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8 de mar. de 2012

Poetizar espaços é alargar o tempo


(Mundo Jovem p.8)
Vive-se, hoje, o tempo da não-poesia. O desmembramento entre magia e vida é uma das marcas de nossa era pós-moderna - era de fragmentação e fragilidade, em que a indústria cultural esmaga o ser humano. Em épocas como esta, é contraproducente o viver poético. Não é possível combinar a harmonia da palavra mítica, que rememora o paraíso perdido, ao caos dos dias em que vivemos. É o tempo-flecha, o tempo-ponto, abismado em si mesmo, sem fronteira nem horizontes.



Muitas vezes ouvi: “poesia não vende, para que insistir?”. Insistir é resistir. É ferramenta em nossas mãos. É contrapor-se aos ventos de agora! Coordeno um movimento que publicou 26 obras em três anos, todas de poesia. Apenas três não estão esgotadas. Criamos cooperativa de poetas. Reúnem-se cinco, dez e até mais de 100 poetas. Publicamos, dividimos em cotas e cada um vende os seus livros. Funciona, e é muito bom! Nos lançamentos, vários se reúnem, seguram o tempo nas mãos e controem uma supra-realidade: recitam, falam de suas vidas, criam e recriam o mundo despoetizado. Nossa vitória sobre o mundo mecanizado e capitalista é sorrir diante da obra que retém (no papel) e liberta (para o outro) o nosso dizer poético. A necessidade de se expressar poeticamente está calcada no ser humano desde tempos imemoriais.

Trabalho Inutil ?

Não trabalhar poesia nas escolas, é um reflexo da atual conjuntura. A escola, ainda que nem sempre o assuma, reproduz o sistema autoritário e dual. Há iniciativas (poucas, e algumas brilhantes) no sentido de questionar o sistema, enquanto que a maioria preocupase com a formação do indivíduo, quanto mais individualista melhor, com as arraigadas desculpas de que há poucas vagas, que só os primeiros as ocuparão. Criam-se personalidades descomprometidas com a solidariedade, incapazes de conviver harmonicamente entre diferentes. A escola justifica-se pelos concursos públicos e vestibulares.
Uma vez, orientando uma oficina de poesia na 5ª série, um grupo de mães reuniu-se e, entre outras coisas, pediram para não dar poesia, e dar coisas úteis para o vestibular... Na 5ª série? Fiquei perplexa!
Então, hoje já não é possível brincar com as palavras, educar a sensibilidade para apreciar e escrever, porque existe dali não sei quantos anos um monstro chamado vestibular e, em nome dele, quem sabe, essas mães não quereriam que seus filhos tivessem análise sintática na 5ª série?
Trabalhei numa escola em que se desenvolvia a pesquisa-participante (de verdade) Era lindo! Alunos e professores saíam às ruas, pesquisavam a realidade posta e os anseios daquela comunidade. Num segundo momento, os dados eram tabulados em papel pardo. E que cuidado se tinha para manter in natura a fala dos entrevistados, por respeito à sua forma de se expressar. Uma pesquisa mudava o planejamento de dois anos. Era um constante desafio problematizar as falas na sala de aula e, no final, devolver ações solidarias à comunidade. Mesmo assim, havia colegas que entendiam se uma perda de tempo “aquelas bobagens”. Bobagens que mudariam a vida daquelas pessoas... apenas!
Assim é a poesia para uns: uma bobagem! Palavras que falam pela simples ânsia de dizer que existem, pelo simples fato de serem palavras, sem qualquer outro porquê... Agindo dessa forma, o utilitarismo não consegue raptá-las para seu proveito. Elas fluem, pairam, às vezes veladas e, assim, dizem muito, sem quase nada dizer. Mas a poesia não serve, não cabe neste mundo retificado.
Não serve? Não cabe? E porque será que se lê Camões hoje, passados quase 500 anos? E, ao fazê-lo, sentimos uma grandeza de alma? E há quanto já vão esquecidos os cronistas daquela época? Documentos são questionados. Podem ser forjados. Há teses que se ocupam em saber se Homero realmente existiu, mas ninguém questiona da Idíada e da Odisséia, capazes de instaurar um tempo novo sempre que revistitadas.
A poesia é a extrema liberdade do ser, a palavra inquietante, perturbadora. Um amigo confessou-me: queria livrar-se da poesia. Já não era feliz... A poesia não cria uma geração de alegres sem causa. Cria seres profundos, capazes de ler além da letra impressa, além da palavra dita. Quem lê poesia, escreve poesia, questiona a poesia, não perde a possibilidade de refazer-se constantemente, ir ao encontro de si. E não é essa a arte da vida? A possibilidade de, estando no mundo, interferir criativamente sobre ele?
Então, para que a poesia? Porque ainda há tempo de instaurar no tempo um outro tempo. E é a escola (ou deve ser) a instituição capaz de descobrir a riqueza contida na palavra poética, Num trabalho constante e inquiridor, a escola é capaz de instaurar brisa, desmascarar a hipocrisia do tecido social e criar um ser que cristaliza um outro tempo em suas mentes e corações, contando com o poder transformador da palavra poética.



