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21 de out. de 2009

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São flores e falsos amores



São flores e falsos amores
São cores e falsos pudores
São dores e falsos autores
São suores e falsos opores
São piores e falsos calores
São atores e falsos humores
São teores e falsos sabores
São fatores e falsos expores
São furores e falsos impores
São motores e falsos rigores
São supores e falsos valores
São pavores e falsos setores
São cantores e falsos tenores
São caidores e falsos ardores
São doutores e falsos clamores
São credores e falsos tambores
São tratores e falsos pastores
São fulgores e falsos pintores
São amadores e falsos compores
São bravores e falsos adutores
São rancores e falsos propores
São sensores e falsos tensores
São auditores e falsos batedores
São comedores e falsos bicolores
São curadores e falsos delatores
São faladores e falsos equadores
São gemedores e falsos frescores
São geradores e falsos invasores
São genitores e falsos matadores
São pecadores e falsos redatores
São relatores e falsos sabedores
São pagadores e falsos mediadores
São voradores e falsos conectores
São MSTores e falsos agricultores
São partidores e falsos louvores
São multicolores e falsos sonhadores
São corruptores e falsos vereadores
São senadores e falsos poupadores
São falsificadores, impostores, assessores
ministros , cargos de confiança e falsos agitadores;
alicerciado por presidentes malfeitores!

Leandro Borges

20 de out. de 2009

29 de set. de 2009

um mundo mais vazio

é um circo de horrores
é um ciclo masoquista
cansei de errar no amor

se te trato na palma da mão
me trata na sola do pé

se te trato na sola do pé
é porque não quero nada de ti

sonho com outro dia a sorte não mais me errar
que o amar encontre o amor

dizem que os ventos trazem, quando menos se espera...

preciso aprender voar
concentrar a ação no agora
ser livre
ser leve
sem me importar com lá fora

se dos teus olhos caem lágrimas
dos meu também já caíram

se do teu colo não tenho abrigo
abrigo agora é tudo aquilo que outrora era campo minado

somos dois maiores abandonados ao azar do amor
se eu olho uma flor

hoje não penso em lirismo...
penso na morte que logo a murchará

pode ver o valor das pétalas?
o que são palavras jogadas?
não sabe quem eu sou... e me deste espaço pra isso?
se te falo não é porque estou cheio disto?

não sentes?
não sentes?
não sentes quando me lês?
não sentes quando me lês na minha íris?
não sentes quando me lês na euforia das entrelinhas?
não sentes meu calor?
meu transpirar?
minha respiração?
o bater do meu coração?
não sentes a minha verdade?

eu continuo a olhar o espelho
e dele nada vem

olho a tua boca
poderia falar de tudo que posso ver

prefiro senti-la
mas que bobagem... nem isso o fiz

senti-me oco
com a tua ausência
sinto a presença da dor

não sei quem sou, nem nunca saberei
busco aquilo que sou
e se te olho, são olhos que pousam
olhos que buscam
olhos que deixam e permanecem

continuo a martelar
fico preso nas memórias
um labirinto de idéias
e só idéias
o mundo real, a realidade é dura e triste

diz pra mim
quem é que queres
uma ilusão
ou eu revelado?

quero, mais me venha sem saberes
vamos sentir
não é isso?

Leandro Borges

21 de set. de 2009

entre-AGULHA-linhas

cuidado moça, teu salto-alto pode prender a agulha nas entrelinhas

olha por onde anda
olha por onde fala
olha por onde escreve

meu olhar apurado reconhece um tropeço
vi que quase nada
no teu

andar
falar
escrever

houve uma pequeníssima oscilação
e foi ali que percebi o teu salto te trair
pela altura que chegaste
por tudo que falaste
deixaste muitas agruras no caminho
e nas entrelinhas criaste micro-abismos irremediáveis
como uma bela heroína trágica
desabaste do teu próprio veneno sem perceber

Leandro Borges

13 de set. de 2009

Transbordo, inflado, gordo


Poluição entrou nos meus olhos, me cegou a poesia.
Cidade seca de vida.
Tudo permanece dormindo na cidade.

