de 2012

Nas madrugadas desalegres de um Porto

Flagelos e poeira em cima da mesa.
As gotas de saliva ácida respingam em chuva
de uma boca sem dó nem piedade.
Onde a última gota de esperança é afogada.
Há cerveja, há vinho, há cachaça.
Me causa enjoo, nojo, asco.
Nos transformamos em dois jardins, distantes.
A frenesi desse ciclone interno,
me revira as entranhas,
emaranha o meu coração,
aletarga meu cérebro.

 Nasce uma formosa aurora para nós.
Mas nessa chimia falta alegria.
Tudo parece calmo lá fora, e aqui dentro?
Há cores e sorrisos, e aqui dentro?

Pra piorar, em vôos noturnos tentamos voar...
de asas cortadas, de canto rouco de tanto protestar.

Onde um noite é apenas uma noite e eu sou o resto.
Nesse canto de sorriso.
Nesse canto de bar.
Nesse canto de resto de quase nada.
Nesse canto de noite: ninguém mais canta.

Leandro Borges

8 de jul de 2012

7 de jul de 2012

Liberto e Liberto


Liberto e Liberto.
Ó, amor liberto, quão diferente és.
Melhor forma de amar: liberdade enfim.
O enclausuramento dos sentimentos dói.

O vôo livre, simples e lindo é.
Sem prisões, sem cobranças e sem doenças.
A intoxicação do amor é um sacrilégio.
Cego em não ver a própria doença.

O amar em liberdade é o caminho da paz.
Flutuar tranquilamente entre o ruído e a pressa.
Quero sempre essa paz, sempre feliz: em paz.
Gosto da naturalidade e sei que ela é boa.

Laços envolvem os corações e como balsamo.
Sem feridas, sem cortes, sem magoas; somente confiança.
Sempre em liberdade vai, os corações vermelhos flutuam
não há corrente entre eles.

Sem parasitas, sem sanguessugas,
sem doença entre eles, sem dependência mutua,
sem muletas sem dominações, sem jogo sujo, sem vampiros,
sem wendys nem mesmo peter-pans.

Como é feliz viver livre assim sempre vou.
Vou indo, crescendo muito, mais muito mais rápido.
A vida muda ao se tornar realmente livre.
E amor liberto é uma dádiva transbordante.
Felicidade me toma os lábios, de orelha a orelha.

Gosto do gosto os ventos.
Gosto do cheiro do pampa.
Gosto do pala nos meus ombros.
Gosto do corpo aquecido pelo mate.
Gosto do tribular dos meus cabelos ao vento.

Corrida ao vento, sigo nobre.
Pouso em terreno firme e justificado.
Face se torna branda e afável: limpa.
Descubro a criança nos interiores profundos.
Sempre sigo a sua direção, sabia simplicidade.

Contente, irreverência, ausência do ridículo.
Agora vôo sempre para o infinito.
Azas e vorazes no furacão.
A chama que me arde, astuto ó grande coração.

Brinco com o tempo, mas mesmo que se vá
não tenho medo, sempre vêm para o bem.
Tempo mano velho, tempo seu irmão.
Fortes vidas, fortes lições: clarão.

Leandro Borges

Vento e Fogo


É o vento soprando à cantar.
Um pano de mesa a tribular.
Rodopia as roupas no cordão.
Faz da calmaria bucólica: agitação.

Desfigura a face do pássaro estradeiro.
Sobe das flâmulas para acariciar o vento.
Corre o pampa como rastilho matreiro.
Fogo de luz inflama e corre contra o tempo.

Faz da pequena brasa um imenso fogarel
e da chama calma um incendiário cruel.
Para coração apaixonado: a loucura.

Vento: grande e ímpeto parindo a vendaval do novo.
Fogo: guerras e revoltas contra a tirania infame.
Para o amante alado a ardente doçura.

