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30 de set. de 2011

Primavera da minha pele

Corre esse vento do meu rosto e agradeço por não lembrar o gosto de ti.
Triste saber que há tantas mulheres machistas nesse mundo, tantas mulheres idiotas.
Falta poesia para a maioria das mulheres que conheço...
São poucas e boas, e as conservo no meu coração as que não são.
Nada mais triste que a falta de sensibilidade...

Eu choro um rio de lágrimas e gosto disso.
Verto em cada gota minha emoção.
Posso explodir meu peito e meu sexo.
Mas há porque casar coisas assim.
A poesia do meu viver anda com meu ser.
Sou flecha e sou cravo.

Furo o vento e tua lógica rasa, de ignorância.
Furo o teu ruído e a tua alma suja.
Furo o conceito enferrujado sobre os gêneros.
Furo o desejo machista de ser menor que um homem.
Furo a hipocrisia de ditar que oficio devo ter.

Sou aquele que dá flores.
Aquele que rasga o lucro.
Aquele que sente em carne viva.
Que brota em arco-íris.
Faz da flor da menina a sua prenda.
Vê na mulher nem mais nem menos; deixa o rio correr.
Que corteja o sabor e responde ao teu fogo de mulher-menina.
Também de ti mulher, aquele que chora junto e enche de amor.


São de labaredas e pétalas que flutuam a minha aura, a minha magia.


Não brinque com fogo.
Não brinque com alguém a flor da pele.

Em mim brota a primavera a cada dia.
Que os anjos saibam proteger os sinceros de coração.

Cansado de labirintos alheios.
Cansado da covardia emocional alheia.
Cansado da hipocrisia que insiste em renascer a cada geração.

Hipocrisia, eu quero que se vá!

Leandro Borges

13 de ago. de 2011

A caminho do Uno

Onde o horizonte longe voa leve.
As suaves brisas da nova aurora.
Corre em um grande campo de flores.
Ao abrir das almas iluminam como sóis.
Andando entre cores, fortalecem e crescem.
Simples chuva fina.
Limpa.
Ilumina.
As palavras dos lábios positivam o universo.
Nutre o amor incondicional.
No meditar do coração transmitem ao todo.
Somos no "Eu Sou" um só.
Uno.
Ao evoluir do universo compartilhamos:
Em
---Amor
---------Paz
------------Luz
----------------!

05/06/11 - Leandro Borges

Piscina de Dor

E se o mundo me fosse obrigado a carregar?
Um peso de um mundo que os desumanos nos empurram goela a baixo.
Onde a dor se instala, onde o sorriso é apagado.
Vivemos em uma ditadura de burrocracias masoquistas.

Sofremos dores desnecessárias, como já não bastasse as dores naturais do mundo.
Os Psico-torturadores criaram um mega arsenal de dores artificiais.

Deixem os loucos, não serem loucos.

Deixem a vida ser maior, ser de verdade, ser humana.
Homens criaram maquinas de dor.
Processos de dor.
Caminhos de dor.
Labirintos de dor.

Deixem o amor em paz.
Deixem a vida livre.
Deixem a possibilidade de sonhar e os sonhadores vivos.

O mundo não se pode tornar uma caixa de tortura.
Os que não abrem os olhos para a dor alheia, sofrerão ainda muito.

Onde não se pode ser um, eu sou o respingo de tudo.
O mundo tão cinza, tão cimento, tão asfalto, tão concreto e nenhuma humanidade.

Espero que essa piscina de esgoto não me alague em dor, desespero e depressão.

Leandro Borges - 05/03/11

3 de ago. de 2011

São Paulos

É... as vezes me para de tanto correr.
Tem vez que me cansa de tanto morrer.
Me sintoniza em ritmo que não me para.
Outras que me deixa totalmente de cara.

Tem tanto asfalto no meu pensamento.
Deixa tanta laje nesse cimento.
Um bando de gente, um tanto de crente.
Explode.
Carros.
Correria.
Metro de conexões circulares.
Andei em fractais urbanos.
O sorriso mesclado de tuas meninas.
São circenses de tuas crias coloridas.
Fala de todas as artes que podes compor.
Transita de todos os gostos que for.
Rua.
Avenidas.
Alamedas.
Cercado de tanta gente.
E se tudo brilha, a face do futuro me espera.
Quando a brisa me encontrar, nas ruas de São Paulo irei florescer.
Como num canto de um pássaro, vibro bonito e suave.

Sossegado sigo suave.
Sossegado pego essa brisa.