Contaminado, na minha alma não nasce mais flores.

Olho para os lados e vejo ruas transbordando, calças transbordando, filas transbordando, pratos transbordando, lixos transbordando, carros transbordando, stress transbordando, caos transbordando, ignorância transbordando.

E eu tentando não me molhar disso tudo!

Leandro Borges

28 de ago. de 2009

"EU VOU!"


Olha no fundo dos meus olhos e promete... ah se promete!
E pra que! Sim! Eu digo, pra que?

Fala, vibra, promete, confirma; diz que vai
e na porra do fim da história... não vai!
É tanta hipocrisia, tanta enganação; dissimulação.

Fala "por educação" que vai...
Mas pra que?
Por que?

Cultura cretina, cultura podre; lixo-pobre-viver.

Escarro na tua face toda a mentira.
Escarro na tua face toda a balela.
Escarro nessa tua vidinha de merda.


Assim ó! - olha bem no fundo dos meus olhos!!!
Tenha o respeito, tenha o valor, tenha a decência e a virtude.

E fala com todas as letras: EU NÃO VOU!

Leandro Borges

26 de ago. de 2009

Engarrafar dos Sonhos

Engarrafar dos Ventos


Sabe que ao fechar os olhos temos a alforria de tudo aquilo que pretende ter descodificado, tabelado, classificado visualmente.
Ao sentir o mundo, perde a cegueira que a cerca, poda e desnutre.
Vive o pleno viver, deixa o sabor do vento lhe tomar o pensamento.

V
..E
....N
........T
................A
................................N
................................................................I
................................................................................................................................A

Vai com o vento,
quebra a percepção do tempo,
transcende o agora
sente parte do todo.
No mar do "si mesmo"
e percebe a sua totalidade.

Leandro Borges

21 de ago. de 2009

Muito além do vermelho


Ando de ónibus com todas moedas contadas.
As vezes que consigo andar de carro,
ando olhando a kilometragem
no limite dos últimos números.
Abasteço quando posso
e o ponteiro anda grudado no fim.
Ando de 40 em 40 kilometros.
Com dívidas, feridas e com medo das mentiras.
Falta comida, falta água, falta alegria.
Sorrio pra minha mãe,
choro no escuro da minha casa.
Passo o cartão com medo
o medo irmão que tenho ao olhar o saldo.
Comprei aquele presente de aniversário
trocando o troco do ticket restaurante por dinheiro.
Como pouco pra tentar sair
do vermelho e olho no espelho e vejo outro.
Quem é esse com olhar oco?

Leandro Borges

4 de ago. de 2009

Pântano de Cadáveres


Que estourem todos os furúnculos!
Que venha a tona toda a podridão!
Apareçam todos os ratos, saiam dos esconderijos.
Mostre o lixo, o pus, a carne podre e todos tecidos necrosados.

Que toda putrefação apareça ao sol do meio dia.
Decomposição de toda a matéria emerja!

Mostre a sua cara.
Cai a máscara!

Há merda no teu falar!
Há lixo no tua cama!
Há lodo no teu coração!
Há corrupção na tua ação!

No teu olhar eu vejo o gérmen da desgraça!
A não transparência da tua vida
é a chave mestra da desgraça.
E não por muito tempo mais irá esconder
esse teu pântano de cadáveres.

