Chove.
Por mais um dia chove...
Chove, sim, por mais um dia ainda chove.
A cada gota que explode na borda da minha janela.
Tenho um flash do rosto dela.
Lembro do rímel borrado, escorrido
de tanto ter chorado
as lágrimas que eu te dei.
O choro negro que eu te dei...
Lembro de cada noite fria, chovia,
que por vezes em meus braços dormia
depois de ser vencida pelo sono.
A cada segundo, era mais um para nós,
era mais uma gota de eternidade.
Lembro da infinitude do teu olhar.
Era um brilho sem igual, hoje sei.
Lembro que não entendia
a tua irradiante alegria, hoje sei.
Lembro dos teus dias turvos.
Pensava que a culpa era minha, hoje sei.
Lembro da minha insensatez, minha arrogância,
insegurança, ciúmes e egoísmo.
Era como um cego suicida, hoje sei.
Afoguei, soterrei, incendiei e devastei.
Matei o que de mais bonito havia entre nós, hoje sei.
Como não chorar ao lembrar de ti,
ao lembrar de mim e do monstro que eu era.
Refletir me fez mudar, fluir como a chuva.
É, hoje eu sei. E como sei...
Foi aquela chuva negra que eu te dei.
Chora.
Por mais um dia chora...
Chora, sim, por mais um dia ainda chora.
Leandro Borges - 23/06/2012
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27 de ago. de 2022
4 de jun. de 2009
Ela diz:
Labels:
gotas
Eu não fiz amor com o teu pai.
Eu quero saber de ti.
Dá pra ser mais claro, querido?
Tem dias que nem me olhas nos olhos
tem outros que teu rosto nem mesmo eu sei.
Tem horas que eu me vejo sonhando na escada
tem outras que eu fico sozinha como um pássaro.
Os vãos me parecem muito mais interessantes que ela em si.
Da minha janela eu via a tua sombra, hoje não consigo nem ver a minha.
São tantos sons que invadem o meu coração que eu já nem sei como ele ainda bate.
As portas me parecem todas distantes assim como o teu coração.
Sim, eu também lembro daquele bilhete que eu te escrevi no teu aniversário,
e podes estar certo, tu és ainda muito especial pra mim.
Hoje eu acordei a mais feliz das mulheres e também a mais triste.
Sim, porque pra mim esses sentimentos coexistem de forma natural.
Meus cabelos longos, tão longos, que um dia eu cortei pra ti ver sofrer
eu também os pintei pra ti ver sofrer ainda mais, sim porque os cabelos são meus,
quero tu saibas bem disso, e que fique tudo muito claro entre nós.
São pontos e fios saindo de nossas cabeças.
E como elas dançam!
São tantos movimentos que meu pensamento fica cansado em querer gravar.
Acompanho o aqui e o agor, deixa que lá fora o inverno corra e vá embora.
O que me incomoda é que de todos esses anos passou
e tu ainda não aprendeu a amar.
Olha quantas garotas tu já conheceu.
Sim eu sei, não vou dizer isso, é claro que elas também te usaram.
Não sou louca nem machista a esse ponto.
Já viu como as folhas caem?
Sim podes esmaga-las, mas nunca se tornaram um "nada",
mesmo que estejam em pó.
Elas continuam folhas de certa forma.
Olhe o universo com olhos e o coração de criança, com a pureza inicial.
Leandro Borges
Eu quero saber de ti.
Dá pra ser mais claro, querido?
Tem dias que nem me olhas nos olhos
tem outros que teu rosto nem mesmo eu sei.
Tem horas que eu me vejo sonhando na escada
tem outras que eu fico sozinha como um pássaro.
Os vãos me parecem muito mais interessantes que ela em si.
Da minha janela eu via a tua sombra, hoje não consigo nem ver a minha.
São tantos sons que invadem o meu coração que eu já nem sei como ele ainda bate.
As portas me parecem todas distantes assim como o teu coração.
Sim, eu também lembro daquele bilhete que eu te escrevi no teu aniversário,
e podes estar certo, tu és ainda muito especial pra mim.
Hoje eu acordei a mais feliz das mulheres e também a mais triste.
Sim, porque pra mim esses sentimentos coexistem de forma natural.
Meus cabelos longos, tão longos, que um dia eu cortei pra ti ver sofrer
eu também os pintei pra ti ver sofrer ainda mais, sim porque os cabelos são meus,
quero tu saibas bem disso, e que fique tudo muito claro entre nós.
São pontos e fios saindo de nossas cabeças.
E como elas dançam!
São tantos movimentos que meu pensamento fica cansado em querer gravar.
