Seguidores

8 de ago. de 2012

amora - 8 de outubro 2007

8 de outubro 2007

é, é estranho
é bem estranho

eu imagino que seja um certo tipo de refugio
como uma naufrago que volta pra ilha
que não se acustumou com a realidade do continente
aquele naugrafo que prefere ser naugrago rodiado só de agua
que vive em terra firme, firme continental
e fica sonhando na sua propria ilha sem conviver com ninguem
só ele e a ilha
é aí que tá a babaquice toda, é aí que tá a burrice toda
ele e uma ilha
uma ilha
uma ilha deserta
só por se tar na ilha é um erro, um erro absurdo
uma fuga burra, ignorante e medrosa fuga a dois
é um enclausurar no proprio erro
é um ilhar-se e ficar rodiado de um nada profundo
agora atravessar o mar, sair da ilha ai sim
seria, deve ser um surto de inteligencia

agora indagam a minha porque?
eu disse simplesmente por um soluço?
por um soluço eu não
eu não crio vínculo, né?
não assumo compromisso por um soluço
não, olha pra mim esse tipo de coisa tem que ser algo forte
tem que ser uma pessoa que eu admire, que eu goste
que não por uma via racional
mas por sentimento
inteligencia emocial
e algo me diga que, que é aquela pessoa, sabe?
que, que , que tenha a ver
que goste, que goste de tá junto, que goste de conversar,
que goste dos pensamento, que goste do universo dela
ou que participe do que a pessoa tenha
aiii
eo convivio, pelo menos que seje, que revele
que seje pouco mas que revele
não por um suspiro não
não
tem que ser algo forte
o olhar tem que dizer muito
eu gosto de pessoa com personalidade, sabe?
que seje... é que tenha gostos, sabe?
que não seje pacato tb
fechado demais
ter gostos fortes, sabe?
ter opinião, que saiba argumentar.
sei lá, que seje leve também.
que goste de ri e falar basteira
que fale merda, e que não crie neura, não crie tanta complicação
que crie tanta regrinha pra vida, uma pessoa leve, que admiro a força
pessoa que vai atrás, que busca, que não tenha cheio de nhenhenhé.
um soluço defenitivamente não tem como ter compromisso, sem gostar, um gostar crescente
que se veja furuto, que se veja luz no fim do tunel, por ai
agora, essas pessoas que um soluço serve, uma ilha deserta serve
eeeh
eu fico besta, fico pasmo, realmente eu não entendo, e isso que não tem nexo me causa
absurda, me causa um desconforto, não cabe, pra mim não serve

agora, de tanto comer maça
não sei quando eu provar eu vou reconhecer o gosto da amora
sabe o gosto da amora, eu realmente não sei se eu vou reconhecer
por que eu posso tá provando, amora
mas não é amora.. é pessego, pessego!
sim, porque...
comendo maça, maça e aparece outra coisa, vou pensar:
nãaããããooo...
eu conheci uma vez isso, é amora
mas não, pode ser um pessego
eu tenho medo de ter esquecido qual é o gosto da amora já
isso me causa um frio interior
é estranho
parece que o ar
o ar fica líquido em volta
os pensamentos flutuam
é o uma realidade fantástica
aonde os pensamentos se solidificam
onde tudo fica mais claro
ou mais turvo
dependendo do tipo de água
dependendo da origem
eu realmente queria, voltar, ficar só com a amora
deixar de lado todas as maças
dizer: muito obrigado mas eu não quero pessego!
não

Leandro Borges

8 de jul. de 2012

7 de jul. de 2012

Liberto e Liberto


Liberto e Liberto.
Ó, amor liberto, quão diferente és.
Melhor forma de amar: liberdade enfim.
O enclausuramento dos sentimentos dói.

O vôo livre, simples e lindo é.
Sem prisões, sem cobranças e sem doenças.
A intoxicação do amor é um sacrilégio.
Cego em não ver a própria doença.

O amar em liberdade é o caminho da paz.
Flutuar tranquilamente entre o ruído e a pressa.
Quero sempre essa paz, sempre feliz: em paz.
Gosto da naturalidade e sei que ela é boa.

Laços envolvem os corações e como balsamo.
Sem feridas, sem cortes, sem magoas; somente confiança.
Sempre em liberdade vai, os corações vermelhos flutuam
não há corrente entre eles.

Sem parasitas, sem sanguessugas,
sem doença entre eles, sem dependência mutua,
sem muletas sem dominações, sem jogo sujo, sem vampiros,
sem wendys nem mesmo peter-pans.

Como é feliz viver livre assim sempre vou.
Vou indo, crescendo muito, mais muito mais rápido.
A vida muda ao se tornar realmente livre.
E amor liberto é uma dádiva transbordante.
Felicidade me toma os lábios, de orelha a orelha.

Gosto do gosto os ventos.
Gosto do cheiro do pampa.
Gosto do pala nos meus ombros.
Gosto do corpo aquecido pelo mate.
Gosto do tribular dos meus cabelos ao vento.

Corrida ao vento, sigo nobre.
Pouso em terreno firme e justificado.
Face se torna branda e afável: limpa.
Descubro a criança nos interiores profundos.
Sempre sigo a sua direção, sabia simplicidade.

Contente, irreverência, ausência do ridículo.
Agora vôo sempre para o infinito.
Azas e vorazes no furacão.
A chama que me arde, astuto ó grande coração.

Brinco com o tempo, mas mesmo que se vá
não tenho medo, sempre vêm para o bem.
Tempo mano velho, tempo seu irmão.
Fortes vidas, fortes lições: clarão.

Leandro Borges

Vento e Fogo


É o vento soprando à cantar.
Um pano de mesa a tribular.
Rodopia as roupas no cordão.
Faz da calmaria bucólica: agitação.

Desfigura a face do pássaro estradeiro.
Sobe das flâmulas para acariciar o vento.
Corre o pampa como rastilho matreiro.
Fogo de luz inflama e corre contra o tempo.

Faz da pequena brasa um imenso fogarel
e da chama calma um incendiário cruel.
Para coração apaixonado: a loucura.

Vento: grande e ímpeto parindo a vendaval do novo.
Fogo: guerras e revoltas contra a tirania infame.
Para o amante alado a ardente doçura.