São tantos São Paulos dentro dessa caleira, dessa teia, tela: nação.
As vezes vem um caos bonito, as vezes vem atrito e em outras esquisito.
Quando peguei uma perua, te percebi perto, quase nua.
Eram tantas faces, tanta palavra que pula de tanta rua... tanta rua.

Andando em longas avenidas, é firmeza.
Ando nas feiras.
Bebo um caldo de cana.
Um pastel na feira.
Um sanduíche de pernil.
O sorriso mais bonito, da menina paulistana mais bela.
Era a beleza da suavidade da sua alma que me tocava.
Um amor tão leve e doce, era tudo tão gentil.

Leandro Borges - 29/03/10

1 de ago. de 2011

Mulheres que não sabem dizer não

Essa é para todas as mulheres

dissimuladas
patranheiras
traiçoeiras
potoqueiras
embusteiras
esparoladas
mascaradas
farisaicas
vigaristas
impostoras
hipócritas
mentirosas
burladoras
embaidoras
loroteiras
pomadistas
charlatãs
gargantas
cabotinas
tratantes
charlatãs
farsantes
pérfidas
desleais
covardes
tartufas
levianas
infieis
falsas

Pior que uma mentira, é uma mentira descoberta
Eu já sofri muito das maldades do mundo
Não queira-tentar-conseguir me ludibriar
Eu não nasci ontem, meu coração já foi petrificado de mil formas
por tantos enganos e maldades que já arquitetaram contra mim

Tenham a descencia e dignidade de olhar nos olhos e dizer, não
Saibam cortar a face daquele que, não, ele não quer ser enganado
Prefere mil vezes o corte, o fim, o estirpar das relações do que um enrruste

Quero o teu cuspe
Quero o teu vômito
Quero a tua repulsa

O teu desprezo assumido
A tua palavra cortando a minha alma
Diga: não
Diga: nunca mais eu quero ver a tua cara
Diga: para de ligar
Diga: MORRA!

Leandro Borges - 12/09/09

Espelho

Olha pra dentro de um espelho
Vê somente a sombra de uma mulher.
Em contrapartida lembra dela como se fosse hoje.
Era a mulher mais feliz do mundo.
Quem sabe a mais iluda?
No sorriso dela hoje eu vejo a tristeza escondida.
Como no passado, algo dela que só eu desvendo.
Sua sombra tortura as arestas do espelho.
Eu vejo o coração como um globo de espelhos,
Reflete a realidade, mas em muitos fragmentos,
E vivendo em uma sociedade fragmentada... nada mais natural.
Finge sorrir como se fosse o máximo.
Sufoca um grito que a anos gostaria de dar,
Assim como toda humanidade, mas espera.
Já perdeu as contas de quantas mortes teve que passar
Pra ser a pessoa que é hoje.
É preciso licença pra viver feliz.
Vive a dor, sem fugir.

Difícil tarefa de curtir a dor, como se fosse couro.
Triste, mais triste por saber que essa tristeza ela também passou.
Quem sabe ela fugiu?
Eu hoje calejado, conheço a face da dor e da depressão.
Seguir os conselhos dos meus pais?
Eu seria o mesmo cara fraco que era.
Agradeço toda a dor e todo inferno que passei!
Graças a ela, fui forjado em brasa, minha lâmina hoje corta
um fio que resiste ao abismo e o vale das sombras.
Como São Jorge, sigo bravo na escuridão enfrentando meus dragões.
Como um sol, estou preparado pra matar dragões hoje.
Como Arcanjo Miguel sou um guerreiro da luz.
Imagina, se saísse pela primeira porta de saída de emergência...
Sim, estaria como a maioria dos casais desiludidos sem amor.
Agarrar e algemar a primeira pequena que cruzasse no meu caminho...


Pra que? Por que?


Fazer terapia pra negar tudo aquilo que vivi?
Ser idiotizado por um médico/psicólogo terceiromundista?

Negativo, prefiro arrancar o meu coração,
sofrer as dores do mundo e verdadeiramente sofrer e por fim: viver!
Seguir o caminho padrão da maioria?

Fracos...
Os fortes são aqueles que parecem fracos, mas são aqueles com coragem e consciência para não ficar sedado pelas ilusões do mundo.

Sentir todas as dores do mundo e amadurecer.
Aquele que se diz forte, aquele que:
Ignora, mente pra si mesmo.
Ama outro, sim um amor anestésico, projeção de seus anseios: Animus.
Odeia, covardia de não aceitar seu amor não correspondido.
Tenta apagar, como se houvesse tecla delete no cerebro...
Terapia, como se houvesse remédio pra dor... Ilude-se!
Positiva, esconde os momentos ruins e dores escondidas; como lixo orgânico escondido, apodrece mais a cada dia.

