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8 de ago de 2012

Na lembrança da memória


Diga-me que não sabe flores.
Diga-me que não conhece as minhas dores.
Fale sobre tudo que não mais se encontra no teu coração calado.
Olha pros lados.
Olha pro céu.
As árvores vibrando ao vento.
Os pássaros alçando voo rasante.
Por um instante passa pela cabeça o flash do nosso primeiro olhar.

Escuta o eco dos corações.
Palpitações, vozes e clarões.
Febre quartã, um sopro de loucura,
sem cura, sem remediar e teu plexo em chamas.
Por um instante passa pela cabeça o flash do nosso primeiro beijo.

Uma vidraça cheia de cores, lembra do momento do nosso vento
as fachadas das casas todas enfeitadas, uma festa em fitas e botões.
Contemplamos o vitral exuberante de todos os anjos dançando em roda.
Faz mais de um ano.
Faz mais de meia dúzia deles.
Caem gotas de sangue no mar da minha memória.
Nos campos verdes dos teus olhos eu pude ver
a maravilha de um mundo que apenas conheci por ti.
As ondas de um oceano revolto que apenas vivenciei por ti.
Um corpo de mulher pela primeira vez na vida, somente por ti.

Somente por ti eu vi mais cores, mais e mais cores.
Vi um universo de cores nascer dentro do meu oceano de cores.

Quando foste, apenas sobrou preto e branco.

Leandro Borges

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