Leandro Borges

O pampa encantado

Encontrei nas matas, na selvageria, as flores de um outro lugar.
De um outro tempo.
Soube que era do outro lado do rio.
Eu vi cavalos correndo, gauderios quase voando.
Vi prendas e muitas guirlandas de flores.
Vi bandeiras vermelhas rasgadas, brasa nos olhos.
Sei que perto da fogueira escutei muitos causos.
O céu mais bonito que vi nesses últimos duzentos anos.
Era de outro lugar aquela prenda.
De poucas falas, de um jeito tímido de ser prenda.
Sua veste negra, parecia uma guria crescida de luto.
Mas não, eu via o brilho dos seus grandes olhos.
Cabelos tão lisos, tão longos e tão negros.
Um ar misterioso de se esconder em seus véus negros.
De poucas palavras e olhar profundo.
De sorriso de canto e de fala doce e serena.
Era de uma outra qualidade de prenda.
Dessas que não é sempre que vem até estes pagos.
Sentou ao meu lado e me olhou de canto de olho.
Senti a sua energia encher as minhas marés,
mesmo este velho marujo se espantou,
pois era um mar de outro lugar.

Sei domar cavalos e mares.
Sei cantar dores e flores.
Mas senti um arrepio na alma ao ver aquela prenda de pele mui branca.
Não encontrei no céu a lua.

Era o seus olhos gigantes, engolindo o meu horizonte.
Em seu olhar mergulhei.
Um olhar-luar derretendo ao mar.

No pampa sem tempo-espaço de um horizonte infinito,
eu vi deitada servindo a contemplação o corpo nu da lua.

Leandro Borges

5 de jul. de 2012

Riscado pelo mundo


Me sinto um ser inútil, sem razão de existir.
Em um mundo avesso pro meu fazer, não sigo em acordo.
Cansado de não ser valorizado pelo trabalho árduo feito.
Sigo sem moedas, ou pior moedas emprestadas.
Sigo triste, sem imagem, sem dignidade, sem família e sem amigos.

Reprovado mais uma vez pelo caminho, sou um inútil que tenta provar para consigo que não.

Cansado de tantos sonhos amarelos, de tantos castelos desmoronados...


Subvalorizado, me sentindo menor.. passo por homens que dizem que irão ajudar.
Fico sozinho num canto, sem ajuda e sem valor.

Parte de minha alegria morre hoje, me sentindo um lixo.
São lixos multiplicados, estorvando o caminho da humanidade.
Um lixo sem reciclagem, sem finalidade... deixaram-me apodrecer até virar não-adubo.

Leandro Borges

17 de jun. de 2012

Sem Pena

Um mundo pingado de coisas.
Muitos pontos e muitas partes.
Muitas memórias em desassossego.

Meu peito bate quase feliz.

Eu olho pra tantos lados, pra tantos lugares.
São tantas realidades e tantos contrastes.

Meus olhos quase choram.

As ruas quase ruas.
As estrelas quase estrelas.
As casas quase casas.
As pessoas quase humanas.

Andam com tanta pressa e tantas rugas de mal dormir.
Andam com tanta fome de dinheiro e tanta falta de vida.

Se eu vejo a tristeza alheia, como posso passar alheio a tudo isso?

São rachaduras de um corpo.
São dormires de andar de pé.
São solas gastas de muitos quilômetros.
São fomes de comer frio e vazio.

O céu deveria ser azul.
A água deveria ser limpa.
A vida deveria ser feliz.
A arte deveria ser viva.
O dinheiro deveria não ser Deus.

Leandro Borges

8 de mar. de 2012

Poetizar espaços é alargar o tempo


(Mundo Jovem p.8)
Vive-se, hoje, o tempo da não-poesia. O desmembramento entre magia e vida é uma das marcas de nossa era pós-moderna - era de fragmentação e fragilidade, em que a indústria cultural esmaga o ser humano. Em épocas como esta, é contraproducente o viver poético. Não é possível combinar a harmonia da palavra mítica, que rememora o paraíso perdido, ao caos dos dias em que vivemos. É o tempo-flecha, o tempo-ponto, abismado em si mesmo, sem fronteira nem horizontes.



Muitas vezes ouvi: “poesia não vende, para que insistir?”. Insistir é resistir. É ferramenta em nossas mãos. É contrapor-se aos ventos de agora! Coordeno um movimento que publicou 26 obras em três anos, todas de poesia. Apenas três não estão esgotadas. Criamos cooperativa de poetas. Reúnem-se cinco, dez e até mais de 100 poetas. Publicamos, dividimos em cotas e cada um vende os seus livros. Funciona, e é muito bom! Nos lançamentos, vários se reúnem, seguram o tempo nas mãos e controem uma supra-realidade: recitam, falam de suas vidas, criam e recriam o mundo despoetizado. Nossa vitória sobre o mundo mecanizado e capitalista é sorrir diante da obra que retém (no papel) e liberta (para o outro) o nosso dizer poético. A necessidade de se expressar poeticamente está calcada no ser humano desde tempos imemoriais.

Trabalho Inutil ?

