29 de abr. de 2009
Lembrança branca
Não fala de amor assim,
pois de amor assim não pode ser...
Deixa de ser o que não se é.
O que não se sente.
Me deixe sozinho.
Uma vida deixada em vão.
Suspende o traço em cima da tela.
Diz que não vive, diz que não sonha...
Tocou outro dia um samba bonito, tão bonito...
Aí eu lembrei de você.
Lembrei do teu rebolado ou não.
Lembrei da minha sorte.
Da nossa insanidade de fantasia.
Da nossa mocidade.
Intensidade.
Vontade.
Amizade.
Cumplicidade.
Do nosso tesão.
Do teu blusão...
Daquele verão...
Ah que verão foi aquele!
Leandro Borges
Pleno, um
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Acompanha o voo das aves com os olhos.
Ouve a brisa leve no rosto, sente as árvores conversando, sente o odor da natureza pungente. Corre o pensamento sorrateiro, dança para toda esperança, deixa mais uma vez a melodia tocar, os lábios tão incertos pairam nos desertos de um paraíso escondido. A lua flameja e águas trazem o coração. As nuvens relaxadas deitam nas ondas distantes, falam para as dunas muitos versos, doces, baixinho. Vive dentro de um quadro, percebe o instante da vida, cores contrastadas, luzes e sombras afloradas, o pensamento para no tempo, mergulha no momento, volta com o vento. Para, com mil braços abraça, novamente o sente. Sente-se um.
Leandro Borges
Corre a vida
Um passo fora do espaço.
Digo que fui um.
Não pise na grama.
A tarde e a noite transadas.
Manofaturo meu fururo.
Teço no aqui e agora.
Sai, de uma esfera para outra.
Um subito espasmo no tempo.
Vê num flash toda a vida.
O pouso da memória
No porta-aviões dos sonhos.
Corre, deixar correr,
que essa corrida é merecida,
é digna e febril.
Tangueia no Samba e
Samba no Tango.
Leandro Borges
23 de abr. de 2009
Sozinho, Bar cheio
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Na mesa fria
vazia
não encontro o amor.
Tenho a vontade de conhecer-te
errada
de tantas erradas estou farto.
Errado, errante sigo em curvas
tortuosas e labirinticas.
Não vejo retas as paredes desse bar,
todas me parecem envergar.
Se contraem e expandem freneticamente.
Bebo um mar de cerveja, pouso em uma ilha
e não encontro mais ninguém.
vazia
não encontro o amor.
Tenho a vontade de conhecer-te
errada
de tantas erradas estou farto.
Errado, errante sigo em curvas
tortuosas e labirinticas.
Não vejo retas as paredes desse bar,
todas me parecem envergar.
Se contraem e expandem freneticamente.
Bebo um mar de cerveja, pouso em uma ilha
e não encontro mais ninguém.
5 de abr. de 2009
Banho
Água cheia de vida
Escorre através e veste o corpo
Protege e nutre
Equilibra
Revigora
Tenho alegria no teu leito
Tenho alegria no meu peito
Caminho o caminho
Passo o passo
Gota a gota
Brilha intensamente
Refletidas imagens
Água viva
Cercado como um túnel de luz
Rolam águas de uma nova vida
Onde as grande águas moram
Onde todos os rios moram
De todos os planetas
De todo o universo
Todos eles se encontram
Onde tudo flui
Onde tudo há.
Leandro Borges
3 de abr. de 2009
O teu perdão
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eu
Não há casa pra morar
Eu não vivo mais
Eu não vejo mais
Eu não sinto mais
Eu apenas olho
Tua mão na minha face
Meu desespero, torno a adormecer
Minha paz é o teu coração
Me de o teu perdão
A tua mão
Vamos dormir e sonhar.
Leandro Borges
2 de abr. de 2009
O segredo é não te-las e sim convive-las.
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curto
O segredo é não te-las e sim convive-las.
