13 de jan. de 2009
Nobre Leão
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eu,
experimental
Um leão acoado, não mostra o brilho, a juba, o rosnado
não corre pela savana, não brinca, não rola pela grama,
não expõe o coração, não ilumina os olhos; não queima.
Desperta leão valente,
mostra para toda essa gente,
o valor, o coração bom, o grande amor.
Com nobreza de coração e humildade, pega o castiçal,
senta no trono do ser, a realeza da vida,
o reinado do inconsciente, segue valente,
corre valente, segue em frente, desbrava a vida,
segue a lida, com formosura e beleza,
perfura o medo, vence o ego, acredita em si.
Leandro Borges
Assista filmes incríveis
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8 de jan. de 2009
labirinto labirinto coração labirinto labirinto
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concreta
labirinto labirinto labirinto
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Leandro Borges
Coração ele um labirintos entre tem
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Umcoração,temlabirintos.eletemeletemUmcoraçãotem
ele ele tem labirintos
tem ele tem entre labirintos. Um labirintos
entre entre tem ele Um labirintos
ele coração, ele tem entre coração
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ele tem entre labirintos. ele tem entre
Um ele labirintosUm coração, Um coração
Um ele Um coração, cora ção, ele tem
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coração, coração, coração, entre
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Um coração, ele tem Um coração, ele tem
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ele ele Um coração labirintos
tem tem Um coração labirintos
entre entre ele tem
labirintos. labirintos. ele labirintos tem
coração, coração, ele labirintos tem
labirintos.coração,labirintos.eleentreelecoração
Leandro Borges
Labi coração rintos
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Ele tem um coração entre labirintos.
Um coração, entre labirintos, ele tem.
Entre labirintos, ele tem um coração.
Ele tem, entre labirintos, um coração.
Entre labirintos, um coração, ele tem.
Um coração, ele tem entre labirintos.
Leandro Borges
Coração Brasil
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experimental,
social
Alguma coisa acontece no meu coração:
Insuficiência mitral, endomiocardiofibrose, isquemia;
enfarto do miocárdio, coronária, trombose, arritmogênia;
fibrilação atrial, síncope, ulceração, hemorragia.
Insuficiência cardíaca, disfunção sistólica, arritmia;
ataque do coração, hipertensão arterial, cardiomiopatia;
aterosclerótica, aneurisma ventricular, válvula cardíaca com anomalia.
Amiloidose cardíaca, doença nas artérias coronárias, miocardiopatia;
estenose aórtica, estenose tricúspide, miocárdio com hipertrofia;
angina, insuficiência aórtica, miocardite, hipertermia.
Leandro Borges
Insuficiência mitral, endomiocardiofibrose, isquemia;
enfarto do miocárdio, coronária, trombose, arritmogênia;
fibrilação atrial, síncope, ulceração, hemorragia.
Insuficiência cardíaca, disfunção sistólica, arritmia;
ataque do coração, hipertensão arterial, cardiomiopatia;
aterosclerótica, aneurisma ventricular, válvula cardíaca com anomalia.
Amiloidose cardíaca, doença nas artérias coronárias, miocardiopatia;
estenose aórtica, estenose tricúspide, miocárdio com hipertrofia;
angina, insuficiência aórtica, miocardite, hipertermia.
Leandro Borges
7 de jan. de 2009
Tempo atravessa o firmamento
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experimental
Tempo atravessa o firmamento
pensamento conhece o movimento
momento deixa o vento lento
sem alento nem lamento
nem sangrento ao indeferimento
segue e vive.
Cem por cento
explode em talento
escuta atento ao sentimento
deixa o fermento do nascimento
dar andamento ao experimento
e não viver a contento
entre o afastamento e o sofrimento
ter o discernimento
a sabedoria do tempo.
Leandro Borges
29 de dez. de 2008
Lindas rosas
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Comentada,
experimental
imunda saliva
escorre do crânio
esperma putrefato
Leandro Borges
Reino de sonho
Sonhos insólitos esfacelam com um tiro de flores.
Explode uma bomba as cinco horas na avenida central;
pinta, com excessos de tinta tudo ao redor.
Manchas vermelhas, pingos em amarelo, respingos de azul,
borrões em roxo, tudo profundamente sujo em multicores.
Há ainda muitas pessoas na sala de jantar
continuam a nascer e nascer e morrer e morrer.