Leandro Borges

O pampa encantado

Encontrei nas matas, na selvageria, as flores de um outro lugar.
De um outro tempo.
Soube que era do outro lado do rio.
Eu vi cavalos correndo, gauderios quase voando.
Vi prendas e muitas guirlandas de flores.
Vi bandeiras vermelhas rasgadas, brasa nos olhos.
Sei que perto da fogueira escutei muitos causos.
O céu mais bonito que vi nesses últimos duzentos anos.
Era de outro lugar aquela prenda.
De poucas falas, de um jeito tímido de ser prenda.
Sua veste negra, parecia uma guria crescida de luto.
Mas não, eu via o brilho dos seus grandes olhos.
Cabelos tão lisos, tão longos e tão negros.
Um ar misterioso de se esconder em seus véus negros.
De poucas palavras e olhar profundo.
De sorriso de canto e de fala doce e serena.
Era de uma outra qualidade de prenda.
Dessas que não é sempre que vem até estes pagos.
Sentou ao meu lado e me olhou de canto de olho.
Senti a sua energia encher as minhas marés,
mesmo este velho marujo se espantou,
pois era um mar de outro lugar.

Sei domar cavalos e mares.
Sei cantar dores e flores.
Mas senti um arrepio na alma ao ver aquela prenda de pele mui branca.
Não encontrei no céu a lua.

Era o seus olhos gigantes, engolindo o meu horizonte.
Em seu olhar mergulhei.
Um olhar-luar derretendo ao mar.

No pampa sem tempo-espaço de um horizonte infinito,
eu vi deitada servindo a contemplação o corpo nu da lua.

Leandro Borges

5 de jul de 2012

Riscado pelo mundo


Me sinto um ser inútil, sem razão de existir.
Em um mundo avesso pro meu fazer, não sigo em acordo.
Cansado de não ser valorizado pelo trabalho árduo feito.
Sigo sem moedas, ou pior moedas emprestadas.
Sigo triste, sem imagem, sem dignidade, sem família e sem amigos.

Reprovado mais uma vez pelo caminho, sou um inútil que tenta provar para consigo que não.

Cansado de tantos sonhos amarelos, de tantos castelos desmoronados...


Subvalorizado, me sentindo menor.. passo por homens que dizem que irão ajudar.
Fico sozinho num canto, sem ajuda e sem valor.

Parte de minha alegria morre hoje, me sentindo um lixo.
São lixos multiplicados, estorvando o caminho da humanidade.
Um lixo sem reciclagem, sem finalidade... deixaram-me apodrecer até virar não-adubo.

Leandro Borges

30 de jun de 2012

Rasgue o véu do dinheiro

Não, não podes entrar nessa porta por dinheiro.
Não, não conseguirás abraçar enquanto não soltares o ouro.

Essa casa, cada pedra é feita de outro material.
Teu ouro não compra um grão de areia aqui.

Quando dás um abraço de amor, aqui nasce uma flor.
Quando outro compras um sorriso, aqui morre uma flor.

Tua fama aqui não é nada.
Teu status aqui não é nada.

Aquele que avalia pelo que tu veste,
não sabe que cor a tua alma veste.

Porque a Babilônia quer o teu sangue, o teu suor e a tua felicidade.
Não terás vida, sobreviverá apenas, e comprar será o único pseudo-viver.
Não se iluda com o doce do dinheiro.
O amargo vem depois, quando o vazio chegar ao teu coração.
Quanto mais valor deres ao ouro, menos coração terás.
Nenhum par de ás lhe dará paz.

Utilize o dinheiro com o coração.
Valorize quem e o que precisa ser valorizado.
Não corra atrás do dinheiro, não viva para ele.
Viva pela vida, pela dignidade.
Há coisas que só o amor paga.


Enquanto o Deus-Morte for mais forte que o Deus-Amor,
animais, humanos e anjos choraram rios de lágrimas.

Não deixe que o feitiço dessa gente sem-coração lhe tomar o controle.
Quando o Deus-Dinheiro-Morte cair, cairá também os seus vampiros-prostitutos.

Quando as Babilônias caírem, não poderás mais
comer dinheiro, beber dinheiro vestir dinheiro, andar dinheiro.
Uma nova moeda nascerá em nossas consciências, corações e mentes.

Há somente uma bússola nessa vida, o coração banhado de amor incondicional.
Grafite no teu coração, só um Deus, só um amor, só um coração.

Leandro Borges

"Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de entregar-se a um e não fazer caso do outro. Vós não podeis servir a Deus e as riquezas."



17 de jun de 2012

Sem Pena

Um mundo pingado de coisas.
Muitos pontos e muitas partes.
Muitas memórias em desassossego.

