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24 de out. de 2013

Em São Paulo sinto na pele diariamente o que é preconceito.
Naturalmente por viver na cidade mais burguesa do Brazil, onde as pessoas são avaliadas exclusivamente pelo seu poder monetário.

Não consigo encontrar muitas pessoas que não me excluam, pelo simples fato de me avaliarem pela imagem. Não sou nem nunca vou ser um escravo da imagem, não quero essa falsidade pra mim.

Da mesma forma, sinto, vejo e recebo, toda a hostilidade e repulsa por não pertencer a camada social e padrão comportamental e visual nos lugares e muitas vezes sou excluído, muitas vezes é no ar da empáfia paulistana que nado na contra mão, dessa maré de lodo e lama paulistana.

Assim como as pessoas aqui chamam seres humanos de vermes, de parasitas, eu então fico ao lado desses a margem, porque todos os dias me sinto margeado, e faço questão de não entrar nessa dança esquizofrênica da aparência, essa mesmo que nos dita o que temos que ser a cada momento.

E não encontro pares, e não encontro respeito, pessoas pensam que sou menor que elas, pensam que pertenço a outro mundo que não o seu lugar ilusório social. Estou cansado de sofrer tanto preconceito nessa cidade. Onde uma roupa simples, um lugar onde se mora, são mais importantes que um abraço, é ridículo.

E muitos dessxs boçais da lama paulistana não tem cultura, não leem livros, não sabem de espiritualidade, não viajam ao mundo; não tem realmente a verdadeira riqueza, não abraçam, não sorriem.

Tanto imbecil com grana e sem cultura, sem sabedoria, sem nada na cabeça, apenas um volante de carro novo importado nas mãos.

E o que é ainda mais imbecil, tanta gente sem grana e querendo ser um milionário também boçal pertencente a lama paulistana.

 Esses idiotas não sabem nem falar português quanto mais outras línguas, não sabem onde fica seus corações. Não dão importância a natureza e esses mesmos idiotas avaliam tudo ao redor pelo seu nasal cheio de farinha.

18 de out. de 2013

Aos que Amamos

É difícil, mas é preciso aguentar firme sem medo.
Quando se quer é apenas um abraço: dê.
Foi quando um pingo de cor caiu do pincel na cidade.
Há tanto cinza saindo dos umbigos, tanta falta de tempo.
Esquecer o dinheiro, regar os campos da familia.

O que é mais importante, aumento salarial
ou dar atenção as pessoas ao redor?

Cada gota de esperança é tecida por coragem.
Cada abraço amoroso, irriga os pampas do amor.
Zelo a família, zelo aos que nos criaram.
É dificil, mas é preciso lutar, é preciso mais amor.

Por que um dia apenas a janela da alma se fecha,
e aos que ficam resta a saudade de mais um abraço.
Não importa quanto dinheiro se pode acumular,
ter sacrificar tempo aos que amamos, não é riqueza.
É dificil, mas sabemos que é preciso nadar contra
tudo que nos é bombardeado mental, sigamos ao coração.
Manter o amor, manter a doçura do abraço,
porque quando abraçamos, é quando os corações conversam.

Colados, trocam palavras, trocam mimos, trocam calor.

De que vale um carro novo, e não saber sobre os seus?

De quantas covardias e egoísmo é feito o primeiro milhão???

Depois que tudo se vai, e ficas, lembraras das tua omissões.
Quando veres ao outro lado do rio, lembrarás dos teus nãos:
quando teus amados te pediram algo tão simples, e negaste.

É dificil, mas é preciso inverter a lógica capital
pois o amor nada tem a ver com cifras, crédito, valores.

A lógica do amor é diferente da grega,
o amor não é preciso premissas
o amor não precisa inferências
o amor quanto mais se dá, mais temos.

E quando aprendermos a pintar ao coração,
os lares se encheram de cor,
os laços estarão fortes,
familias estarão unidas e fortalecidas,
as cidades não serão opressoras,
toda cor brotará em cada esquina, em cada avenida.



17 de out. de 2013

7 de out. de 2013

Ao abraçar das mãos


Procuro em todas as faces o rosto dela.
Ando perguntando a muita gente.
Sinto uma aflição por saíres do meu campo de visão.
Estas no meu coração te sinto tão perto.
Me parece tão depressivo os velhos resmunguentos.
Ando com essa arma curva, na face.
Me protejo de quaisquer intrusões.

Relanço meu olhar, e num beijo sai uma flecha do olho.
Danço a valsa de um samba antigo.
E pra tristeza, não ligo.
Sigo buscando pela avenida.
Pela rua, pelo largo: sorrio.

No cemitério da memória, não me deixo cair.
Ignoro as falas austeras e perigosas.
Muito mais cortante é não viver essa leveza.
Não há amor maior que o meu.
Amo tanto essa flor.

Sambo na dor alheia, a cachaça que me salva.
Essa ardente alegria de ser bamba.
Não tenho sentimento de culpa.
Me abandonar por que? Se sou amor!
Da febre quartã não ei de sofrer,
pois se teu amor me queima.
Quero e não quero dele enlouquecer.

Maria que tudo me espera.
Maria que tudo me ama.
Maria que tudo me aceita.
Maria que tudo mais não canta.

Voa cotovia, do outro lado do rio.
Alça tão longo mergulho, e eu tão atordoado de marulho.
Não vi que de ti tirei da embarcação.
Não meu coração te vejo igual, na face de todas as outras.
Se por ti meu coração bate, minhas mãos te abraçam.

Leandro Borges



Preto velho hare krishna

Cuidado, não ando sozinho.
Convidei esse velhinho pra entoar o mantra.
Dançamos e cantamos os nomes de Deus.
Minha alma agradece, muitas graças.

Um banho de alfazema, voamos dentro.

Na casa de Deus supremo estamos, no terreiro hare krishna.
Onde tudo dança amor.
Seja indiano ou africano, somos um em amor.

Que as tribos de pindorama se juntem a nós.
Onde houver um coração buscando a Deus supremo.
estaremos.

Deus não tem pele de etnia. Abraça a todos.
E quando a música funde-nos: o universo a um átomo.

