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11 de fev de 2009

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Era uma noite fria de verão, sabia o quanto sonhará em conhecer o mundo. Tinha na memória os seus delicados dedos, as florzinhas pintada nas unhas. Um sorriso que invadia a alma, um sorriso, uma alegria que enchia de cor a aura. Seria apenas uma viagem a Bali, teria na volta muito tempo para reconciliar, abrir seu coração e reconquistar a sua pequena.
Estava na véspera de sua partida e certa hora, depois de muito refletir, no meio do parque, em sua roda de amigos diz:
- O ego é aquele que quando toma o centro do palco e expulsa todos, o mundo a sua volta se transforma. O orgulho se desvirtua, a virtude se desipa. Quero dizer a todos que o amor é o veneno que o ego não se envenena. Eu ainda luto contra a minha teimosia, e espero que na volta tenha coragem e força para vencer o orgulho.
Fora seu último encontro com os seus amigos nesse ano, a ultima palavra, o ultimo adeus antes da partida. Pensava muito, pensamentos rodeavam a sua mente. Tinha medo dela ter se tornado uma outra pessoa, uma pessoa que nunca tinha visto. Pensava nas outras possibilidades também da vida sem ela, e tudo parecia muito vazio sem ela, sem sentido. Sentia saudades do ano que passou, dois mil e um para ele tinha sido muito mais colorido.
Viu as árvores coomo se fosse a última vez, o gorgear dos pássaros como uma despedida arrastada e longe canto, sentiu o adeus dos seus pais no aeroporto com um aperto profundo no peito. Lembrava do primeiro beijo que dera em Gabriela, sua pequena, a menina, a mulher por quem amava e sofria. A dor de um amor, seus olhos de adeus pela grade...
A idéia de viajar fazia muito bem, fervilhava a sua alegria de viver, novos ares, novo ânimo, novos tempos; não seria mal conhecer outra cultura, outros valores, muito formas de amar e ser feliz.
Imaginava correr pelas praias de Bali, admirar as flores e sabores, lugares e pessoas novas. Um mês certamente passaria rápido, aliviaria a sua mente e o seu coração, seriam os trinta dias mais rápidos de sua breve vida. Uma melodia suave tocava na sua memória, um baile de formatura, via a alegria novamente nos olhos de Gabriela, via logo depois nos mesmos olhos, a decepção.
"Daria meu mundo pra ver o teu acordar, o teu nascer do sol, a tua alvorada, o amanhecer do teus olhos, do ser. Os primeiros raios do olhar dela, aqueciam o coração. O mais triste desse amar, é que talvez, esteja amando o passado, que agora ela seja outra." Pensava e repensava nessas palavras.
Os ventos fortes tribulavam as imagens da dua memória. Disolvia a sua história no ar. Pensava como em poucos anos ele conhece alguém, aprende a voar a dois e depois, tem que somente andar e se contentar a desviar dos buracos do caminho, quando não cai neles.
No alto do alçar voo, gradativamente via como tudo que era grande se tornava pequeno, ínfimo, quase insignificante ao olhar. No mesmo momento nascia o medo do amor de gabriela fazer o mesmo movimento.
Sua nuca gelava, via a figura de uma mulher de pele super branca, um véu negro cobrindo meio rosto. A face desventura do desamor. Era um deserto, um mundo sem cor. Era frio, vazio, uma dor no coração.
Acordou no meio do voo, olhara para o lado e vira uma pequena como Gabriela, mas sem o brilho no olhar, de qualquer forma, ficou perturbado porque não saberia o que falar, o que dizer, o que fazer. Sobrou apenas um cartão que ela escreveu no segundo aniversário de namoro. Todos os outros tinha já queimado. Queria ela como ela era, porque o que era certamente amava ele, e aquilo que ela se torou tinha medo de não o amar mais. Era insuportável a dor de amar alguém que o amava e não o ama mais, era muito pior. Já amar e não ser amado era normal. O problema era ver as rosas se tornarem um punhado de pregos. Ver um olhar que brilhava como um diamente, apenas por te ver se tornar em um olhar vazio, oco.