Edinara Leão,
professora estadual, poetisa,
coordenadora do Movimento VirArte,
em Santa Maria, RS.
Endereço eletrônico: edinaraleao@yahoo.com.br
Blog: http://edinaraleao.blogspot.com

23 de abr. de 2008

"Não me entrego sem lutar.
Tenho ainda coração.
Não aprendi a me render.
Que caia o inimigo então." (Renato Russo)

21 de ago. de 2007

1 de jul. de 2007

Desiderata - Max Ehrmann




Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio.

Tanto quanto possível, sem humilhar-se viva em harmonia com todos os que o cercam.

Fale a sua verdade mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, eles também tem sua própria história.

Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem o nosso espírito.

Se você se comparar com os outros, você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você.

Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino.

Viva intensamente o que já pode realizar, mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde, ele é o que de real existe ao longo de todo o tempo.

Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença, a virtude existirá sempre.

Muita gente luta por altos ideais, em toda parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo, principalmente não simule afeição nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto ele é tão perene quanto a relva.

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas também seja compreensivo aos impulsos inovadores da juventude, alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado; mas não se desespere com perigos imaginários, muitos temores nascem do cansaço e da solidão.

E a despeito de uma disciplina rigorosa seja gentil consigo mesmo.

Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber a terra e o universo, vão cumprindo o seu destino.

Portanto esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba e quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações, da fatigante jornada pela vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. Acima da falsidade, do desencanto e agruras, o mundo ainda é bonito. Seja prudente.

FAÇA TUDO PARA SER FELIZ!

29 de jun. de 2007

Traição!




Meu coração guarda pra sempre.

4 de mai. de 2007

Um amor pra toda a vida


Não era tarde nem cedo. Seis dias seriam o bastante. Cintilante! Era mais um dia de primavera, e os passarinhos não catavam. Estranho. Amanda seguia o seu caminho rumo a sua casa e pensava coisas de amor. Tinha uma leve canção soando em sua mente. Gostava de perceber os detalhes da grama e como a cada dia lhe parecia diferente a cada novo olhar. Era Setembro e as flores já não estavam tão coloridas. Estranho. Eis que Amanda liga pra uma amiga de infância:

- Olá Dani, como tem passado?
- Estou assas ansiosa pelos dias que passam...
- Mas por quê?
- A vida é muito curta, preciso estar apta para cada novo dia, sabe? Bom preciso desligar agora, te ligo mais tarde..... Adeus tenho que desligar. Meu (mudo)

Pensa sobre a frase dela, sabe do contexto de sua amiga e não sabe se ri ou chora. Sabia que o casamento para Daniela era importante. Não entendia ao certo, mas sofria pela dor da amiga querida. Bem, podia entender os seus males; mas não os vivenciaria. Tinha uma alegria triste e mal assim não iria lhe abater.
Tinha uma visão diferente de mundo, fazia tudo ao seu modo, ultrapassando a ética, moral, sociedade; eram todos: lixo pra ela. Tinha planos e metas e nada seria mais forte que eles. Vivia a mercê de todos os dilemas da vida e os ignorava. Era maior. Soberba na sua concepção. Tinha vários homens e não ligava para os boatos a seu respeito. Era engraçado pra ela falar sobre isso. Tinha poucos valores para serem respeitados, era mais fácil viver assim.
Pensou mudar o mundo com pitadas de pimenta, era algo em sua mente, uma tela com bastante vermelho na verdade. Era o calor e a crueldade do mundo estampado, para que ao admirado, fosse reflexivo e repelido. Mas na verdade gostava dele.
São grandes os dragões que a cercam, mas ela cai em abismos que nem os monstros ousavam em desvendar.
Vai à sala e toma um copo de leite frio. Olha pro calendário, dia 5. Vai à cozinha e perde a linha, faz de seu corpo um objeto e nesse trajeto chega ao orgasmo: sozinha.
Submissa ao avesso, era controversa e lasciva. Não teria alguém pra vida inteira, a menos que fosse o homem pra vida inteira. Seria demais, mas pra ela é utópico e improvável. Falava assim pros outros, pra se justificar e não amar.
A morte era mais afável pra ela. Ela é real e isso basta. A razão era sua arma de consumo, consolo, objeto, ferramenta – ilusão talvez.
Eram espartanos pensamentos entre ventos e consolo desesperado de um fardo, uma opressão ou falta de visão de um mundo azul. Ela era fiel aos seus instintos que de tão famintos devoram dúzias e dúzias em uma semana. Ia pra cama e pensava: “devassa!”. E dormia em desgraça e alegria.
Em outro dia na casa de sua mãe depois de um diálogo doce - pergunta:

- Mas que diabos estás a dizer mamãe? Sou mulher e tenho o que quiser em minhas mãos. Os homens são como cães e sei como manipula-los. São como presas enforcadas pelo sexo. Sei dissimular e nunca serei açoitada pelo mal da submissão.
- Mas minha filha...
- Sem “mas” minha mamãe, eu somente me unirei alguém se for para a vida inteira, e como pra mim isso e quase impossível, sigo meu trajeto inatingível e agora pretendo viajar. Voarei por cima do mar, oceano e em solo americano irei de encontrar meu grande amor.

Passaram se dias, e seus pulsos estavam cansados, de tantas tentativas de dilacerá-los. Era uma vida sofrida, mas seu sexo ardia e ela assim podia ter três segundos de felicidade, talvez quinze minutos de orgasmos múltiplos, mas depois a depressão voraz viria novamente e era impressionante como em sua sala ainda havia uma bíblia forte e verdadeira.
Era uma ironia de sua parte falar sobre o adultério, tinha medo nojo de tal calvário, era por demais ultrajante e um tanto quando desestimulante; talvez daí a sua rebeldia que não outrora tardia, que lhe trazia dores sem fim.
Sonhara com um principie encantado, e acordara de modo engraçado, pensando que se existisse um Deus isso seria uma piada, de certa forma disfarçada em forma de historia de fada, essa vagabunda e profana. A escandaliza com tal premissa-inverdade.
Queria um milhão de bilhetes de “só pra saber como está”, mas não que queria saber, apenas para manter o aparente apreço. Sois folha do passado, repetia pra si. Ele era seu único pseudo-namorado que deixou a cortejar. Era engraçado olhar aquele patético ser.
Nunca pensara que de suas entranhas sairia uma vida, pois pra ela queria ver um pouco menos de dor no mundo, isso justificaria a sua escolha de adoção que o seu coração não teria tanto apego, e que se caso morresse o filho, seria mais uma fatalidade da vida. Essa que lhe tirava o sono muitos e muitos dias. Era sombria e preferia a noite, que ao seu gosto era mais perversa e amorosa. O amor que pensava nas coisas, era algo apenas de pensamento, porque com nenhum detento do planeta terra o tivera.
Dentro de seu quarto Amanda e Daniela conversavam:

- Vamos para Nova Iorque! - Retrucou a sua amiga.
- Pois bem eu quero conhecer todos as alturas daquela terra abençoada, que tanto prospera em um mundo, de resto, pobre. Daniela não iras, eu irei sozinha, sou forte e tenho a minha vontade comigo, mesmo sendo minha amiga, vou te deixar aqui.

Embarcou em um voo singelo, era apenas uma viagem pra esquecer de todos seus manipulados ridículos objetos chamados: homens - eram patéticos. Humilhados por ela. Mas eles não sentiam isso, ela tinha um jeito de manipulá-los que para eles estavam bem, sentiam-se até amados. Suas amigas riam muito quando contava sobre cada causo de manipulação, dissimulação, tantas e tantas mentiras para poder inverter o jogo de marionetes. Agora ela tinha que sair, não conseguia mais dormir e ver aqueles rostos em sua veste.
Vai saindo de casa, pensando coisas de amor. Era uma bela primavera, nada poderia dar errado. Era perfeito, o seu lado negro ficara ofuscado é bem verdade.
Encontraria um lindo moço no aeroporto, era belo e bem trajado. Era um cavaleiro futuro alado para o seu pensamento lírico. Seu nome é Raul. Em tempos difíceis ela então pergunta:

- Tu tens uma caneta, por acaso?
- Mas é claro bela flor.
E ele pensara se tivesse ela na sua cama a chamaria de puta.
- Obrigada. (faz um gesto de entrega)

