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8 de ago de 2012

Indigestão

Teu cheiro, teu choro.
Inundam a minha alma.
Agora calada e contemplativa.

Forjo o fogo sem medo.
Entram feixes cortando a cortina.
Repartindo a sala em seis partes.

Contra o vento vem.
Sem sonho.
Sem som.

Falta clareza.
Fala em carinho.
Condenado a falsetes amores.
Ao amanhecer só sobram dores.

Cansado, quero terra firme.
Alguém pra amar, alguém pra confiar.
Cansado de andar entre ratoeiras e ratos.
Me olhar no espelho e sentir medo.
Um medo de ter me tornado mais um roedor.

Aquele que não devora o amar, não dá a ninguém.
Apenas rói pequenas partes que juntas,
ficam despedaçadas, sem forma.

Fragmentos de vida, que juntas não formam uma.
Um tecer sem sentido, retalhos desconexos.
Matando a fome com migalhas e lixo.

Sentir-se errado para pessoas erradas.
A falta de uma via para conhecer a alegria.
Não encontrar ninguém.

Condena aquilo que também faz.
Diz aquilo que não queria falar.
Engana ao pensar no sonho bom.

A beira do lago espera.
Um doce beijo.
Nuvem mesclada.

Leandro Borges - 05/11/2007

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