Não trabalhar poesia nas escolas, é um reflexo da atual conjuntura. A escola, ainda que nem sempre o assuma, reproduz o sistema autoritário e dual. Há iniciativas (poucas, e algumas brilhantes) no sentido de questionar o sistema, enquanto que a maioria preocupase com a formação do indivíduo, quanto mais individualista melhor, com as arraigadas desculpas de que há poucas vagas, que só os primeiros as ocuparão. Criam-se personalidades descomprometidas com a solidariedade, incapazes de conviver harmonicamente entre diferentes. A escola justifica-se pelos concursos públicos e vestibulares.
Uma vez, orientando uma oficina de poesia na 5ª série, um grupo de mães reuniu-se e, entre outras coisas, pediram para não dar poesia, e dar coisas úteis para o vestibular... Na 5ª série? Fiquei perplexa!
Então, hoje já não é possível brincar com as palavras, educar a sensibilidade para apreciar e escrever, porque existe dali não sei quantos anos um monstro chamado vestibular e, em nome dele, quem sabe, essas mães não quereriam que seus filhos tivessem análise sintática na 5ª série?
Trabalhei numa escola em que se desenvolvia a pesquisa-participante (de verdade) Era lindo! Alunos e professores saíam às ruas, pesquisavam a realidade posta e os anseios daquela comunidade. Num segundo momento, os dados eram tabulados em papel pardo. E que cuidado se tinha para manter in natura a fala dos entrevistados, por respeito à sua forma de se expressar. Uma pesquisa mudava o planejamento de dois anos. Era um constante desafio problematizar as falas na sala de aula e, no final, devolver ações solidarias à comunidade. Mesmo assim, havia colegas que entendiam se uma perda de tempo “aquelas bobagens”. Bobagens que mudariam a vida daquelas pessoas... apenas!
Assim é a poesia para uns: uma bobagem! Palavras que falam pela simples ânsia de dizer que existem, pelo simples fato de serem palavras, sem qualquer outro porquê... Agindo dessa forma, o utilitarismo não consegue raptá-las para seu proveito. Elas fluem, pairam, às vezes veladas e, assim, dizem muito, sem quase nada dizer. Mas a poesia não serve, não cabe neste mundo retificado.
Não serve? Não cabe? E porque será que se lê Camões hoje, passados quase 500 anos? E, ao fazê-lo, sentimos uma grandeza de alma? E há quanto já vão esquecidos os cronistas daquela época? Documentos são questionados. Podem ser forjados. Há teses que se ocupam em saber se Homero realmente existiu, mas ninguém questiona da Idíada e da Odisséia, capazes de instaurar um tempo novo sempre que revistitadas.
A poesia é a extrema liberdade do ser, a palavra inquietante, perturbadora. Um amigo confessou-me: queria livrar-se da poesia. Já não era feliz... A poesia não cria uma geração de alegres sem causa. Cria seres profundos, capazes de ler além da letra impressa, além da palavra dita. Quem lê poesia, escreve poesia, questiona a poesia, não perde a possibilidade de refazer-se constantemente, ir ao encontro de si. E não é essa a arte da vida? A possibilidade de, estando no mundo, interferir criativamente sobre ele?
Então, para que a poesia? Porque ainda há tempo de instaurar no tempo um outro tempo. E é a escola (ou deve ser) a instituição capaz de descobrir a riqueza contida na palavra poética, Num trabalho constante e inquiridor, a escola é capaz de instaurar brisa, desmascarar a hipocrisia do tecido social e criar um ser que cristaliza um outro tempo em suas mentes e corações, contando com o poder transformador da palavra poética.



Edinara Leão,
professora estadual, poetisa,
coordenadora do Movimento VirArte,
em Santa Maria, RS.
Endereço eletrônico: edinaraleao@yahoo.com.br
Blog: http://edinaraleao.blogspot.com

Pelas estradas atuais

Deixar meu livre-ser, ser.
Sem dogmas.
Sem vicitudes.
Ligar-me ao ser interior.
Não negar minha sombra.

Sem pseudo: atitudes e sentimentos.
Andar contra o falso vento.
Ser parte sóbrio parte ébrio.
Voltar a falar de flores.

Ou melhor, o reino interior das cores por de trás das flores.
Se falasse de amores também converteria em cores.
Meu ser não pode ser pelo outro meu ser, aprisionado.
Sei que há um guerreiro e um monge em mim.
Assim como um sonhador, um descrente.
Um anjo e um carrasco.
Um menino e um amante.


:Há boleadeiras, rosetas e flores.


Procuro uma grama para deitar ao sol.
Procuro um canto de natureza que me queime, que me mantenha vivo.
Um pedaço de verde, que viva, mantendo assim em mim a chama da esperança.
Um lugar diferente, onde o silêncio é sagrado.

Leandro Borges - 03/07/10

15 de fev. de 2012

Pilulas para o acordar Nº 1

Cansado de tantas pessoas idiotas, vendo pseudo-notícias idiotas.
Uma pessoa na tv chorando pela desgraça, não me abala mais; graças a Deus.

Eles querem manipular e manipulam muito...

Eu dou risada das pessoas chorando a morte de alguém.
Seguir a cartilha que os jornalistas querem?
Não obrigado.

Eles querem manipular e manipulam muito...

É triste ser brasileiro e ver a massa burra seguir os manipuladores.
Seguem letárgicos...

Pessoas que compram a roupa da hora, comem a desgraça da morte alheia da hora.

Eu vejo mendigos e eles mendigam, e é fato; não pejorativo chama-los: mendigo.

Pra ser brasileiro de fato, deve-se assumir o lado bom e ruim do coletivo brasileiro.

E ter vergonha de ser brasileiros é natural, se sentir parte da corrupção é natural.

É assim assumindo o coletivo de representar a nação, que assim nos apropriamos da cidadania brasileira.

Tenham vergonha e orgulho de ser brasileiro, pois somos o lixo e a flor.

Aceitar apenas as coisas boas do país, é ficar cego, e não assumir a culpa dos problemas sociais brasileiros.

Eu tenho vergonha da minha mãe, professora, terceiro grau completo;
ganhar uma miséria.

Eu tenho vergonha de existir igrejas-empresa no país, consumindo o dinheiro justo do povo pra criar templos de ouro e sem amor. Podres católicos, pobres evangélicos.

Sugiro seguir como Cristo, sem ouro e sem templo; de cabelos longos e barba.
Contra a cultura do povo letárgico, com ideias de amor e servidão.

Siga como a flor-fractal, é preciso combater a ignorância da não-consciência.

Leandro Borges

6 de fev. de 2012

Vai minha saudade

Vai minha saudade e diz à ela que por ela meu coração espera.
Diz-lhe num samba-canção que ela volte,
porque assim eu não posso mais viver.

Sai minha tristeza, deixa entrar a beleza porque sem ela não há cores,
não há beijos nem sabores é só solidão.

Se te tenho de regresso, que encanto será, que devaneio seria... não haveriam mais estrelas no céu
todas elas estariam raptadas no vitral dos teus olhos.

Envolto no teu corpo nossos corações se fundirão, voltarão a ser um só; para remediar toda a dor
toda a melancolia que insiste a não sair de mim. Pra acabar com o vazio da tua ausência,
pra na tua flor eu colher a tua essência, o teu amor e a tua melodia em cor.

Vai minha saudade e diz à ela que por ela meu coração espera.
Diz-lhe numa milonga que ela volte,
porque assim eu não posso mais.