Leandro Borges

25 de set. de 2013

No coletivo que diluem muitas poesias do arquetipo geral

É no caminho esse vou com a certeza da fecha certeira.
Contemplando em cima da faca, os dois gumes.
Onde o arco-íris escorre cores e gris.

Tão delicadas e pinças.
Com os pés nas nuvens e as mãos na terra.
Um sorriso que a todo momento vai aos flancos.
Um castelo vai derretendo ao sol do meio dia.

Nas areias movediças de um destino tragico e fatal.
O quão perigoso é uma paixão avassaladora e sem freios?

São vermelhos respingados.
São azuis fora do céu.
São amarelos relâmpagos de ideias.
São verdes fora das árvores.
São roxos nas vistas de outro espelho.
São laranjas escorrendo em rio.
São brancos das gaivotas mortas.

Uma arrevoada, mas passa, e ele chora.
Ele canta, ela não escuta.
Ele dança com ela, mas ela não com ele.
De onde vem essa força?
De onde vem esse amor?
Eis que um dia a ventania sessa...

Ela, fecha os olhos.

Leandro Borges

Tempo de surra

Passou as pencas.
Passou e ainda remamos.
Onde estão os storyboards?

Passou e ainda estamos.
Passa e ainda nas linhas e laços.

Onde tanto o colorido velho.
Palhaço cansado e apanhar a apanha, fora.

Antes do nascer se nasce e aonde está a dança coletiva publica?

Vamos nessa quase dança de quase pares.
Vamos nessa dança de quase executares.
Vamos nessa música que ainda está esperar o play.

O sol nasceu quadrado, e ainda o cubo cerca as mãos.
A música renasceu em um pingado, da chuva dos outros dias.

Um dia acordo com o sol na cabeça, no outro mais uma estrela cadente.
Onde essa espera e esperança parece quase um insano pensamento de não enlouquecer.

Leandro Borges

Roubo público teatral

Essa cola, é somente uma cola, não pretendo colar.
Essa cola, por mais fácil e acéfalo que seja não é pra colar.
Honrar os impostos da população no mínimo fio da dignidade.

Essa tesoura é pra cortar, mas não arrancarei criações alheias.
Essa tessoura é pra cortar, mas não aponta pra própria garganta.
E não me vem com a fala trocada que não sabes de nada.

Como foi gritado aos quatro cantos da ladeira da memória
todos somos os criadores: todo homem e toda mulher, somente gado não voa.

Voamos meu bem, voamos, pois criar é tão simples como brincar.
Pois quando se toca, de canta, se atua é continuar ao jogo.

Jogo é a própria vida, mas roubar cartas e por na mesa,
clamo pelo ética meu bem, pois essas cartas são do estado.


Onde a foto reempressa não tem valor, e pagamos impostos e temos dignidade.
Prefiro um pingo de tinta turva e mal impressa e cheia de arestas
a uma quadro do espelho alheio do passado.

Quando a criança dança, ela apenas dança.
Dancemos.

Leandro Borges



14 de set. de 2013

Desnorte passagem


Foi uma trupe que passou, era uma música, mas que música? Caminhão passou.
Era um colorido, mas onde foi? Uma bomba estourou ali ao lado.
Arranha-céu rasgou núvens e rasgou falas.
Andando por entre degraus tão fétidos, parei por ali, cadê a minha bolsa?
Fui olhar o que acontecia, o que me aconteceu?
Passo.
Passa.
Passei.
Estômago embrulhado,  falas dissonantes.
Por que eles cantam?
Isso é uma cena?


Os ruídos babilônicos falam tão alto.
O ritmo do concreto armado soterra corações.
Incendeia de cegueira, petrifica emoções.
Repetição do requentado fácil cênico.
Fitas as fitas repetidas do cenário.
Quedas o olhar na falência teatral.
Ou se faz a vera ou a qualquer tempo-preço-cor?

Leandro Borges

Grande Babilônia: Tareias

Açoite de concreto armado, asfalto sepultando tantas mães.
Onde mulheres sorriem amarelo, sorriso sufocado.
Onde flores crescem rasgadas, onde a primavera é manchada de vermelho.
Silêncio não feliz, oprimida pelo invisível alheio.
Fora dos lares seguimos cegos.
Onde nossa colher fica tão alheia, que a janta ao lado é de assassinato.
Casais vizinhos, parecem tão juntinhos.
Tanto amor que esgana a verdade.
Soterrados somos todos os dias por um buquê de flores mortas por dia.
Onde a cada duas horas cai mais uma flor morta.
Chove flores, mas são flores mortas, a conta gotas, uma a uma.
De todo tipo de cidade e sertão, flores encabrestadas, propriedade privada.
Onde o patrão tem o direito de viver e matar o seu amor.
Seja onde for, um amor romântico da opressão.
Entre um poema e outro, pode andar na navalha.

O frio da sombra,
é a face a sua própria sombra,
onde os olhos veem mil cores pra maquiar a depressão.

Estão dos roxos e de pele fria.
Quantas abismos esse via torta e sistêmica ainda vai parir?

Leandro Borges

24 de jul. de 2013

São muitas ondas

Passam muitas ondas por mim.
Há tantas Marias, tantos lugares, tantos andares.
Há tantos olhares e tanta gente.

Aquela que sofre, que vai a luta.
Aquela que resiste.
Aquela que lembra e escolhe a corrente do tempo.

Onde foi parar, campo ou cidade?
Tão pequena, as vezes: flor.

São estes caminhos de muitos caminhares, tanta passagem.
E passam a cada dia tantas mulheres pra outro lado do rio.

E os tempos que mesclam os tempos das cidades, mesclam as Marias, mesclam escritores, mesclam rios, mesclam cantares, mesclam olhares de tantos e muitos e diversos ares.

Tantas regiões e tantos folclores desse brasis no berço de Maria Paulistana.
Na cidade que colhe todos esses tempos, cidade que colhe todos esses Personagens.
Na cidade que colhe todos esses lugares, cidade que colhe todos essas culturas.
Na cidade que colhe todos essas cidades, cidade que colhe todas essas religiões.

Tão grande, as vezes: primavera.

A cidade que veste na mulher uma farda grossa, vão, que deixa seu Ari sem encontrar Maria.
Oculta o encontro, a revelação, e Maria continua só.

Maria melhor só ou sofrer com constantes tundas?

