Seguidores

8 de ago de 2012

homenagem à herança


Liberto o que anda desperto.
Foge pelo caminho aberto.
Anda pelo gelo.
Fala pelo vento.
Anda feito criança.
Cria e dança.
Movimentos poéticos.
Faz onda.
Balança.

É uma chuva de cariño.
É um curar pra imensidão.
É o chão.
O cheiro.

Força, luz e sombra.
Espanta solidão.
Cria nova dimensão, faz voar.
Pensamento paira no perfume.
Desliza, bate, cai e levanta.

De ponta cabeça
faz o corpo um abismo.
cai, levanta e espanta.
Faz avalanche corporal.
Flui líquido, natural.

Contorna as bordas do sonho.
Mergulha na corda bamba.
Faz cores em flores.
Deixa o corpo em ebulição.
Debate tribulando no solo.

Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.
Se desfaz da pele.

Morre e nasce doutro sexo.
Liberto.
Desperto.

Verte toda dor.
Todo pudor
do esconder.
Destila em suor.
Faz agora um novo verter.

Tenra carne fresca
exposta para o deleite.
Para o fresco do toque.
Deixa maturar o movimento
no meu peito calado.

Tira roupa.
Coloca vestido.
Limpo.
Sujo.

Explode, invade e comunica.
Climas, atmosferas e esferas.
Bolhas de calor feito em flor.
Magia entre corpos distantes.
Colados e em atrito.
Nasce uma estrela de amizade.
Focos, luzes e ar colorido.
Bailando energia emocional.

Felicidade no semblante em frente.
Um corpo distinto.
Enverga, flutua, faz vibração
alaga o pensamento de paixão.

Calmaria, revolução, nota e canção.
Pinta o quadro dos sons.
Melodia de absurdo desejo, tocante, infinito.
Largos passos para o teu abraço.

Mergulha no coração.
O vejo por dentro
pulsante
efervescência vermelha
flui da beleza ao prazer
cativante.

Transbordo de emoção sobe
gira, amorfo sentimento
fora de dimensão
são tantos movimentos,
enxuga a lágrima.
Costura o coração.
Deixa mais humano.
Brincadeira infame.
Sangue escorre pelo chão.

De homem para mulher.
Faz uma chuva de um cair de noite.
Vermelho.
Escorrega no chão, lã.
Faz costura de outrora desejos.
Agora demónios expelidos.

É uma palidez de sangue cruel.
Um abortar dos sonhos vivos.
Retoma a claridade da vida.
Deixa a ferida e volta a bailar.

Pequena ponte entre a razão e emoção.
Faz o improvável, deixa a coerência.
Reverencia a humilhação, aceita a opressão.

Torna-se produto, deixa o corpo virar assado
carneado, feito, pendurado em açougue.
É uma malícia de uma carne não mais humana.
O coração já é de plástico.
Volta ao que era, agora sem incomodo.
Servido ao sistema, é um consumível.

Flor despedaçada, sem pétalas: amassada.
Cada pingo se sangue verte dor líquida.
Tomates arremessados, destroçando a dignidade.
Mergulha num mundo de submissão.
Rola no chão, envolve em terra escura.

Questiona o entendimento da vida.
Coloca em xeque o homem carne:
Uma vida ou algo comestível descartavel?

Deixa o corpo exposto, em carne vida.
É vulnerabilidade a flor da pele.
Faz auto-culpar e mascarar sentimentos.

Sai de cena, sem valores.
Sentimentos esfolados.
Rasgada a alma por dentro se recolhe.

Leandro Borges

Nenhum comentário:

Creative Commons License
Poesya, não burguesia! by Leandro Bastos Carneiro Borges is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at poesyas.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://poesyas.blogspot.com/.