É vai tomando esse sedativo... vai!

Como se houvesse remedinhos pra tudo... sociedade programada pra fugir da dor..
Nadando num mar de saídas de emergências... uma droga não, várias.

Amobarbital...
Fenobarbital...
Narcobarbital...
Prometazina...
Secobarbital...
Zotepina...

Somente aquele que consegue não mais projetar, pratica o desapego, conhece a dor, conhece a solidão, conhece a sua sombra, conhece o poder da simplicidade, tem a consciência das suas emoções... Esse pode então encontrar o caminho para o amor.


As estrelas gotejam sangue.
Calafrio.
As feridas piscam forte.
Sobressalto.
O céu derrete.
Inquietação.
O gelo escurece.
Espanto.
O mar se desfaz.
Temor.
As dunas em ressaca.
Terror.

É, nada mais natural.

Leandro Borges - 20/05/09

3 de jun. de 2011

É tarde

São medos enjaulados.
Vorazes de vozes.
Velozes vagam.
Vãs viúvas velhas da alegria.
Arruinado por dentro, sem alento, com as facas do tempo.

O dolorido movimento de ver o passar da vida cortar.
Esperanças amareladas.
Sonhos achincalhados.
Meu mundo nunca é meu mundo.
Meu mundo é o universo, fusão de todos os mundos de todos que me afetam.
E nunca mais vi meu universo colorido.

Tenho saudades da minha infância quando uma brincadeira em uma única tarde,
parecia infinita-tarde-feliz.

Hoje já é bem tarde.
Só sobra solidão da ausência de um passado.

Leandro Borges

21 de mai. de 2011

Porto segue Alegre

Porto Alegre distante, quase esqueço as saudades, mas dai me lembro.
A tua cara, a tua vida, a tua fala, o jeito de ser.

Sinto falta da tua alegria em mim, do teu sol sem fim, das tuas gurias a me olhar, da tua suavidade de ser que só.


Agora reconheço.


Teu preço não está na grandiosidade, mas está na tua leveza de sorrir, que aqui eu vejo só peso. Onde meu coração era um guri feliz, que sentava feliz na grama contemplando o sol.

Onde a alegria aporta no meu coração, é em que deixo a âncora da minha glória. Onde minha sina é lembrar novamente de ti ao longe, e por onde meu peito não esconde o bater o coração desesperado batendo feliz.



Se Porto, se Alegre, se segue.

Leandro Borges

16 de mai. de 2011

Dentro e fora: um deserto

No submundo da minha vida vejo as coisas flutuando que perdi. Fico submerso de uma nostalgia sombria sem identidade. Passo da idade, passo do limite, sem freio e sem caminho. Vergonha de ter os traços mal desenhados, disforme. Nada me consola, os ponteiros de cada segundo me cortam, a cada movimento, mais profundo. Em seu nublado e poluído céu, alegria é engordar. Tenho pressa de ver luz. De ver o Sol.
Vejo meu mar, de longe passam barcos.
Vejo meu céu, de longe passam estrelas.
Vejo meu chão, de perto tanta lama, tanto frio, tanta sombra.
Vejo meu porto, sem lugar; passam muitos portos por mim.
Bolhas de sonhos estouram, estou sujo de tanto sangue de tantos sonhos mortos. Sinto asco do hipócrita mundo; dessas pessoas que julgam as pessoas pela beleza e a forma de ser.
Onde o céu derrete.
O chão desaba.
As cores grisam.
A água some.
A terra desertifica.
O ar corta seco.
O fogo faz a festa.
A lua some a noite, de dia o sol ruge. Onde os abutres rastejam e os ratos voam. Onde o sangue coagula e a pele arde. Onde os anjos fogem e as bestas renascem. A cachoeira de lamentações não para. O rio de dor corre solto. Sem esperança. A depressão faz seu sarau. Onde se presenteia com espinhos, sem flores.
Onde os amores comem corações.
Sem paraíso.
Sem cor.
Sem luz.

Leandro Borges

14 de mai. de 2011

só seu

Eu não quero mais você
longe de mim

Eu quero te deixar sair
e entrar nos meus braços, mente e coração

Não, não posso mais viver contigo
em outro mundo

Me deixe amor
me deixe amar você

Me deixe livre
dentro do teu coração

Não, não, não, não, não

Eu sou só


Seu

Leandro Borges

16 de abr. de 2011

Renovo


Sigo feliz em corpo amorfo.
Não aceito formas, não aceito rótulos.
Transpasso estilos, modas e lugares e épocas.