Leandro Borges
Leandro Borges
Um dia acontece
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A grande verdade é que ainda procuro,
E nessa busca gostaria de não buscar
E sim, que aconteça.
Um belo dia uma seta de luz nos encontra.
Os olhos então param de se perder
Então toda nossa geração olha e encontra.
Não por estar procurando
Simplesmente a paz se instala nos corações
Milhares de corações em par se fundem
Encontram unidade, se repelem, se atraem
Se completam, se antagonizam
Choram, sorriem, brigam, conciliam,
Explodem, abraçam, quebram, reintegram,
Plenos; completam juntos em par a caminhada da vida.
Leandro Borges
Um pano branco a espera
Labels:
experimental
Foi sorte?
Foi destino?
Foi acaso ou desatino?
O que vale mais:
Um passado glorioso ou
Um presente glorioso?
Passado, não é passado quando o vídeo da vida
É ainda rodado no presente.
Memórias não são passado
Enquanto não forem esquecidas
Como um rolo que vira em pó, uma media deletada...
O projetor continua lá, esperando o rolo,
Será o antigo ou o novo filme da próxima sessão?
Leandro Borges
Voa distante
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Instante voa distante
Vitória da memória
Resgata o infinito
Tece com vozes o alvorecer
De uma chama de flores
Infestado de um enxame de cores.
Um coração transborda dos ventos da paixão
Transfigura a própria vida e sintetiza em canção
É um caminho simples.
O resgate da pureza.
Faz um laço de carinho
Unidos por um só coração.
Esvoaçam as correntes dos destinos
Tintilam com os sons sinérgicos
Tramas de vidas outrora desconhecidas.
Uma dança entre os dados de Deus e o amor.
Ponteiros
Lugares
Pessoas
Eterniza este momento por inteiro para lembrar
todos os dias que uma noite foi plena, única e mágica.
Leandro Borges
31 de mar. de 2009
Dissonância
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eu
Durmo torto, sinto torto
Como torto, falo torto
Respiro torto, ando torto
Bebo torto, amo torto
Penso torto, ajo torto
Caminho torto, trato torto
Consumo torto, cresço torto
Transpiro torto, vivo torto
Ouço torto, toco torto
Cheiro torto, vejo torto
Acordo torto, brinco torto
Degusto torto, imagino torto
Creio torto, adoeço torto
Vivo torto, morro torto.
Leandro Borges
Quem dirá
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curto,
experimental
Todo o potencial de recriar.
Um homem que escolhe é escolhido?
Somo apenas um filme já gravado?
Somos marionetes da sorte?
Não temos o potencial de escolha?
Somos o fruto do nosso caminho
Ditado pelo andar e o próprio caminho?
Todo homem a margem é fadado ao crime?
Toda a dureza do mundo é criador do criminoso?
Não acredito em certezas imutáveis
Somente as fatalidades são certas
Como a seta lançada ao ar.
Leandro Borges
Acordem
Labels:
eu,
experimental
Arde a indignação forte.
Sem ninguém acordado ao redor
A solidão de estar cercado de
milhões de sonâmbulos.
Um instante que só gera tensão
Não flui em criatividade
Não se transforma em alegria.
Ferido por dentro
Julgado por facas cegas
Ando no fio do teu fel.
Ferido por surdez, incompreensão, cegueira
Um adormecer da realidade.
Caem as máscaras.
Caem os véus.
Que caiam todas!
Leandro Borges
Posto em Cena
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Eu te trago alucinações sonoras.
São brilhantes, sons dançantes.
Eu não quero uma garota impossível
Fazer rir uma mulher com depressão
viver um amor sem chão.
Que seja possível o mundo
Me deixa ser eu mesmo
Me entende ao menos dessa vez.
Não te feri por mal
Estava com uma vida doente
Era um menino perdido no mundo
Sem a consciência do seu próprio.
Existir, viver, ser e relacionar.
Sem tato vivi.
Sem rumo vivi
Em um raio te perdi.