Sai minha saudade, deixa entrar a nossa vontade porque sem ela não há música,
não há paz no coração nem um pulsar verdadeiro é só um vazio...

Então, te tenho de regresso, que encanto, ó devaneio! 
Por um instante não há mais estrelas no céu, todas elas estão raptadas no vitral dos teus olhos.

Envolto no teu corpo, nossos corações fundidos são um só; não há dor nem melancolia.
Colho na flor da tua essência, o teu amor e a tua melodia em cor.
É uma canção, é uma milonga, é um samba, é bossa-nova, é maracatu: é Carnaval.

Leandro Borges
Antes de desejar, esteja preparado. (Leandro Borges)

9 de jan. de 2012

Destino num traço azul

Olhe para trás, e vejo o quanto andou.
Já passaste pelo caminho árduo de encontrares o rio.
Navegar pelas enchentes e secas, ultrapassar montanhas.

Agora vem o desafio de bifurcares o rio.

E te questionas se ainda serás o mesmo rio
se conseguirás ser mais de um e o mesmo; sem se perder.

Quando encontras tal rocha, é natural ser mais de um.
Não tenha medo de seres outros, de ser mais.

Um rio encontra o equilíbrio ao multiplicar e ao receber.
Busque os caminhos suaves entre as pedras, caminhe determinado, multi-focado.

Se um dia não encontrares o passo dessa dança, busque em novas pistas.
Sejas verdadeiro e simples, feliz e esperançoso!

Não importa o tamanho do desafio, mas sim a veracidade do amor!

Leandro Borges

19 de dez. de 2011

Monstros e Querubins

Dorme uma rosa, dorme um carinho.
O fio do tempo corta a minha pele
fico aflito e só
procuro por um espaço onde o tempo não me queime.

Onde a cidade anda aflita a cada esquina.
Onde meu coração é incompreendido.

Onde há menos flores, menos árvores, menos amores.

Onde o concreto me engole, e me sinto frio e áspero.


Vejo apenas nos olhos das crianças um outro mundo.
Onde me olham como anjos.
Sentem por mim.

Eu, sem auréola e sem asas.. busco voltar a voar.

As baratas na rua passeiam solitárias.. Kafka está morto.

Os naipes do mundo foram lançados, e não se ousa sair fora do baralho.
Me sinto além-jóquer, além baralho, e por assim ser; descartado.

Usado, reusado, usado novamente, reciclado e feito como objeto.
Muitas usam e dormem felizes.

Onde meu coração se revolta pela corrente de consumo.
Tento ser fera, para não ser visto como um príncipe encantado.
Busco que me vejam por dentro, e mesmo assim enjaulam a fera.

Seja príncipe ou fera, não me vêem a fundo, de verdade.
Sou apenas mais uma lata de sardinha, consumível, feio ou belo: não importa.


Me recolho e volto a olhar os olhos das crianças.


Nos tornamos monstros, longe da pureza, longe do verdadeiro e profundo.
Busco sair dessa ciranda onde muitos dançam e se ferem.
Ciclo de vício, dor e lágrimas.
Um rio que desagua em um mar de dor e desespero.

Leandro Borges

8 de dez. de 2011

Destom de Ariadne

Quando universos se tocam, as almas se reconhecem.
Mas quando as luzes estão em tempos diferentes, não podem confluirem.
Em desencontros de ciclos, de tempos, de espaços.
Atrair um mundo tão bonito, sincero, sereno e de sintonia próxima.
Um deslocamento que gera um descolar de tecidos, cria-se um vão entre corações.
Em volta da sua própria imagem, escultura, perde-se; como um cão em seu próprio rabo.
Enquanto isso procuro na sombra da areia desse deserto ainda fagulhas de um outro sol.

Leandro Borges

21 de nov. de 2011

Mundo Desnudo

E quando eu olho pela janela da minha vida e posso ver tantos vitrais.

Um sonho.
Um parque.
Tantos sorrisos.

Cores, luzes e flores.

Família.
Carinho.
Canção.

Passeamos juntos, vamos juntos.
Corações se abraçam e caminhamos unidos.

A falsa realidade do falso ego: não existem as roupas, não existem os carros, não existem os ouros, não existem as faces, não existem os corpos.

Vejo pela janela da verdade: Corações em amor, Corpos de luz e Canções.

Leandro Borges

6 de nov. de 2011

rEUvolução

Onde a sorte não escolhe, o sonho volta.
A caminhada longa e com muitas curvas.
Os tempos que se passou, cada vegetação.

Onde se vive com poucas moedas.

As pernas cansam, o sonho mais longe... até que um dia nascem as asas.
Perto de quem quer bem, fico bem, protegido.
Onde os corações ainda são corações.

A vida por falar das cachoeiras.
O barco por novas faces.
Os novos faróis de novos tempos.

Ocupei meu coração e tomo conta mais de mim.
Onde a revolução eu plantei no meu coração.
Na minha vida brotará a minha revolução pessoal.

Leandro Borges

2 de nov. de 2011

O futuro aqui e agora.

Onde a Onda Anda.
Lá no Luar Longe.
Se os Sonhos Surgem.
O Vento Voraz Voa.
A Mente Muda e Mistura.

3 de out. de 2011

Brilha primavera brilha

As bordas da alma.
As teias da luz do fim dos tempos.
Entre as veias de um quase outro tempo.
Segue um instinto leve e brando.
Entre tantas formas de ver, cura o vento com fogo.

Se no topo da criação ele fez como um elfo.
As mãos como teias, entrelaçadas de ar.
Saiam fitas das suas emoções, tinha tanta luz.
E ainda vibrava em notas mais doces e ásperas e leves.

Se o sol parece grande... nós podemos ser maior ainda.
Quando mais podemos voar, mais podemos derreter.
Como fungos tão bonitos de coração, somos amor.
A brisa suave atravessa nossas cabeças e faz aquele mel.

Deixa a pressa pra lá. Ela é para os cegos de coração.
Deixa o lucro pra lá. Ele é para os adormecidos de luz, de consciência.
Deixa o ego pra lá. Ele é o mal do mundo, o anti-Deus da nossa existência.

Atalhos são partes do retalho da não completude das coisas.
Siga forte como um rio e suave como uma borboleta.