Olha de cima a baixo, deixa lhe seu numero e sai pensando. “Esse de tipo como um romano, me deixaria destroçada e espancada no canto do quarto: feliz de tanto gozo.”
Ele liga subitamente pra ela n’outro dia, e dizia que iria primeiro a Boston e depois a Los Angeles, se contrariam lá, se ela o quisesse. Então por vários dias saiu pelas ruas de nova Iorque a rodopiar e cantar, nada mais era nebuloso e de tanto gozo sentia o rosto feliz. Era o prazer do porvir.
Via tantas ruas e carros, tantos táxis. Era um mundo feliz, um país prospero e abençoado pelo bondoso Deus. Noutro dia vai para Manhattam, queria ver o néon não acesso a luz do dia. O povaréu a deixar de atontoante um alento e o vento forte que descia sobre os arranha-céus deixavam os pensamentos no ar suspensos.
Vê de fora aquela torre e fica admirada como uma nação tão poderosa faz coisas tão graciosas, era mesmo um povo de valor.
Entra no saguão, estavam muitos a trabalho, mas iria visitar as lojas que tanto lhe encantaram, pega o elevador. Vê uma criança com face de dor e sente um instante de temor que nem sabe ao certo de onde vem. Se deixa levar, a ao regressar o olhar deixou passar o andar subitamente. Era ausente a falta de ar. Respirava tranquila. Gostou da ideia e começou a subir andares como brincadeira de criança. Estava escondida, como bandida a brincar de espiã. Ficou olhando as pessoas a trabalhar desesperadas, estava em começo de rotina de trabalho era engraçado ver tantos estrangeiros. Era o octogésimo segundo andar, era engraçado ela nasceu nesse ano. Sentiu uma saudade profunda de Raul, seu voar era nesse dia ir pra LA, era seu anjo amado. Pensará que sonho; os anjos abençoando a sua união - seria lindo. Tudo se encaixava era tão lindo. Lindo amor. Estranho. Olha pra janela tem a sensação que Raul está por perto, como poderia - pensou. Olha para o relógio, 2001. Hora de acordar. Seria sua a minha alegria, pensara ela:

Um pássaro alado.
Trás a morte e o amor.
Era linda de tanta cor, que deixou tudo cinza.
Também tinha vermelho, era sangue.
Viu a luz dos olhos do amado: era raro.
Era um cavaleiro alado.
Tinha seu sonho realizado.
Uniria dois corações dilacerados.
Era um quadro pintado de vermelho.
Era tão lindo que quase desmaiava.
Era graça, era luz e sintonia.
Era uma alegria.
Alegria.
Sentia que a vida era bela.
Que poderia tudo encontrar e tudo alcançar.
Seu amor para vida inteira chegou.
E foi.
És mulher, atriz.
Um astro celeste.
Uma veste.
Teu véu.
Em plena igreja.
Fiel.
É mulher não-profana.
Que na cama
Se mostra pura e soberana.
No peito lindo sente.
O sonho mais lindo.
E fica com o homem – alma gêmea - pra sempre.