Deixei-me mostrar o eu renascido
aquele mesmo eu que te viu pela primeira vez
Eu vivo tão só
Sem dó
Nem dor.
Lembro ainda da constelação do teu olhar
Da tua forma doce de ser, agir, viver e amar
Amor.
Leandro Borges
Prova vida
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experimental
Feito em caixa.
Prova viva.
Feito em pasta.
Prova o gosto.
Feito em fogo.
Prova sal.
Feito em prata.
Prova céu.
Feito em nuvens.
Prova papel.
Feito em brasa.
Prova luz.
Feito em diamante.
Prova terra.
Feito em coração.
Forjado em gloria.
Feito em sonho.
Forjado em vida.
Leandro Borges
24 de mar. de 2009
Encontro
Na mesa fria
vazia
não encontro o amor
não encontro poesia.
Tenho a vontade de conhecer-te
errada
de tantas erradas estou farto.
Errado, errante estou farto de ser.
Sigo em curvas tortuosas e labirínticas.
Não vejo retas as paredes desse bar,
todas me parecem envergar em cima de mim.
Se contraem e expandem em ritmo frenético.
Bebo mais um gole de cerveja e não encontro ninguém.
Leandro Borges
Abismo de Neve
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Cercado por vinte mil garrafas
penso em logo voltar para o fundo
desse copo raso e gelado.
Entre as cadeiras deixo uma fresta de mim,
do meu vazio, de um veneno viscoso e frio.
Entre as tuas pernas cruzam
o meu olhar e a tua gentileza.
Teus olhos queimam nas paredes
da minha boca, e o teu sabor
ainda está em mim, nos meus lençóis,
na minha roupa, no meu cachecol.
A tua boca suave faz sangrar
os meus lábios, o pensamento; a memória.
Sugas a fumaça e deixa alguns minutos queimados,
adquire muitas e muitas bactérias ao beijar-me.
Teu gosto me recorda o tempo que a grama
era verde, agora é branca e são muitas gramas.
Segues um rastro de neve feito em filete,
usas um espelho, mas nele apenas consegues olhar
o fundo dos teus pesadelos, a tua narina: nua.
Teu desejo repulsa meu beijo.
Te olho com outros olhos.
Me cheiras com outro nariz.
Mete o teu onde quiseres
- Eu cuido do meu muito bem, meu bem!
Agora não me pede pra apoiar o teu
que o abismo sem fim da perdição é logo ali.
Leandro Borges
Copos Vazios
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eu,
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Os meus amigos estão aqui
sentados,
não bebem.
Conversamos, ficamos em silêncio,
nos olhamos mas não bebemos.
Todos estão procurando
e procurando: nada a encontrar.
Os meus amigos estão aqui
sentados,
não, eles não bebem.
Só queremos nos divertir, viver, sorrir
e beber, mas a grana tá pouca.
A alegria tá escondida
assim como está negra essa ferida.
Os meus amigos estão aqui
sentados,
é verdade, mas não bebem não.
Passou uma onda, levou o ouro, alegria,
coragem, gana, ousadia, amor e desejo.
Nos deixou apenas a depressão profunda e o copo vazio.
Leandro Borges
21 de mar. de 2009
Despedida
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eu,
experimental
Me da as costas e morro.
As costas
Outra vez morro.
As costas novamente
E a morte me beija outra vez.
De tanto morrer
De cada vez acordo menos vivo.
É necrosado o tecido!
Hei de tanto morrer
Vendo só as tuas costas: morrendo...
Tenho medo de tanto morrer
Não acordar mais do pesadelo.
Certeiro.
Fulminante.
Escaldante.
Doloroso.
Mau cheiroso.
Uma centena
De mortes em vida.
Leandro Borges
20 de mar. de 2009
Porto Alegre de todos corações
Eu tinha quase dezessete.
Uma cidade para conhecer e conquistar.
Tudo me parecia maior.
Tudo me parecia perigoso.
Era novidade toda banalidade.