Os raios de sol estavam recheados de flores e no coração a primavera.
A vida mais uma vez renovada, reesverdeada por aquele verde claro.
Deixo a casca do carvalho me proteger.
O roxo claro dos ipês me remeter.
Quero toda a porto alegre do meu coração.
Levo o Guayba por onde for.
É de porto-alegrares que indo em mim.

Eu vi um campo tão lindo de flores no meu sonho.
Quero todas as cores e outras mais, peço permissão a natureza para abrir os olhos dos meus olhos.
Peço as sementes mágicas que deixem, como meus ancestrais deixaram voar.
Eu sei que posso voar, e os brutos de alma nunca entenderam isso.
Quanto mais racional, mais vil se torna.
Quando o coração fala e é realmente escutado e seguido, a vida é vida.

Quando a vida não é mais vida, seguimos as cifras, os números a lógica.
Essa lógica que não é lógica, porque mata por lucro.
Não engula ideias que matam.
Ao contrário vemos retas, contas e números, matando a nossa natureza interna.
Matando as nossas vidas, nossas crianças, nossas emoções genuínas.
Nos desumanizando ao máximo, lutando por lucro e dinheiro sujo.
Vendendo até a própria mãe.
Onde há uma reta não há um coração.
Eu quero abrir a felicidade do meu coração e
jogar pelo ralo as ilusões líquidas de publicidade.

Se esse mundo é feito disso, quero distância.


E se a arte e contaminada por isso, morre a arte.

Quantas luz você já emanou hoje?
Saiba que não adianta nada fixar a vida naquilo que pode tocar.
Não há riqueza naquilo que toca, há riqueza quando consegues tocar alguém.

Pois ao atravessar essa vida, verás que teus bolsos serão outros e não terás dinheiro.
Do mundo material não se leva nada ao atravessar e vencer a morte, e então viver na espiritualidade.

Não haveria sentido viver se fôssemos fragmento de reta.
Somos o horizonte e o pôr-do-sol.
Tão infinitos na essência quanto Deus.
Eu sou ponte, quem fala por mim não sou eu.
Eu sou apenas um pote, onde eles podem lhe dar a água.

E quem bebe dessa água, jamais terá sede.
Essa sede que quando se mata, não temos mais o vazio da vida.
Uma vida pilastra-da em outras pessoas, cai, quando essas ve vão.

O turvo som de pássaros negros outra vez aparecem na casa da morte.
São esses mesmos que nos desafiam a voar.
Os ventos mudam a cada queda de um.
Se o sol não nascer, buscaremos outro lugar para estar.

Temos no corpo e na alma fragmentos de estrelas.
Buscamos pessoas que não deixaram de brilhar apesar desse corpo grosseiro que temos.
Ao escutar o canto dos pássaros sinto que tudo aquilo que canto é sujeira.
Admiro os pássaros por cantar.
Deveríamos ficar quietos por muito mais tempo,
parar as cidades e apenas deixar os pássaros ressoarem bonito.

Aprenda a escutar as músicas mais belas pela voz dos pássaros,
eles transmitirão somente aos corações abertos.

Vamos amigos da terra do nunca, sigamos nesse lindo trem até lá.
Com o coração puro podemos atravessar o rio.
Chegar a outra margem e então poder voar, conversar com fadas.
Ver além das borboletas, e ver então as ninfas, Afrodite e Dionísio.

Uma festa tão bonita como o sorriso de uma criança.
Onde o amor é protagonista.
Onde temos a riqueza de ajudar.
Onde a gentileza é nossa moeda.
Onde família é cultivada e tem raízes fortes.
Onde o ego é anulado.
Onde o coletivo tem alma e dança circular.

Eu sou amor.
Eu sou luz.
Eu sou flor, fogo e ácido.

Onde o mar namora a lua.
Onde o sol namora o pampa.

Admire, dance, transborde.
Cante, lute, sonhe.
Ame, queime, mude.

Vou deixar o meu coração me levar, no mar do amor.
Com o desejo voraz, com pé na estrada e o peito aflito pelo novo.
Tenho orgulho de ter sangue guarani, charrua, minuano... nas minhas veias e na minha alma.

Leandro Borges

30 de set. de 2011

Primavera da minha pele

Corre esse vento do meu rosto e agradeço por não lembrar o gosto de ti.
Triste saber que há tantas mulheres machistas nesse mundo, tantas mulheres idiotas.
Falta poesia para a maioria das mulheres que conheço...
São poucas e boas, e as conservo no meu coração as que não são.
Nada mais triste que a falta de sensibilidade...

Eu choro um rio de lágrimas e gosto disso.
Verto em cada gota minha emoção.
Posso explodir meu peito e meu sexo.
Mas há porque casar coisas assim.
A poesia do meu viver anda com meu ser.
Sou flecha e sou cravo.

Furo o vento e tua lógica rasa, de ignorância.
Furo o teu ruído e a tua alma suja.
Furo o conceito enferrujado sobre os gêneros.
Furo o desejo machista de ser menor que um homem.
Furo a hipocrisia de ditar que oficio devo ter.

Sou aquele que dá flores.
Aquele que rasga o lucro.
Aquele que sente em carne viva.
Que brota em arco-íris.
Faz da flor da menina a sua prenda.
Vê na mulher nem mais nem menos; deixa o rio correr.
Que corteja o sabor e responde ao teu fogo de mulher-menina.
Também de ti mulher, aquele que chora junto e enche de amor.


São de labaredas e pétalas que flutuam a minha aura, a minha magia.


Não brinque com fogo.
Não brinque com alguém a flor da pele.

Em mim brota a primavera a cada dia.
Que os anjos saibam proteger os sinceros de coração.

Cansado de labirintos alheios.
Cansado da covardia emocional alheia.
Cansado da hipocrisia que insiste em renascer a cada geração.

Hipocrisia, eu quero que se vá!

Leandro Borges

13 de ago. de 2011

A caminho do Uno

Onde o horizonte longe voa leve.
As suaves brisas da nova aurora.
Corre em um grande campo de flores.
Ao abrir das almas iluminam como sóis.
Andando entre cores, fortalecem e crescem.
Simples chuva fina.
Limpa.
Ilumina.
As palavras dos lábios positivam o universo.
Nutre o amor incondicional.
No meditar do coração transmitem ao todo.
Somos no "Eu Sou" um só.
Uno.
Ao evoluir do universo compartilhamos:
Em
---Amor
---------Paz
------------Luz
----------------!