Leandro Borges

Todo o tempo do mundo


Ele era jovem, um moço que gosta das artes. Tudo era intenso em sua vida. Ele tem um coração entre labirintos. Passava na frente da casa dela e tinha flash-backs ao ver os lugares tão conhecidos. Adora andar pelo parque, faz isso para se entender. Colocava a casa das idéias no lugar. Fazia suas caminhadas ao sol. Falou com seu amigo sincero. Teve um ultimo mês conturbado com o coração aflito e os sonhos de tom alado. Guardava no bolso do casaco a foto da amada. Uma mulher encantada que lhe causa dor e alegria. Ele adorava a sua explosão de odiava a sua sobra de deixa o chão em depressão. Essa que assombrava ela, sempre. Era um moço estudado, morava com seus avós. Tinha vinte oito anos e tomava vinho como um amante. Eis que falou pra seu amigo:
- César, eu sou louco por amar loucamente?
- Ora que pergunta tola Ni, tu amas porque sonha.
Saiu encucado com a franqueza do amigo. Andava cambaleando as idéias, pensava em seus outros relacionamentos, parou e voltou a falar:
- Um minuto, se não fosse o amor dos meus pais eu não estaria vivo.
- Mas eles estão mortos, não estariam juntos até hoje se vivos fossem. Aprende, o amor tem data de validade.
Ficou com essa frase martelando o seu cérebro durante toda aquela noite e madrugada e lutando tentando dormir. “Amor com data de validade.” Ficou conturbado, com caraminholas na caixola. Ele teimava em acreditar no amor. Os passarinhos ainda voavam sobre a sua cabeça, mas ele via quase tudo sem muita cor. Acordava depois de doze horas mal dormidas todos os dias, o dia que dormia somente oito horas tinha dores horríveis de cabeça. Tudo era sem cor, gostava apenas de olhar o preto dos cantos de sua casa. Seu avô não vivia, vegetava. Sua avó lhe falava do amor e ele queria realmente morrer, pois a sua época e vida era apenas um sake bruto e amargo.
Acordava, limpava o rosto e logo ligou para seu amigo César, muito aflito:
- Amigo, eu quero conhecer a real vida; quero ser feliz, preciso de um caminho.
- Claro frater, eu te darei a fórmula, é assim, temos que lidar e cuidar de nós e das mulheres.
César passou em sua casa, e lhe levou ao lupanar, para dominar, gozar, repreender, vencer e escrachar as mulheres. Sentia-se livre e altamente drogado, era feliz por horas e horas: um instante de não-dor.
A saliva saia no canto da sua boca. Ele lembrava da noite passada. Quantos gozos, quantos tapas, unhadas e mordidas que dava. Tirava delas sangue, queria vingança, queria ser maior, dominador. Tomar as rédeas das mulheres do mundo. Sentia-se lindo, se sentia imundo. Era soberano rei, era o ultimo dos mendigos.
César seu amigo estava orgulhoso, era um troféu ver seu amigo dominador, deixar mulheres arranhadas, desconcertada e sovada, assim como faria um padeiro batendo no pão: malfeitor. Assim César fala:
- Agora aprende, sempre assim deves viver; as mulheres ele deve controlar, não amar. Amar é para os fracos. Deve ser forte, lhe dê um leve gostar e sempre você na frente.
-Eu estou totalmente alterado, corpo laço, me sinto confortado e um tanto quanto vingado.
Então os dois vão para as suas casas, depois da noite de folia. Era realmente uma folia, ao estilo italiano. Chega em casa, Nishikawa, apenas Ni para os íntimos. Sua amada Yumihime era esquecida, pois de morte dolorida; ela quis matar o amor. E ele quis esquecer e outras mulheres tentar conhecer.
O ciclo vicioso de amor e coração partido o deixou dilacerado, despedaçado, sem as pétalas da flor da sua alma. Tentava esquecer todas e quaisquer lembranças de qualquer caso amoroso que teve em um passado próximo. Olhava para a parede branca e se perguntava: “Por quê?”.
Silêncio, sem resposta. Era um vazio totalmente tenebroso, Pensou em sair. Ir para um lugar aonde as pessoas escutam e ninguém entenda nem uma vírgula do que se fala. Pensou no Japão e as cidades e as suas luzes.
Ficar longe das questões não entendidas, dos anti-troféus ambulantes, como se apontassem o dedo para ele dizendo: perdedor! – ele é o perdedor do amor e nada nem ninguém pode ajudá-lo.
A cama fria, sobrando espaço na cama e no coração, aquele possivelmente uma ancora na sua dignidade, como afundar a sua moral, seu orgulho, ego desgastado e triste. Poderia tudo sido preenchido por outrem, pensou. Saiu em fuga desesperado. Queria paz, e mal sabia ele que ela estava escondida dentro dele. Liga para o seu avô:
- Olá vovô, estou partindo daqui três dias, não me espera mais para os almoços de família no domingo por esse próximo mês. Sou novo, preciso conhecer o mundo, o meu mundo e o mundo afora. De meus cumprimentos aos meus conhecidos e familiares. Adeus!
Estava laço, totalmente triste. Chorava as lágrimas do desespero e a falta de ser amado pela sua “menina dos olhos”. Via a tristeza em pessoa estampada no espelho quebrado de um botequim. Pedia a garçonete afago:
- Olá benzinho, podes me ajudar?
Apenas bebidas ela trazia. Pensava calado: “Um assassino serial, afogando suas vítimas de amor ou então tentar conquistar a cada dia um outro amor: em vão! Morro de ambas as formas. Mas calma! Eu tenho tempo.” Ele estava de ressaca, ressacado da vida, da impotência perante o amor cigano. O mundo parecia ainda pior. Rios de sangue ele via pelos prédios. Os parques lhe pareciam cemitérios. Uma dor quase insuportável lhe tomava o peito, como um monstro de mil dentes devorando, uma dor alojada, cárcere do seu plexo, dor arruinante. Pensava em morte. Suicídio. Dores, sim, diversas! Era muito ruim viver, era um fardo, um calvário, não trocava de roupa, era uma mortalha e a sua música ao fundo era mui triste, seu lindo e perfeito requim. Cai exausto e desmaia de sono.
Quando acordou foi ao aeroporto e foi para a Índia. Por barcos e clandestinamente entra sorrateiramente no Japão, com documento de um cidadão local. Ao sair do porto viu: teve uma visão com cores, fazia já meses que não via direito as cores; eram crianças japonesas brincando e correndo em volta do arvoredo em uma praça típica.
Sentiu a liberdade nos seus poros se apoderarem e compreender. Começou uma caminhada, de cidade em cidade. Estava contente, fazia pequenos trabalhos para o seu sustento. Eis que chega a uma cidade maior, a noite viu as luzes dos seus sonhos, havia tantas pessoas pra conversar, conhecer. Fala quase sem sotaque ele ouve palavras de um velho na rua:
- Não importa se há guerra, selvageria e barbáries, seja do homem com armas ou do coração das pessoas. A resposta sempre estará dentro de nós, o caminho para o fim da dor. Se assim entender, encontrará o modo da felicidade, o modo de vida. Sendo a vida o próprio caminho assim como a felicidade, são apenas formas de como passamos pelo caminho. Logo a felicidade não se alcança e sim se está ou não com ela. A paz da mesma forma.
Eis que foi para um pequeno hotel, já era noite. Sua mente o trai constantemente. Pede a volta do amor perdido. Volta e tem inúmeros flash-bakcs, ropodia, toma sake, tenta esquecer e começa a ler.
- Há um jornal, apenas notícias de guerra! Arg...
Se sentia em luta também, queria apenas ser feliz, amar e ser amado por alguém. Simples como o fim de uma guerra, ser um casal feliz. Ficava horas entre fúria, dores, desespero e quedas. Cai sem uma gota de força no dormitório. Passou um dia inteiro, dezenas de horas caído no quarto. No outro dia acorda, por um segundo está bem, com se seu cérebro ainda não tivesse ligado totalmente. Segundo após, tudo vem. A dor lhe abocanha como presa fácil. Sai pelas ruas, é uma manhã meio nublada, se sente cinza também. Toma coragem e começa a tentar se entender, começa a indagar, a pensar e pensar. Queria certezas.
Sabia que todos os casos de amor de seus amigos e conhecidos de sua geração é assim mesmo. Queria certezas vingadas, uma família. Queria formar a certeza do amor e ter todas as certezas do mundo.
E não importava, em todos os tempos essa questão pensava que será pertinente. Era pra ele uma questão que transcendia ao tempo. Ele continuava a andar pelas ruas. Fugia do seu mundo. Ficava longe de tudo aquilo que lhe deixava em xeque. Tudo aquilo que não conseguia decifrar ou digerir. Chegou a uma ali em um banco de praça uma garota interessante, chorou em sua alma. Apresentou-se como filho de japoneses. Era como se um oceano de cores fosse jogado em suas vistas, tudo era tão colorido, cores vibrantes mesmo em um dia nublado. Ela era pra ele a resposta, o fim da dúvida. Uma certeza, bela e simples.
- És tão simples e dócil. Como pode alguém andar tanto, mas a caminhada me trás você, eu não posso parar de te olhar...
A conversar durou muito tempo... era algo incrível. Ele vê a recíproca e nada mais é igual. Tudo parecia muito calmo naquela manhã.