Leandro Borges

19 de jul. de 2009

Espelhos


Esse frio que me dói até os ossos
me faz lembrar dos Invernos passados.
No pano é projetado o filme da minha memória
é tanta história, que me perco no labirinto.
Mergulho dentro da caixinha de musica,
uma caixinha de espelhos gigante.
Me vejo cercado dos meus eus,
olho me por dezenas de ângulos,
em muitas ângulos inéditos até o momento,
assim me vejo fora de mim.
Me vejo em terceira pessoa
desapropriado de mim mesmo.
Me vejo como narrador e vejo a minha dor.
Aqui em todos esses ângulos
percebo os diversos filmes que rodam simultâneamente.
E eu era um menino, um adolescente,
E era um nerd, um louco, um trabalhador,
um aventureiro, um sonhador, um apaixonado,
um errante, um poeta, uma ilusão.
Somos tantos e no entanto somente apenas... um.

Leandro Borges

Pelas ruas lá fora


Para na esquina e implode em dor
são veias entupidas, sentimento estancado.
Um grito freiado, uma explosão contida.
Não, nenhum caminho se abre
nas vias desse pesadelo urbano.
É feita de cordas enferrujadas
a harpa que constrói essa estrada.
Leito.
Sangue.
Fluxo.
Um chão banhado por um mar de sangue.
As cordas do mar alcançam a praia.
Esse mar não da pé nunca.

Eu te expliquei que nem todas batalhas
são vencidas, mas também morre aos poucos
quem mata.

O coração cheio de espinhos ferozes,
escuto vozes na canção da memória.
Era uma estória antiga, de uma menina negra
que não tinha o que comer.
Os porões da parte velha da cidade gritam até hoje...

Eu gostaria de resgatar a pureza de um sorriso de criança,
a vida me deu essa ferida e já não posso mais sorrir...

Sabe meus sonhos hoje não há mais nuvens, mas há demasiado cimento...

Por que no meus olhos não consegue ver felicidade?

Quem sabe ela foi passear...

Leandro Borges

18 de jul. de 2009

Legião Feminina


A insolitude de uma vida projetada.
São peças de uma vida criada pela
soma dos absurdos dos sonhos.

Uma soma de sonhos reprimidos de todas
as mulheres da tua família, geração à geração.

Agora tu, a descendente de toda essa árvore
queres vingar toda essa legião feminina?

Quem paga o preço? O teu filho também
não será pai de uma nova geração de mulheres?

Se pender a balança pra o teu lado, também
não vês que será em ti que, ao girar do mundo
cairá de volta em ti as dores desse mesmo mundo?

Toda mulher merece uma vida com os pés na terra,
desde que essa terra não soterre o pai da sua neta.
Assim como todo homem merece o mesmo.

Leandro Borges

10 de jul. de 2009

A chuva das más águas


Eu me lavo em lágrimas!
E o que é que tem porra?
Sim porque as lágrimas são minhas, e de mim eu mesmo entendo!
Homem é aquele que chora e chora em público; sangra e vive.
Sim porque eu sempre ouvi essa asneira de vozes femininas: "homem não chora!".

Quer saber?

Vão tudo se tratar com essa merda de machismo reprimido e não admitido.

A mulher mais interessante que conheci foi aquela que admitiu que muitas delas tinham
Essa merda de machismo incrustado na alma.
Essa realmente era honesta e inteligente.
Era digna de uma conversa franca sobre gêneros.

Deixem as águas de ares rolarem,
Despertem para o comportamento condicionado
E refletido de geração a geração.

Deixe com respeito o meu pranto rolar,
O meu peito desaguar a dor em notas gris.
Explode a represa do meu coração,
Lavo as minhas vestes
Choro, e choro muito,
De pingar tempos e tempos...
Há tempos são os homens que choram.
Outros são os covardes que o fazem escondidos.


Antes de adormecer no leito,
Choro a chuva das más águas.


Leandro Borges

23 de jun. de 2009

Meu pesadelo Teu


Quem é essa que era o sonho.
Agora pesadelo.
Essa que é e não é ela de verdade.
É ela dentro de mim, essa é muito má
me maltrata, desdenha, tem nojo ainda.

Ela aqui fora, agora, ignora; ou melhor,
dá uma pseudo-atenção,
não sobrou nem o imenso
nojo que ela tinha por mim.