05/06/11 - Leandro Borges

Piscina de Dor

E se o mundo me fosse obrigado a carregar?
Um peso de um mundo que os desumanos nos empurram goela a baixo.
Onde a dor se instala, onde o sorriso é apagado.
Vivemos em uma ditadura de burrocracias masoquistas.

Sofremos dores desnecessárias, como já não bastasse as dores naturais do mundo.
Os Psico-torturadores criaram um mega arsenal de dores artificiais.

Deixem os loucos, não serem loucos.

Deixem a vida ser maior, ser de verdade, ser humana.
Homens criaram maquinas de dor.
Processos de dor.
Caminhos de dor.
Labirintos de dor.

Deixem o amor em paz.
Deixem a vida livre.
Deixem a possibilidade de sonhar e os sonhadores vivos.

O mundo não se pode tornar uma caixa de tortura.
Os que não abrem os olhos para a dor alheia, sofrerão ainda muito.

Onde não se pode ser um, eu sou o respingo de tudo.
O mundo tão cinza, tão cimento, tão asfalto, tão concreto e nenhuma humanidade.

Espero que essa piscina de esgoto não me alague em dor, desespero e depressão.

Leandro Borges - 05/03/11

3 de ago. de 2011

São Paulos

É... as vezes me para de tanto correr.
Tem vez que me cansa de tanto morrer.
Me sintoniza em ritmo que não me para.
Outras que me deixa totalmente de cara.

Tem tanto asfalto no meu pensamento.
Deixa tanta laje nesse cimento.
Um bando de gente, um tanto de crente.
Explode.
Carros.
Correria.
Metro de conexões circulares.
Andei em fractais urbanos.
O sorriso mesclado de tuas meninas.
São circenses de tuas crias coloridas.
Fala de todas as artes que podes compor.
Transita de todos os gostos que for.
Rua.
Avenidas.
Alamedas.
Cercado de tanta gente.
E se tudo brilha, a face do futuro me espera.
Quando a brisa me encontrar, nas ruas de São Paulo irei florescer.
Como num canto de um pássaro, vibro bonito e suave.

Sossegado sigo suave.
Sossegado pego essa brisa.

São tantos São Paulos dentro dessa caleira, dessa teia, tela: nação.
As vezes vem um caos bonito, as vezes vem atrito e em outras esquisito.
Quando peguei uma perua, te percebi perto, quase nua.
Eram tantas faces, tanta palavra que pula de tanta rua... tanta rua.

Andando em longas avenidas, é firmeza.
Ando nas feiras.
Bebo um caldo de cana.
Um pastel na feira.
Um sanduíche de pernil.
O sorriso mais bonito, da menina paulistana mais bela.
Era a beleza da suavidade da sua alma que me tocava.
Um amor tão leve e doce, era tudo tão gentil.

Leandro Borges - 29/03/10

1 de ago. de 2011

Mulheres que não sabem dizer não

Essa é para todas as mulheres

dissimuladas
patranheiras
traiçoeiras
potoqueiras
embusteiras
esparoladas
mascaradas
farisaicas
vigaristas
impostoras
hipócritas
mentirosas
burladoras
embaidoras
loroteiras
pomadistas
charlatãs
gargantas
cabotinas
tratantes
charlatãs
farsantes
pérfidas
desleais
covardes
tartufas
levianas
infieis
falsas

Pior que uma mentira, é uma mentira descoberta
Eu já sofri muito das maldades do mundo
Não queira-tentar-conseguir me ludibriar
Eu não nasci ontem, meu coração já foi petrificado de mil formas
por tantos enganos e maldades que já arquitetaram contra mim

Tenham a descencia e dignidade de olhar nos olhos e dizer, não
Saibam cortar a face daquele que, não, ele não quer ser enganado
Prefere mil vezes o corte, o fim, o estirpar das relações do que um enrruste

Quero o teu cuspe
Quero o teu vômito
Quero a tua repulsa

O teu desprezo assumido
A tua palavra cortando a minha alma
Diga: não
Diga: nunca mais eu quero ver a tua cara
Diga: para de ligar
Diga: MORRA!

Leandro Borges - 12/09/09

Espelho

Olha pra dentro de um espelho
Vê somente a sombra de uma mulher.
Em contrapartida lembra dela como se fosse hoje.
Era a mulher mais feliz do mundo.
Quem sabe a mais iluda?
No sorriso dela hoje eu vejo a tristeza escondida.
Como no passado, algo dela que só eu desvendo.
Sua sombra tortura as arestas do espelho.
Eu vejo o coração como um globo de espelhos,
Reflete a realidade, mas em muitos fragmentos,
E vivendo em uma sociedade fragmentada... nada mais natural.
Finge sorrir como se fosse o máximo.
Sufoca um grito que a anos gostaria de dar,
Assim como toda humanidade, mas espera.
Já perdeu as contas de quantas mortes teve que passar
Pra ser a pessoa que é hoje.
É preciso licença pra viver feliz.
Vive a dor, sem fugir.

Difícil tarefa de curtir a dor, como se fosse couro.
Triste, mais triste por saber que essa tristeza ela também passou.
Quem sabe ela fugiu?
Eu hoje calejado, conheço a face da dor e da depressão.
Seguir os conselhos dos meus pais?
Eu seria o mesmo cara fraco que era.
Agradeço toda a dor e todo inferno que passei!
Graças a ela, fui forjado em brasa, minha lâmina hoje corta
um fio que resiste ao abismo e o vale das sombras.
Como São Jorge, sigo bravo na escuridão enfrentando meus dragões.
Como um sol, estou preparado pra matar dragões hoje.
Como Arcanjo Miguel sou um guerreiro da luz.
Imagina, se saísse pela primeira porta de saída de emergência...
Sim, estaria como a maioria dos casais desiludidos sem amor.
Agarrar e algemar a primeira pequena que cruzasse no meu caminho...


Pra que? Por que?


Fazer terapia pra negar tudo aquilo que vivi?
Ser idiotizado por um médico/psicólogo terceiromundista?

Negativo, prefiro arrancar o meu coração,
sofrer as dores do mundo e verdadeiramente sofrer e por fim: viver!
Seguir o caminho padrão da maioria?