Sova do empregro, sova da política, sova dos patrões, sova do conjuge, sova do patriarcado.

Até quando desigual?
Mulher, mãe, filha, avó, tia, prima, irmã: cidadã.

Que arsenal enorme que tens Maria, realmente mais uma mulher sobrevivente deve ter muitas armas, ou então morre.
Será preciso mais uma grande onda?

Leandro Borges

9 de jun. de 2013

Ébanas Pérolas

Um sorriso solar.
Olhos sorrindo ao sol.
Pérolas de breu noite, teus olhos.
Uma boca de lua crescente, tão linda, tão suave.
Me abraça de tua seda tão doce.
Onde sorrindo me leva ao longe.
Tão bonito é te olhar um eterno momento e mais.
Não pequena e singela, menina, mulher.
A flor de brilho raro, brilho colorido.
Sigo desperto.
A tua frente.
Onde as árvores nos cercam, e nos acercamos.
Pássaros.
Leve garoa.
Um pôr-do-sol.
Hoje no céu há um tom a mais de azul.
Teu sol.
Tuas ébanas pérolas.
Tua lua crescente.
Tua seda.
Que a menina dos teus olhos nunca perca a cor da sua dança.

Leandro Borges

7 de jun. de 2013

Poema: Verão de Javier Heraud -- Música: Árvore dos Olhos - Alexandre Mello

Verão (Verano)

Se foi o verão.
Redobrados sopros de amor sacodem o coração
com os olhos
é luz do dia e da vida é o castigo das noites e das mortes
recolhe e planto as sementes do amor
caminho entre noites escurecidas pelo vinho
pergunto a terra e aos montes
arranco montanhas de ódio e tumultos

o que são as tardes ao lado da paz?
o que são os montes ao lado dos sonhos?
o que são os rios ao lado das lágrimas?
é que um rosto um sorriso um pranto
um estremessimento
uma mão
se dia-a-dia morrem as ervas do campo
se dia-a-dia caem nas suas noites árvores do amor e do silêncio

Javier Heraud


Árvore dos Olhos by Poema Novo - Alexandre Mello on Grooveshark

30 de out. de 2012

Apenas o começo


É mais de cem horas, é mais que um infinito
É mais que mil instântes, é mais do que distante
Espaços tão longínquos e tão vazios
São tantos não-lugares a percorrer, são tantos não-dizeres a escutar
São tantas pessoas presas, tantas pessoas dormindo, tantas pessoas cegas-surdas-perdidas... anti-vidas
MegaFuracões
MegaCiclones
MegaTempestades
E mais do que transbordo, é mais que inundação
São mais do que um milhão de tragédias, são mais que bilhões de aberrações
MegaZombies
MegaQuimeras
MegaDemônios
Legiões de sugadores de energia, legiões de bilhões de megatempestades de megapesadelos

A MegaÁrvoreDaVida em um filme-cíclico-gerador-eterno-de-frutos: pendurados-mortos-suicídas-nativos!

A MegaÁguaMangedouraTerraAstronaveArVidaPlanetaMãePai Urra um Pranto Descomunal!!

Escancarada os portões dos infernos:
É lama radioativa-incandescente-ácida-viral-atômica-bacteriana-transgênica-insana!!!

Leandro Borges

6 de set. de 2012

8 de ago. de 2012

amora - 8 de outubro 2007

8 de outubro 2007

é, é estranho
é bem estranho

eu imagino que seja um certo tipo de refugio
como uma naufrago que volta pra ilha
que não se acustumou com a realidade do continente
aquele naugrafo que prefere ser naugrago rodiado só de agua
que vive em terra firme, firme continental
e fica sonhando na sua propria ilha sem conviver com ninguem
só ele e a ilha
é aí que tá a babaquice toda, é aí que tá a burrice toda
ele e uma ilha
uma ilha
uma ilha deserta
só por se tar na ilha é um erro, um erro absurdo
uma fuga burra, ignorante e medrosa fuga a dois
é um enclausurar no proprio erro
é um ilhar-se e ficar rodiado de um nada profundo
agora atravessar o mar, sair da ilha ai sim
seria, deve ser um surto de inteligencia

agora indagam a minha porque?
eu disse simplesmente por um soluço?
por um soluço eu não
eu não crio vínculo, né?
não assumo compromisso por um soluço
não, olha pra mim esse tipo de coisa tem que ser algo forte
tem que ser uma pessoa que eu admire, que eu goste
que não por uma via racional
mas por sentimento
inteligencia emocial
e algo me diga que, que é aquela pessoa, sabe?
que, que , que tenha a ver
que goste, que goste de tá junto, que goste de conversar,
que goste dos pensamento, que goste do universo dela
ou que participe do que a pessoa tenha
aiii
eo convivio, pelo menos que seje, que revele
que seje pouco mas que revele
não por um suspiro não
não
tem que ser algo forte
o olhar tem que dizer muito
eu gosto de pessoa com personalidade, sabe?
que seje... é que tenha gostos, sabe?
que não seje pacato tb
fechado demais
ter gostos fortes, sabe?
ter opinião, que saiba argumentar.
sei lá, que seje leve também.
que goste de ri e falar basteira
que fale merda, e que não crie neura, não crie tanta complicação
que crie tanta regrinha pra vida, uma pessoa leve, que admiro a força
pessoa que vai atrás, que busca, que não tenha cheio de nhenhenhé.
um soluço defenitivamente não tem como ter compromisso, sem gostar, um gostar crescente
que se veja furuto, que se veja luz no fim do tunel, por ai
agora, essas pessoas que um soluço serve, uma ilha deserta serve
eeeh
eu fico besta, fico pasmo, realmente eu não entendo, e isso que não tem nexo me causa
absurda, me causa um desconforto, não cabe, pra mim não serve

agora, de tanto comer maça
não sei quando eu provar eu vou reconhecer o gosto da amora
sabe o gosto da amora, eu realmente não sei se eu vou reconhecer
por que eu posso tá provando, amora
mas não é amora.. é pessego, pessego!
sim, porque...
comendo maça, maça e aparece outra coisa, vou pensar:
nãaããããooo...
eu conheci uma vez isso, é amora
mas não, pode ser um pessego
eu tenho medo de ter esquecido qual é o gosto da amora já
isso me causa um frio interior
é estranho
parece que o ar
o ar fica líquido em volta
os pensamentos flutuam
é o uma realidade fantástica
aonde os pensamentos se solidificam
onde tudo fica mais claro
ou mais turvo
dependendo do tipo de água
dependendo da origem
eu realmente queria, voltar, ficar só com a amora
deixar de lado todas as maças
dizer: muito obrigado mas eu não quero pessego!
não

Leandro Borges

8 de jul. de 2012

7 de jul. de 2012

Liberto e Liberto


Liberto e Liberto.
Ó, amor liberto, quão diferente és.
Melhor forma de amar: liberdade enfim.
O enclausuramento dos sentimentos dói.