Ela dentro de mim é recriada,
não basta a condenação que tive
na vivência do sofrer no plano físico,
agora sofro por ti dentro de mim
a cada pesadelo que tenho com a tua figura.

É engraçado, quando creio que consegui te tirar dentro de mim
(virar a página) tu surges bela e com asco na face ao me ver,
nesse profundo e doloroso pesadelo.
Alguém por favor me ensina a me livrar,
a controlar esses malditos pesadelos,
que só são pesadelos (outrora sonhos bons)
porque te vejo, e nos teus olhos
transpira o asco de aturar a minha presença.

Quantas vezes, eu idiota, te mandei fora da minha casa?
Por dentro meu coração não querendo, bravo contra o meu orgulho.
Esse sim; ferido te mandou muitas vezes embora, por mandar.

Agora a ironia do destino me revela,
que não consigo te mandar embora da minha cabeça.
Por dentro o meu coração quer paz,
o meu orgulho eu já sei controlar a maior parte das vezes,
agora os meus sonhos, eu tenho menos (ou melhor) nenhuma autoridade.
Comparado a minha casa, essa sim ainda me sobra um quase resto de poder.

É eu sei, eu acho lindo esse quadro patético,
o meu amar se tornou em trauma e dor.

Leandro Borges

22 de jun. de 2009

sul-riograndense

Tenho orgulho e vergonha de ser sul-riograndense!
Vergonha pelo bairrismo de merda que insiste nas mentes acéfalas de muitos!
Orgulho por não fazer parte dessa mediocridade que muitos insistem.

Quem só olha para o próprio umbigo,
acaba por ficar cego.
Consegue ver penas o mundo de bactérias, esporos, ácaros e fungos do seu umbigo.

Eu olho o mundo, que é feito de diferenças, etnias, povos e nações.

Em que mundo você vive?

leandro borges

20 de jun. de 2009

Baile de Estrelas


Olha aquela estrela como brilha,
que luz forte emana e tão forte
tanto quanto a luz da lua cheia.

É engraçado como parece andar essa estrela,
e como parece ser triangular, e parece fazer feixes,
e parece estar acompanhada de visitas...

Uma luz magnética e sedutora, intensa e profunda.
Agora vejo melhor, como é curiosa essa estrela,
com muitas estrelas pequeninas a cerca-la.
Essas tão diminutas, ora ali, outra acolá.

Aparecem e correm como riscos no ar.

Estrelinhas que brincam com a nossa percepção,fazem curvas, voam rápido!
Nesse dia eu conheci um novo tipo de estrela, daquelas que se divertem
no grande parque de diversões chamado espaço sideral.

Leandro Borges

16 de jun. de 2009

Não existe saída para quem não quer encontrar.

Não existe saída
para quem não quer encontrar.

Leandro Borges

6 de jun. de 2009

Na vida, no olhar, no coração


Se não fosse a poesia eu morreria
Não teria o brilho nos olhos
o prazer de viver
a alforria da dor
a delicadeza de ser
o respeitar da sutileza
a leveza
a magia
o nascer do sonho
o amor sem dor.

Não veria a cores
o sabor
a alegria de viver.

Leandro Borges

4 de jun. de 2009

Ela diz:

Eu não fiz amor com o teu pai.
Eu quero saber de ti.
Dá pra ser mais claro, querido?

Tem dias que nem me olhas nos olhos
tem outros que teu rosto nem mesmo eu sei.

Tem horas que eu me vejo sonhando na escada
tem outras que eu fico sozinha como um pássaro.

Os vãos me parecem muito mais interessantes que ela em si.
Da minha janela eu via a tua sombra, hoje não consigo nem ver a minha.

São tantos sons que invadem o meu coração que eu já nem sei como ele ainda bate.

As portas me parecem todas distantes assim como o teu coração.