Meu peito bate quase feliz.

Eu olho pra tantos lados, pra tantos lugares.
São tantas realidades e tantos contrastes.

Meus olhos quase choram.

As ruas quase ruas.
As estrelas quase estrelas.
As casas quase casas.
As pessoas quase humanas.

Andam com tanta pressa e tantas rugas de mal dormir.
Andam com tanta fome de dinheiro e tanta falta de vida.

Se eu vejo a tristeza alheia, como posso passar alheio a tudo isso?

São rachaduras de um corpo.
São dormires de andar de pé.
São solas gastas de muitos quilômetros.
São fomes de comer frio e vazio.

O céu deveria ser azul.
A água deveria ser limpa.
A vida deveria ser feliz.
A arte deveria ser viva.
O dinheiro deveria não ser Deus.

Leandro Borges

Posso te dar o meu sul

É este tempo-espaço de vão, lacuna pras almas.
Espaço entre as chamas.
Onde és liberdade.
Onde sou espera.

Preciso mergulhar no teu universo, fique mais um pouco.
Conhecer à que somos e à que façamos.

Sinto o teu raio e nele me conforto.
Sinto o teu abraço e nele há um casulo.

Vou deixar correr esse lobo no vasto pasto.

Eu-pássaro escolho a minha morada, onde o rio corre.
Tempo-espaço entrecruzam, transpassados estamos.
Abraçados nesse eterno-abraço.
Quando o olhar deságua no meu, me tens em direção.
Posso te dar meu sul.
Posso ser teu, só teu.
Quando rompi a linha não acreditei no que vi.

Será devaneio?
Será futuro?
Será projeção?

Cuido em segredo, a tua energia que deixas-te em mim.
Essa rosa que és tão rara.
Essa prenda-flor que és tão cara.
Valor de sentimento, onde as moedas estão no coração.
O preço de viver à dois.

Posso voar toda uma vida.
Podes correr toda uma vida.

Que rio somos, que rio seremos?
Que centelha minha está contigo?
Que centelha tua está comigo?


Naquele ponto-momento as águas eram uma só.
Una pareja y un solo océano.


És milagroso y divino mirar, abrazar y sentir.
Paraíso és acostar en el corazón.


Onde em um salto o caminho dirá.
E as nuvens da incerteza passarão.

De quaisquer formas, estás no meu coração.

Leandro Borges

8 de mar de 2012

Poetizar espaços é alargar o tempo


(Mundo Jovem p.8)
Vive-se, hoje, o tempo da não-poesia. O desmembramento entre magia e vida é uma das marcas de nossa era pós-moderna - era de fragmentação e fragilidade, em que a indústria cultural esmaga o ser humano. Em épocas como esta, é contraproducente o viver poético. Não é possível combinar a harmonia da palavra mítica, que rememora o paraíso perdido, ao caos dos dias em que vivemos. É o tempo-flecha, o tempo-ponto, abismado em si mesmo, sem fronteira nem horizontes.



Muitas vezes ouvi: “poesia não vende, para que insistir?”. Insistir é resistir. É ferramenta em nossas mãos. É contrapor-se aos ventos de agora! Coordeno um movimento que publicou 26 obras em três anos, todas de poesia. Apenas três não estão esgotadas. Criamos cooperativa de poetas. Reúnem-se cinco, dez e até mais de 100 poetas. Publicamos, dividimos em cotas e cada um vende os seus livros. Funciona, e é muito bom! Nos lançamentos, vários se reúnem, seguram o tempo nas mãos e controem uma supra-realidade: recitam, falam de suas vidas, criam e recriam o mundo despoetizado. Nossa vitória sobre o mundo mecanizado e capitalista é sorrir diante da obra que retém (no papel) e liberta (para o outro) o nosso dizer poético. A necessidade de se expressar poeticamente está calcada no ser humano desde tempos imemoriais.

Trabalho Inutil ?