Ilumina os jardins com um feixe feito de aves brancas
Um clarão em arrevoada, batem asas e ventam.
Uma golfada de ar entre os cabelos, leves e soltos.
Correm soltos, envoltos em canção, parte, pulsa,
parte e expulsa todas as mortes em pôr-do-sol.
Irrisória promissória de um falso amor.
Tigres distorcidos, leões derretidos, baleias voam
entre nuvens lilás e esmeralda, esguicham jatos em prata.
Reluzem em sua pele de vitral, baleia de sonho e frescor.
Leandro Borges
22 de dez. de 2008
Labels:
frases
por ti, eu vivia cheio de alegria
agora vivo cheio de saudade e tristeza
Leandro Borges
agora vivo cheio de saudade e tristeza
Leandro Borges
Liebe unter dem Mond schwarz
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Alemão
eine grüne Fee
ein Mondlicht in Flammen
die Sonne nach innen nach außen
der Ruhe der Nacht fordern die Toten
eine geheimnisvolle und schöne Frau
eine weiße Haut wie Milch
Ihre Augen hypnotisieren und mich erschrecken
Ihre schwarzen Kopftuch führt mich zu Ihrem Bett
Wir haben die Liebe unter den Mond schwarz
Leandro Borges
nero amore
Labels:
Italiano
una vita di solitudine
non si vuole che il tuo perdono
dimmi quante volte mi ha tradito?
damn è stato il giorno che ho incontrato è
un fiume di sangue
dolore
loathing
malato
malinconia
entrambi gli occhi gonfi dal pianto e pianto
fiamma blu in memoria
il suo spessore cosce e magnetici occhi
e ho detto a scomparire
un amore fatto di spine
Ho lasciato solo le ferite
Leandro Borges
18 de dez. de 2008
Puta porca sem coração
Labels:
experimental,
menina
a veia exposta
a rua suja
a tua face falsa
a menininha cheia de sangue sujo
vaza das tuas entranhas o teu aborto
brinca com porcos
dorme com o desespero e não dorme
boletas e mais boletas
rega tudo com tristeza
gritos mudos
solidão
depressão
fuga
morre para a tua mãe
esquece do teu pai
cai na vida todo dia
sai toda noite
cai toda noite
cai todo dia
finge que não sabe
finge que não tem importância
morre na ignorância
morre pregada na cama
desmaia por horas e horas
finge que é feliz
e diz e diz
no intervalo dos abismos
fica em estacas pelo corpo ao alto
impregnada de imundice
puta porca sem coração
bebe da latrina
come do lixão
fétida flor
mulher de lupanar
noiva de satanás
morra em morte lenta
a cada centímetro de dor
mergulha em laca incandescente
Leandro Borges
perdido boulevard
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curto
cai uma pétala do meu bolso
e me incendeia o pensamento
concentro a atenção neste perdido Boulevard
andando em mão contrária e me fixo no metal
minhas asas murcham, mais um dia deixo de voar
Leandro Borges
8 de dez. de 2008
Puerto corazón
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español
Un corazón, grande corazón.
una explosion por aires.
Queda en mi mirada
las mariposas azules encantam
todas las olas de mi alma.
Hay un pajaro volando bajo
buscando el plata al sur.
Tengo muchas cosas para conecer
y ahora no puedo más vivir en pedra.
TEngo muchos amores en la vida,
laliberdad, el amor, la arte y el universo.
Acostado en tu corazón puedo volar
y volar, transcendo espacio y tiempo.
Las tardes caem en Porto Alegre
en verdad, la alegria és vivir
en el puerto del corazón desta valorosa ciudad.
Leandro Borges
Fatia da realidade
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imagens
Tocam os sinos em ondas
flutua a voz entre a floresta
deita ao chão, sente o vento falar.
Ouve as flexilhas chiarem ao vento.
As quedas d'agua recheiam o som
escorre abrindo como fenda a rocha
um calor à brotar, cravejado ao sol
uma lua vermelha, cheia, abre o céu.
O véu celeste branco da noiva esparramada.
A vida é frágil, tão perene.
Um tempo sem o tempo.
Onde tudo permanece e é.
Deixa o ser, ser.
O cantar sem palavras
sem voz, sem início ou fim.
A valsa dos astros
a curva do espaço-tempo.
O passado sobreposto.
O presente está presente,
como presente para o presente.
Somos um coro diferente,
nosso fator que nos é igual
é a nossa diversidade.