Acompanho o aqui e o agor, deixa que lá fora o inverno corra e vá embora.
O que me incomoda é que de todos esses anos passou
e tu ainda não aprendeu a amar.
Olha quantas garotas tu já conheceu.
Sim eu sei, não vou dizer isso, é claro que elas também te usaram.
Não sou louca nem machista a esse ponto.
Já viu como as folhas caem?
Sim podes esmaga-las, mas nunca se tornaram um "nada",
mesmo que estejam em pó.
Elas continuam folhas de certa forma.
Olhe o universo com olhos e o coração de criança, com a pureza inicial.
Leandro Borges
8 de dez. de 2008
O despertador
Labels:
gotas
Eis então ele sobe ao topo do monte. Infla forte os seus pulmões e dispara as quatro pétalas da rosa dos ventos um leve e ressonante canto. Uma melodia invade todas as dimensões. Reverbera nos corpos. Traz luz. É quebrado a bruma do sono que cobria todos os lugares. Olham a sua volta, admiram o horizonte, todos já com os olhos abertos, ainda assim, abrem os olhos. Acordam depois de décadas. Seus olhos brilham mais do que nunca. Seus corpos irradiam luz. Outros saem de seus tronos, cavernas, casulos, esferas. Rompem a barreira, abrem seus corpos, também começam a irradiar luz. Então ele vê com alegria, e todos inflam forte os seus pulmões e disparam as quatro pétalas da rosa dos ventos um leve e ressonante canto.
Leandro Borges
Passa uma sombra
A sombra da alma aprisiona o coração, a vida; a cor.
É uma sombra que passa.
Adoece a todos no seu rastro negro.
Polui os pensamentos, confunde a direção.
Perde-se no labirinto da mente.
É lama.
É fumaça.
É escuridão.
Em um fundo de túnel, poço, lago;
vejo a densa massa que se alastra.
São correntes, grades, grilhões,
fardos, são farpas estéreis sem vida.
Leandro Borges
Para os ponteiros
Labels:
gotas
Isso não termina nunca.
Nada acontece.
Tudo para.
Não há emoções.
Como água morna.
Deito, como se dormir
fosse alguma saída.
Nada emociona.
Tudo entendia, tudo chateia.
Tudo me parece igual.
Uma mesmisse pasma e acomodada.
Passa por um ano, que para lugar nenhum vai.
O beijo da vida tem gosto insipito.
Eram flores em cores vividas,
agora são um ramalhete murcho de cores pasteis.
Leandro Borges
20 de nov. de 2008
13 de out. de 2008
Seduzidos pelos véus
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gotas
São tantos véus que sufocam
todos os sentidos,
confundem os sentimentos,
adormece a consciência na névoa.
A beleza.
A fama.
O poder.
O dinheiro.
O amor romântico.
O status.
A personagem.
Fantoches escondem o seu dono.
Correm atrás de ilusões consecutivas.
Seduzidos pelos véus de Maya.
Seguem como sonâmbulos para o abismo.
Leandro Borges
Círculo vicioso
Labels:
gotas
Alguém que não para a alguém que não acorda.
Um rastro de um vulto.
Uma dor de cor escura.
Esconde o andar atrás de outro.
Um coração vidrado, em ânsia.
Uma prisão de uma corrente amarrado
ao pé, não por uma esfera de metal
mas sim um peso humano, turvo.
Escorro as ruas com pesar
sigo uma vida sem vida, apenas queda.
Angustia e desespero na sola dos pés.
Sigo um rastro torto de prisão.
Escorre lama pelas ruas
ruma ao desaguar em uma boca de lixo.
Uma boca de sabor amargo
de armadilha em andar em círculos.
Uma função recursiva sem critério de parada.
Farpas da sociedade que sou,
repugno a mesma que apodrece.
Que sou mas não sou desta qualidade.
Um poço de lodo e desesperança,
seque em cíclica dança suicida.
Parecia não ser nociva,
mas no silêncio do teu sono te algemou.
Te arrasta, lenta e certa a morte dolorosa.
Leandro Borges
8 de out. de 2008
Cárcere do medo
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gotas
A violência que mata o ser saudável.
Sem o direito de sair.
Sem o direito de viver.
Terceiromundísta de uma vida pseudo feliz.
Medo da rua, medo da não iluminação,
medo da esquina, medo da madrugada,
medo da estrada, medo do estranho,
medo da segurança, medo do movimento,
medo da mudança e medo da cor,
medo da pele, medo do brilho,
medo do metal, medo do vizinho,
medo do olhar e medo louco de viver.
Viver de violência, dor e desespero.
Me olho no espelho e vejo um prisioneiro,
um estranho e um naufrago.
