Chove.
Por mais um dia chove...
Chove, sim, por mais um dia ainda chove.
A cada gota que explode na borda da minha janela.
Tenho um flash do rosto dela.
Lembro do rimel borrado, escorrido
de tanto ter chorado
as lágrimas que eu te dei.
O choro negro que eu te dei...
Lembro de cada noite fria, chovia,
que por vezes em meus braços dormia
depois de ser vencida pelo sono.
A cada segundo, era mais um para nós,
era mais uma gota de eternidade.
Lembro da infinitude do teu olhar.
Era um brilho sem igual, hoje sei.
Lembro que não entendia
a tua irradiante alegria, hoje sei.
Lembro dos teus dias turvos.
Pensava que a culpa era minha, hoje sei.
Lembro da minha insensatez, minha arrogância,
insegurança, ciúmes e egoísmo.
Era como um cego suicida, hoje sei.
Afoguei, soterrei, incendiei e devastei.
Matei o que de mais bonito havia entre nós, hoje sei.
Como não chorar ao lembrar de ti,
ao lembrar de mim e do monstro que eu era.
Refletir me fez mudar, fluir como a chuva.
É, hoje eu sei. E como sei...
Foi aquela chuva negra que eu te dei.
Chora.
Por mais um dia chora...
Chora, sim, por mais um dia ainda chora.
Leandro Borges
adorei... tbm me inspirei na chuva!
;D
19 de Agosto de 2008 15:36
Muito lindo!
sincero e real
13 de Abril de 2009 17:31