Como era bom acordar cedo
ir ao último ano do colégio
e ser recebido de braços abertos.
Mesmo sendo um completo estranho.
Conhecer Porto Alegre pelo coração das pessoas.
Contos.
Casos.
Histórias.
Conhecer uma Porto Alegre que não se encontra em cartões postais,
e sim é olhando nos olhos, é sentindo o carinho.
Porto Alegre feito de açúcar.
-------------feito de pôr-do-sol.
-------------feito de parques, roda de amigos com ou sem chimarrão.
Meu encanto, minha sina.
A tua magia de formar casais.
A tua magia de fazer chorar de dor e alegria ao mesmo tempo.
Meus olhos brilham do teu olhar.
A tua guria dos olhos nos meus.
O sol dos teus olhos se põem nos meus.
Olhos de Marinha
de Gazometro
Ipanema
Redenção
Parcão
Minha vida se encontra
entre a Borges e a rua da Praia.
Foi no frio do teu inverno
que conheci o fogo do teu coração.
Chove corações
abre o sentimento
a ferida aberta
a flor da pele
o lírio do teu sangue.
Porto Alegre de flores, suicídios, paixões, dores, amizades, solidões, carinhos, bairrismos, compaixões, machismos, saudades, tradição.
Porto Alegre de valor, desencontros, liberdade, lealdade, falso amor, confiança
e brota do teu seio a esperança infinita, bonita; é bonita!
Leandro Borges
5 de mar. de 2009
A vida não é um catavento multicolore derretido
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Fácil - sonhos - vida - dimensão - eles
"Fácil" é viver em um catavento multicolore derretido.
Onde o viver é feito de engarrafar nuvens e "sonhos".
A "vida" nua e crua que finca os pés no chão
vê a alegria e a tristeza da vida plenamente.
Entende que o mundo não é apenas o seu, e sim
o entende em uma "dimensão" maior: ampla.
É pena que "eles", muitos deles, ainda não despertaram.
Infelizmente não tem uma consciência lúcida e não cega.
Leandro Borges
11 de fev. de 2009
Volto logo
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Conto
Era uma noite fria de verão, sabia o quanto sonhará em conhecer o mundo. Tinha na memória os seus delicados dedos, as florzinhas pintada nas unhas. Um sorriso que invadia a alma, um sorriso, uma alegria que enchia de cor a aura. Seria apenas uma viagem a Bali, teria na volta muito tempo para reconciliar, abrir seu coração e reconquistar a sua pequena.
Estava na véspera de sua partida e certa hora, depois de muito refletir, no meio do parque, em sua roda de amigos diz:
- O ego é aquele que quando toma o centro do palco e expulsa todos, o mundo a sua volta se transforma. O orgulho se desvirtua, a virtude se desipa. Quero dizer a todos que o amor é o veneno que o ego não se envenena. Eu ainda luto contra a minha teimosia, e espero que na volta tenha coragem e força para vencer o orgulho.
Fora seu último encontro com os seus amigos nesse ano, a ultima palavra, o ultimo adeus antes da partida. Pensava muito, pensamentos rodeavam a sua mente. Tinha medo dela ter se tornado uma outra pessoa, uma pessoa que nunca tinha visto. Pensava nas outras possibilidades também da vida sem ela, e tudo parecia muito vazio sem ela, sem sentido. Sentia saudades do ano que passou, dois mil e um para ele tinha sido muito mais colorido.
Viu as árvores coomo se fosse a última vez, o gorgear dos pássaros como uma despedida arrastada e longe canto, sentiu o adeus dos seus pais no aeroporto com um aperto profundo no peito. Lembrava do primeiro beijo que dera em Gabriela, sua pequena, a menina, a mulher por quem amava e sofria. A dor de um amor, seus olhos de adeus pela grade...
A idéia de viajar fazia muito bem, fervilhava a sua alegria de viver, novos ares, novo ânimo, novos tempos; não seria mal conhecer outra cultura, outros valores, muito formas de amar e ser feliz.
