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9 de ago de 2010

Coração alado


Tive fantasmas na minha mente
vozes que me perturbavam.
Martelavam tudo aquilo que
martelarias se estivesse presente.

O meu embrutecer e robotização da minha vida,
o não-viver, mataram teu amor por mim.

Não poderia mais amar um ser pesado, chato, bruto e frio.
Pois me conheceu leve, engraçado, sensível, caloroso, carinhoso e amoroso.

Procurei por muitas ruas, dias, praças, luas.
Foste pra mim após o fim, paranóia, alucinação.
Te procurei sem querer procurar.
Também tive medo de achar..

Baniste-me da tua vida e me deste de presente essa ferida.
Sem escolha, me abandonaste em um labirinto submerso, sem saída, sem final feliz.

Me deixou e acreditei ser uma pessoa torta.
Desgraçado do próprio destino.
Parei de sonhar, parei de voar, parei quase de cantar e tocar.
Não poderia mais ouvir canções de amor.
Não queria ir ao supermercado ou ao parque.
Não era possível mais o nosso mundo, pois agora esse mundo faltava você.
Tu foste também bruta e dolorida ao sair, sem compaixão.
E eu mudei.
E tu mudaste.
E por medo seguraste o primeiro galho que encontraste no meio do abismo.
E noivaste, casaste e engravidaste.

Comecei a andar na contra-mão.
Fui pelo caminho do falso céu.
----pelo caminho do inferno.
Me deste um peso que hoje eu devolvo.

Não acredito mais em olhos claros de falso amor.
É muito estranho ter guardado na memória nossos momentos
que antes eram fatos bonitos de relembrar, agora apodrecem.

Pra mim continuas de luto, é um pau mandado do teu marido.
Não tens a humanidade de falar comigo, descentenmente, és torta.

Evitava passar em certo lugares.
--------falar certas palavras.
--------lembrar de certas datas.

Ainda verás muito da minha estrela brilhar,
e por isso vais querer um contato: hipocrita!

Te darei as costas, pois com elas terás uma resposta
mais sabia para os teus dizeres: o silêncio.


Hoje eu prefiro a primavera a uma mulher.
Saio com os pés em flores e o coração alado.

Leandro Borges

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