Seguidores

29 de jan de 2008

Última Supernova


Como cálice de vinho tinto parado
estou a descansar o meu fluído.
Deixo toda agitação guardada enfim.
Assim, no fundo de minha alma assegurada.
Deixo os cantos dos pássaros falarem por mim.
Olho o vento curvar o som dos eucaliptos.
Uma ponta de folha me toca a face escondida.
Uma ponta de melancolia me toca a memória.
Como me fascinava a constelação dos teus olhos.
Nascia sempre um céu quando os nossos olhares se cruzavam.
Me abalava a memória nas noites frias e cruas.
A infância com sabor de morte e tristeza.
A aspereza de tantos anos de solidão fulminante.
Deixo a explosão dos lobos guaras correrem por mim.
Uma alegria ferida sangra, marcando os teus passos agora lentos.
Uma pequena casa a embalar meus sonhos ternos infantis.
Anjos grís me levam pela mão ao teu tenro jardim.
Nele vejo um mel suave, a luz do sol deixa toda a natureza
com uma cor castanha amarelada, traz o encanto
nessa tarde de sol que já não é tão avermelhada.
Deixo o suor coroar toda a minha fadiga urbana.
Deixo o sol revelar toda a cor da minha pele nativa.
Me transformo em metal bronze, choro lágrimas azuis.
Sofro calado com um sorriso radiante no rosto.
Em pequenas curvas suaves do meu sorriso deixo escapar.
Desvio o olhar do teu mirar fulminante que me sufoca.
Ruo um urro de alegria já acinzentada pelos anos.
E nesse ruir e nesse urro há algo de muito impuro.
As folhas comidas pelas traças famintas do desespero.
O teu perfume exala insegurança e egocentrismo.
No teu riso escrachado eu vejo um menino desesperado.
Há um sinísmo totalmente cruel e uma falta de fé absurda.
Não há mais pão, não há mais prazer.
Sente só o soltar eterno das mãos dadas.
A última estrela do teu olhar deitar eternamente.
Supernova desenha um belo requiem orquestral.

Leandro Borges

21 de jan de 2008

Tô com saudade... (Saudades: Formação de Atores 2006)



Tô com saudade... :

das loucuras da Fran, correndo pelo espaço: feliz.
do magrão dançando caoticamente.
da "mulé dos oio peto", minha querida Sinara.
do fazer graça sem igual do Gabriel, camarada.
das risadas e festas loucas e divertidas da Tati crespa.
das palavras e do jeito especial da Tati lisa.
da minha professora de francês e amada, Elisa nossa diva.
do Gusta cara brother, desde 2005 na faixa :P.
da pequena, a grande Cíntia com jeito forte e meigo de ser.
do Fred, com os conselhos e jeito de dançar roque inusitado.
da Luiza da sua força, companheira de cena e o seu jeito querida de ser.
da Cla com seu jeito estrabulega de viver :))
da Ariélle com seu jeito doce de conversar
da Krish pela sua dedicação, esforço e cumplicidade.
da Gabi pelo seu jeito divertido e maroto de ser hehehe :P
da Aninha por ser doce e amiga pra muitos momentos
da Rai, chuchuzinho, pelas aulas e psicoladias ... valeu :)
do João seu jeito quieto, e parceira na percursão :))
do Sidey, mais saudades pela distância grande amigo
da Taise, mais saudades, pela sua beleza exterior e principalmente interior
do João Pedro, mais saudades, pelas cantorias e canções pelo Tepa a fora...
da Vika, uma mulher de força, uma querida q adoro hurruu
da Jaque, pela sua paciência, digo mutua paciência, mas te amo viu. ;)
da Fê, uma alegria e energia irradiante, te adoro Fê.
do Zé pelos todos ensinamentos eternos.
das aulas maravilhosas da Dani e sua pessoa.
da virtuose e crença no teatro da Jeze.


to com saudade da nossa comunhão,
seja nas bares,
seja nas festas,

seja nas noites...

em especial no "Traição".

Leandro Borges

16 de jan de 2008

Gabriela Grudzinski


A uma guria com sabor quente
de um jeito tão envolvente.

Sensual!

Revela todos os meus instintos: animal.
Uma ninfa, uma louca, uma estrela.
Exuberante e provocante.
Ela é simples e certeira.

