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8 de ago de 2012

Mil bondes


Nunca é.
Nunca é!
Sentimento de nunca é.
Sentimento de... Agora vai acontecer.
E quando tu se depara, não é.
E acontece denovo.
Tu olha bem e não é.
E tem uma hora que vai acontecer.
E tu ta lá, com um pé lá!
E não é.
Sentimento horrível de nunca é.
Nunca é pra acontecer e nunca acontece.

A gente experimenta uma vez. A primeira vez.
Começa pequenino e vai crescendo.
Crescendo.
Até chega uma hora que toma forma.
Que toma o corpo.
Ai a gente conhece de fato, pleno e completo.
E ai um dia acaba.
Um dia desses que tem um sol, nublado ou chovendo tanto faz.
Eai se passa por um tempo sem saber aonde se está.
Para aonde se vai.
E quando se reestabelece o caminho.
Continua o caminho.
Até que chega um momento que se encontra.
Se encontra.
Se encontra novamente.
Mas aí que tá o problema.
Ou não tá o problema.
Tu olhas e vê.
Bem na tua frente
Mas tu sabe
Tu sabe que não é mais, que tu não é mais a mesma pessoa.
E ai, começa antecipa tudo.
Eai que tá a desgraça.
Por causa da fome se antecipa.
Ai que tá o fel.
Aí que tá o erro.
Mas a fome é tão grande que te faz erra sempre.
A fome é gerada pela própria falta.
E a falta é inevitável.
E quanto mais se evita, mais tem falta, mais cresce e mais se erra.
Parece que não tem fim

Eu queria ser hipócrita.
Hipócrita que nem todo mundo.
Que nem todo mundo uma parcela na verdade.
Que não tá nem ai.
Pega um bonde.
Sai dum donde pega outro.
E quando vê acha que tá indo pro primeiro destino e já tá lá no 15º bonde.
E é só uma ilusão e quando se dá conta se tem 40 anos e se desce do bonde e fica perdido e se dá um tiro na cabeça.
É engraçado as pessoas fogem, de uma fuga fugindo de novo.
É pra mim não faz sentido, eu queria ter essa hipocrisia, e essa... chega ser uma ignorância.
Uma não conciencia.
Um desatinar no mal sentido.
No não saber.
E quando saber enlouquecer.
Se dá um tiro na cabeça.
É horrível.
Deixa que um caminhão passa.
A cabeça esmague o cérebro.

Ah, e tem um divertido agravante.
Ele que sempre acompanhou a humanidade.
Ta cada vez mais vivo, mais presente e mais devorador.
O medo.
Hoje se tem medo pra tudo.
Medo se viver.
Medo de errar.
Medo de se permitir.
Medo de fome.
Medo da pobreza.
Medo de estranhos.
Medo de ficar sozinho. De apodrecer sozinho.
Medo de tudo.
Medo de sonhar.
Medo de pensar.
Geração do medo.
É, ai ai, acho bonito isso.
Bonito esse quadro patético: Medo.
Medo que tomou o palco, tomou a cena e agora é protagonista.
Medo.
Medo que faz tudo ficar estático.
Nada acontecer.
Enclausurar.
Olhar pro espelho.
Beijar o umbigo.
A merda do medo de amar!
Ninguém se encontra.
Ninguém faz nada.
Ninguém fala nada.
Tudo fruto do medo.
Medo ridículo.
Medo de não se permitir viver.
Medo de não arriscar.
Medo de cair.
Medo de viver de verdade.
E por não viver de verdade a gente vive essa vida pequena, ilusória, vida de plástico e sem sentido.

Eles chamam de jogo.
É.
Mas eu não acha nada diverto.
Pra mim não tem diversão.
Pelo o contrário.
Eu sofro.
Eu não consigo entende!
A pessoa se intensa por alguém e faz exatamente o oposto.
Evita.
Foge.
Essa brincadeira de gato e rato.
Ridículo!
E hoje em dia parece a coisa mais bonita que tem.
É, parece como se fosse uma queda de braço pra quem é mais duro.
Tai.
Tai, a sociedade é dura.
Que ver até a que ponto se chega a dureza dela.
É isso que eu não suporto.
Eu não quero ser duro.
Pelo o contrário.
Eu faço o movimento contrário.
Eu prezo pela vida.
Pela natureza, pelo humano.
O humano não é duro, é de carne.
O plástico é duro.
É impressionante.
Não sei como é que uma pessoa pode demonstrar carinho, respeito, afeto, admiração; desdenhando.
Pra mim isso é um jogo de suicídio, isso sim.
É ilusório.
É doído.
Dói.
Pra mim dói muito.
Eu vivo intensamente.
As pessoas que vivem a conta gotas.
Talvez seje legal esse: “Não tô nem aí”, “Te vejo qualquer dia desses.”
Ah, aaaaah é tô cansado disso tudo.
É muita loucura.
Não verdade eu que sou o errado.
Se a maioria se adaptou a isso eu sou a exceção.
E a exceção, e a exceção é o erro.
É.
Por isso que eu sofro tanto por não me adaptar a essa sociedade:
Conta gotas
De plástico
Que foge
Que tem medo
Que anda de MIL BONDES.

Leandro Borges

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