Acorou novamente, quando o avião estava pousando, ele sorria para todos sem entender uma palavra, tentava gesticular em vão, então chega um guia falando inglês. Com um inglês não tão bom, meio enferrujado, conseguiu se virar com o guia amador.
"Direto do aeroporto para praia." Queria ver o oceno Indico, olhava o mar e sabia que quando voltasse falaria com Gabriela de coração aberto, sem medo, seria para ela todo seu amor, perdão e sua segunda chance pediria. Teria mais trinta dias para desfrutar de todas as praias e passeios, olhava pela janela do vidro do taxi, olhou pra dentro do taxi e viu um calendário, era dia 12, uma bela tarde de sábado.
Ao mesmo tempo, pensava olhando tanta gente na sua frente, as mil possibilidades da vida, ficou pela primeira vez com o coração e mente repartidos. Uma grande bifurcação na sua vida abriasse.
Estava convicto que teria uma longa vida pea frente, um caminho progressor e feliz, certamente junto a sua amada, seja ela qual for, Gabriela, sua amada, sua pequena, sua branquela... ou quem sabe uma outra garota.
Na praia mesmo ficou sabendo de muitas festas que aconteceriam a noite, pensou bem e duas vezes e mais. Passou a tarde na praia, conheceu muitos estrangeiros. Era um lindo sádado de sol. Comeu petiscos exoticos na praia. Brincou com a areia e lembro do seu tempo de criança e como tudo era mais simples e não havia tantas escolhas a serem feitas.
Gostaria de resgatar a pureza e a simplicidade da vida, mas não conseguia ver um caminho para isso, pelo contrario, para ele a vida a cada ano que passava começava a criar mais e mais ramos de possibilidades, e muita a cobrança e pressão para que fisesse as melhores escolhas na vida.
Voltou a noitinha para o hotel, arrumou-se, tomou um banho. Na recepção do hotel conhece uma nativa, de nome XXXX. Ela tinha um brilho diferente de olhar.
Recém tinha chegado em Kuta. Bali lhe parecia tudo aquilo que espera e mais. A noite seria promissora como os hospedes lhe falaram do Sari Club, e era pra lá que ele iria nessa primeira noite. Com a carteira cheia de rúpias, seria facil beber muitas e muitas cervejas e relaxar.
Estava lá, no meio da noite, no Sari Club, seu recém conhecido Matt, um maluco australiano e surfista decadente, tinha já a sua barrigunha. Matt disse a ele que rinha escolhido o melhor mês para visitar Kuta, em outubro a ilha fica ainda mais linda! Fala para YYY que irá voltar ao hotel para buscar mais dinheiro. YYY ficou ali conversando com as amigas da garota que Matt já estava paquerando. Realmente as suecas são boa gente...
Era umas onze e quarenta e cinco, quase meia noite. Ele olhou a sua volta, eram tantos jovens se divertindo, de tantas nações, acreditou piamente que realmente o mundo tinha ainda uma esperança de não se aniquilar, sessar a morte entre irmãos da aldeia global. Um flash da sua vida cuidadosamente passa na sua mente como um raio.
Jovens dourados de sol.
Felicidade da vida de uma madrugada de ouro.
Uma linda ilha perfumada por Deus.
Tão delicada.
Encantadora e misteriosa.
Lendária da Indonésia,
bebe no teu seio, dançar nas tuas curvas
namorar em todas as tuas praias.
Águas verdes, um paraíso de muitas nações,
um vivaz ponto de encontro de jovens.
É de tanta alegria,
tanto festa e desfrutar.
Um clarão lançado ao ar.
Uma eclosão de fogo, dor e sofrimento.
Saltam tantos tons de vermelhos diversificados.
Ruínas em frações de segundos formadas,
tantos gritos e tanta desolação.
Uma memória agora dissipada ao ar.
Um amor que explode e definha.
Um rastro de uma vida passada.
Pela noite, se fez dia.
E para muitos foi seu último sono.
Dorme pequeno príncipe.
Dorme pois sua amada lhe encontrará
só em seus profundos sonhos.
As feridas feitas em tantas vidas.
Tudo aquilo que estava parado, se movimenta
de forma expansiva e destrutiva.
Um som ensurdecedor toma conta de tudo.
Um grande branco lava todo o cenário.
Uma musica logo após toca, e derrete.

Leandro Borges

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