Não sou apenas mais um homem-produto.
Aquele que age sem saber o porquê.

Onde muitos dormem, seguem letárgicos.

A cópia, da cópia da cópia, são todos um.
Sem valor, sem identidade, sem pensamento próprio, sem real vida.


Eu sigo, comprando revoltas, comprando ideias, abominando ideologias.
Como um ocidental não banal, sou aquilo que acredito, e respeito meus princípios e subverto.

Leandro Borges

24 de fev. de 2011

O amor por toda vida ou E como é bom


Um dia se perde o medo de viver.
e para de sobreviver e começa a saborear melhor a vida
com todas as papilas gustativas
com uma colher bem grande
sem caraminholas, fantasmas ou medos

A vida segue o curso natural do rio
Os obstáculos do caminho são naturais assim como vencê-los

A vida é feita de pontos-momentos
Saiba comer pequenas porções mastigando bem
Alargue o prazeres, os pontos-momentos da vida

Renasça seus olhos, esvazie seu pote,
mude de cor, de sabor, de saber, de vida
troque a água que o alimenta,
transmute a energia do seu interior
pra ser regado por todo amor que houver nessa vida
e um bom coração pra dar garantia.

5 de jan. de 2011

A liberdade de dois

Uma vontade de abraçar...
Um abraço: pra não deixar estranheza.
Simples e prolongado.
Sublime e atemporal.
Pra ficar nada indigesto...

Me abrace como se fosse a primeira e a última vez.
Me envolve e faz com que toda água agitada se conforte.
Me segura e permanece assim até a tua alma tocar a minha e deixa a tua marca para sempre em mim.
Me mostra todo o teu carinho, não reprimes este sentimento bonito que tens por mim.
Me abraça forte pra mostrar toda a intensidade do teu coração, e diz ao colar dos nossos plexos, que eles seguem separados fisicamente, mas sempre estarão lembrando um do outro ao bater no mesmo tom.
Me abraça sem tempo nem lugar.
Me encanta nos teus braços ao sonhar o meu sonho, me conforta com teu envolver sem fim.
Me abraça até o meu último sopro de vida.
Que a minha alma aura beba da tua.
Que seja da mesma cor e mesmo brilho que a tua tem.
Me abraça sem freios nem bloqueios.

Me abraça sendo abraço.
Ser do encontro o vento.
Ser do vento o movimento.
Ser da vida o instante, ser do sonho o real.

A vida em abraço.
O abraço em vida.

Leandro Borges

20 de dez. de 2010

Das quimeras brasileiras


Minha vida transpira alegria
Sorve emoções mil
Transborda todo amor que houver nessa vida!
Somos muitos e seguimos!

Onde vês vazio, vemos poesia e imensidão

Somos muito mais que teu sonho vão
Sou poeta das quimeras brasileiras
Sou poeta que canta flores
Meninas, mulheres e cores

Canto sabores que nunca conhecerás

Me deste alimento infinito
Minha criação em sobra transborda em letras e versos mil

Eu sou a derrota de muitos, pois sou apenas um peito aberto que sente a vida
Para quem perde a alegria de viver eu sugiro morrer e nascer

Leandro Borges

Suposta-evolução não-sustentável


Os santos são falsos nas bocas alheias, cheias de prostituição

Não faças do vôo a perdição

Sigo leve
Sou amor

Livre e consciente

Sou dança, sou alegria

Tu és muito aquém dessa sabedoria

A vida é muito maior que um golpe

Preciso de flores

A doença do mundo é o teu coração de lodo

A vida leve segue a doce canção

Sou brisa
Sou poeta: simples mortal

Farpas apodrecem na tua boca, tua inveja é teu lodo

A justiça é forte e certa
Soterrará todo o lodo!

Somos pássaros-poetas: livres
Sigamos fora da coleira do mundo
O mundo, imundo de dominação e consumo

Se meus olhos choram, é porque não há mais tanta esperança
Somos um caminho sem volta para o abismo insustentável e cruel

Os olhos da medusa-industrial que transformou toda natureza em pedra
sem cor, sem amor, sem vida, sem nada: apenas cinza


Pedra cinza, cimento cinza, aço cinza


Me desgasto sem rumo
numa cidade perdida
com um coração de pedra

Medusa cruel que matou toda cor
matou todos os sonhos, as lendas, os mitos

Somos escravos de uma suposta evolução não sustentável, burra e auto-destrutiva

Eu tenho vergonha de viver nesse mundo, nessa civilização

Somos cobaias, bois, manipulados, sem saída!

