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20 de mai de 2015

Um mundo nu


Num poço de louça vulcânica a minha alma abre em dois.
Uma quer ver o mar e as estrelas, já a outra me pede mais.
Quer que eu viaje para o longe branco de outro jardim.
São as telhas da alvorada distante de um quase sonho,
tuas curvas de selva e solidão; gratinam o falso oco.

Um ponto de não realidade de uma caretisse intrinsica,
teu luar no por do sol da minha face, criam borboletas gigantes.
São próximas a um território distante, de um raio uivante.
Diria uma filha: Como são feitas as núvens, de açucar?

Tal paladar destrói a vida em sete faces simetricas e equidistantes.
O toldo do chão faz uma parte (de toda a pureza) se perca no rio prateado.
São leões entre mosaicos caledoscópicos; é apenas um simples beija-flor.

Um foco marcando a nítida face de um quase quase, deixa a solidão solteira.
O falso infinito dos teus olhos me transportam para uma realidade quase tátil.
Um porto.
A líquida forma do teu olhar, teus sentimentos exalam um aroma sobrenatural.
Uma palavra.
A casa da memória invadida por seres pelados, banhados de barro.
Teu plano quase certo.
Tua cena infalível.
Caçar um garoto bonzinho para arruinar seu coração.
Vibora.
São teias feitas de sangue e desprezo.
Não caio mais nas linhas, artimanhas: viúva negra.

Soltam os balões cheio de água purpura.
Fala teu som, fala teu coração.

Me deixe voar.
Me deixe sonhar.


Apenas eu vejo, pássaros vivendo a vida, brincando e rebrincando a própria vida.
No mesmo momento os homens levam a serio a vida, se afogam na própria saliva.

Porque se eu digo que é: bom dia.

Porque se eu digo que é: depressão.

Porque se eu digo que é: euforia.

Porque se eu digo que é: alucinação.

Porque se eu digo que é: egocentrísmo.

Porque se eu digo que é: paranóia.

Porque se eu digo que é: solidão.

Porque se eu digo que é: desamor.

Porque se eu digo que é: desencontro.

Porque se eu digo que é: espanto.

Porque se eu digo que é: desilusão

Porque se eu digo que é: fim.

Leandro Borges

Encontro do rio da vida

Conforta teu peito no leito do rio.
Deixa a água lavar, o amor chegar e fluir.
Olha a flor surgir, sente o aroma ao desabrochar.
No teu lar despejado em cor, uma festa, um par,
um sonho, um lago, um olho, uma borboleta, um luar.
Todos de mãos dadas em roda, cirandar a vida.
Chover para lavar, para energizar e nutrir.
Voos coloridos tingem o céu.
Eis que beija a flor.
Beija-flor.
Beija-flor!
Toca devagarinho no coração.
Deixa beijar.
Flutua pelo ar.
Ao voar contempla toda criação.
Vês que és parte da alegria da vida.
Venceu o mundo ao sorrir.
Essência da vida.
Néctar, líquido de luz.
Colibri, coração alado.
Renasce a vida do teu beijo.
Brota a flor no teu peito.
Cria nova vida.
Colore toda a alma.
Transborda de paz.
Faz do corpo extensão
do rio de amor em expansão!

Leandro Borges

Jardim versus borboleta


Aquilo que a gente chamava de amor
ela agora chama de acomodação.

O nosso admirar reciproco
agora ela o tornou um turvo vinho, sentes nojo.

O nosso acarinhar e procuras aladas
se tornou em um desprezo e distância.

Me deixou um uma fina lâmina de vidro
prestes a se despedaçar no abismo.

Assim como despedaçou ao lançar o teu olhar
ao partir, pela ultima vez teus olhos falam adeus.

Aprendi com todos os desgostos, todos os desprazeres.

Aprendi tanta coisa que tenho medo de ter desaprendido a amar.
Se é que um dia soube o fazê-lo em verdade.

Eu sigo.

Matando dragões, vencendo duelos, enfrentei minha dor
minha angustia, meus medos, minhas dores, meu temores
as ansiedades e depressões.

Os mares são revoltos mas eu sigo acreditando.
As cenas ainda ecoam na minha mente mas eu vivo.

Sei cada centímetro do meu pensamento e memória.

Alguém me explica caso saiba a cor.
O seu sabor.
O seu valor.
A sua verdade.
Por favor.

A borboleta não encontra o jardim.
O jardim não encontra a borboleta.

São tantos desencontros, tantas quedas.
Meu mar sem o teu luar, meus olhos sem brilho.

Sem a bússola, meu guia, teu coração.

Leandro Borges
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