Não trabalhar poesia nas escolas, é um reflexo da atual conjuntura. A escola, ainda que nem sempre o assuma, reproduz o sistema autoritário e dual. Há iniciativas (poucas, e algumas brilhantes) no sentido de questionar o sistema, enquanto que a maioria preocupase com a formação do indivíduo, quanto mais individualista melhor, com as arraigadas desculpas de que há poucas vagas, que só os primeiros as ocuparão. Criam-se personalidades descomprometidas com a solidariedade, incapazes de conviver harmonicamente entre diferentes. A escola justifica-se pelos concursos públicos e vestibulares.
Uma vez, orientando uma oficina de poesia na 5ª série, um grupo de mães reuniu-se e, entre outras coisas, pediram para não dar poesia, e dar coisas úteis para o vestibular... Na 5ª série? Fiquei perplexa!
Então, hoje já não é possível brincar com as palavras, educar a sensibilidade para apreciar e escrever, porque existe dali não sei quantos anos um monstro chamado vestibular e, em nome dele, quem sabe, essas mães não quereriam que seus filhos tivessem análise sintática na 5ª série?
Trabalhei numa escola em que se desenvolvia a pesquisa-participante (de verdade) Era lindo! Alunos e professores saíam às ruas, pesquisavam a realidade posta e os anseios daquela comunidade. Num segundo momento, os dados eram tabulados em papel pardo. E que cuidado se tinha para manter in natura a fala dos entrevistados, por respeito à sua forma de se expressar. Uma pesquisa mudava o planejamento de dois anos. Era um constante desafio problematizar as falas na sala de aula e, no final, devolver ações solidarias à comunidade. Mesmo assim, havia colegas que entendiam se uma perda de tempo “aquelas bobagens”. Bobagens que mudariam a vida daquelas pessoas... apenas!
Assim é a poesia para uns: uma bobagem! Palavras que falam pela simples ânsia de dizer que existem, pelo simples fato de serem palavras, sem qualquer outro porquê... Agindo dessa forma, o utilitarismo não consegue raptá-las para seu proveito. Elas fluem, pairam, às vezes veladas e, assim, dizem muito, sem quase nada dizer. Mas a poesia não serve, não cabe neste mundo retificado.
Não serve? Não cabe? E porque será que se lê Camões hoje, passados quase 500 anos? E, ao fazê-lo, sentimos uma grandeza de alma? E há quanto já vão esquecidos os cronistas daquela época? Documentos são questionados. Podem ser forjados. Há teses que se ocupam em saber se Homero realmente existiu, mas ninguém questiona da Idíada e da Odisséia, capazes de instaurar um tempo novo sempre que revistitadas.
A poesia é a extrema liberdade do ser, a palavra inquietante, perturbadora. Um amigo confessou-me: queria livrar-se da poesia. Já não era feliz... A poesia não cria uma geração de alegres sem causa. Cria seres profundos, capazes de ler além da letra impressa, além da palavra dita. Quem lê poesia, escreve poesia, questiona a poesia, não perde a possibilidade de refazer-se constantemente, ir ao encontro de si. E não é essa a arte da vida? A possibilidade de, estando no mundo, interferir criativamente sobre ele?
Então, para que a poesia? Porque ainda há tempo de instaurar no tempo um outro tempo. E é a escola (ou deve ser) a instituição capaz de descobrir a riqueza contida na palavra poética, Num trabalho constante e inquiridor, a escola é capaz de instaurar brisa, desmascarar a hipocrisia do tecido social e criar um ser que cristaliza um outro tempo em suas mentes e corações, contando com o poder transformador da palavra poética.



Edinara Leão,
professora estadual, poetisa,
coordenadora do Movimento VirArte,
em Santa Maria, RS.
Endereço eletrônico: edinaraleao@yahoo.com.br
Blog: http://edinaraleao.blogspot.com

Pelas estradas atuais

Deixar meu livre-ser, ser.
Sem dogmas.
Sem vicitudes.
Ligar-me ao ser interior.
Não negar minha sombra.

Sem pseudo: atitudes e sentimentos.
Andar contra o falso vento.
Ser parte sóbrio parte ébrio.
Voltar a falar de flores.

Ou melhor, o reino interior das cores por de trás das flores.
Se falasse de amores também converteria em cores.
Meu ser não pode ser pelo outro meu ser, aprisionado.
Sei que há um guerreiro e um monge em mim.
Assim como um sonhador, um descrente.
Um anjo e um carrasco.
Um menino e um amante.


:Há boleadeiras, rosetas e flores.