O vôo livre, simples e lindo é.
Sem prisões, sem cobranças e sem doenças.
A intoxicação do amor é um sacrilégio.
Cego em não ver a própria doença.

O amar em liberdade é o caminho da paz.
Flutuar tranquilamente entre o ruído e a pressa.
Quero sempre essa paz, sempre feliz: em paz.
Gosto da naturalidade e sei que ela é boa.

Laços envolvem os corações e como balsamo.
Sem feridas, sem cortes, sem magoas; somente confiança.
Sempre em liberdade vai, os corações vermelhos flutuam
não há corrente entre eles.

Sem parasitas, sem sanguessugas,
sem doença entre eles, sem dependência mutua,
sem muletas sem dominações, sem jogo sujo, sem vampiros,
sem wendys nem mesmo peter-pans.

Como é feliz viver livre assim sempre vou.
Vou indo, crescendo muito, mais muito mais rápido.
A vida muda ao se tornar realmente livre.
E amor liberto é uma dádiva transbordante.
Felicidade me toma os lábios, de orelha a orelha.

Gosto do gosto os ventos.
Gosto do cheiro do pampa.
Gosto do pala nos meus ombros.
Gosto do corpo aquecido pelo mate.
Gosto do tribular dos meus cabelos ao vento.

Corrida ao vento, sigo nobre.
Pouso em terreno firme e justificado.
Face se torna branda e afável: limpa.
Descubro a criança nos interiores profundos.
Sempre sigo a sua direção, sabia simplicidade.

Contente, irreverência, ausência do ridículo.
Agora vôo sempre para o infinito.
Azas e vorazes no furacão.
A chama que me arde, astuto ó grande coração.

Brinco com o tempo, mas mesmo que se vá
não tenho medo, sempre vêm para o bem.
Tempo mano velho, tempo seu irmão.
Fortes vidas, fortes lições: clarão.

Leandro Borges

Vento e Fogo


É o vento soprando à cantar.
Um pano de mesa a tribular.
Rodopia as roupas no cordão.
Faz da calmaria bucólica: agitação.

Desfigura a face do pássaro estradeiro.
Sobe das flâmulas para acariciar o vento.
Corre o pampa como rastilho matreiro.
Fogo de luz inflama e corre contra o tempo.

Faz da pequena brasa um imenso fogarel
e da chama calma um incendiário cruel.
Para coração apaixonado: a loucura.

Vento: grande e ímpeto parindo a vendaval do novo.
Fogo: guerras e revoltas contra a tirania infame.
Para o amante alado a ardente doçura.

Leandro Borges

O pampa encantado

Encontrei nas matas, na selvageria, as flores de um outro lugar.
De um outro tempo.
Soube que era do outro lado do rio.
Eu vi cavalos correndo, gauderios quase voando.
Vi prendas e muitas guirlandas de flores.
Vi bandeiras vermelhas rasgadas, brasa nos olhos.
Sei que perto da fogueira escutei muitos causos.
O céu mais bonito que vi nesses últimos duzentos anos.
Era de outro lugar aquela prenda.
De poucas falas, de um jeito tímido de ser prenda.
Sua veste negra, parecia uma guria crescida de luto.
Mas não, eu via o brilho dos seus grandes olhos.
Cabelos tão lisos, tão longos e tão negros.
Um ar misterioso de se esconder em seus véus negros.
De poucas palavras e olhar profundo.
De sorriso de canto e de fala doce e serena.
Era de uma outra qualidade de prenda.
Dessas que não é sempre que vem até estes pagos.
Sentou ao meu lado e me olhou de canto de olho.
Senti a sua energia encher as minhas marés,
mesmo este velho marujo se espantou,
pois era um mar de outro lugar.

Sei domar cavalos e mares.
Sei cantar dores e flores.
Mas senti um arrepio na alma ao ver aquela prenda de pele mui branca.
Não encontrei no céu a lua.

Era o seus olhos gigantes, engolindo o meu horizonte.
Em seu olhar mergulhei.
Um olhar-luar derretendo ao mar.

No pampa sem tempo-espaço de um horizonte infinito,
eu vi deitada servindo a contemplação o corpo nu da lua.

Leandro Borges

5 de jul. de 2012

Riscado pelo mundo


Me sinto um ser inútil, sem razão de existir.
Em um mundo avesso pro meu fazer, não sigo em acordo.
Cansado de não ser valorizado pelo trabalho árduo feito.
Sigo sem moedas, ou pior moedas emprestadas.
Sigo triste, sem imagem, sem dignidade, sem família e sem amigos.

Reprovado mais uma vez pelo caminho, sou um inútil que tenta provar para consigo que não.

Cansado de tantos sonhos amarelos, de tantos castelos desmoronados...


Subvalorizado, me sentindo menor.. passo por homens que dizem que irão ajudar.
Fico sozinho num canto, sem ajuda e sem valor.

Parte de minha alegria morre hoje, me sentindo um lixo.
São lixos multiplicados, estorvando o caminho da humanidade.
Um lixo sem reciclagem, sem finalidade... deixaram-me apodrecer até virar não-adubo.

Leandro Borges

17 de jun. de 2012

Sem Pena

Um mundo pingado de coisas.
Muitos pontos e muitas partes.
Muitas memórias em desassossego.

Meu peito bate quase feliz.

Eu olho pra tantos lados, pra tantos lugares.
São tantas realidades e tantos contrastes.

Meus olhos quase choram.

As ruas quase ruas.
As estrelas quase estrelas.
As casas quase casas.
As pessoas quase humanas.

