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8 de ago de 2012

Biblioteca Perdida


Cratera oca. Espaço distante. Voz roca.
Estrelas cintilantes. Lua cheia. Peles e implantes.
Palavras amontoadas. Livro em pétalas. Folhas envenenadas.
Solidão e frio. Navego no universo. Negro rio.
Vazio navio. Deserto lunar. Inevitável naufragar.
Corredores estreitos. Salas e leitos. Velhos defeitos.
Calor humano. Gosto de traça. Mofo e desgraça.
Tempo insano. Vozes distorcidas. Abertas feridas.
Falas incompreendidas. Memória em clarão. Vozes de trovão.
Tempestade, náuseas, asco e tufão: pressão.
Olho cego. Boca cerrada. Corrompido ego.
Caminho controverso. Corrida sofrida. Passo imerso.
Agonia incessante. Frenéticos movimentos. Ar distante.
Seta lançada. Palavra proferida.
Oportunidade viva. Vida perdida.
Espelhos em pedaços. Cacos de coração. Perdidos laços.
Fotos rasgadas. Sangue no chão. Máscaras amareladas.
Lobos selvagens. Uivo desolado. Cão alado.
Corpo laço. Fardo de aço. Grilhões em maço.
Animal aberração. Fera em fúria. Fogo-rio bestial.
Engole coração. Arranca o cérebro. Cospe vil metal.

Leandro Borges

Um comentário:

bebel disse...

é um poeta esse cazuza, é um cazuza esse leandro, é um leandro esse poeta, é um poeta esse leandro...

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