Um cárcere privado,
um prisioneiro do terror alheio.
Confinado nas grades do medo
recluso de si mesmo.
Uma vida (roubada) por outra ameaçada.
Um lento morrer em vida.
Sem saída.
Se amor.
Sem sabor.
Olho pela micro janela gradeada trancafiada.
Tento ver daqui duzentos anos a paz.
Leandro Borges
Gotas no deserto
Labels:
gotas
Chove tanto que eu não tenho vontade de chorar.
Faz um tempo que o tempo não dá um tempo.
As desertificações, os buracos cada vez maiores
a camada decresce e o ozônio padece só.
As crescente desertificações...
Eu quero e não quero você, ela diz.
Eu quero e não quero viver, ele diz.
Eu preciso sair, não te ver, viver, ela diz.
Eu preciso sair, viver em ti, matar em ti a minha solidão, ela fala.
A procura de uma porta de saída,
prefiro ficar com o mais provável, com o nada.
Onde a falsidade dança um tango choroso.
Caem lágrimas das nuvens, choram outra vez,
escorre pelas ruas a extensão das minhas veias.
Bate oco no meu peito, um vazio desesperador, consome a alma.
Um deserto de vida, mesmo com tanta chuva.
Um deserto de cidade, mesmo com tantas pessoas.
Um deserto no coração, mesmo com tanto sangue.
Uma vida de mentira, uma tristeza.
Vivo em ti a vida, sem você eu sobrevivo.
Eu não vivo sem a tua solidão, será minha?
Só sei viver por você ou até você?
Eu, simples, me projeto, e sem você - como tela - não há filme.
Uma falsa realidade, um palco de ilusão todas noites.
Só venço a solidão ao dançar sozinho, em um lapso de lucidez.
Descubro quem eu sou e sou apenas por um instante;
até o termino da bela melodia.
Assim como a vida chega ao fim.
A finitude da vida, o curvar do tempo.
Sem harpa para tocar, morro nesse rio revolto em meio ao deserto.
Leandro Borges
31 de ago. de 2008
Ciclone invasor
Rajadas de ar tremem as janelas.
Bate na porta, assobia as frestas.
Assopra em ondas, vibram as paredes.
Ruídos dos vidros, invadem a casa.
Estala a madeira, atribulam as cortinas.
Vento frio vem em furiosos tufões.
Correnteza selvagem devastadora.
Corre forte, estrondo na porta em socos.
Ventania desleal, nos desafia.
Quando tudo estava em paz,
traz o novo, a memória,
o medo e o enfrentamento.
Ciclone indomado, fera fulgorosa.
Explode para todos com extremo furor.
Bate.
Treme.
Vibra.
Sopra, continua a soprar.
Não para.
Ruídos, assobio das frestas.
Aumenta o frio.
Aumenta o desespero.
Arrasta a noite tempestuosa.
Tormenta; venta, como venta.
Bate.
Treme.
Vibra.
Vento intruso,
Vento gatuno.
Vento salteador.
Rouba a minha paz.
Faz da calmaria, tempestade.
Desperta todos os medos
mais secretos, dos descobre
cada canto empoeirado.
Ar invasor, sem regras e sem perdão.
Impetuoso oscilar.
Lança a prova a estabilidade.
Momento de confronto com o interior.
Desvenda a fragilidade e dor.
Entorta as árvores.
Gritam as paredes.
Troveja a sala.
Gritam as janelas.
Balança o luar.
Impede o sonho.
Bate nas paredes.
Assusta.
Bate nas janelas.
Apavora.
Um barulho sufocante.
Cala a segurança.
Bombardeia o pensamento.
Assopro gigante voraz.
Ventania, cão selvagem.
Inunda as frestas da minha alma.
Leandro Borges
28 de jul. de 2008
Gotas
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gotas
Um copo de água, sem gosto, sem nada.
Era para o seu nada que ela bebia água.
Ao fletar com o raio do teu olhar, olhei ao fundo o vácuo que causei.
Uma vida cheia de dúvidas, cheia de pregos e solidão.
Encharcada pela água, empapada de suor, as gotas de lágrimas se camuflam em meio as tuas águas.
Uma vida partida, um vento cortante, um copo d'água com sal, rajadas de vento: um ciclone extratropical.
É tanta chuva que eu não consigo pensar, parece que o mundo chora por dias.
A alegria dela não me contagia, as vezes até me repele.
Um mundo dele parece ruir, queria entrar, mas ele tranca todas as portas.
Poderia a ajudar a restarar as paredes, mas só consigo ficar do lado de fora e ver tudo ruir.
Leandro Borges
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