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7 de out de 2011

Primavera Dionisiaca

Onde a videira deu seu fruto, no meu peito bruto grená nasceu uma flor.
Tão ébrias e tão febris, ardo rubro por teus Brasis paradísiacos.
Dionisiacos sonhos deflorados, segue o Deus nômade em folia.
Essa minha alegria não uma política vã, sou cravo e rosa.

Nas marés do coração deixo-me navegar, sem forma definida e um mar pra viver.
Onde no meu peito fez a morada, o teatro é namorada e é canção.
Insana vocação de continuar, é desse Awen que sou feito.

Se planto flores, é pra combater as dores.
Se planto flores, é porquê acredito nas cores.
Se planto flores, é por meio delas que encontro meus amores.

Quando o coro grego falou e a resposta veio embreagada
nasceu a arte das uvas, arte abençoada, a arte ébria.
Não me importa as certezas para atuar, quero estar em descontrole ébrio para brilhar.
Não necessito de artifício, minha embriaguez vem da alma, da minha sábia loucura.
Nasci assim e permaneço e não esqueço do que sou feito.
Fagulha de fogo divino, centelha da alucinação,
do meu coração faço porta-aviões para loucuras alheias.

Banhado de vinho espiritual, puro de mim mesmo, imagino Mundos e Visões
sou tantos heróis e vilões; faço todos embarcarem nesse mar da imaginação.
Deslocados de tempo e espaço, teatro de degladiar familias, ideias, teatro de sonho,
teatro de fome; das classes e dos mártires, das façanhas e do simples.

Sigo o espírito forte de nunca ser um, de nunca ser terra, nunca ser pedra.
A cada dia um outro Eu, renasço a cada dia, a cada amanhecer.
Cada depertar sirva como melodia para acordarmos para realidades.
Determinado a acordar e acordar de tantas consciências, de tantos saberes.

Quero ser ponte de Dionísios, quero ser estrada, quero ser canção.
Deus da floresta, quero fugir das cidades, que embrenhar nas tuas matas.
A canção quase esquecida, ainda vibra nos corações que ainda não cansam de cantar.
Por ti.

Quero ser vinho.
Quero ser grená.
Quero ser a poção ébria de Baco a alucinar o maior número de pessoas possíveis.

Sigo desejoso de Desejos.
Quero o beijo da flor ébria de febre quartã.
Quero teu pavor, teu veneno, quero teu mel e tua floresta.
Quero a poesia, quero o choro e a alegria, quero o amargo e a cura.
Quero o amor nas alturas, quero o risco, o perigo e a aventura.
A coragem de desbravar os mares de uvas e vinhos,
quero um festival, quero ninfas e sonhos, quero amor e prazer.
Vem deitar o teu sonho mais bonito e profundo na minha taça mais seleta de loucura.

Leandro Borges

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