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27 de ago. de 2022

Por mais um dia ainda

Chove.
Por mais um dia chove...
Chove, sim, por mais um dia ainda chove.
A cada gota que explode na borda da minha janela.
Tenho um flash do rosto dela.
Lembro do rímel borrado, escorrido
de tanto ter chorado
as lágrimas que eu te dei.
O choro negro que eu te dei...
Lembro de cada noite fria, chovia,
que por vezes em meus braços dormia
depois de ser vencida pelo sono.
A cada segundo, era mais um para nós,
era mais uma gota de eternidade.
Lembro da infinitude do teu olhar.
Era um brilho sem igual, hoje sei.
Lembro que não entendia
a tua irradiante alegria, hoje sei.
Lembro dos teus dias turvos.
Pensava que a culpa era minha, hoje sei.
Lembro da minha insensatez, minha arrogância,
insegurança, ciúmes e egoísmo.
Era como um cego suicida, hoje sei.
Afoguei, soterrei, incendiei e devastei.
Matei o que de mais bonito havia entre nós, hoje sei.
Como não chorar ao lembrar de ti,
ao lembrar de mim e do monstro que eu era.
Refletir me fez mudar, fluir como a chuva.
É, hoje eu sei. E como sei...
Foi aquela chuva negra que eu te dei.
Chora.
Por mais um dia chora...
Chora, sim, por mais um dia ainda chora.

Leandro Borges - 23/06/2012
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