Procuro uma grama para deitar ao sol.
Procuro um canto de natureza que me queime, que me mantenha vivo.
Um pedaço de verde, que viva, mantendo assim em mim a chama da esperança.
Um lugar diferente, onde o silêncio é sagrado.

Leandro Borges - 03/07/10

22 de fev de 2012

Epifania Particular Paulistana

São esconderijos sinuosos.
Caminhos pouco divulgados.
Rotas não traçadas nesses mapas.

Não há entrada ou saída.
Partes de um outro lado encoberto nos teus véus.

Véu que guardam belezas escondidas.
Véu que preservam toques suaves.
Véu que protegem olhos claros.
Véu que aguardam a chegada dos puros.
Véu que cuidam de uma natureza única.
Véu que abrigam todo caos e arte.

Secretos caminhos que velam a outros ares, outras brisas.
Reservam uma parte encontrada por poucos forasteiros.
Escondida por ser preciosa e valiosa.
Um valor não mensurado por cifras, mas por coração.

São Paulo que abre portas, São Paulo que acolhe loucuras.

Há um jardim, um local encantado.
Onde:

Flautas tocam;
Anjos cantam;
Cordas resoam;
Almas se libertam;
Amizades nascem;
Palmas voam;
Pés cantam;
Olhos despertam;
Violões brilham;
Alegrias revigoram;
Tristezas embelezam;
Chuvas mágicas caem.

Gota
-a-
Gota.

Garoas e Garoas.
Garotas e Garotas.
Entre o ruído e a pressa, furo o caos.
Deixo meus sentimentos fundidos com essa brisa tão leve.
Quase incorpóreo sou, quebrado em bilhões de pontos ao ar.

Desço com a garoa, desço a cidade: epifania particular paulistana!

Leandro Borges

20 de fev de 2012

Condessa Vermelha

Alicerces que sustentam um mundo maravilhoso.
Um espetáculo em tela, fogo e aquarela
em voltas e revoltas de um sonho fabuloso.
Feito em noite de verão, juntos: real.

Segue o veloz e belo de um animal mui branco.
Encontra a luz de um caminho não tão feliz.
Luta contra as flores mortas, é preciso.

É curioso, vemos viceras de um mundo sujo.
É escuro, miolos expostos e decompostos.
Vamos mudar o mundo, irrigaremos com arte.

Anda meio avoada pelas calçadas.
Longe vai seu pensamento sonoro.
Imagina e almeja um mundo mais digno.
Cativa as almas que a rodeiam.
Entoa tons vermelhos mergulhados no fogarel.

Eis que vejo um grifo no seu mundo.
"Alaïs", alias de mais nobre alma.
Princesa da terra sagrada encanta ao falar.
Condessa da vexin jovem amante.
Alix, em um oceano dourado.
Uma vida em esperança que acredita.

Dança entre seis pontas, pés voadores.
Escreve em outras letras.
Desliza pelas nuvens de fantasia.

Leandro Borges - à Alice Castiel

15 de fev de 2012

Pilulas para o acordar Nº 1

Cansado de tantas pessoas idiotas, vendo pseudo-notícias idiotas.
Uma pessoa na tv chorando pela desgraça, não me abala mais; graças a Deus.

Eles querem manipular e manipulam muito...

Eu dou risada das pessoas chorando a morte de alguém.
Seguir a cartilha que os jornalistas querem?
Não obrigado.

Eles querem manipular e manipulam muito...

É triste ser brasileiro e ver a massa burra seguir os manipuladores.
Seguem letárgicos...

Pessoas que compram a roupa da hora, comem a desgraça da morte alheia da hora.

Eu vejo mendigos e eles mendigam, e é fato; não pejorativo chama-los: mendigo.

Pra ser brasileiro de fato, deve-se assumir o lado bom e ruim do coletivo brasileiro.

E ter vergonha de ser brasileiros é natural, se sentir parte da corrupção é natural.

É assim assumindo o coletivo de representar a nação, que assim nos apropriamos da cidadania brasileira.

Tenham vergonha e orgulho de ser brasileiro, pois somos o lixo e a flor.

Aceitar apenas as coisas boas do país, é ficar cego, e não assumir a culpa dos problemas sociais brasileiros.

