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8 de ago de 2012

Afrodite


Era sexta-feira se ainda me lembro,
eram ventos de um novo tempo.
Pairava no ar um cheiro agradável
de rosas vermelhas, jasmins e orquídeas.

Dançava alegremente envolta por girlandas.
Ao leito do mar contemplava a criação virginal,
nascia a estrela sempre luminosa da manhã,
acompanhava uma suave brisa primaveril.

Revejo-te e voas entre as pombas
e nadas por entre os cisnes.
O sorriso sedutor, o falar doce,
o suspiro mais persuasivo,
o silêncio expressivo
e a eloquência dos olhos.

Flutuas na dança do amor,
encanta com o brilho dos teus olhos,
a leveza da tua harmonia,
a radiante beleza oceânica,
te vejo ao horizonte nos campos Elísios.

Desabrocha na luz infinita
oculta dentro de nossos olhos,
sobre a concha, teu nascedouro.

Graciosa e fonte da criatividade,
tua mão delicada como as uvas,
traz papoulas, hibiscos,
e um cesto repleto de maçãs.

Eterna tolerância e sutil beleza,
cruel sensualidade; vital feminina.
Eternamente revelada na flor da mulher.

Eis que vejo claro em límpidas águas
um jardim colossal rosas e orquídeas,
banhadas pelo ouro do pôr-do-sol,
inebriado por um perfume, roubado da primavera.

Livra meu coração do suplício de tântalo,
vejo por um prisma as mil faces da felicidade,
danço desnudo em harmonia com a criação.

Sinto o encanto, me delicío no prazer da tua magia,
vejo flores multicolores brotando aos teus pés.
Desperta a flor do meu coração, o amor, a beleza,
a felicidade por estar pleno e vivo.

Mergulho na grande floresta e sinto o poder:
o templo feito de árvores e pássaros,
respiro profundamente o cheiro da terra,
e o perfume das flores selvagens.

Escuto a música delicada dos pássaros,
uma orquestra campestre vívida e singela.
A bela Flor me oferta um presente: uma orquídea.
Sinto e incorporo todo o seu aroma.
Eis que vejo uma pomba pousar em meu braço.

Teu olhar mágico, então compreendo
a tua beleza misteriosa, teus raios em rosas,
teu corpo em graça e harmonia,
dança em beleza e pura fertilidade.

Entro no teu castelo de quartzo rosa,
me entrego como ao deitar em uma nuvem
sou cortejado por tuas por graças e musas.
Vou ao encontro do teu trono, em teus braços enlaçar,
o eterno sonho ao teu lado, dois corações fundidos.
Agradeço o prazer da tua presença, os momentos maravilhosos.
Acaricias meu rosto, massagea meus cabelos,
delicio-me no calor das tuas ondas ingenuamente.
Somos um compasso, um respirar, uma pulsação,
um simples e doce sentimento em profusão.

Leandro Borges

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