"Crer-se no progresso não significa que já tenha tido lugar qualquer progresso.
Franz Kafka"

Leandro Borges

Tecendo por uma vida mais digna


Sou mais que sua vã filosofia pode um dia alcançar

Minhas asas são feitas no agora

A minha vida é feita de luz
por mais erros que tenho, busco a luz

Sou leve
Sou eu
Sou apenas genuíno

Persigo mistérios
Procuro almas de coração leve
Vôo com as assas mais fortes
Aprendo com sua astucia e ousadia

Minha vida vence a ferida
Sou mais que superação

Penso nos altos vôos da liberdade
Derreto nas valsas do tempo

Todo o calor ascende as minhas vísceras

Somos brasa
Somos fogo
Somos imensidão
Somos transbordo

Leandro Borges

Coragem de um vento


Furo o vento, o medo, o tempo
A vontade de fazer teatro me faz mais vivo, sigo

Quase corro, quase morro

É uma mistura de respiração ofegante, suor e garra e fome de teatro

Aperto passo, o coração e abraço a alegria

Me sinto leve, confiante e ofegante

Existe alguém mais apaixonado do que eu?

Fazendo malabares com navalhas

Isso é fazer arte aqui

Me corto nas ruas, mas meu sangue berra, não perde força, avança, luta; sonha!

Sigo por avenidas pequenas
Vejo prédios não charmosos
Tecnologia vazia
Olho para meu coração e vejo um charmoso café e três luas crescentes
a mata atlântica e a Amazônia

O teatro dita meu tempo.
Tempo de arte.

Sonho
Canto
Luto

Leandro Borges

1 de dez. de 2010

Renascer em primavera


Cansado de andar por galáxias distantes
longe da minha natureza
todos cheios de pressa
Mesmo entre esses astros vemos tanta lama
e não há fama que justifique
Andamos distantes, em planetas opostos
e não por acaso vejo o outro lado

Deixamos de lado todo luxo e todo lixo
Ambos abomino

Te convido para um não-convite
Recebo o retorno da chave perdida

Voo calmo
Retorno a planetas
Recapturo nuvens
Danço novas músicas
Meu peito se expande em flor esmeralda

Leandro Borges

10 de nov. de 2010

Poção mágica: Água


Água que caia!
Água que caia!
Água que caia!

Chuva que vem renovar

Irriga a minha alma
Lava o meu mundo
Traz a água que nunca para de brotar

Renasço a cada chover
Reconheço o meu ser em cada gota
É simples e cristalina
Há chover para o mundo dar voltas

Ciranda água ciranda
Vem brincar em volta
Encanta
Cai
Levanta
Limpa
Cura
Purifica
Torna-me um admirador de todo fluxo

Me deixa ver a lágrima de alegria cair do olho do planeta terra.

Leandro Borges

5 de nov. de 2010

Autobahn


Se em um átomo o amor eu encontrar
poderia fazer um mapa de probabilidade
de uma flecha lançar
a chance de alcançar

Em algum quartz encontrar
em um lapso de tempo
onde o universo pode ser
finito e infinito

Lanço os dados
abro percepções
capto energias

No rádio toca uma velha canção:
"me quieres cariño"

E entre sinapses e goles de ceva
posso ver um cardume ao nosso redor.

Escutamos em rock nervoso
uma letra desalmada e sincera

Sigo por uma Autobahn tranquila.

Leandro Borges

3 de nov. de 2010

Em outros mundos


Falsos passos perdidos no espaço.
Andando no fio da navalha.

Entre a ferida e a rosa.
Entre a dor e a alegria.

Com tantas vidas e um coração acelerado.

Os olhos brilham.
As vitrines brilham.
As idéias brilham.

: Tudo brilha aos "olhos" de Deus!

No meio da avenida, não sei se vejo o pôr-do-sol ou a garoa.

Meu coração pertence as milhares de cores.
Graças a essa visão tenho a paixão pelo mundo.

As sombras tem muitos tentáculos perseguidores.

Vento forte em corte que vem do norte e do sul.

Nas multi-faces de um mundo, me reparte em mil faces.

Buscando frestas e um pouco de ar.
Onde os paradoxos entram em profusão profunda.

Onde pecados são apenas epifanias infames.
Onde orquídeas poderiam salvar o mundo.