Andam com tanta pressa e tantas rugas de mal dormir.
Andam com tanta fome de dinheiro e tanta falta de vida.

Se eu vejo a tristeza alheia, como posso passar alheio a tudo isso?

São rachaduras de um corpo.
São dormires de andar de pé.
São solas gastas de muitos quilômetros.
São fomes de comer frio e vazio.

O céu deveria ser azul.
A água deveria ser limpa.
A vida deveria ser feliz.
A arte deveria ser viva.
O dinheiro deveria não ser Deus.

Leandro Borges

8 de mar. de 2012

Poetizar espaços é alargar o tempo


(Mundo Jovem p.8)
Vive-se, hoje, o tempo da não-poesia. O desmembramento entre magia e vida é uma das marcas de nossa era pós-moderna - era de fragmentação e fragilidade, em que a indústria cultural esmaga o ser humano. Em épocas como esta, é contraproducente o viver poético. Não é possível combinar a harmonia da palavra mítica, que rememora o paraíso perdido, ao caos dos dias em que vivemos. É o tempo-flecha, o tempo-ponto, abismado em si mesmo, sem fronteira nem horizontes.



Muitas vezes ouvi: “poesia não vende, para que insistir?”. Insistir é resistir. É ferramenta em nossas mãos. É contrapor-se aos ventos de agora! Coordeno um movimento que publicou 26 obras em três anos, todas de poesia. Apenas três não estão esgotadas. Criamos cooperativa de poetas. Reúnem-se cinco, dez e até mais de 100 poetas. Publicamos, dividimos em cotas e cada um vende os seus livros. Funciona, e é muito bom! Nos lançamentos, vários se reúnem, seguram o tempo nas mãos e controem uma supra-realidade: recitam, falam de suas vidas, criam e recriam o mundo despoetizado. Nossa vitória sobre o mundo mecanizado e capitalista é sorrir diante da obra que retém (no papel) e liberta (para o outro) o nosso dizer poético. A necessidade de se expressar poeticamente está calcada no ser humano desde tempos imemoriais.

Trabalho Inutil ?

Não trabalhar poesia nas escolas, é um reflexo da atual conjuntura. A escola, ainda que nem sempre o assuma, reproduz o sistema autoritário e dual. Há iniciativas (poucas, e algumas brilhantes) no sentido de questionar o sistema, enquanto que a maioria preocupase com a formação do indivíduo, quanto mais individualista melhor, com as arraigadas desculpas de que há poucas vagas, que só os primeiros as ocuparão. Criam-se personalidades descomprometidas com a solidariedade, incapazes de conviver harmonicamente entre diferentes. A escola justifica-se pelos concursos públicos e vestibulares.
Uma vez, orientando uma oficina de poesia na 5ª série, um grupo de mães reuniu-se e, entre outras coisas, pediram para não dar poesia, e dar coisas úteis para o vestibular... Na 5ª série? Fiquei perplexa!
Então, hoje já não é possível brincar com as palavras, educar a sensibilidade para apreciar e escrever, porque existe dali não sei quantos anos um monstro chamado vestibular e, em nome dele, quem sabe, essas mães não quereriam que seus filhos tivessem análise sintática na 5ª série?
Trabalhei numa escola em que se desenvolvia a pesquisa-participante (de verdade) Era lindo! Alunos e professores saíam às ruas, pesquisavam a realidade posta e os anseios daquela comunidade. Num segundo momento, os dados eram tabulados em papel pardo. E que cuidado se tinha para manter in natura a fala dos entrevistados, por respeito à sua forma de se expressar. Uma pesquisa mudava o planejamento de dois anos. Era um constante desafio problematizar as falas na sala de aula e, no final, devolver ações solidarias à comunidade. Mesmo assim, havia colegas que entendiam se uma perda de tempo “aquelas bobagens”. Bobagens que mudariam a vida daquelas pessoas... apenas!
Assim é a poesia para uns: uma bobagem! Palavras que falam pela simples ânsia de dizer que existem, pelo simples fato de serem palavras, sem qualquer outro porquê... Agindo dessa forma, o utilitarismo não consegue raptá-las para seu proveito. Elas fluem, pairam, às vezes veladas e, assim, dizem muito, sem quase nada dizer. Mas a poesia não serve, não cabe neste mundo retificado.
Não serve? Não cabe? E porque será que se lê Camões hoje, passados quase 500 anos? E, ao fazê-lo, sentimos uma grandeza de alma? E há quanto já vão esquecidos os cronistas daquela época? Documentos são questionados. Podem ser forjados. Há teses que se ocupam em saber se Homero realmente existiu, mas ninguém questiona da Idíada e da Odisséia, capazes de instaurar um tempo novo sempre que revistitadas.
A poesia é a extrema liberdade do ser, a palavra inquietante, perturbadora. Um amigo confessou-me: queria livrar-se da poesia. Já não era feliz... A poesia não cria uma geração de alegres sem causa. Cria seres profundos, capazes de ler além da letra impressa, além da palavra dita. Quem lê poesia, escreve poesia, questiona a poesia, não perde a possibilidade de refazer-se constantemente, ir ao encontro de si. E não é essa a arte da vida? A possibilidade de, estando no mundo, interferir criativamente sobre ele?
Então, para que a poesia? Porque ainda há tempo de instaurar no tempo um outro tempo. E é a escola (ou deve ser) a instituição capaz de descobrir a riqueza contida na palavra poética, Num trabalho constante e inquiridor, a escola é capaz de instaurar brisa, desmascarar a hipocrisia do tecido social e criar um ser que cristaliza um outro tempo em suas mentes e corações, contando com o poder transformador da palavra poética.



Edinara Leão,
professora estadual, poetisa,
coordenadora do Movimento VirArte,
em Santa Maria, RS.
Endereço eletrônico: edinaraleao@yahoo.com.br
Blog: http://edinaraleao.blogspot.com

Pelas estradas atuais

Deixar meu livre-ser, ser.
Sem dogmas.
Sem vicitudes.
Ligar-me ao ser interior.
Não negar minha sombra.

Sem pseudo: atitudes e sentimentos.
Andar contra o falso vento.
Ser parte sóbrio parte ébrio.
Voltar a falar de flores.

