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8 de ago de 2012

O fator ator: Sonho vivo

E como pode um ator selo sem dor.
Sendo como água, como terra, como ar e como fogo.

Fluímos, aterramos, flutuamos e incendiamos em cena.
Somos nem homem nem mulher; somos energia.
Todas energias em um só corpo, um universo descoberto.
A cápsula-homem, onde contém todo conflito e crise do mundo.

Sem a arte, a vida seria apenas um protocolo.

Pergunte ao pássaro, o que é mais importante o medo ou a coragem para voar.
O sábio pássaro responderá, os dois.

Já passei por vales do abismo e paraísos subtropicais.
Já andei contra o vento e sem o relógio do tempo.
Busquei verdades eternas e pensamentos soltos: etéreos.

O que me cansa nas pessoas, não é a beleza; é a falta de inteligência e humildade.
Obviamente o veneno sempre tem um pouco de antídoto em si.
Ou inverso, como queira.

Partes de memórias, fragmentos de histórias.
No teatro podemos e exploramos tudo, sem pudores.

Se o mundo fosse uma sobremesa, certamente escolheria uma colher grande.

É da fome pela vida e pelo mundo que move o verdadeiro ator.
Se não tivermos a capacidade de degustar do próprio néctar que a vida é feita.
Por que deveríamos querer provar o produto derivado desse néctar?

As horas mais belas da vida de um ator, não são nas palmas; mas sim no suor, no brilho no olhar e na queda.

O verdadeiro ator é aquele que respeita a entidade chamada teatro: aquela que reside há mais de dois mil anos.

Quando se abre o corpo para o mundo, aí então podemos ser todas as coisas do mundo.
Da mesma forma que nasce o sol, é o mesmo movimento da construção da personagem.
É um ângulo circular, crescente e cíclico.


O amor que move o ator a continuar, por mais que não seja valorizado a sua profissão.


Eu vivo da chama que Dionísio trouxe a este plano, foi por meio dele que se desvenda a arte, esta mesma o qual põe a tona no palco, o drama humano.

O mesmo valor de o sorriso de uma criança tem pra mim
é a lágrima ou riso verdadeiro da plateia.

Antes de subjugar o teatro, veja uma peça de teatro de verdade.

Uma peça de teatro de verdade quer o suspiro, o não piscar, o coração batendo junto no palco, o choro mais visceral, a risada mais profunda, a reflexão ou mesmo o simples estranhamento de universo.

Se de teatro minhas células agora transbordam, queriam que possa me embebedar dessa fonte por muitos anos, sem secar o meu ser.

Teatro é momento presente,
e só no presente que a magnitude da vida pode ser experimentada.
Onde se pode sentir as vísceras, o cheiro, a energia,
o vibrar do coração dos atores em cena.
Nenhuma câmera jamais captará tal façanha:
sem cortes ou edições, nem montagens ou colagens.


Quando as cortinas se abrem, o sonho vivo pode nascer mais uma vez.

Leandro Borges
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