Ao horizonte claramente se pode ver flâmulas vermelhas rasgadas.
Rastejando por entre feridos.
Onde muitas paixões florescem.
O orgulho pela terra, pela luta.

Se um parque pode acolher mais de mil rosas
é onde quero repousar a minha alma;
deixar o espírito livre e a mente aberta.

Um quadro onde as vestes são mosaicos e rostos de ninfetas.
Outro de traços oblíquos e movimentos sinuosos

São chaves que voam tão alto...
As portas são tantas, tantas bifurcações e tantos abismos escondidos...
Onde os mares são sete vezes sete mares, há tantos portos onde parar...

Sem a crença do passado.
Sem a verdade, sem o combustível e sem a dignidade.
Sem honradez, sem justiça e sem valores.

Se as águas vivas param de brotar na nossa irmandade,
procurarei em outros mundos.

Leandro Borges

29 de out. de 2010

novo mundo


No castelo perdido da ilusão
há um bosque encantado
cheio de flores
onde as fadas não se escondem
há um caminho de penas
quem levam ao solar

som de pássaros raros
paraíso sem placas
uma rosa dourada ao centro
brumas avermelhadas
ar doce e águas termais
cristais e artesanato

duendes sorridentes a correr
cachoeiras cristalinas
as emoções voam leve
um suspiro um arco profundo

águas são águas de rei
um reino mais feliz
onde não há princesas ou príncipes

a vida sem projeções, sem visões, sem fantasia

Leandro Borges
cruz.amor.ponto......alegria.ponto.ponto
cruz.cruz.felicidade.cruz....ponto..cruz
ponto.paz.cruz.......ponto...cruz.emoção
cruz.afetividade....ponto.cruz.luz.ponto
saude..ponto..cruz..amizade..cruz..ponto
ponto..alegria.ponto.sucesso.ponto..cruz

Leandro Borges
Estudar as sombras me faz conhecer a luz.

Leandro Borges
Se a vida fosse justa o veneno do imperialismo mataria os ricos.

Leandro Borges
A pior parte de saber é não por em prática.
Na navalha da vida se reparte: arte e dinheiro.

Leandro Borges

O não-vinho


É um vinho que não tem uva
---------------não tem alcool
---------------não tem fermentação

Não há estado ebrio, sem gosto, sem sabor, sem cor.
Apenas um rótulo e só.

Sem nada de vinho esse vinho tem.


E te oferecem uma prova, um copo, uma questão, uma garrafa, uma traição.


Aí então eu lembro do parreiral, do coletivo, do amassar das uvas, do fermentar orgânico, do método e do simples vinho.

Das noites ebrias, da paixão alimentada, da fome viva, a garganta úmida, do olho vivo, das almas conectadas.

Agora chega o ceifador cortando as uvas, as parreiras, as almas e as crenças.

É lilith, tão biblica e aparentemente tão feita para amar.

Tão independente e tão perfeita.

Leandro Borges

No mesmo céu


Abre as cortinas do céu
cai um violino e um figurino

Sem dotes, nem cordas
sigamos atoas
passam garoas e mais garoas
continuamos atoas
sem cenário e posição
faço política sem ponto e visão
sou eu sem lei
sou eu sem rei

A pampa em sampa em uma só tampa.
convoco tradições
cafés e chimarrões
entre viamão e sorocaba
uma só lei, uma só água
sigo
nos invade, nos segue
corro feito fera, gato; lebre.

Eu canto é tradição:

Sem erva não há caminho.
Em teu chão fui criado
sem revolução e gado
não vive o bom peão
bato o arreio no chão
grito viva o rio grande
grito o rio grande viva!

Sem café caminho não há.
Pois no seu chão fui criado.
Em leite, café e boi.
Não vive o bom criado.
Bato o pé no tabão.
berro viva são paulo.
berro são paulo viva!

Leandro Borges

1 de out. de 2010

Sueño Selvaje


Miro las parejas y tengo ganas de llorar.
No hay cielo.
No hay mar.

Es oscuro, sin sol y el pecado.

És solo gris y más gris.
Sin razón... sin fin...
Dónde estoy y adónde voy?

No lo sé.

Solamente quiero vivir una vida tranquila.
Mucha hambre... sin, yo tengo mucha hambre de vida.
Son millones de personas perdidas en mi.

Somos iguales o no?

Quiero un nuevo sueño real, tranquilo y selvaje.