Ou melhor, o reino interior das cores por de trás das flores.
Se falasse de amores também converteria em cores.
Meu ser não pode ser pelo outro meu ser, aprisionado.
Sei que há um guerreiro e um monge em mim.
Assim como um sonhador, um descrente.
Um anjo e um carrasco.
Um menino e um amante.


:Há boleadeiras, rosetas e flores.


Procuro uma grama para deitar ao sol.
Procuro um canto de natureza que me queime, que me mantenha vivo.
Um pedaço de verde, que viva, mantendo assim em mim a chama da esperança.
Um lugar diferente, onde o silêncio é sagrado.

Leandro Borges - 03/07/10

15 de fev. de 2012

Pilulas para o acordar Nº 1

Cansado de tantas pessoas idiotas, vendo pseudo-notícias idiotas.
Uma pessoa na tv chorando pela desgraça, não me abala mais; graças a Deus.

Eles querem manipular e manipulam muito...

Eu dou risada das pessoas chorando a morte de alguém.
Seguir a cartilha que os jornalistas querem?
Não obrigado.

Eles querem manipular e manipulam muito...

É triste ser brasileiro e ver a massa burra seguir os manipuladores.
Seguem letárgicos...

Pessoas que compram a roupa da hora, comem a desgraça da morte alheia da hora.

Eu vejo mendigos e eles mendigam, e é fato; não pejorativo chama-los: mendigo.

Pra ser brasileiro de fato, deve-se assumir o lado bom e ruim do coletivo brasileiro.

E ter vergonha de ser brasileiros é natural, se sentir parte da corrupção é natural.

É assim assumindo o coletivo de representar a nação, que assim nos apropriamos da cidadania brasileira.

Tenham vergonha e orgulho de ser brasileiro, pois somos o lixo e a flor.

Aceitar apenas as coisas boas do país, é ficar cego, e não assumir a culpa dos problemas sociais brasileiros.

Eu tenho vergonha da minha mãe, professora, terceiro grau completo;
ganhar uma miséria.

Eu tenho vergonha de existir igrejas-empresa no país, consumindo o dinheiro justo do povo pra criar templos de ouro e sem amor. Podres católicos, pobres evangélicos.

Sugiro seguir como Cristo, sem ouro e sem templo; de cabelos longos e barba.
Contra a cultura do povo letárgico, com ideias de amor e servidão.

Siga como a flor-fractal, é preciso combater a ignorância da não-consciência.

Leandro Borges

6 de fev. de 2012

Vai minha saudade

Vai minha saudade e diz à ela que por ela meu coração espera.
Diz-lhe num samba-canção que ela volte,
porque assim eu não posso mais viver.

Sai minha tristeza, deixa entrar a beleza porque sem ela não há cores,
não há beijos nem sabores é só solidão.

Se te tenho de regresso, que encanto será, que devaneio seria... não haveriam mais estrelas no céu
todas elas estariam raptadas no vitral dos teus olhos.

Envolto no teu corpo nossos corações se fundirão, voltarão a ser um só; para remediar toda a dor
toda a melancolia que insiste a não sair de mim. Pra acabar com o vazio da tua ausência,
pra na tua flor eu colher a tua essência, o teu amor e a tua melodia em cor.

Vai minha saudade e diz à ela que por ela meu coração espera.
Diz-lhe numa milonga que ela volte,
porque assim eu não posso mais.

Sai minha saudade, deixa entrar a nossa vontade porque sem ela não há música,
não há paz no coração nem um pulsar verdadeiro é só um vazio...

Então, te tenho de regresso, que encanto, ó devaneio! 
Por um instante não há mais estrelas no céu, todas elas estão raptadas no vitral dos teus olhos.

Envolto no teu corpo, nossos corações fundidos são um só; não há dor nem melancolia.
Colho na flor da tua essência, o teu amor e a tua melodia em cor.
É uma canção, é uma milonga, é um samba, é bossa-nova, é maracatu: é Carnaval.

Leandro Borges
Antes de desejar, esteja preparado. (Leandro Borges)

9 de jan. de 2012

Destino num traço azul

Olhe para trás, e vejo o quanto andou.
Já passaste pelo caminho árduo de encontrares o rio.
Navegar pelas enchentes e secas, ultrapassar montanhas.

Agora vem o desafio de bifurcares o rio.

E te questionas se ainda serás o mesmo rio
se conseguirás ser mais de um e o mesmo; sem se perder.

Quando encontras tal rocha, é natural ser mais de um.
Não tenha medo de seres outros, de ser mais.

Um rio encontra o equilíbrio ao multiplicar e ao receber.
Busque os caminhos suaves entre as pedras, caminhe determinado, multi-focado.

Se um dia não encontrares o passo dessa dança, busque em novas pistas.
Sejas verdadeiro e simples, feliz e esperançoso!

Não importa o tamanho do desafio, mas sim a veracidade do amor!

Leandro Borges

19 de dez. de 2011

Monstros e Querubins

Dorme uma rosa, dorme um carinho.
O fio do tempo corta a minha pele
fico aflito e só
procuro por um espaço onde o tempo não me queime.

Onde a cidade anda aflita a cada esquina.
Onde meu coração é incompreendido.

Onde há menos flores, menos árvores, menos amores.

Onde o concreto me engole, e me sinto frio e áspero.


Vejo apenas nos olhos das crianças um outro mundo.
Onde me olham como anjos.
Sentem por mim.

Eu, sem auréola e sem asas.. busco voltar a voar.

As baratas na rua passeiam solitárias.. Kafka está morto.

Os naipes do mundo foram lançados, e não se ousa sair fora do baralho.
Me sinto além-jóquer, além baralho, e por assim ser; descartado.

Usado, reusado, usado novamente, reciclado e feito como objeto.
Muitas usam e dormem felizes.

Onde meu coração se revolta pela corrente de consumo.
Tento ser fera, para não ser visto como um príncipe encantado.
Busco que me vejam por dentro, e mesmo assim enjaulam a fera.

Seja príncipe ou fera, não me vêem a fundo, de verdade.
Sou apenas mais uma lata de sardinha, consumível, feio ou belo: não importa.


Me recolho e volto a olhar os olhos das crianças.


Nos tornamos monstros, longe da pureza, longe do verdadeiro e profundo.
Busco sair dessa ciranda onde muitos dançam e se ferem.
Ciclo de vício, dor e lágrimas.
Um rio que desagua em um mar de dor e desespero.

