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9 de jan de 2008

Asfalto Cinza


Aperta o passo e cruza a avenida,
olha para trás e ao escutar o som de uma batida
sente o sangue escorrendo leve pelo chão.
Aperta mais o passo e descruza a avenida.
O sol já desapareceu e as nuvens troteiam.
O céu parece agora mais alto, os pés descalços,
as luzes escorrem em rastros no ar agora mais denso.
Vozes nos arredores da memória e da calçada suja.
Embaçadas cores surgem ao baixar a semi-cortina dos olhos.
Rostos derretidos, desfigurados gritam a frente.
Um andar curvo esses riscam as pedras da calçada.
Deixa um rastro pelo caminho, peso na cabeça, tropeça,
levanta e mais gritos, a girar ao ar ao redor.
Sente o ar ainda mais pesado, o peito descompassado,
as veias sedentas e o corpo curvo semi-nu.
Um frio estremecedor na espinha dorsal.
Um súbito sono bate o corpo cambaleante que luta para conseguir andar.
Treme de forma estranha e bonita as pernas já quase sem mais controle.
Mais faces desfiguradas pintam a tela dos olhos tortos.
Sente a dor profunda de séculos de desprezo e asco.
Deita a face no asfalto quente e em um piscar de olhos
vê toda a sua vida corrida em um raio que pulsa.
Toneladas explodem a sua cabeça cheia de um vazio imenso.

Leandro Borges

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