Fracos...
Os fortes são aqueles que parecem fracos, mas são aqueles com coragem e consciência para não ficar sedado pelas ilusões do mundo.

Sentir todas as dores do mundo e amadurecer.
Aquele que se diz forte, aquele que:
Ignora, mente pra si mesmo.
Ama outro, sim um amor anestésico, projeção de seus anseios: Animus.
Odeia, covardia de não aceitar seu amor não correspondido.
Tenta apagar, como se houvesse tecla delete no cerebro...
Terapia, como se houvesse remédio pra dor... Ilude-se!
Positiva, esconde os momentos ruins e dores escondidas; como lixo orgânico escondido, apodrece mais a cada dia.

É vai tomando esse sedativo... vai!

Como se houvesse remedinhos pra tudo... sociedade programada pra fugir da dor..
Nadando num mar de saídas de emergências... uma droga não, várias.

Amobarbital...
Fenobarbital...
Narcobarbital...
Prometazina...
Secobarbital...
Zotepina...

Somente aquele que consegue não mais projetar, pratica o desapego, conhece a dor, conhece a solidão, conhece a sua sombra, conhece o poder da simplicidade, tem a consciência das suas emoções... Esse pode então encontrar o caminho para o amor.


As estrelas gotejam sangue.
Calafrio.
As feridas piscam forte.
Sobressalto.
O céu derrete.
Inquietação.
O gelo escurece.
Espanto.
O mar se desfaz.
Temor.
As dunas em ressaca.
Terror.

É, nada mais natural.

Leandro Borges - 20/05/09

3 de jun. de 2011

É tarde

São medos enjaulados.
Vorazes de vozes.
Velozes vagam.
Vãs viúvas velhas da alegria.
Arruinado por dentro, sem alento, com as facas do tempo.

O dolorido movimento de ver o passar da vida cortar.
Esperanças amareladas.
Sonhos achincalhados.
Meu mundo nunca é meu mundo.
Meu mundo é o universo, fusão de todos os mundos de todos que me afetam.
E nunca mais vi meu universo colorido.

Tenho saudades da minha infância quando uma brincadeira em uma única tarde,
parecia infinita-tarde-feliz.

Hoje já é bem tarde.
Só sobra solidão da ausência de um passado.

Leandro Borges

21 de mai. de 2011

Porto segue Alegre

Porto Alegre distante, quase esqueço as saudades, mas dai me lembro.
A tua cara, a tua vida, a tua fala, o jeito de ser.

Sinto falta da tua alegria em mim, do teu sol sem fim, das tuas gurias a me olhar, da tua suavidade de ser que só.


Agora reconheço.


Teu preço não está na grandiosidade, mas está na tua leveza de sorrir, que aqui eu vejo só peso. Onde meu coração era um guri feliz, que sentava feliz na grama contemplando o sol.

Onde a alegria aporta no meu coração, é em que deixo a âncora da minha glória. Onde minha sina é lembrar novamente de ti ao longe, e por onde meu peito não esconde o bater o coração desesperado batendo feliz.



Se Porto, se Alegre, se segue.

Leandro Borges

16 de mai. de 2011

Dentro e fora: um deserto

No submundo da minha vida vejo as coisas flutuando que perdi. Fico submerso de uma nostalgia sombria sem identidade. Passo da idade, passo do limite, sem freio e sem caminho. Vergonha de ter os traços mal desenhados, disforme. Nada me consola, os ponteiros de cada segundo me cortam, a cada movimento, mais profundo. Em seu nublado e poluído céu, alegria é engordar. Tenho pressa de ver luz. De ver o Sol.
Vejo meu mar, de longe passam barcos.
Vejo meu céu, de longe passam estrelas.
Vejo meu chão, de perto tanta lama, tanto frio, tanta sombra.
Vejo meu porto, sem lugar; passam muitos portos por mim.
Bolhas de sonhos estouram, estou sujo de tanto sangue de tantos sonhos mortos. Sinto asco do hipócrita mundo; dessas pessoas que julgam as pessoas pela beleza e a forma de ser.
Onde o céu derrete.
O chão desaba.
As cores grisam.
A água some.
A terra desertifica.
O ar corta seco.
O fogo faz a festa.
A lua some a noite, de dia o sol ruge. Onde os abutres rastejam e os ratos voam. Onde o sangue coagula e a pele arde. Onde os anjos fogem e as bestas renascem. A cachoeira de lamentações não para. O rio de dor corre solto. Sem esperança. A depressão faz seu sarau. Onde se presenteia com espinhos, sem flores.
Onde os amores comem corações.
Sem paraíso.
Sem cor.
Sem luz.

Leandro Borges

14 de mai. de 2011

só seu

Eu não quero mais você
longe de mim

Eu quero te deixar sair
e entrar nos meus braços, mente e coração

Não, não posso mais viver contigo
em outro mundo

Me deixe amor
me deixe amar você

Me deixe livre
dentro do teu coração

Não, não, não, não, não

Eu sou só


Seu

Leandro Borges

16 de abr. de 2011

Renovo


Sigo feliz em corpo amorfo.
Não aceito formas, não aceito rótulos.
Transpasso estilos, modas e lugares e épocas.

Não sou apenas mais um homem-produto.
Aquele que age sem saber o porquê.

Onde muitos dormem, seguem letárgicos.

A cópia, da cópia da cópia, são todos um.
Sem valor, sem identidade, sem pensamento próprio, sem real vida.


Eu sigo, comprando revoltas, comprando ideias, abominando ideologias.
Como um ocidental não banal, sou aquilo que acredito, e respeito meus princípios e subverto.

Leandro Borges

24 de fev. de 2011

O amor por toda vida ou E como é bom


Um dia se perde o medo de viver.
e para de sobreviver e começa a saborear melhor a vida
com todas as papilas gustativas
com uma colher bem grande
sem caraminholas, fantasmas ou medos

A vida segue o curso natural do rio
Os obstáculos do caminho são naturais assim como vencê-los

A vida é feita de pontos-momentos
Saiba comer pequenas porções mastigando bem
Alargue o prazeres, os pontos-momentos da vida

Renasça seus olhos, esvazie seu pote,
mude de cor, de sabor, de saber, de vida
troque a água que o alimenta,
transmute a energia do seu interior
pra ser regado por todo amor que houver nessa vida
e um bom coração pra dar garantia.