Leandro Borges

8 de dez. de 2011

Destom de Ariadne

Quando universos se tocam, as almas se reconhecem.
Mas quando as luzes estão em tempos diferentes, não podem confluirem.
Em desencontros de ciclos, de tempos, de espaços.
Atrair um mundo tão bonito, sincero, sereno e de sintonia próxima.
Um deslocamento que gera um descolar de tecidos, cria-se um vão entre corações.
Em volta da sua própria imagem, escultura, perde-se; como um cão em seu próprio rabo.
Enquanto isso procuro na sombra da areia desse deserto ainda fagulhas de um outro sol.

Leandro Borges

21 de nov. de 2011

Mundo Desnudo

E quando eu olho pela janela da minha vida e posso ver tantos vitrais.

Um sonho.
Um parque.
Tantos sorrisos.

Cores, luzes e flores.

Família.
Carinho.
Canção.

Passeamos juntos, vamos juntos.
Corações se abraçam e caminhamos unidos.

A falsa realidade do falso ego: não existem as roupas, não existem os carros, não existem os ouros, não existem as faces, não existem os corpos.

Vejo pela janela da verdade: Corações em amor, Corpos de luz e Canções.

Leandro Borges

6 de nov. de 2011

rEUvolução

Onde a sorte não escolhe, o sonho volta.
A caminhada longa e com muitas curvas.
Os tempos que se passou, cada vegetação.

Onde se vive com poucas moedas.

As pernas cansam, o sonho mais longe... até que um dia nascem as asas.
Perto de quem quer bem, fico bem, protegido.
Onde os corações ainda são corações.

A vida por falar das cachoeiras.
O barco por novas faces.
Os novos faróis de novos tempos.

Ocupei meu coração e tomo conta mais de mim.
Onde a revolução eu plantei no meu coração.
Na minha vida brotará a minha revolução pessoal.

Leandro Borges

2 de nov. de 2011

O futuro aqui e agora.

Onde a Onda Anda.
Lá no Luar Longe.
Se os Sonhos Surgem.
O Vento Voraz Voa.
A Mente Muda e Mistura.

3 de out. de 2011

Brilha primavera brilha

As bordas da alma.
As teias da luz do fim dos tempos.
Entre as veias de um quase outro tempo.
Segue um instinto leve e brando.
Entre tantas formas de ver, cura o vento com fogo.

Se no topo da criação ele fez como um elfo.
As mãos como teias, entrelaçadas de ar.
Saiam fitas das suas emoções, tinha tanta luz.
E ainda vibrava em notas mais doces e ásperas e leves.

Se o sol parece grande... nós podemos ser maior ainda.
Quando mais podemos voar, mais podemos derreter.
Como fungos tão bonitos de coração, somos amor.
A brisa suave atravessa nossas cabeças e faz aquele mel.

Deixa a pressa pra lá. Ela é para os cegos de coração.
Deixa o lucro pra lá. Ele é para os adormecidos de luz, de consciência.
Deixa o ego pra lá. Ele é o mal do mundo, o anti-Deus da nossa existência.

Atalhos são partes do retalho da não completude das coisas.
Siga forte como um rio e suave como uma borboleta.

Os raios de sol estavam recheados de flores e no coração a primavera.
A vida mais uma vez renovada, reesverdeada por aquele verde claro.
Deixo a casca do carvalho me proteger.
O roxo claro dos ipês me remeter.
Quero toda a porto alegre do meu coração.
Levo o Guayba por onde for.
É de porto-alegrares que indo em mim.

Eu vi um campo tão lindo de flores no meu sonho.
Quero todas as cores e outras mais, peço permissão a natureza para abrir os olhos dos meus olhos.
Peço as sementes mágicas que deixem, como meus ancestrais deixaram voar.
Eu sei que posso voar, e os brutos de alma nunca entenderam isso.
Quanto mais racional, mais vil se torna.
Quando o coração fala e é realmente escutado e seguido, a vida é vida.

Quando a vida não é mais vida, seguimos as cifras, os números a lógica.
Essa lógica que não é lógica, porque mata por lucro.
Não engula ideias que matam.
Ao contrário vemos retas, contas e números, matando a nossa natureza interna.
Matando as nossas vidas, nossas crianças, nossas emoções genuínas.
Nos desumanizando ao máximo, lutando por lucro e dinheiro sujo.
Vendendo até a própria mãe.
Onde há uma reta não há um coração.
Eu quero abrir a felicidade do meu coração e
jogar pelo ralo as ilusões líquidas de publicidade.

Se esse mundo é feito disso, quero distância.


E se a arte e contaminada por isso, morre a arte.

Quantas luz você já emanou hoje?
Saiba que não adianta nada fixar a vida naquilo que pode tocar.
Não há riqueza naquilo que toca, há riqueza quando consegues tocar alguém.

Pois ao atravessar essa vida, verás que teus bolsos serão outros e não terás dinheiro.
Do mundo material não se leva nada ao atravessar e vencer a morte, e então viver na espiritualidade.

Não haveria sentido viver se fôssemos fragmento de reta.
Somos o horizonte e o pôr-do-sol.
Tão infinitos na essência quanto Deus.
Eu sou ponte, quem fala por mim não sou eu.
Eu sou apenas um pote, onde eles podem lhe dar a água.

E quem bebe dessa água, jamais terá sede.
Essa sede que quando se mata, não temos mais o vazio da vida.
Uma vida pilastra-da em outras pessoas, cai, quando essas ve vão.

O turvo som de pássaros negros outra vez aparecem na casa da morte.
São esses mesmos que nos desafiam a voar.
Os ventos mudam a cada queda de um.
Se o sol não nascer, buscaremos outro lugar para estar.

Temos no corpo e na alma fragmentos de estrelas.
Buscamos pessoas que não deixaram de brilhar apesar desse corpo grosseiro que temos.
Ao escutar o canto dos pássaros sinto que tudo aquilo que canto é sujeira.
Admiro os pássaros por cantar.
Deveríamos ficar quietos por muito mais tempo,
parar as cidades e apenas deixar os pássaros ressoarem bonito.

Aprenda a escutar as músicas mais belas pela voz dos pássaros,
eles transmitirão somente aos corações abertos.