Leandro Borges

18 de set. de 2010

Miscelânea de um quadro


O quadro me deu essa ferida na cabeça.
Me deu, e por um bom tempo não tinha consciência da ferida.
E pra quem é?
Porque?

... por aquilo que se dá a alma, a vida.
Uma ferida seca, amarga.

Uma sala quase vazia...Um bolço quase vazio.

Muitas e muitas noites.
Muitos e muitos pingos de suor.

Da cor que não se vê, mas sabe que foi pra outrém.
Da forma como um olhar domina outro.

Pelo olho que cresce no ego.
Por mais nãos acumulados.
Pela fala de humildade.
Pelo não escutar.
Pelos ignorares.

Nú no alto, no chão de um saltimbanco.
Nú para o gelo ao redor.
Frio de não aquecer o coração.
De espantar o desejo.

Andando cego pelo chão, vejo quimeras e dragões.
Todos tão amáveis com suas coleiras de ouro.
Sigo e tento me manter forte.
Rodopio, tento criar um escudo de luz.

São tão fortes, as quimeras riem e os dragões cospem fogo.

O tudo entra em chamas e eu tento salvar a minha alma.
Entram todos em cena, todos nús.
O fogo queima as falas, queima as marcas.
Queimam as almas de todos.
E sobra apenas um resto de quase não-teatro.
Maquilagem derretendo, falta água, falta ar.


O espelho era pouco e se acabou.


A platéia joga moedas , mas a quarta parede não deixa nenhuma cair.

As quimeras riem e os dragões cospem fogo.

O tom da peça fica ainda mais dramático, o lixo começa a escorrer por entre os personagens, pelas veias de cada um.

Os olhos de duas atrizes crescem com fogo dourado, deixam cair de seus corpos os corações. Sai um líquido preto das suas bocas.

É uma cena não-ensaiada, há bicicletas voadoras no palco, e voa um velho palhaço.

Ele é morto por alguém da sala de comando.

O pano se fecha. E logo após é queimado pelo fogo.

O tom da peça fica ainda mais dramático.

Então os dragões tomam a cena, comem do melhor: os corações que sobraram.
As quimeras fogem.
Um barco surge em direção a favor do vento.
Um sol tão pequeno surge e escorre lodo.

Alguém da última fileira grita:

- Como é bonito ver um grupo de atores sangrando, desenhando com sangue no palco palavras indescifraveis.

Outro da primeira fileira grita:

- Deveriam ser artistas plásticos!

Um amigo da trupe na terceira fileira fala:
- Sucesso!!!

Leandro Borges

14 de set. de 2010

O brilho de uma criança


Alegria de correr... como um bebe crescidinho!
Se embriagar de alegria, pelo simples fato de sentir-se correndo.
Um sorriso simples de criança.

Tão pura.
Tão suave.
Tão inocente.

... e eu tão culpado.


Como pode os anos terem me deixado tão sujo?

Leandro Borges

13 de set. de 2010

INFERNO-SP


Cidade-inferno.
Transito-inferno.
Atraso-inferno.
Dinheiro-inferno - tô pouco me fundendo pra essa merda!

Morra soterrada de dinheiro, poluição e concreto.

Engulam dolares, reais, euros e arrotem ostentação, stress, parada cardíaca e AVC aos 30.

Metrópole da gordura, obesidade e ego: tudo inflado!

Rotina de merda e vida cretina.
Stress, além Stress; cidade muito aquém: cidade sem coração.

Leandro Borges

7 de set. de 2010

São Paulo, cidade escrota


São Paulo é isso, te traz uma lágrima; um rio.
Te aperta, te sufoca, te seca, te consome.
Desde a infância te xinga, te desdenha: não te dá atenção.
É poluído... de dor, de desgraça, de vaidade - te ilude, te inunda de carbono.
Nos poros.
Nas vísceras.
No pulmão.
Na alma.
No coração.
Muda a tua natureza, te faz escravo do sistema.

Vai um dinheirinho aí?
Quanto vale a tua alma?, a tua família??, a tua dignidade???

Leandro Borges

25 de ago. de 2010

Ana Esmeralda

São olhos firmes.
Formas curvadas e nuancias.
Corpo sustentado.
Feito em escultura móvel.
Com arrojo e encantamento.
Cria um corpo-curva.
Pisas firme, cria o vento.
Límpida dessipa a água turva.
Traz a lua.
Traz a cor.
Encanto, verso e canto.

Leandro Borges

Sonho Brasileiro

O sonho que dança no ventre do Brasil quer se grande, forte, viril.
Ignora teus caminhos, tuas matas, teus sabores, tuas terras, os teus povos, teus amores.