São chamas, fogos e labaredas.
Tens uma luz... ah essa luz da tua presença:
Intensa, Intensa, mui Intensa!!!

Leandro Borges

9 de jan de 2008

Asfalto Cinza


Aperta o passo e cruza a avenida,
olha para trás e ao escutar o som de uma batida
sente o sangue escorrendo leve pelo chão.
Aperta mais o passo e descruza a avenida.
O sol já desapareceu e as nuvens troteiam.
O céu parece agora mais alto, os pés descalços,
as luzes escorrem em rastros no ar agora mais denso.
Vozes nos arredores da memória e da calçada suja.
Embaçadas cores surgem ao baixar a semi-cortina dos olhos.
Rostos derretidos, desfigurados gritam a frente.
Um andar curvo esses riscam as pedras da calçada.
Deixa um rastro pelo caminho, peso na cabeça, tropeça,
levanta e mais gritos, a girar ao ar ao redor.
Sente o ar ainda mais pesado, o peito descompassado,
as veias sedentas e o corpo curvo semi-nu.
Um frio estremecedor na espinha dorsal.
Um súbito sono bate o corpo cambaleante que luta para conseguir andar.
Treme de forma estranha e bonita as pernas já quase sem mais controle.
Mais faces desfiguradas pintam a tela dos olhos tortos.
Sente a dor profunda de séculos de desprezo e asco.
Deita a face no asfalto quente e em um piscar de olhos
vê toda a sua vida corrida em um raio que pulsa.
Toneladas explodem a sua cabeça cheia de um vazio imenso.

Leandro Borges

7 de jan de 2008

Relato sincero a um perido amor

<
span style="color:#cc0000;">Mesmo que peça não me trará a promessa do não fim.
Senti as paredes verterem em água em condição avessa
e uma correnteza contrária ao amor de dois corações.
Eu sei que mesmo ao fingir não poderei ir ao teu coração.
Quebro mais uma perna ao entrar em cena e é uma pena não poder
te ver na platéia, te ver no proscênio, eu te vejo apenas de pano de fundo.
Meu mundo se torna imundo ao tentar reverter a realidade
pra satisfazer ao meu bel-prazer toda a tua inocência.
Meu minuto fica diminuto comparado aos que te dei
e agora sei que o tempo não vale sem ter o seu proveito.
Agora em minha casa deito em uma casa vazia, ora quente
ora fria, sem perceber que tudo poderia... tudo poderia...

Mais um vento entra dentro da alma sem pedir passagem
e segue mais uma viagem pra dentro de toda a minha tristeza.
Faz parte de todas as lágrimas que já rolei e te dei
a licença de toda a minha dor, em papel de manchas de amor.
São feitas de meu sangue mais sincero, mais vertente
e meu plexo explode convexo em uma valsa de dor e suor.
Nada vale ter uma vida cheia de imagens mas vazia.
Eu deixo ainda cair toda as bolhas do pensamento pesado
que escorrem pela sala com cheiro forte de fleuma.

Eu tentei por muitos anos não ser uma estátua, mas não venci.
Meu orgulho e a minha dor latente brecaram toda a possibilidade que havia.
Morri em vida por muitos e muitos dias, passei a tentar apagar
uma lousa que nunca se apaga, mas apenas se abranda algumas partes e poucas
ficam temporariamente vendadas, mas nunca apagadas como eu queria.
Sim, sim e sim; por mais que não possas acreditar eu fui realmente outra pessoa.
Não eu nunca mais permitirei me tornar aquele monstro que não tinha vida social,
que não tinha tempo para o tempo, pra si, pra a calma, pro amor, pra não dor.

Eu não posso reeditar o nosso tempo, quero que saibas que ainda te sinto.
Que o amor é algo simples.

Ele nada pede.
Ele nada impõe.
Ele nada sofre.
Ele nada antecipa.
Ele nada morre.
Ele nada chora.
Ele nada sangra.

Não posso voar sem antes cair.
Eu cai e agora posso voar.
Se já está a voar com outrem.
Eu irei além dos céus: além.

Leandro Borges
Creative Commons License
Poesya, não burguesia! by Leandro Bastos Carneiro Borges is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at poesyas.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://poesyas.blogspot.com/.