Vamos amigos da terra do nunca, sigamos nesse lindo trem até lá.
Com o coração puro podemos atravessar o rio.
Chegar a outra margem e então poder voar, conversar com fadas.
Ver além das borboletas, e ver então as ninfas, Afrodite e Dionísio.

Uma festa tão bonita como o sorriso de uma criança.
Onde o amor é protagonista.
Onde temos a riqueza de ajudar.
Onde a gentileza é nossa moeda.
Onde família é cultivada e tem raízes fortes.
Onde o ego é anulado.
Onde o coletivo tem alma e dança circular.

Eu sou amor.
Eu sou luz.
Eu sou flor, fogo e ácido.

Onde o mar namora a lua.
Onde o sol namora o pampa.

Admire, dance, transborde.
Cante, lute, sonhe.
Ame, queime, mude.

Vou deixar o meu coração me levar, no mar do amor.
Com o desejo voraz, com pé na estrada e o peito aflito pelo novo.
Tenho orgulho de ter sangue guarani, charrua, minuano... nas minhas veias e na minha alma.

Leandro Borges

30 de set. de 2011

Primavera da minha pele

Corre esse vento do meu rosto e agradeço por não lembrar o gosto de ti.
Triste saber que há tantas mulheres machistas nesse mundo, tantas mulheres idiotas.
Falta poesia para a maioria das mulheres que conheço...
São poucas e boas, e as conservo no meu coração as que não são.
Nada mais triste que a falta de sensibilidade...

Eu choro um rio de lágrimas e gosto disso.
Verto em cada gota minha emoção.
Posso explodir meu peito e meu sexo.
Mas há porque casar coisas assim.
A poesia do meu viver anda com meu ser.
Sou flecha e sou cravo.

Furo o vento e tua lógica rasa, de ignorância.
Furo o teu ruído e a tua alma suja.
Furo o conceito enferrujado sobre os gêneros.
Furo o desejo machista de ser menor que um homem.
Furo a hipocrisia de ditar que oficio devo ter.

Sou aquele que dá flores.
Aquele que rasga o lucro.
Aquele que sente em carne viva.
Que brota em arco-íris.
Faz da flor da menina a sua prenda.
Vê na mulher nem mais nem menos; deixa o rio correr.
Que corteja o sabor e responde ao teu fogo de mulher-menina.
Também de ti mulher, aquele que chora junto e enche de amor.


São de labaredas e pétalas que flutuam a minha aura, a minha magia.


Não brinque com fogo.
Não brinque com alguém a flor da pele.

Em mim brota a primavera a cada dia.
Que os anjos saibam proteger os sinceros de coração.

Cansado de labirintos alheios.
Cansado da covardia emocional alheia.
Cansado da hipocrisia que insiste em renascer a cada geração.

Hipocrisia, eu quero que se vá!

Leandro Borges

13 de ago. de 2011

A caminho do Uno

Onde o horizonte longe voa leve.
As suaves brisas da nova aurora.
Corre em um grande campo de flores.
Ao abrir das almas iluminam como sóis.
Andando entre cores, fortalecem e crescem.
Simples chuva fina.
Limpa.
Ilumina.
As palavras dos lábios positivam o universo.
Nutre o amor incondicional.
No meditar do coração transmitem ao todo.
Somos no "Eu Sou" um só.
Uno.
Ao evoluir do universo compartilhamos:
Em
---Amor
---------Paz
------------Luz
----------------!

05/06/11 - Leandro Borges

Piscina de Dor

E se o mundo me fosse obrigado a carregar?
Um peso de um mundo que os desumanos nos empurram goela a baixo.
Onde a dor se instala, onde o sorriso é apagado.
Vivemos em uma ditadura de burrocracias masoquistas.

Sofremos dores desnecessárias, como já não bastasse as dores naturais do mundo.
Os Psico-torturadores criaram um mega arsenal de dores artificiais.

Deixem os loucos, não serem loucos.

Deixem a vida ser maior, ser de verdade, ser humana.
Homens criaram maquinas de dor.
Processos de dor.
Caminhos de dor.
Labirintos de dor.

Deixem o amor em paz.
Deixem a vida livre.
Deixem a possibilidade de sonhar e os sonhadores vivos.

O mundo não se pode tornar uma caixa de tortura.
Os que não abrem os olhos para a dor alheia, sofrerão ainda muito.

Onde não se pode ser um, eu sou o respingo de tudo.
O mundo tão cinza, tão cimento, tão asfalto, tão concreto e nenhuma humanidade.

Espero que essa piscina de esgoto não me alague em dor, desespero e depressão.

Leandro Borges - 05/03/11

3 de ago. de 2011

São Paulos

É... as vezes me para de tanto correr.
Tem vez que me cansa de tanto morrer.
Me sintoniza em ritmo que não me para.
Outras que me deixa totalmente de cara.

Tem tanto asfalto no meu pensamento.
Deixa tanta laje nesse cimento.
Um bando de gente, um tanto de crente.
Explode.
Carros.
Correria.
Metro de conexões circulares.
Andei em fractais urbanos.
O sorriso mesclado de tuas meninas.
São circenses de tuas crias coloridas.
Fala de todas as artes que podes compor.
Transita de todos os gostos que for.
Rua.
Avenidas.
Alamedas.
Cercado de tanta gente.
E se tudo brilha, a face do futuro me espera.
Quando a brisa me encontrar, nas ruas de São Paulo irei florescer.
Como num canto de um pássaro, vibro bonito e suave.

Sossegado sigo suave.
Sossegado pego essa brisa.

São tantos São Paulos dentro dessa caleira, dessa teia, tela: nação.
As vezes vem um caos bonito, as vezes vem atrito e em outras esquisito.
Quando peguei uma perua, te percebi perto, quase nua.
Eram tantas faces, tanta palavra que pula de tanta rua... tanta rua.

Andando em longas avenidas, é firmeza.
Ando nas feiras.
Bebo um caldo de cana.
Um pastel na feira.
Um sanduíche de pernil.
O sorriso mais bonito, da menina paulistana mais bela.
Era a beleza da suavidade da sua alma que me tocava.
Um amor tão leve e doce, era tudo tão gentil.

Leandro Borges - 29/03/10
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