Cria circulos de semi-circulos regionais brasileiros, sempre faltam ritos, corpos, temperos.
Uma brasilidade integral ainda não adquerida, pois nessa terra querida há muitos cantares.

Deus permita que eu hei de entoar, um maravilhoso som resonar, uma música integral-continental brasileira, que de norte a sul se entenda que é Brasil.

Unidade de um povo continental-nacional, somos filhos das brasas de um pau
de brasiliares e é nesse fogo do Brasil que nasceu uma arte nacional completa,
inteira e genuína.

Leandro Borges

Sol em Fadeout

Contando os dias, os trocados, as lágrimas.
Perdendo as notas, as provas, a dignidade.
Procurando um lugar, um porto, uma saída.

A vida já não tem mais valor de vida.

Inevitavelmente manipulado por cordas que determinam a minha morte.

Sendo que a vida está, cheia de números, imagens, prazos, diretrizes,
metas, objetivos, atividades, tarefas... para mim não é verdadeira.

A vida sem viver, é correr atrás de fazeres humanos, tão sujos como a ganancia.
Tenho asco pela hipocrisia.

Vivo é quem vive a vida.
Quem olha nos olhos. Sabe escutar. Troca carinhos, sonhos, lagrimas.
Aquele que troca toques, que percebe a vida, sabe refletir, analizar, abstrair, sintetizar, sentir, desenvolver-se como real humano.
Não é apenas mais um automato que só sabe copiar e sorrir falsamente.
Tenho vergonha das criaturas pseudo-humanas, aquelas que não criam.

Sigo sem norte, sem sul. Sem dono. Sem liberdade, Sem futuro certo.
Sem amigos. Sem verdade. Sem dignidade. Sem meu brilho nos olhos.


A que preço??


Meu sol vai se apagando lentamente triste.

Leandro Borges

9 de ago. de 2010

Coração alado


Tive fantasmas na minha mente
vozes que me perturbavam.
Martelavam tudo aquilo que
martelarias se estivesse presente.

O meu embrutecer e robotização da minha vida,
o não-viver, mataram teu amor por mim.

Não poderia mais amar um ser pesado, chato, bruto e frio.
Pois me conheceu leve, engraçado, sensível, caloroso, carinhoso e amoroso.

Procurei por muitas ruas, dias, praças, luas.
Foste pra mim após o fim, paranóia, alucinação.
Te procurei sem querer procurar.
Também tive medo de achar..

Baniste-me da tua vida e me deste de presente essa ferida.
Sem escolha, me abandonaste em um labirinto submerso, sem saída, sem final feliz.

Me deixou e acreditei ser uma pessoa torta.
Desgraçado do próprio destino.
Parei de sonhar, parei de voar, parei quase de cantar e tocar.
Não poderia mais ouvir canções de amor.
Não queria ir ao supermercado ou ao parque.
Não era possível mais o nosso mundo, pois agora esse mundo faltava você.
Tu foste também bruta e dolorida ao sair, sem compaixão.
E eu mudei.
E tu mudaste.
E por medo seguraste o primeiro galho que encontraste no meio do abismo.
E noivaste, casaste e engravidaste.

Comecei a andar na contra-mão.
Fui pelo caminho do falso céu.
----pelo caminho do inferno.
Me deste um peso que hoje eu devolvo.

Não acredito mais em olhos claros de falso amor.
É muito estranho ter guardado na memória nossos momentos
que antes eram fatos bonitos de relembrar, agora apodrecem.

Pra mim continuas de luto, é um pau mandado do teu marido.
Não tens a humanidade de falar comigo, descentenmente, és torta.

Evitava passar em certo lugares.
--------falar certas palavras.
--------lembrar de certas datas.

Ainda verás muito da minha estrela brilhar,
e por isso vais querer um contato: hipocrita!

Te darei as costas, pois com elas terás uma resposta
mais sabia para os teus dizeres: o silêncio.


Hoje eu prefiro a primavera a uma mulher.
Saio com os pés em flores e o coração alado.

Leandro Borges

4 de ago. de 2010

Desperta


A primavera em forma de menina
voz de um anjo
desperta o coração
compassado pelo teu respirar
rouba a minha alma com teu nectar
me ensina a sorrir outra vez
em teus olhos vi o sonho brilhar
-----------------o florescer da vida
-----------------a esperança raiar
Uma beleza impossível, singular, indescritível, inacreditável;
além do que se vê - invisível aos olhos
claro ao coração

Leandro Borges
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