Imaginava correr pelas praias de Bali, admirar as flores e sabores, lugares e pessoas novas. Um mês certamente passaria rápido, aliviaria a sua mente e o seu coração, seriam os trinta dias mais rápidos de sua breve vida. Uma melodia suave tocava na sua memória, um baile de formatura, via a alegria novamente nos olhos de Gabriela, via logo depois nos mesmos olhos, a decepção.
"Daria meu mundo pra ver o teu acordar, o teu nascer do sol, a tua alvorada, o amanhecer do teus olhos, do ser. Os primeiros raios do olhar dela, aqueciam o coração. O mais triste desse amar, é que talvez, esteja amando o passado, que agora ela seja outra." Pensava e repensava nessas palavras.
Os ventos fortes tribulavam as imagens da dua memória. Disolvia a sua história no ar. Pensava como em poucos anos ele conhece alguém, aprende a voar a dois e depois, tem que somente andar e se contentar a desviar dos buracos do caminho, quando não cai neles.
No alto do alçar voo, gradativamente via como tudo que era grande se tornava pequeno, ínfimo, quase insignificante ao olhar. No mesmo momento nascia o medo do amor de gabriela fazer o mesmo movimento.
Sua nuca gelava, via a figura de uma mulher de pele super branca, um véu negro cobrindo meio rosto. A face desventura do desamor. Era um deserto, um mundo sem cor. Era frio, vazio, uma dor no coração.
Acordou no meio do voo, olhara para o lado e vira uma pequena como Gabriela, mas sem o brilho no olhar, de qualquer forma, ficou perturbado porque não saberia o que falar, o que dizer, o que fazer. Sobrou apenas um cartão que ela escreveu no segundo aniversário de namoro. Todos os outros tinha já queimado. Queria ela como ela era, porque o que era certamente amava ele, e aquilo que ela se torou tinha medo de não o amar mais. Era insuportável a dor de amar alguém que o amava e não o ama mais, era muito pior. Já amar e não ser amado era normal. O problema era ver as rosas se tornarem um punhado de pregos. Ver um olhar que brilhava como um diamente, apenas por te ver se tornar em um olhar vazio, oco.
Acorou novamente, quando o avião estava pousando, ele sorria para todos sem entender uma palavra, tentava gesticular em vão, então chega um guia falando inglês. Com um inglês não tão bom, meio enferrujado, conseguiu se virar com o guia amador.
"Direto do aeroporto para praia." Queria ver o oceno Indico, olhava o mar e sabia que quando voltasse falaria com Gabriela de coração aberto, sem medo, seria para ela todo seu amor, perdão e sua segunda chance pediria. Teria mais trinta dias para desfrutar de todas as praias e passeios, olhava pela janela do vidro do taxi, olhou pra dentro do taxi e viu um calendário, era dia 12, uma bela tarde de sábado.
Ao mesmo tempo, pensava olhando tanta gente na sua frente, as mil possibilidades da vida, ficou pela primeira vez com o coração e mente repartidos. Uma grande bifurcação na sua vida abriasse.
Estava convicto que teria uma longa vida pea frente, um caminho progressor e feliz, certamente junto a sua amada, seja ela qual for, Gabriela, sua amada, sua pequena, sua branquela... ou quem sabe uma outra garota.
Na praia mesmo ficou sabendo de muitas festas que aconteceriam a noite, pensou bem e duas vezes e mais. Passou a tarde na praia, conheceu muitos estrangeiros. Era um lindo sádado de sol. Comeu petiscos exoticos na praia. Brincou com a areia e lembro do seu tempo de criança e como tudo era mais simples e não havia tantas escolhas a serem feitas.
Gostaria de resgatar a pureza e a simplicidade da vida, mas não conseguia ver um caminho para isso, pelo contrario, para ele a vida a cada ano que passava começava a criar mais e mais ramos de possibilidades, e muita a cobrança e pressão para que fisesse as melhores escolhas na vida.