Sim, eu também lembro daquele bilhete que eu te escrevi no teu aniversário,
e podes estar certo, tu és ainda muito especial pra mim.

Hoje eu acordei a mais feliz das mulheres e também a mais triste.
Sim, porque pra mim esses sentimentos coexistem de forma natural.

Meus cabelos longos, tão longos, que um dia eu cortei pra ti ver sofrer
eu também os pintei pra ti ver sofrer ainda mais, sim porque os cabelos são meus,
quero tu saibas bem disso, e que fique tudo muito claro entre nós.

São pontos e fios saindo de nossas cabeças.
E como elas dançam!
São tantos movimentos que meu pensamento fica cansado em querer gravar.
Acompanho o aqui e o agor, deixa que lá fora o inverno corra e vá embora.

O que me incomoda é que de todos esses anos passou
e tu ainda não aprendeu a amar.

Olha quantas garotas tu já conheceu.
Sim eu sei, não vou dizer isso, é claro que elas também te usaram.
Não sou louca nem machista a esse ponto.

Já viu como as folhas caem?
Sim podes esmaga-las, mas nunca se tornaram um "nada",
mesmo que estejam em pó.
Elas continuam folhas de certa forma.

Olhe o universo com olhos e o coração de criança, com a pureza inicial.

Leandro Borges

2 de jun. de 2009

Que a luz do amor seja guia, que o tempo seja irmão

"Que a luz do amor seja guia, que o tempo seja irmão."
(Leandro Borges)

Retorno ao centro


Não importa os tempos e os movimentos.
Eu continuo a ser o mesmo, com as mesmas paixões.
Apesar da curva, apesar do tombo, apesar da tempestade.
Eu não posso negar, eu sou um amante das artes,
seja a boa conversa, uma vela janta, uma diversão,
uma brincadeira, um simples sorriso de criança
me leva a crer que das coisas da vida sou.
Se não fosse seria apenas um amontoado de pregos.
A arte que transborda das minhas veias,
me eleva o pensamento, a alma, a emoção.
As artes que me iluminam, que me curam, que me elevam.
Me transportam para uma dimensão muito além do além.
Eu sei quem eu sou, sei o que quero,
e sei que Deus me guia pelos caminhos da vida.
Não se atrevam a duvidar daquilo que nem
temos a capacidade de compreende.
Somo ínfimos, limitados a poucos neurônios e poucos anos...

Leandro Borges

27 de mai. de 2009

Conversa à dois

Eu te levei pra profundezas da minha alma.
Só revejo você quando eu estou mergulhado nas profundezas.
Eu então olho nos teus olhos e vejo a perfeição
o rosto que eu escolho, a mulher que vejo.
É uma pintura de um campo mui florido
tens o olhar que pela eternidade miraria.

Eu sei nem mesmo um errorex te apagaria da minha mente.
Eu preciso dizer que não quero mais mulheres feitas de bolhas de sabão.
Eu cansei de ilusão.
Cansei de perfecsionistas.
De Super Tpms.
De carência.
De fragilidades.
Conversas rasas.

Sim, sim...
Eu também cansei de mim.
Um eu que hoje não sou mais.

Cansei da minha teimosia, cansei da minha carência,
do minha arrogância, do meu mau humor, da frenesi,
da insatisfação, da prepotência, da verdade, da ciência,
da lógica...

Eu sei que muitas vidas são perdidas pelos tortuosos caminhos da mente.

Eu prefiro olhar o sorriso de uma criança.

Leandro Borges

Eis que passará


Não tenho tempo para os pensamentos.
Não tenho tempo para o refletir profundo,
sem tempo pra ler, pra cantar, dançar...

Sem dinheiro para uma vida redonda, sigo com minhas arestas.
Sigo com portas e espelhos quebrados , e roupas por lavar.

Digo que não é tarde para o retorno, para o outro.

Como é que se sorve a: "sublimação".

As lutas são feitas de sangue, vontade e crença.