Leandro Borges
Primeiro amor
Teu amor me constrange.
Tua luz me guia.
Teu olhar me acalma.
Teu caminho é água viva.
Somos a água do teu reflexo.
És tua a minha alegria.
Quero ser teu instrumento vivo.
No horizonte da tua criação
vejo a grandeza e simplicidade
da vida do belo alvorecer.
Quero que todos os dias
as estrelas do meu olhar
sejam reconhecidas como reflexos
da tua vida em mim.
A verdade, o caminho, a vida,
vibrando nos olhos vividos.
Quero servir os teus propósitos,
estar pronto para doar meu coração.
Amar e amar. Pela tua misericórdia
ser amado eternamente por ti.
Leandro Borges
Frutificar do coração
O jubilo da lavourar o amanhã.
A boa nova do novo tempo.
A certeza da vitória sempre
é o meu escudo, a palavra o meu sabre.
As pedras, os destroços e buracos
tentam impedir o meu sonho, a vida.
Existem parasitas, abutres e ervas
daninha da alma, nossa e alheia.
Um tempo bom surge, frutifica-lo
eu farei, na medida certa nutrir.
O equilíbrio e a disciplina como guia.
O caminho único do coração.
Leandro Borges
O despertador
Labels:
gotas
Eis então ele sobe ao topo do monte. Infla forte os seus pulmões e dispara as quatro pétalas da rosa dos ventos um leve e ressonante canto. Uma melodia invade todas as dimensões. Reverbera nos corpos. Traz luz. É quebrado a bruma do sono que cobria todos os lugares. Olham a sua volta, admiram o horizonte, todos já com os olhos abertos, ainda assim, abrem os olhos. Acordam depois de décadas. Seus olhos brilham mais do que nunca. Seus corpos irradiam luz. Outros saem de seus tronos, cavernas, casulos, esferas. Rompem a barreira, abrem seus corpos, também começam a irradiar luz. Então ele vê com alegria, e todos inflam forte os seus pulmões e disparam as quatro pétalas da rosa dos ventos um leve e ressonante canto.
Leandro Borges
Passa uma sombra
A sombra da alma aprisiona o coração, a vida; a cor.
É uma sombra que passa.
Adoece a todos no seu rastro negro.
Polui os pensamentos, confunde a direção.
Perde-se no labirinto da mente.
É lama.
É fumaça.
É escuridão.
Em um fundo de túnel, poço, lago;
vejo a densa massa que se alastra.
São correntes, grades, grilhões,
fardos, são farpas estéreis sem vida.
Leandro Borges
Para os ponteiros
Labels:
gotas
Isso não termina nunca.
Nada acontece.
Tudo para.
Não há emoções.
Como água morna.
Deito, como se dormir
fosse alguma saída.
Nada emociona.
Tudo entendia, tudo chateia.
Tudo me parece igual.
Uma mesmisse pasma e acomodada.
Passa por um ano, que para lugar nenhum vai.
O beijo da vida tem gosto insipito.
Eram flores em cores vividas,
agora são um ramalhete murcho de cores pasteis.
Leandro Borges
4 de dez. de 2008
Passa o passo
Labels:
curto,
experimental
Passa um passo.
Passa um poço.
Passa e passa.
Passa um dia, passa um ano.
Eis que tu passas mas não passa.
Passa na minha memória mas não passa.
Passa a dor.
Passa a crise.
Passa o trovão.
Passa em passinhos.
Passa de raspão.
Eis que outra onda passa.
Meu coração não passa, para.
Pra ti ver passar.
Pra ti ver sorrir.
Pra ti ver brilhar.
Pra mais um dia nascer.
É uma vida que passa.
Mas o que não passa
é o eterno da memória.
É a nossa estória,
que nenhum livro de história
há de contar.
Alarga o passo.
Olha seus passos na areia em frente.
E deixa passar tudo aquilo que passou.
Leandro Borges
3 de dez. de 2008
Uma criança pura
Labels:
curto
Vira página e mostra a palavra desnuda.
Tira o encobrimento dessa maquete, da cidade.
Me voam as paginas até mim, volto ao ponto inicial.
Para um pássaro aos pés, olho para ele profundamente.
Fico pensando dias e dias e mais dias.
Que deixa o corpo solto, continuo a mirar.
Deus me guie, deixe o seu ar me levar, e tão somente ele.
Proteja de toda a chuva do inimigo, lobo a espreita.