Voltou a noitinha para o hotel, arrumou-se, tomou um banho. Na recepção do hotel conhece uma nativa, de nome XXXX. Ela tinha um brilho diferente de olhar.
Recém tinha chegado em Kuta. Bali lhe parecia tudo aquilo que espera e mais. A noite seria promissora como os hospedes lhe falaram do Sari Club, e era pra lá que ele iria nessa primeira noite. Com a carteira cheia de rúpias, seria facil beber muitas e muitas cervejas e relaxar.
Estava lá, no meio da noite, no Sari Club, seu recém conhecido Matt, um maluco australiano e surfista decadente, tinha já a sua barrigunha. Matt disse a ele que rinha escolhido o melhor mês para visitar Kuta, em outubro a ilha fica ainda mais linda! Fala para YYY que irá voltar ao hotel para buscar mais dinheiro. YYY ficou ali conversando com as amigas da garota que Matt já estava paquerando. Realmente as suecas são boa gente...
Era umas onze e quarenta e cinco, quase meia noite. Ele olhou a sua volta, eram tantos jovens se divertindo, de tantas nações, acreditou piamente que realmente o mundo tinha ainda uma esperança de não se aniquilar, sessar a morte entre irmãos da aldeia global. Um flash da sua vida cuidadosamente passa na sua mente como um raio.
Jovens dourados de sol.
Felicidade da vida de uma madrugada de ouro.
Uma linda ilha perfumada por Deus.
Tão delicada.
Encantadora e misteriosa.
Lendária da Indonésia,
bebe no teu seio, dançar nas tuas curvas
namorar em todas as tuas praias.
Águas verdes, um paraíso de muitas nações,
um vivaz ponto de encontro de jovens.
É de tanta alegria,
tanto festa e desfrutar.
Um clarão lançado ao ar.
Uma eclosão de fogo, dor e sofrimento.
Saltam tantos tons de vermelhos diversificados.
Ruínas em frações de segundos formadas,
tantos gritos e tanta desolação.
Uma memória agora dissipada ao ar.
Um amor que explode e definha.
Um rastro de uma vida passada.
Pela noite, se fez dia.
E para muitos foi seu último sono.
Dorme pequeno príncipe.
Dorme pois sua amada lhe encontrará
só em seus profundos sonhos.
As feridas feitas em tantas vidas.
Tudo aquilo que estava parado, se movimenta
de forma expansiva e destrutiva.
Um som ensurdecedor toma conta de tudo.
Um grande branco lava todo o cenário.
Uma musica logo após toca, e derrete.
Leandro Borges
13 de jan. de 2009
Nobre Leão
Labels:
eu,
experimental
Um leão acoado, não mostra o brilho, a juba, o rosnado
não corre pela savana, não brinca, não rola pela grama,
não expõe o coração, não ilumina os olhos; não queima.
Desperta leão valente,
mostra para toda essa gente,
o valor, o coração bom, o grande amor.
Com nobreza de coração e humildade, pega o castiçal,
senta no trono do ser, a realeza da vida,
o reinado do inconsciente, segue valente,
corre valente, segue em frente, desbrava a vida,
segue a lida, com formosura e beleza,
perfura o medo, vence o ego, acredita em si.
Leandro Borges
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8 de jan. de 2009
labirinto labirinto coração labirinto labirinto
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concreta
labirinto labirinto labirinto
labirinto coração labirinto
labirinto labirinto labirinto
Leandro Borges
Coração ele um labirintos entre tem
Labels:
concreta
Umcoração,temlabirintos.eletemeletemUmcoraçãotem
ele ele tem labirintos
tem ele tem entre labirintos. Um labirintos
entre entre tem ele Um labirintos
ele coração, ele tem entre coração
labir intos. coração, coração tem entre
Um cor ação, ele tem entre ele tem entre
ele tem entre labirintos. ele tem entre
Um ele labirintosUm coração, Um coração
Um ele Um coração, cora ção, ele tem
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coração, coração, coração, entre
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Um coração, tem entre entre
Um coração, ele tem Um coração, ele tem
Um coração, entre entre entre entre
entre labiri ntos. entre labirintos. entre
Um Um Um Um Um entre entre
coração, entre entre coração
ele Um ele Um Um coração
tem entre labirintos. tem entre labirintos
Um coração, Um coração, labirintos
ele ele Um coração labirintos
tem tem Um coração labirintos
entre entre ele tem
labirintos. labirintos. ele labirintos tem
coração, coração, ele labirintos tem
labirintos.coração,labirintos.eleentreelecoração
Leandro Borges
Labi coração rintos
Labels:
concreta
Ele tem um coração entre labirintos.