Deixa essa nuvem passar que eu te mostro o colorido do meu olhar.

Leandro Borges

21 de mai. de 2009

Igreja


Procurei por um pedaço de mim em lugares distantes, que tempos atrás foram minha morada.
Procurei por um pedaço de mim em páginas de jornais, em classificados.
Procurei e desbravei reinos pra encontrar algo a mais de mim.
Busquei uma frase, trechos de diálogos, conversas inacabadas, tubos de ensaio, em moléculas, células e partes de código genético.

Disse pro espelho:

- Que verdade procuras?

Foi então que um raio me antigiu a razão.

Mas a minha alma voava livre, e não soube responder aos incrédulos.
Eu sabia em que lugares podia pousar e que lugares eram hostis.

A minha batalha era saber olhar a alma.
Olhando a alma tinha a chave do coração de cada um.
Foi quando percebi que tinha perdido a chave do meu.

Nesse instante procurei por todos os cantos, era uma chave pequena, minúscula.
Adornada por diamantes e carvão.

Seria uma saída pular fora desse labirinto, mas então seria fadado pela cegueira eterna de todos os tempos.

Quando me deste aquela flor, a minha única resposta que encontrei no momento foi:

- Eu odeio esses sentimentalismos bacacas.

Eu falei de uma forma tão ácida, doce e engraçada que muitos riram, alguns soluçaram, e uns poucos choraram.

Se me diz uma verdade, ela seria melhor que mil flores.
Sabe por que?

Por que as verdades não murcham.

A crueldade que tenho de deixar teu caminho longe do meu e a mesma que tens de empurrar uma vida pra mim que não cabe mais no meu mundo.

Os olhares que percebíamos na rua, não sei se te lembras... eram de reprovação.

Como pode uma freira estar casada com um carpinteiro?

Os olhos de todos os vizinhos escorriam lodo e ciúmes.

Feito em pó.
O nosso show chegou ao fim.
Foi bom enquanto nos torturou.
Agora deixamos o palco para outros encenarem as suas ceninhas tão idiotas quanto as nossas.
Eu queria saber orar, porque então e conseguiria conversar com alguém de verdade e leal.
A camada fina que separa a luz da escuridão.
E feito em chão de pedra.
Se lama saí das nossas mentes, é porque pensamos pensamentos baixos.

Se experimentou falar da falta de felicidade que vive os Brasileiros?
Como é triste o Carnaval?

Somente um gringo mesmo ou alguém ingênuo em concluir que somos um povo feliz.

Já parou pra olhar nas esquinas pessoas pedindo uma saída para morte, uma ajudinha?

A centralização de grana... as mazelas típicas financeiras... Brasil de poucos brasileiros, um Brasil onde cabe 300 picaretas e um amontoado de mendigos.

É eu sei, falo pela voz de quem come.

Tudo bem, só queria deixar claro que eu não gosto dessa situação, faço a minha parte para a transformação.

Ontem vi uma bela ave na sacada de uma laranja.
Era fria.
Azul.
São pontos de fuligem perto do mar.
Ovos pintados de sofrimento.
Árvores ornamentada de desespero.
Acreditam em um amontoado de carne possam salvar as suas vidas?
Não dão valor para o sentimento que representa e sim pelo pessoa o que detêm.

Se é o caminho, não há como ceder a minha mão para ele me buscar.
Ela abriu a porta, mas eu que tenho que amar.
Ok, ele amou a humanidade e deu seu corpo para nos salvar, por amor.
Agora, se eu apenas creio que ele fez isso e eu também não o faço.
Na verdade não há como ele fazer.
É ao mesmo tempo a representação, o exemplo, o caminho, mas que cada caminho é direfente pra cada, mas todos apontam pro mesmo morro.

É eu sei, falei demais de religião.
Mas esse vazio que sente é por falta de algo mais profundo.
Se viver na superficie, nunca encontrará a profundidade que procuras.