Quarenta e três segundos.

- Eu gostaria de olhar para o lado e ver um véu vermelho nos enlaçando. O coração feliz. Sem mentiras. Uma vida simples.

Não olho para o céu.
Não olho para o chão.
Eu vou esperar um tempo.
Não encaro como alento.
Não te quero como pão.
Te vejo de branco e véu.
Assim em terra estrangeira.
Sinto uma bela paz ligeira
que me bate o peito: certeira.
Em tempo de guerra, sou contradição.
Escrevo isso agora em papel de pão.
Uma vida imensa pela frente.
Um passo, ontem, em falso.
Hoje estou a traçar...
Eu digo, quando não voltar
pois eu sei tudo que calço.
E contigo tentarei decifrar: sempre.
Ó bela manhã singela.
Pinta-me, pássaros e aquarela.
És vida bela.
Caminhar bem passado ou passado...
Passado, sim, conturbado.
Pagina virada.
Bem controverso.
Eu me releio.
Eu te releio.
Um Japão todo pela frente.
Sigo em frente.
Hoje é um dia especial.
Tenho tantos planos.
Tantos sonhos.
Eu quero voar.
Voar acompanhado.
Todo homem e mulher
é um ser alado.
Pés no chão: meu peito não dói mais.
Parece a cura sem fim.
Amar demais não é demência.
Vejo um Japão lindo, toda efervescência.
És como minha cidade natal, linda querência.
Faço desta terra e de ti, amada, meu lar.
Era como um dançarino sem par.
Calmaria e alegria tomam o peito calejado.
Somos livres, lindos e livres: casal alado.
Amanhã é outro dia que nascerá!
Sou tão jovem! Eu vejo a luz que virá.
Eu? Bem, eu tenho todo o tempo do mundo.

Leandro Borges

Homem gosta de sal


Verter sangue. Ele segue. Ela é frígida. Foste a prender. Passado, esquecer. Pasmo. Ele. Pasmo. Ela. Era uma tarde quase fria, e ela ria. Em dez dias tudo mudaria. Tossia e ela se entreteria como uma guria. Era de olhar parado. Fulgor alado. Ela tinha as mãos leves e ele gostava de reparar o olhar sobre elas. Ele a sentia macia e ela ria. Ele não sabia, mas ela era fria. Ele criava cores em sua veste de podridão. Como pode alguém tão doce e ter mau cheiro? Um superego abandonado seguia como imã para as mortes do dia.

