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8 de abr de 2010

Avião


o tempo já é mais curto.
A noite chega rápido...

Eu juro que gostaria ter alguém ao meu lado.

As nuvens passam, e lá vem mais temporal.

É muito peso e poucos sorrisos.

A cultura de viver só, e só se anda.

Não olho pra trás, pra nem lembrar das alegrias, isso faria eu ficar mais triste.

O passo anda destraído, e eu ferido fico pensando.

Eu morro por dentro mas não me entrego.

É engraçado, certa mulheres gostam de ser bem mal tratadas.
É aí que se interessam, e é aí que eu me desinteresso.

O mundo já pequeno de alegria e grande de hipocrisia.
E mesmo sem coração, também nem o ouro sabemos compartilhar.

Os mendigos são muitos, de alma. Pedem um pouco de carinho.

Eu sinto asco.

O frio me faz forte.

O meu passo segue oposto ao norte.

Trago na bagagem um pouco de amor e mate.

Ando descalço para sentir a terra.

De olhos abertos a tudo que é mais sutil.

Procuro os olhares das crianças.

Me pega pelo braço, me pede um pouco de atenção.

É curioso, nascemos crianças, inocente e brincando. Envelhecemos e perdemos a sabedoria de ser

criança.

Eu já tentei acreditar numa boa, em corações alados... mas isso é bobagem.

Hoje em dia, é rara a mulher que realmente goste de poesia.

Preciso me sufocar pra me apresentar, e ser quem eu não sou.

Cansado de tentar um relacionamento serio, sim apenas troco usares.

Me usas, te uso.

Somos carne enlatada.

Eu gostaria de te dar carinho, aconchego e atenção.

Mas vocês só querem sexo.

Quando me torno nessa face da moeda, eu então sou um ogro, sim.
Podre e sem coração, sim.
Malvado? Também.
Galinha e mulherengo; claro, sem dúvida.

Não me importa, cansei de ser legal.
Mulheres, a maioria que passa, apenas passa por mim, feito carne e sacanagem.
Depois reenvindicam um romance, um namoro.
Ou apenas pedem mais e mais sexo.

E quantas mendigas vão passar por mim?

Não sei, hoje; essa geração está lotada delas.

Pedem migalhas, ou são frias.
Correm na vida, ou são fakes.
Pousam na letargia, ou comem Deus.

Falam de amor, despem o tesão.
Pedem pra se ter carinho.
Chamam de meu bem.

Mas pra que? Mas pra quem?

Pra ele ou pra sua projeção?


Cansado de conhecer pessoas que andam na superficie da vida.
Um cotidiano idiota.
Conhecem meia duzia de livros.
Meia duzia de filmes verdadeiramente bons.
Meia duzia de sonhos, falsos amores e desilusões.

Meia duzias de meia duzias.

São poucas pessoas que se inundam de vida.

São essas que procuro, e que o resto continue resto.

Leandro Borges

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