São gotas de orvalho flutuando nas mentes, abertas ao amor.
Colorindo um barco de sonhos.
Um saber e sentir que vem da vontade de viver.

O dia passa largo.
As noites são frias e sabias.
O teu toque me mostra aquilo que tinha esquecido.
Me fez lembrar de como é.
Eu quando olho pro horizonte sei.
Mas nenhum segundo pode ser substituído por outro.

Leandro Borges

16 de mai. de 2009

Mon Coeur


Me deixa falar as coisas do meu coração, mon coeur.
Se cafajeste fosse, traria uma rosa no olhar?
É incrível que quando me falas, as mesmas sensações eu também sinto.
Se colher assim o teu mel, seria como colher uma fruta que ainda é flor.
Não é a toa que as estrelas trepidam
Também não é à toa que elas dançam.

Quando eu olho pro céu, nem sempre eu lembro de ti.
Agora quando sinto meu embebido coração, mon coeur, é inevitável:
Deleite
Aconchego
Regozijo
Arroubo
Encanto
Néctar.

É através da limpidez dos teus olhos que eu quero ver, não da interrogação.

Leandro Borges

14 de mai. de 2009

As portas


Se peço uma manhã inteira.
Se peço uma poesia.

Chove.
Faz sol.

Um curto espaço de tempo entre acreditares.

Abre uma porta e um vulcão.
Desse ângulo vejo nenhum vintão.
Se a vida fecha uma ferida
agora é a hora para uma investida.
Siga, diga ao mundo em cantiga:
os momento de vida mais importantes
são os que a flâmula amiga tinge
de cor e sabor o céu de Ondjiva.

Que a verdade não seja pouca.
Um minuto faria diferença,
mas a crença não é referência
para a massa crítica coletiva.

Quantas portas existem, são quantas você pode ver.

Leandro Borges

13 de mai. de 2009

O coração é o porta-aviões das emoções.

O coração é o porta-aviões das emoções.

Leandro Borges

2 de mai. de 2009

Universo Particular


A cada pôr do sol sinto um sentimento crescendo dentro de mim.
É uma fome e uma sede forte.
São tempo de um tempo que não em adapto.
Um sorriso de criança.
Uma canção antiga.
Goteja a memória, cada pingo uma gota d'água,
Uma imagem, uma prisão, um ciclo, uma dor.
Volta ao interno reino, horizontes e olhares.
Um sentimento de prisão, de solidão, de tristeza,
Um cinza sem sol, ter os relógios congelados.
Uma alegria não divertida, uma perseguição,
Um julgamento, um inquérito, uma bifurcação,
Um carrasco expondo tentações, conflitos
E feridas não curadas e escondidas na sombra da alma.
Contemplando um deserto imenso...
Um casal que não encontram, um.
Abraço a beira de um grande lago,
Uma madrugada eterna e mui escura.
Uma lua enorme ao horizonte (ou seriam três?) espelhado ao lago.

Leandro Borges

nuvem negra

e se eu te visse na lanchera
que bom que era
ou um pesadelo

sentaria ao meu lado e conversaria
ou então traria um defunto ao teu lado

tiramos mutuamente a inocência
quando partiste
outra camada me foi tirada
conheci em carne viva a maldade do mundo
e nada, nunca mais, meu mundo nunca mais foi igual

Uma prisão do coração ainda lembra de ti
depois de tantos anos; engraçado que pra ti
alguns meses depois já seriam muitos e muitos carnavais...

A flor da pele
ultrasenssível
perdido, desorientado

Sem esperança nem razão
Talvez reviver ainda essas dores seja um trauma mesmo.