Quero um canto seco, quero compartilhar a paz, o amor.
A consciência limpa, a confiança não abalada.
Ficar sem mais sinais em um canto, em paz.
Fechar os olhos e só ver a luz do alto.
Escutar a voz de Deus e dormir como uma criança pura.
Leandro Borges
27 de nov. de 2008
24 de nov. de 2008
Maconha
Labels:
experimental
Letárgico, rasteja em momento trágico.
Ri da própria inação, dorme mais doze horas.
Acorda e come a fome que não tem.
Conversa e perde a linha do próprio falar.
Alienasse da vida e diz que é o cara.
Fala de modo arrastado; anda um tanto cansado.
Não trabalha porque não precisa...
Como um queijo suíço tem a mente aberta.
Deixa a vida e dança uma valsa com a morte.
Décadas de cegueira e olhos vermelhos.
Fuma a esperança de vida que não tem mais.
Queima os problemas, queima a linha da razão,
queima a própria direção e qualquer caminho é valido.
Deixa que os chacais lhe entreguem até o abismo eterno.
Uma paz sem tamanho e sem visão.
Tomado pela prisão da psique, sua dependência.
Parece maconha, o fim dos seus problemas, mas é só o início deles!
Leandro Borges
Cocaína
Labels:
experimental
É um filete de desesperança, enterra a depressão
em um deserto sem fim descolorado.
Chora, por mais um dia, por mais uma noite.
Deixa o mar de pó afogar o último suspirar.
Infla o peito e arrota desprezo.
Fala de amizade e planta farpas pelas costas.
Diz buscar a luz, mas se afoga no lodo.
Insiste em usar as pessoas como cobaias.
Traz seu carisma para manipular a todos.
É de uma empáfia, arrogância e presunção sem tamanho.
Andam em círculos em volta do pó.
Nadam na lama fétida e suas consciências dormem.
Cheira e chora; novamente cheira e chora.
Anda em círculos e volta ao banheiro.
Tranca o box, tapa uma narina e aspira a morte lenta.
Fala e fala e anda e fala e anda e fala e briga e se desespera e chora e cheira.
Destrói a tudo e a todos em sua volta, é um caminho de dor e desespero.
Parece cocaína, mas é só tristeza feita em pó branco.
20 de nov. de 2008
18 de nov. de 2008
El Sur
El sur és mi patria y sangre, és la direccion de mi corazón.
hasta que la muerte llegue, yo solo canto el sur.
Mi patria hermosa, es por veces valorosa tierra del color.
Hay un fuerte Anaranjada rayo de luz en la mirada del sol.
Viejo, sigue tu sonrisa como una flor de jazmÍn en la primavera.
Acostado entre el tiempo y las olas de los caballos, negros.
Negrita, cálida espada DEL vientre; ABRIENDO EL PECHO con mis manos.
porque mitad de mi alma es dolor y mitad esperanza.
Una paloma escribe entre el sangre y el cuchillo tenebroso.
Luchas y muerde , sigue sin medo tu olvido entre otros aires.
Una luna un monte , una gran cola mi éxito.
Tu risa es como una religión, la sigo todos los dia s de mi vida
La dirección de mis amores, son todos locos y transgresores.
Una flecha sigue el sur, el camino perfecto e harmonioso.
Como un guerrero entre la sangre y el dolor, mi sonrisa hace flor.
Leandro Borges
13 de out. de 2008
O outro tempo
Labels:
curto
Aqueles que não olham pra trás
não sabem o que será o amanhã.
Tua face doce salgada.
Fica parada com um fim.
Sem o teu tempo eu digo, sim.
Em partem, a outra parte, se parte e parte.
Deixar o tempo te ver.
Escorrer na caminhada dos anos.
Deixe a vida lhe servir um gole.
Leandro Borges
Seduzidos pelos véus
Labels:
gotas
São tantos véus que sufocam
todos os sentidos,
confundem os sentimentos,
adormece a consciência na névoa.
A beleza.
A fama.
O poder.
O dinheiro.
O amor romântico.
O status.
A personagem.
Fantoches escondem o seu dono.
Correm atrás de ilusões consecutivas.
Seduzidos pelos véus de Maya.
Seguem como sonâmbulos para o abismo.
Leandro Borges
Círculo vicioso
Labels:
gotas
Alguém que não para a alguém que não acorda.
Um rastro de um vulto.
Uma dor de cor escura.
Esconde o andar atrás de outro.