- Eu dei um beijo nele e não senti nada. Eu tentei me apaixonar por tantos e nada. Teve um uma vez que fez de tudo, me bajulou, se apaixonou, me cortejou, me provocou, me amou, me desvirginou e nada. Não senti nada. Eu hoje sei que sou frígida, mas no dia eu coloquei a culpa nele.
- Bem Sabrina, não fique a se lamentar pelos cantos, hoje é normal vermos muitas mulheres assim, isso explica porque tantas priorizam hoje em dia o trabalho do que ter uma família. Negligenciam a vida a dois e lutam atrás do dinheiro, alias adoro dinheiro também. Homem é só incomodação.
- Eu ainda vou me libertar e me apaixonar por alguém. Tenho inteligência, beleza, dinheiro, amigas e falta de sal.
- Homem gosta de sal. Impossível.
- Deixa estar, eu serei sal. Mas o fato é que o problema são eles. Um homem deve ter a capacidade de apaixonar uma mulher. Mesmo eu sendo fria e frígida o homem deve fazer o milagre do amor.

Teria essa meta na vida, ter sal. Mas não era sal que conhecemos, era o algo mais, a magia que faz um outrem gostar de alguém. Seria o príncipe dos sonhos e Don Juan de sua cama. Alias os seus orgasmos eram bons, mas não de uma mulher normal. Era ótimo, mas tinha dor, um peso e uma fome. Seu gostar não havia lugar. Era poesia e tragédia. Não tinha se apaixonado por ninguém em toda a sua vida, mais de vinte e cinco anos sem amar ninguém. Não era normal. Mas pra ela era, buscava de todo o tipo de literatura pra justificar tal fato, psicologia, sociologia, independência feminina e uma ferrenha vontade de se impor como superior. Era de uma frigidez absurda. Dissimulava, simulava orgasmos. Tirando o seu prazer por ser mal tratada. Era infeliz em resumo.

- Eu vou viajar e mudar o mundo. Fazer os jovens ter uma oportunidade na vida. Ter seus direitos assegurados. Serei Juíza. Melhor, relações internacionais.

Uma promiscua vontade de ser honesta. Era indigesta.
Sai dos lares, pintando sexo nas paredes. Sabia décor, e era pior. Gostava de ser má. Não entendia essa bondade.

- Eu sei que o bom é um caminho chato.
- Amiga, não fale assim alguém ruim pode ouvir.

Seguia sua rotina diária, era uma estudante mui valorosa. Estudava por demais. Era incapaz de se sabotar. Ruía no lar. Calmaria e podridão não saiam da sua mão. E ele no seu pensamento aparecia e repetia:
“Não larga da minha mão. Vem comigo, sem ti o mundo é muito hostil. Me vem um vazio. Penso em chorar, ai eu paro. Te quero”
Ela pensara nele, mas sempre ao ser indagada dizia que tinha sido bom lembrar que tal pessoa existia, fingia; dissimulava. A verdade é que pensará nele muitas vezes no dias de chuva ou nublado interior. As uvas tinham uma suave textura, era nua; nua. Lembrou de Pablo Neruda; pensou nos sonhos alados. Era fantástico renascer das cinzas. Mais um dia faria suas forças redobrarem. E viajar era um plano longínquo, mas agora com Neruda no pensamento, não Chile, mas sim Espanha.

- T’aí, por que não Espanha? Madrid deve ser linda nessa época do ano. Alias em qualquer época, melhor que isso aqui; Brasil terra de ninguém. Vai seguindo no quarto:
- Pimenta. Luzes Roxas. Um espartilho. Cinta liga. Hello Kitty. "Sobbin' Women” Almodóvar. Tabaco. Channel. “Dirty dancing”. Vogue. Augusto dos Anjos. Depressão. Sangue. Morte. Suicídio. Cefaléia tencional. Promiscuidade. Impulsividade. Frigidez. Palidez. Languidez. Mãos pequenas. Corpo pequeno. Pouca experiência.

- Pronto, tudo na mala.

Era um caminho longo a seguir. Era ainda o primeiro dia do mês. Tinha medo de um falso brilhante. Brilhantes iguais aos olhos dele. Ela pensou em viajar para outros países, mas não iria aos estados unidos da América do norte, era algo assustador tanto horror que fora espalhado por lá. Tinha algumas paixões escondidas. Tinha medo de ser doce o bastante para se perder e entregar a vida a um estranho. O mesmo estranho que fica ao deixar para trás mais um marionete.