Um coração, entre labirintos, ele tem.
Entre labirintos, ele tem um coração.
Ele tem, entre labirintos, um coração.
Entre labirintos, um coração, ele tem.
Um coração, ele tem entre labirintos.
Leandro Borges
Coração Brasil
Labels:
experimental,
social
Alguma coisa acontece no meu coração:
Insuficiência mitral, endomiocardiofibrose, isquemia;
enfarto do miocárdio, coronária, trombose, arritmogênia;
fibrilação atrial, síncope, ulceração, hemorragia.
Insuficiência cardíaca, disfunção sistólica, arritmia;
ataque do coração, hipertensão arterial, cardiomiopatia;
aterosclerótica, aneurisma ventricular, válvula cardíaca com anomalia.
Amiloidose cardíaca, doença nas artérias coronárias, miocardiopatia;
estenose aórtica, estenose tricúspide, miocárdio com hipertrofia;
angina, insuficiência aórtica, miocardite, hipertermia.
Leandro Borges
Insuficiência mitral, endomiocardiofibrose, isquemia;
enfarto do miocárdio, coronária, trombose, arritmogênia;
fibrilação atrial, síncope, ulceração, hemorragia.
Insuficiência cardíaca, disfunção sistólica, arritmia;
ataque do coração, hipertensão arterial, cardiomiopatia;
aterosclerótica, aneurisma ventricular, válvula cardíaca com anomalia.
Amiloidose cardíaca, doença nas artérias coronárias, miocardiopatia;
estenose aórtica, estenose tricúspide, miocárdio com hipertrofia;
angina, insuficiência aórtica, miocardite, hipertermia.
Leandro Borges
7 de jan. de 2009
Tempo atravessa o firmamento
Labels:
experimental
Tempo atravessa o firmamento
pensamento conhece o movimento
momento deixa o vento lento
sem alento nem lamento
nem sangrento ao indeferimento
segue e vive.
Cem por cento
explode em talento
escuta atento ao sentimento
deixa o fermento do nascimento
dar andamento ao experimento
e não viver a contento
entre o afastamento e o sofrimento
ter o discernimento
a sabedoria do tempo.
Leandro Borges
29 de dez. de 2008
Lindas rosas
Labels:
Comentada,
experimental
imunda saliva
escorre do crânio
esperma putrefato
Leandro Borges
Reino de sonho
Sonhos insólitos esfacelam com um tiro de flores.
Explode uma bomba as cinco horas na avenida central;
pinta, com excessos de tinta tudo ao redor.
Manchas vermelhas, pingos em amarelo, respingos de azul,
borrões em roxo, tudo profundamente sujo em multicores.
Há ainda muitas pessoas na sala de jantar
continuam a nascer e nascer e morrer e morrer.
Ilumina os jardins com um feixe feito de aves brancas
Um clarão em arrevoada, batem asas e ventam.
Uma golfada de ar entre os cabelos, leves e soltos.
Correm soltos, envoltos em canção, parte, pulsa,
parte e expulsa todas as mortes em pôr-do-sol.
Irrisória promissória de um falso amor.
Tigres distorcidos, leões derretidos, baleias voam
entre nuvens lilás e esmeralda, esguicham jatos em prata.
Reluzem em sua pele de vitral, baleia de sonho e frescor.