5 de jan. de 2011

A liberdade de dois

Uma vontade de abraçar...
Um abraço: pra não deixar estranheza.
Simples e prolongado.
Sublime e atemporal.
Pra ficar nada indigesto...

Me abrace como se fosse a primeira e a última vez.
Me envolve e faz com que toda água agitada se conforte.
Me segura e permanece assim até a tua alma tocar a minha e deixa a tua marca para sempre em mim.
Me mostra todo o teu carinho, não reprimes este sentimento bonito que tens por mim.
Me abraça forte pra mostrar toda a intensidade do teu coração, e diz ao colar dos nossos plexos, que eles seguem separados fisicamente, mas sempre estarão lembrando um do outro ao bater no mesmo tom.
Me abraça sem tempo nem lugar.
Me encanta nos teus braços ao sonhar o meu sonho, me conforta com teu envolver sem fim.
Me abraça até o meu último sopro de vida.
Que a minha alma aura beba da tua.
Que seja da mesma cor e mesmo brilho que a tua tem.
Me abraça sem freios nem bloqueios.

Me abraça sendo abraço.
Ser do encontro o vento.
Ser do vento o movimento.
Ser da vida o instante, ser do sonho o real.

A vida em abraço.
O abraço em vida.

Leandro Borges

20 de dez. de 2010

Das quimeras brasileiras


Minha vida transpira alegria
Sorve emoções mil
Transborda todo amor que houver nessa vida!
Somos muitos e seguimos!

Onde vês vazio, vemos poesia e imensidão

Somos muito mais que teu sonho vão
Sou poeta das quimeras brasileiras
Sou poeta que canta flores
Meninas, mulheres e cores

Canto sabores que nunca conhecerás

Me deste alimento infinito
Minha criação em sobra transborda em letras e versos mil

Eu sou a derrota de muitos, pois sou apenas um peito aberto que sente a vida
Para quem perde a alegria de viver eu sugiro morrer e nascer

Leandro Borges

Suposta-evolução não-sustentável


Os santos são falsos nas bocas alheias, cheias de prostituição

Não faças do vôo a perdição

Sigo leve
Sou amor

Livre e consciente

Sou dança, sou alegria

Tu és muito aquém dessa sabedoria

A vida é muito maior que um golpe

Preciso de flores

A doença do mundo é o teu coração de lodo

A vida leve segue a doce canção

Sou brisa
Sou poeta: simples mortal

Farpas apodrecem na tua boca, tua inveja é teu lodo

A justiça é forte e certa
Soterrará todo o lodo!

Somos pássaros-poetas: livres
Sigamos fora da coleira do mundo
O mundo, imundo de dominação e consumo

Se meus olhos choram, é porque não há mais tanta esperança
Somos um caminho sem volta para o abismo insustentável e cruel

Os olhos da medusa-industrial que transformou toda natureza em pedra
sem cor, sem amor, sem vida, sem nada: apenas cinza


Pedra cinza, cimento cinza, aço cinza


Me desgasto sem rumo
numa cidade perdida
com um coração de pedra

Medusa cruel que matou toda cor
matou todos os sonhos, as lendas, os mitos

Somos escravos de uma suposta evolução não sustentável, burra e auto-destrutiva

Eu tenho vergonha de viver nesse mundo, nessa civilização

Somos cobaias, bois, manipulados, sem saída!

"Crer-se no progresso não significa que já tenha tido lugar qualquer progresso.
Franz Kafka"

Leandro Borges

Tecendo por uma vida mais digna


Sou mais que sua vã filosofia pode um dia alcançar

Minhas asas são feitas no agora

A minha vida é feita de luz
por mais erros que tenho, busco a luz

Sou leve
Sou eu
Sou apenas genuíno

Persigo mistérios
Procuro almas de coração leve
Vôo com as assas mais fortes
Aprendo com sua astucia e ousadia

Minha vida vence a ferida
Sou mais que superação

Penso nos altos vôos da liberdade
Derreto nas valsas do tempo

Todo o calor ascende as minhas vísceras

Somos brasa
Somos fogo
Somos imensidão
Somos transbordo

Leandro Borges

Coragem de um vento


Furo o vento, o medo, o tempo
A vontade de fazer teatro me faz mais vivo, sigo

Quase corro, quase morro

É uma mistura de respiração ofegante, suor e garra e fome de teatro

Aperto passo, o coração e abraço a alegria

Me sinto leve, confiante e ofegante

Existe alguém mais apaixonado do que eu?

Fazendo malabares com navalhas

Isso é fazer arte aqui

Me corto nas ruas, mas meu sangue berra, não perde força, avança, luta; sonha!

Sigo por avenidas pequenas
Vejo prédios não charmosos
Tecnologia vazia
Olho para meu coração e vejo um charmoso café e três luas crescentes
a mata atlântica e a Amazônia

O teatro dita meu tempo.
Tempo de arte.

Sonho
Canto
Luto

Leandro Borges

1 de dez. de 2010

Renascer em primavera


Cansado de andar por galáxias distantes
longe da minha natureza
todos cheios de pressa
Mesmo entre esses astros vemos tanta lama
e não há fama que justifique
Andamos distantes, em planetas opostos
e não por acaso vejo o outro lado

Deixamos de lado todo luxo e todo lixo
Ambos abomino

Te convido para um não-convite
Recebo o retorno da chave perdida

Voo calmo
Retorno a planetas
Recapturo nuvens
Danço novas músicas
Meu peito se expande em flor esmeralda

Leandro Borges

10 de nov. de 2010

Poção mágica: Água


Água que caia!
Água que caia!
Água que caia!

Chuva que vem renovar

Irriga a minha alma
Lava o meu mundo
Traz a água que nunca para de brotar

Renasço a cada chover
Reconheço o meu ser em cada gota
É simples e cristalina
Há chover para o mundo dar voltas

Ciranda água ciranda
Vem brincar em volta
Encanta
Cai
Levanta
Limpa
Cura
Purifica
Torna-me um admirador de todo fluxo

Me deixa ver a lágrima de alegria cair do olho do planeta terra.

Leandro Borges
Creative Commons License
Poesya, não burguesia! by Leandro Bastos Carneiro Borges is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at poesyas.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://poesyas.blogspot.com/.