Eu tenho vergonha da minha mãe, professora, terceiro grau completo;
ganhar uma miséria.

Eu tenho vergonha de existir igrejas-empresa no país, consumindo o dinheiro justo do povo pra criar templos de ouro e sem amor. Podres católicos, pobres evangélicos.

Sugiro seguir como Cristo, sem ouro e sem templo; de cabelos longos e barba.
Contra a cultura do povo letárgico, com ideias de amor e servidão.

Siga como a flor-fractal, é preciso combater a ignorância da não-consciência.

Leandro Borges

6 de fev de 2012

Vai minha saudade

Vai minha saudade e diz à ela que por ela meu coração espera.
Diz-lhe num samba-canção que ela volte,
porque assim eu não posso mais viver.

Sai minha tristeza, deixa entrar a beleza porque sem ela não há cores,
não há beijos nem sabores é só solidão.

Se te tenho de regresso, que encanto será, que devaneio seria... não haveriam mais estrelas no céu
todas elas estariam raptadas no vitral dos teus olhos.

Envolto no teu corpo nossos corações se fundirão, voltarão a ser um só; para remediar toda a dor
toda a melancolia que insiste a não sair de mim. Pra acabar com o vazio da tua ausência,
pra na tua flor eu colher a tua essência, o teu amor e a tua melodia em cor.

Vai minha saudade e diz à ela que por ela meu coração espera.
Diz-lhe numa milonga que ela volte,
porque assim eu não posso mais.

Sai minha saudade, deixa entrar a nossa vontade porque sem ela não há música,
não há paz no coração nem um pulsar verdadeiro é só um vazio...

Então, te tenho de regresso, que encanto, ó devaneio! 
Por um instante não há mais estrelas no céu, todas elas estão raptadas no vitral dos teus olhos.

Envolto no teu corpo, nossos corações fundidos são um só; não há dor nem melancolia.
Colho na flor da tua essência, o teu amor e a tua melodia em cor.
É uma canção, é uma milonga, é um samba, é bossa-nova, é maracatu: é Carnaval.

Leandro Borges
Antes de desejar, esteja preparado. (Leandro Borges)

4 de fev de 2012

Leve menina leve


E se essa menina ainda conseguir ver a beleza?
Onde suas mão-fitas voam livres...
Simples.
Colorido.
Leveza.
Andando em um campo a florescer, com o coração bem leve.
Pensamento enebriado e feliz, com esperança de um novo alvorecer.
Admirada pelo verdejar vivo, bailando ao sabor do vento.
Mundo colorido na paixão pela vida.
Uma vida mais vivida, cheia de esperança.
Onde olhares incisivos não habitam.
Escuta as harpas infinitas do paraíso?
Ela é menina pequena, grandiosa na sua simplicidade.
Corre pelo pasto, anda a acarinhar corações.
De que vale o ouro sem a riqueza maior?
Como suas fitas fossem mágicas, onde passa vira luz.
A mágoa vira perdão, a dúvida vira certeza, o peso vira leveza.
A agonia vira glória, a raiva vira bondade, o veneno vira doçura.
Que a sua fé nos leve a sã-loucura de sermos amáveis a todos.
Leve menina leve a dor.
Leve menina leve a tristeza.
Leve menina leve o frio do coração.
Tens o dom, tens o tom e a maravilha de ser menina.

Leandro Borges

9 de jan de 2012

Destino num traço azul

Olhe para trás, e vejo o quanto andou.
Já passaste pelo caminho árduo de encontrares o rio.
Navegar pelas enchentes e secas, ultrapassar montanhas.

Agora vem o desafio de bifurcares o rio.

E te questionas se ainda serás o mesmo rio
se conseguirás ser mais de um e o mesmo; sem se perder.

Quando encontras tal rocha, é natural ser mais de um.
Não tenha medo de seres outros, de ser mais.

Um rio encontra o equilíbrio ao multiplicar e ao receber.
Busque os caminhos suaves entre as pedras, caminhe determinado, multi-focado.

Se um dia não encontrares o passo dessa dança, busque em novas pistas.
Sejas verdadeiro e simples, feliz e esperançoso!

Não importa o tamanho do desafio, mas sim a veracidade do amor!

Leandro Borges
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