Leandro Borges

Lapso de espaço


Uma vida por uma vida.
Um grão de areia.
Forja uma carência.
Pensa nas tuas culpas.
Deixa-me em vão.
Teu caminho não me deixa.
Teu coração não me fala.
Minhas dores tiram a tua atenção.
Teu beijo não faz verão.
A vida por um olho mágico.
Trágico momento envolto em teu peito.
Meu coração é teu.
Diz pra mim, cade você?
Se lembra das noites em que passamos?
Nem tudo eu te disse.
As poucas palavras que falei são reais.
Meu mundo está longe do seu.

Leandro Borges

29 de abr. de 2009

Lembrança branca


Não fala de amor assim,
pois de amor assim não pode ser...
Deixa de ser o que não se é.
O que não se sente.

Me deixe sozinho.

Uma vida deixada em vão.
Suspende o traço em cima da tela.
Diz que não vive, diz que não sonha...

Tocou outro dia um samba bonito, tão bonito...
Aí eu lembrei de você.
Lembrei do teu rebolado ou não.
Lembrei da minha sorte.
Da nossa insanidade de fantasia.
Da nossa mocidade.
Intensidade.
Vontade.
Amizade.
Cumplicidade.
Do nosso tesão.
Do teu blusão...
Daquele verão...
Ah que verão foi aquele!

Leandro Borges

Pleno, um


Acompanha o voo das aves com os olhos.
Ouve a brisa leve no rosto, sente as árvores conversando, sente o odor da natureza pungente. Corre o pensamento sorrateiro, dança para toda esperança, deixa mais uma vez a melodia tocar, os lábios tão incertos pairam nos desertos de um paraíso escondido. A lua flameja e águas trazem o coração. As nuvens relaxadas deitam nas ondas distantes, falam para as dunas muitos versos, doces, baixinho. Vive dentro de um quadro, percebe o instante da vida, cores contrastadas, luzes e sombras afloradas, o pensamento para no tempo, mergulha no momento, volta com o vento. Para, com mil braços abraça, novamente o sente. Sente-se um.

Leandro Borges

Corre a vida


Um passo fora do espaço.
Digo que fui um.
Não pise na grama.
A tarde e a noite transadas.
Manofaturo meu fururo.
Teço no aqui e agora.
Sai, de uma esfera para outra.
Um subito espasmo no tempo.
Vê num flash toda a vida.
O pouso da memória
No porta-aviões dos sonhos.
Corre, deixar correr,
que essa corrida é merecida,
é digna e febril.
Tangueia no Samba e
Samba no Tango.

Leandro Borges

23 de abr. de 2009

Sozinho, Bar cheio

Na mesa fria
vazia
não encontro o amor.

Tenho a vontade de conhecer-te
errada
de tantas erradas estou farto.

Errado, errante sigo em curvas
tortuosas e labirinticas.
Não vejo retas as paredes desse bar,
todas me parecem envergar.
Se contraem e expandem freneticamente.
Bebo um mar de cerveja, pouso em uma ilha
e não encontro mais ninguém.
As pétalas caem antes do desabrochar.

5 de abr. de 2009

Banho


Água cheia de vida
Escorre através e veste o corpo
Protege e nutre
Equilibra
Revigora
Tenho alegria no teu leito
Tenho alegria no meu peito
Caminho o caminho
Passo o passo
Gota a gota
Brilha intensamente
Refletidas imagens
Água viva
Cercado como um túnel de luz
Rolam águas de uma nova vida
Onde as grande águas moram
Onde todos os rios moram
De todos os planetas
De todo o universo
Todos eles se encontram
Onde tudo flui
Onde tudo há.

Leandro Borges

3 de abr. de 2009

O teu perdão


Não há casa pra morar
Eu não vivo mais
Eu não vejo mais
Eu não sinto mais
Eu apenas olho
Tua mão na minha face
Meu desespero, torno a adormecer
Minha paz é o teu coração
Me de o teu perdão
A tua mão
Vamos dormir e sonhar.

Leandro Borges

2 de abr. de 2009

O segredo é não te-las e sim convive-las.

O segredo é não te-las e sim convive-las.

Leandro Borges
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