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12 de jul de 2012

Nas madrugadas desalegres de um Porto

Flagelos e poeira em cima da mesa.
As gotas de saliva ácida respingam em chuva
de uma boca sem dó nem piedade.
Onde a última gota de esperança é afogada.
Há cerveja, há vinho, há cachaça.
Me causa enjoo, nojo, asco.
Nos transformamos em dois jardins, distantes.
A frenesi desse ciclone interno,
me revira as entranhas,
emaranha o meu coração,
aletarga meu cérebro.

 Nasce uma formosa aurora para nós.
Mas nessa chimia falta alegria.
Tudo parece calmo lá fora, e aqui dentro?
Há cores e sorrisos, e aqui dentro?

Pra piorar, em vôos noturnos tentamos voar...
de asas cortadas, de canto rouco de tanto protestar.

Onde um noite é apenas uma noite e eu sou o resto.
Nesse canto de sorriso.
Nesse canto de bar.
Nesse canto de resto de quase nada.
Nesse canto de noite: ninguém mais canta.

Leandro Borges

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