- Me passa a pipoca, este filme está ótimo.
- Claro querida, como não.

Era só mais um, algo para passar o tempo enquanto o dia do vôo não vem. Era um moço caído de apaixonado e ela nada. Ela conseguiu desimular uma brecha de amor. Era uma brecha estreita e ele heroicamente desbravou todas as entranhas desse labirinto apertado. Refém de um amor idealizado e preso no labirinto foi cada vez mais fundo, sem notar que estava em lama profunda e um afogar fatal.
Queria uma taça de champagne e um brinde, não sabia o que brindar pois amor e alegria não tinha.
Aeroporto. Era algo novo, muitos homens. Estava aflita. Olhou para o homem mais apessoado para o seu crivo, não disse uma palavra. Apenas disse que era muito bonito e lhe arrastou para o banheiro do aeroporto. Fez um trepar selvagem, sem tanto prazer, na verdade gostava bem mais era das mordidas e unhadas somente. Era quente, mas só sabia mexer os quadris, pois já estava alterada a coitada.
Salão de embarque. Olha para as placas, um calendário meio rasgado acusava a folha, Março. Pega o bilhete e sai pelo seu vôo. Tranqüila e devassa se sentiam tão bem ao fazer tais cenas de sangue, dor e desapego. O que ela não sabia era que fora vista pelo seu homem passatempo, viu arrastar o desconhecido para dentro do banheiro, e seus gritos e gemidos falsos de amor e reais de dor foram ouvidos ao se aproximar do banheiro pelo seu casinho.
No avião, passou a vista em todos os homens. Viu um velho, parecia estar ali a trabalho, quando ouviu ele falar a alguém que era desembargador foi o bastante. Pegou o velho pelo braço, falou algo ao pé do ouvido. Depois de 15 minutos estavam os dois suando como porcos, e ela babava de dor e tesão, pedia para apanhar, morder e arranhar tirando sangue e ele lhe sentava a mão. Pernas, bunda e coxas; todas roxas. Voltara para o assento como se nada tivesse acontecido. Era uma putana selvagem e fria. Olhava para todos com cara de anjo, e ninguém desconfiou de nada naquele momento. Apenas a aeromoça, que ao ouvir os grunhidos tratou de se remoer de um turbilhão de vontades.
Um desembarque tranqüilo resolveu ir para um albergue, pois lá encontraria mais homens e alguma mão pesada. Queria sentir a delicia de ser novamente espancada. Mas quando à noite cai ela sente uma profunda dor. Uma vontade de não viver. Uma inexplicável vontade de chorar. Nada parece ter sentido. A vida parecia um amontoado de acontecimentos sem nexo. Era um absurdo viver para ela. Não havia cores, era tudo turvo e sôfrego demais.

- A que bela cidade, Madrid. É tão bonito esse nublado desse dia. Como poderia passar despercebido por alguém.
- Diga aos quatro ventos que estou curada. Senti hoje pela manhã algo estranho, a possibilidade de me apaixonar e o amar tocou o meu coração.

Era lambido o cabelo. Um esganado grito de dor exalava de sua alma. Era calma. Quem via de fora parecia de uma placidez sem fim. Sem muita expressão na face. Ela era interessante, mas seus rastros pelo caminho lhe apontavam a verdadeira face. Olha para um letreiro e vê inteiro por todas as letras, o ano de 2004, era um tempo bom. Era já uma noite escura, dura e fria. Estava novamente vazia.
Na manhã de quinta-feira, sai linda com sua mochila estilosa, era bem cedo. Antes das sete. Fora para uma estação madrilena.

- Deixa me ver... Gostei do nome: Atocha.

E ela sentira um alívio, nesse momento ela encontrou a paz final tão desejada:

Encontro contigo, mas era escondido.
Ela queria dele um amigo.
Era dentro da estação ferroviária.
Estava em chamas, ah esse amor!
A que comboio tão interessante.
Era tão fascinante.
Entrava na carruagem.
Abro os olhos e não vejo ninguém.
Era engraçado e pitoresco.
Ionesco. Ionesco.
Encontras alguém?
Começar compartilhar sonhos com ele.
Mas quem?
Começa pensar no futuro.
Ela lhe deu um beijo mudo.
Nada poderia lhe acontecer nesse dia: fascina.
E Hoje é o seu aniversário: Sabrina.
Saiu como mais uma manhã.
E nada podia acontecer com ela.
Febre quartã.
As batas brancas.
Conquista das esperanças.
Megafones.
Felizes.
Homens.
Mulheres.
Eles eram solenes.
Elas eram insones.

Leandro Borges
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