Seguidores

24 de dez de 2011

Não tenho pernas, mas continuo

Não tenho dignidade nem discurso.
Não tenho mais vontade de mudar o mundo,
porque aprendi que o rio da vida é maior que eu.
Não tenho a empáfia de fazer algo assim, mudo a mim.

Mudo a mim, e mais um passo pra fora do círculo.
Caminho tão longe do centro,
rotulado por outrém como excêntrico.

Em grandes e tristes desacordos internos, afogo em cerveja.
Com o teu discurso teces a minha mortalha.
Mais e mais um batalha, meu porto foi destruído.

Ninguém mais abarca, não há pescadores nem turistas.
Há dias e outros saqueadores, roubam mais a minha fome de um resto de um dia um sentimento digno.

Quando se tem um mundo, e se muda, e nada mais se tem.
E passam anos, e continua sem nada, vejo apenas palavras vazias de estímulo.
Tudo em minhas mãos e nada mais pra me ajudar.
Mundo de canibais insanos. Forjamos máscaras deslavadas de humanidade.

Não cabe ver o mundo pelo desperdício de energia das luzes de natal.
Não cabe ver o mundo pelo excesso de gastos e moradores de rua morrendo.
Não cabe ver o mundo pelo insanidade de longas metragens milionários pagos pelo dinheiro do povo.
Não cabe, morrem crianças sem casa, e diretores enriquecem.
Meu país, me dizem, eu deveria ter orgulho.
Eu deveria... sou louco e burro.

Eu gostaria de doar os meus pertences, e me dizem que eu devo vender... sou louco.
Eu gostaria de ser aquilo que acredito, e estou mudando, e me julgam pelo mudar, me chamam radical.
Eu gostaria de ser visto não pelos olhos... abraça-me e me veja de olhos fechados.

Eu não posso comprar a alegria, nem cores ou dores.
Se um carro passa e eu ando; quem é mais importante?

De quantas lágrimas e sofrimento são feito os sonhos realizados?

Não admiro a hipocrisia, é um dos meus defeitos.


É tão bom ser certo e assalariado.
Um ser bem afinado, arrumado, vestido e alinhado.
Ser um boi bem apresentado, uma família bem feitinha.
Seguir uma linha, um padrão, ser amiguinho do patrão.
Ser mais um peixe do cardume, nadar conforme a cartilha.
Posso ruminar como mais um trabalhador que não questiona.
Posso aceitar que o Sol é quadrado,
porque os donos da nossa mente nos disseram que agora é assim.
Ganham por mês um cala-boca, um fica quieto, um salário inimigo.
Esse mesmo que compra os sapos que engoles,
o mesmo que compra os grilhos no teu cérebro,
o mesmo que compra a tua indigestão mental,
o mesmo que compra a tua eterna insatisfação,
o mesmo que compra a tua contradição de vida,
o mesmo que compra o teu tempo,
compra o tempo com a tua família,
compra as tuas amizades, compra o teu sorriso.
Vendes tudo por essa corrente que chamas de trabalho.
Esse mesmo que te faz substituir o ser, pelo comprar, pelo falso-ter.

Segue assim amigo, tu és inteligente e e...

Leandro Borges

19 de dez de 2011

Monstros e Querubins

Dorme uma rosa, dorme um carinho.
O fio do tempo corta a minha pele
fico aflito e só
procuro por um espaço onde o tempo não me queime.

Onde a cidade anda aflita a cada esquina.
Onde meu coração é incompreendido.

Onde há menos flores, menos árvores, menos amores.

Onde o concreto me engole, e me sinto frio e áspero.


Vejo apenas nos olhos das crianças um outro mundo.
Onde me olham como anjos.
Sentem por mim.

Eu, sem auréola e sem asas.. busco voltar a voar.

As baratas na rua passeiam solitárias.. Kafka está morto.

Os naipes do mundo foram lançados, e não se ousa sair fora do baralho.
Me sinto além-jóquer, além baralho, e por assim ser; descartado.

Usado, reusado, usado novamente, reciclado e feito como objeto.
Muitas usam e dormem felizes.

Onde meu coração se revolta pela corrente de consumo.
Tento ser fera, para não ser visto como um príncipe encantado.
Busco que me vejam por dentro, e mesmo assim enjaulam a fera.

Seja príncipe ou fera, não me vêem a fundo, de verdade.
Sou apenas mais uma lata de sardinha, consumível, feio ou belo: não importa.


Me recolho e volto a olhar os olhos das crianças.


Nos tornamos monstros, longe da pureza, longe do verdadeiro e profundo.
Busco sair dessa ciranda onde muitos dançam e se ferem.
Ciclo de vício, dor e lágrimas.
Um rio que desagua em um mar de dor e desespero.

Leandro Borges

8 de dez de 2011

Destom de Ariadne

Quando universos se tocam, as almas se reconhecem.
Mas quando as luzes estão em tempos diferentes, não podem confluirem.
Em desencontros de ciclos, de tempos, de espaços.
Atrair um mundo tão bonito, sincero, sereno e de sintonia próxima.
Um deslocamento que gera um descolar de tecidos, cria-se um vão entre corações.
Em volta da sua própria imagem, escultura, perde-se; como um cão em seu próprio rabo.
Enquanto isso procuro na sombra da areia desse deserto ainda fagulhas de um outro sol.

Leandro Borges
Creative Commons License
Poesya, não burguesia! by Leandro Bastos Carneiro Borges is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at poesyas.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://poesyas.blogspot.com/.