Um coração vidrado, em ânsia.
Uma prisão de uma corrente amarrado
ao pé, não por uma esfera de metal
mas sim um peso humano, turvo.
Escorro as ruas com pesar
sigo uma vida sem vida, apenas queda.
Angustia e desespero na sola dos pés.
Sigo um rastro torto de prisão.
Escorre lama pelas ruas
ruma ao desaguar em uma boca de lixo.
Uma boca de sabor amargo
de armadilha em andar em círculos.
Uma função recursiva sem critério de parada.
Farpas da sociedade que sou,
repugno a mesma que apodrece.
Que sou mas não sou desta qualidade.
Um poço de lodo e desesperança,
seque em cíclica dança suicida.
Parecia não ser nociva,
mas no silêncio do teu sono te algemou.
Te arrasta, lenta e certa a morte dolorosa.
Leandro Borges
8 de out. de 2008
Neo-torre de babel
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experimental
Um império ruindo e rugindo.
As torres vão caindo, uma a uma.
Caem os peões, caem os bispos,
cairá a cavalaria e a rainha-liberdade?
Um xeque-mate contra o velho Sam?
Não cabe em um mundo, mundial.
Um país irmão mais velho, imperial?
A cada esquina há uma bandeira norte americana,
um cadáver e um terrorista?
O sonho acabou, a guerra afogou em mar de sangue,
a paz, o amor, a esperança e o sonho.
Morre a cada dia uma estrela,
no fim só sobrará, pólvora,
horror, estupidez, ignorância
e um farrapo de bandeira sem céu...
É como um grande musical,
de uma trágica e dolorosa morte,
ao som de rajadas, bombas, tiros,
explosões, gritos, berros e sofrimento.
Ao bom e velho estilo do velho Sam
abafando o som dos protestos, das passeatas,
dos movimentos, das palestras e dos despertares.
Uma minoria que ainda faz pensar.
Uma caçãocastelodecontodefadas a ruir,
uma neotorre de babel de silício, petróleo e artificialidade.
Uma fragilidade sem igual, sem tamanho.
As traçasvírusdecomputador do teu próprio fel
te atacam impiedosamente, sem cessar.
Um país agonizando na própria lama contaminada nuclear.
Chafurda no próprio vômito da empáfia, feito em egoísmo,
individualismo, megalomaníaco e grave depressão.
Leandro Borges
Vida customizada
Labels:
eu
O direito de sofrer todas as dores do mundo.
Passar por todas as tempestades, dias intermináveis,
lutas enclausuradas, restringir o viver a um cubo.
Atenção doentia do acordar ao dormir, tensão em cada músculo,
cada movimento, cada comportamento e intenção.
Há tanta luz, cor e flores lá fora.
Um mundo de poucas roupas, noites dormidas em desconforto,
tensões criadas, desemplificar do não óbvio.
As cordas emaranhadas nos nossos pés, uma mescla
de salvação e perdição, corda em forma de espagueti.
Pés descalços, vidros estilhaçados, fumaça,
ar ofegante, cabelos molhados, fogos e explosões.
Torres de babel customizadas, castelos privados,
um universo feito de ego e ouro.
Farpas caem da boca do cão, da cobra,
de todos os habitantes da grande babilônia.
Ruem em micropartículas todas as esferas,
ao redor das cabeças programadas para amar
um amor com data de validade vencida.
Um gigantesco rolo compressor da vida,
ao vence-lo minha essência está ainda mais concentrada.
Um cristal por muito tempo permanece em sombra.
Tenho a convicção que quando voltar a luz
irá brilhar como nunca fizera antes.
Não é a toa que uma flor morre.
Leandro Borges
Cárcere do medo
Labels:
gotas
A violência que mata o ser saudável.
Sem o direito de sair.
Sem o direito de viver.
Terceiromundísta de uma vida pseudo feliz.
Medo da rua, medo da não iluminação,
medo da esquina, medo da madrugada,
medo da estrada, medo do estranho,
medo da segurança, medo do movimento,
medo da mudança e medo da cor,
medo da pele, medo do brilho,
medo do metal, medo do vizinho,
medo do olhar e medo louco de viver.
Viver de violência, dor e desespero.
Me olho no espelho e vejo um prisioneiro,
um estranho e um naufrago.
Um cárcere privado,
um prisioneiro do terror alheio.
Confinado nas grades do medo
recluso de si mesmo.