Leandro Borges
22 de dez. de 2008
Labels:
frases
por ti, eu vivia cheio de alegria
agora vivo cheio de saudade e tristeza
Leandro Borges
agora vivo cheio de saudade e tristeza
Leandro Borges
Liebe unter dem Mond schwarz
Labels:
Alemão
eine grüne Fee
ein Mondlicht in Flammen
die Sonne nach innen nach außen
der Ruhe der Nacht fordern die Toten
eine geheimnisvolle und schöne Frau
eine weiße Haut wie Milch
Ihre Augen hypnotisieren und mich erschrecken
Ihre schwarzen Kopftuch führt mich zu Ihrem Bett
Wir haben die Liebe unter den Mond schwarz
Leandro Borges
nero amore
Labels:
Italiano
una vita di solitudine
non si vuole che il tuo perdono
dimmi quante volte mi ha tradito?
damn è stato il giorno che ho incontrato è
un fiume di sangue
dolore
loathing
malato
malinconia
entrambi gli occhi gonfi dal pianto e pianto
fiamma blu in memoria
il suo spessore cosce e magnetici occhi
e ho detto a scomparire
un amore fatto di spine
Ho lasciato solo le ferite
Leandro Borges
18 de dez. de 2008
Puta porca sem coração
Labels:
experimental,
menina
a veia exposta
a rua suja
a tua face falsa
a menininha cheia de sangue sujo
vaza das tuas entranhas o teu aborto
brinca com porcos
dorme com o desespero e não dorme
boletas e mais boletas
rega tudo com tristeza
gritos mudos
solidão
depressão
fuga
morre para a tua mãe
esquece do teu pai
cai na vida todo dia
sai toda noite
cai toda noite
cai todo dia
finge que não sabe
finge que não tem importância
morre na ignorância
morre pregada na cama
desmaia por horas e horas
finge que é feliz
e diz e diz
no intervalo dos abismos
fica em estacas pelo corpo ao alto
impregnada de imundice
puta porca sem coração
bebe da latrina
come do lixão
fétida flor
mulher de lupanar
noiva de satanás
morra em morte lenta
a cada centímetro de dor
mergulha em laca incandescente
Leandro Borges
perdido boulevard
Labels:
curto
cai uma pétala do meu bolso
e me incendeia o pensamento
concentro a atenção neste perdido Boulevard
andando em mão contrária e me fixo no metal
minhas asas murcham, mais um dia deixo de voar
Leandro Borges
8 de dez. de 2008
Puerto corazón
Labels:
español
Un corazón, grande corazón.
una explosion por aires.
Queda en mi mirada
las mariposas azules encantam
todas las olas de mi alma.
Hay un pajaro volando bajo
buscando el plata al sur.
Tengo muchas cosas para conecer
y ahora no puedo más vivir en pedra.
TEngo muchos amores en la vida,
laliberdad, el amor, la arte y el universo.
Acostado en tu corazón puedo volar
y volar, transcendo espacio y tiempo.
Las tardes caem en Porto Alegre
en verdad, la alegria és vivir
en el puerto del corazón desta valorosa ciudad.
Leandro Borges
Fatia da realidade
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imagens
Tocam os sinos em ondas
flutua a voz entre a floresta
deita ao chão, sente o vento falar.
Ouve as flexilhas chiarem ao vento.
As quedas d'agua recheiam o som
escorre abrindo como fenda a rocha
um calor à brotar, cravejado ao sol
uma lua vermelha, cheia, abre o céu.
O véu celeste branco da noiva esparramada.
A vida é frágil, tão perene.
Um tempo sem o tempo.
Onde tudo permanece e é.
Deixa o ser, ser.
O cantar sem palavras
sem voz, sem início ou fim.
A valsa dos astros
a curva do espaço-tempo.
O passado sobreposto.
O presente está presente,
como presente para o presente.
Somos um coro diferente,
nosso fator que nos é igual
é a nossa diversidade.
Leandro Borges
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