Uma dor assim pungente do meu Brasil
foi inutilmente sentida, agora essa ferida
essa chaga do passado continua sangrando.
É tanta mazela e destruição, a maioria do povo
anestesiado da vida da sua rua,
alienado da cultura e riqueza brasileira,
como podridão internacional virtual,
no computador,
na televisão,
em rede nacional.
Somos inundados.
Nossos inconscientes pairam a guerra no Iraque, a guerra no Afeganistão,
ódio de judeu, ódio de muçulmano, ódio de cristão.
Cegos para a vida do nosso povo alegre e sofrido que chora,
continuam a chorar muitas Marias, muitas Clarisses, muitas Anas,
muitas Joanas, muito Jazões, muitos Creontes, muitas moças bonitas.
Essas tais moças que não passam mais por aqui,
pois a caminho do mar há assalto, sequestro, terrorismo; bala perdida.
Essas tais moças ficam em casa murchando como flores não desabrochadas.
Na janela não há como parar para ver a banda passar cantando coisas de amor...
Não há como parar hoje em dia...
Não há mais bandas passando nas ruas por aqui...
Não é nem caretas pra eles se alguém fala de amor, é pior, é irreal.
Seguem letárgicos...
Hollywood...
Seguem letárgicos...
Comem a não saúde...
Seguem letárgicos...
Não lendo... Lendo revistas de fofoca...
Lendo revista de pessoas pseudo-importantes.
Lendo livros de auto-ajuda.
Vendo novela.
Reenviando centenas de slides em emails inuteis de mensagens vazias.
Escutando o que uma mente não se abre.
Mentem.
Dissimulam.
Traem.
Fofocam.
Falsidade.
Continuam com suas vidas de uma rotina cretina, infrutífera, egoísta e capitalista burra.
Transam letárgicos... Dirigem letárgicos... Falam letárgicos... Sonham letárgicos...
Compram.
Compram.
Compram...
Compram tudo aquilo que não precisam.
Compram ostentação.
Compram vaidade.
Compram humilhar.
Compram o rei na barriga.
Compram a dignidade alheia.
Compram o mundo!
Cuspindo em Deus.
Morrem letárgicos...
Leandro Borges
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