Uma vida (roubada) por outra ameaçada.
Um lento morrer em vida.
Sem saída.
Se amor.
Sem sabor.
Olho pela micro janela gradeada trancafiada.
Tento ver daqui duzentos anos a paz.
Leandro Borges
Brasil, lixo, Brazil
É um Brasil que come lixo.
Quem sou eu pra saber de algo...
Eu gostaria de uma vida digna
a todos, e faço força para colocar
a minha centelha na criação do templo global.
Eu vejo mas não vejo.
Abram os olhos da alma dos egos,
todos egos de toda humanidade,
que separa, o seu ser de todo o corpo.
A aldeia global não pode ser
esquartejada em egos inflados e inflamados.
Como um saco de bolinhas de gude
dispersas no espaço, sem visão.
Somente inflam, explodem e morrem.
Não se unem, sem uma vida única.
Até quando não haverá somente uma esfera?
Perdoe a nossa miséria de alma senhor.
Leandro Borges
Parte, outro lado
Labels:
experimental
Manha, tudo passa.
Noite, deixa voar.
Chuva, queda no ar.
Vento, solo tempo.
Brisa, rosa criva.
Tarde, jas chuvosa.
Tufão, escorre chão.
Seta, rega rede.
Pingo, molha plexo.
Bate, ferro quebra.
Pala, lava lama.
Cama, perna chama.
Sofá, só momento.
Coro, come forro.
Vaso, forja alma.
Vidro, vibra osso.
Fêmur, fere coxa.
Mundo, bebe terra.
Globo, fura bola.
Carro, fogo pinho.
Final, chuva em sal.
Leandro Borges
Gotas no deserto
Labels:
gotas
Chove tanto que eu não tenho vontade de chorar.
Faz um tempo que o tempo não dá um tempo.
As desertificações, os buracos cada vez maiores
a camada decresce e o ozônio padece só.
As crescente desertificações...
Eu quero e não quero você, ela diz.
Eu quero e não quero viver, ele diz.
Eu preciso sair, não te ver, viver, ela diz.
Eu preciso sair, viver em ti, matar em ti a minha solidão, ela fala.
A procura de uma porta de saída,
prefiro ficar com o mais provável, com o nada.
Onde a falsidade dança um tango choroso.
Caem lágrimas das nuvens, choram outra vez,
escorre pelas ruas a extensão das minhas veias.
Bate oco no meu peito, um vazio desesperador, consome a alma.
Um deserto de vida, mesmo com tanta chuva.
Um deserto de cidade, mesmo com tantas pessoas.
Um deserto no coração, mesmo com tanto sangue.
Uma vida de mentira, uma tristeza.
Vivo em ti a vida, sem você eu sobrevivo.
Eu não vivo sem a tua solidão, será minha?
Só sei viver por você ou até você?
Eu, simples, me projeto, e sem você - como tela - não há filme.
Uma falsa realidade, um palco de ilusão todas noites.
Só venço a solidão ao dançar sozinho, em um lapso de lucidez.
Descubro quem eu sou e sou apenas por um instante;
até o termino da bela melodia.
Assim como a vida chega ao fim.
A finitude da vida, o curvar do tempo.
Sem harpa para tocar, morro nesse rio revolto em meio ao deserto.
Leandro Borges
4 de out. de 2008
Amor incondicional
Labels:
eu
O amor incondicional que move o universo.
A força maior, o primeiro amor de toda existência.
Tudo que se move queima pela primogênita chama
combustível de todo o movimento, vibração.
É somente um e bilhões ao mesmo tempo.
Cada coração toca a canção universal
do som incondicional de uma nota só.
Toda cor, todo calor, toda luz
tem a sua raiz em um só caminho.
Há somente um amor, aquele que não impõe condições.
Tudo mais que existe é ilusão.
Tudo mais que existe é círculo vicioso.
É Maya.
É Samsara.
O ego doente aponta pra si, como um ciclo perdido.
Não há caminho ao andar em eternos círculos.
Está dentro de nós e em todo lugar
a luz, o caminho, a criação e o criador.
Há uma semente do céu em cada coração
temos o potencial do amor universal,
o sentimento primordial, único e incondicional.
Leandro Borges
7 de set. de 2008
tratado como um objeto padeço
esqueço o que sou
vejo o mundo turvo
vivo a vida que não queria
apenas mais um
um corpo, desuniforme, sem traço nem coração
rasbiscam meu corpo
me dão de comer
visceras em flor
paro diante da sintonia
agora emudeço na dissonância
enclausuro na dor
penso na flor
e sinto a dor
a dor de todas as dores
esqueço o que é o prazer
e sinto remorso de conhecer a alegria
pois que agora me é tirada, me sinto escravo da lembrança
uma ventania passa, passa semanas e me leva de você
será que é pedir de mais pra mim, uma garota assim?
esperando as unhas
roendo as horas
olhando o vento
quem sabe ele me traz você
...
esqueço o que sou
vejo o mundo turvo
vivo a vida que não queria
apenas mais um
um corpo, desuniforme, sem traço nem coração
rasbiscam meu corpo
me dão de comer
visceras em flor
paro diante da sintonia
agora emudeço na dissonância
enclausuro na dor
penso na flor
e sinto a dor
a dor de todas as dores
esqueço o que é o prazer
e sinto remorso de conhecer a alegria
pois que agora me é tirada, me sinto escravo da lembrança
uma ventania passa, passa semanas e me leva de você
será que é pedir de mais pra mim, uma garota assim?
esperando as unhas
roendo as horas
olhando o vento
quem sabe ele me traz você
...
31 de ago. de 2008
Ciclone invasor
Rajadas de ar tremem as janelas.
Bate na porta, assobia as frestas.
Assopra em ondas, vibram as paredes.
Ruídos dos vidros, invadem a casa.
Estala a madeira, atribulam as cortinas.
Vento frio vem em furiosos tufões.
Correnteza selvagem devastadora.
Corre forte, estrondo na porta em socos.
Ventania desleal, nos desafia.
Quando tudo estava em paz,
traz o novo, a memória,
o medo e o enfrentamento.
Ciclone indomado, fera fulgorosa.
Explode para todos com extremo furor.
Bate.
Treme.
Vibra.
Sopra, continua a soprar.
Não para.
Ruídos, assobio das frestas.
Aumenta o frio.
Aumenta o desespero.
Arrasta a noite tempestuosa.
Tormenta; venta, como venta.
Bate.
Treme.
Vibra.
Vento intruso,
Vento gatuno.
Vento salteador.
Rouba a minha paz.
Faz da calmaria, tempestade.
Desperta todos os medos
mais secretos, dos descobre
cada canto empoeirado.
Ar invasor, sem regras e sem perdão.
Impetuoso oscilar.
Lança a prova a estabilidade.
Momento de confronto com o interior.
Desvenda a fragilidade e dor.
Entorta as árvores.
Gritam as paredes.
Troveja a sala.
Gritam as janelas.
Balança o luar.
Impede o sonho.
Bate nas paredes.
Assusta.
Bate nas janelas.
Apavora.
Um barulho sufocante.
Cala a segurança.
Bombardeia o pensamento.
Assopro gigante voraz.
Ventania, cão selvagem.
Inunda as frestas da minha alma.
Leandro Borges
Auto-eclodir
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eu
A verdade é que agora já sou outro.
Outro que outro não conhece.
Agora sei quanto vale cada minuto.
O embate da vida estabelecido.
O valor de cada pingo em cada i.
O outro eclodido de outro.
Suspendido por cada centavo.
O equilíbrio mental por um fio.
A sanidade por um fio.
A vida contra a morte.
Faz frio, ainda chove.
Venta muito, continua o ciclone.
Eu tenho fome, falta pão.
Me falta chão, teto.
Anda deserto os dias.
Ando no deserto por dias.
Me treme os ossos, me dóem.
Tudo me parece tão estranho, falso e postiço;
Me canço de doer o peito.
Fico deitado tentando esquecer.
Uma vida toda pela frente
e também uma inteira pra esquecer.
Revejo o que vivi, o que vivo.
Família, minha vida em base.
Hoje sei quanto vale cada respiração.
Cada centavo, cada batida do coração.
Não há dinheiro que pague...
O sustento do vento da vida.
O sopro de alma atribula o corpo.
O tempo morto não quisto.
Não desisto de viver.
A flor da dor brota no peito em sangue.
Vermelho sangue.
Negra flor.
Derrete nas lágrimas
toda a alegria que eu tinha contigo.
Planto rosas brancas na meu jardim.
Deixo a brisa soprar levemente.
Aprendo o valor do trabalho.
Aprendo o valor da vida.
Aprendo o valor do amor.
Leandro Borges
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