Nos ares dos teus bares
teus olhares e lugares
vejo uma alegria
que parte e irradia.
Uma vontade de voar,
um solfejo solto ao luar,
na corda-bamba de sombrinha,
em cada rua, em cada linha,
eu canto o teu cantar!
Me encanto em cada canto dos teus parques,
em cada olhar, toque e carinho dos teus pares
e em todos teus eternos versos Quintanares.
Nas tuas flores e tantos sabores,
nos teus saudosos sebos e sarais.
E de tantos eternizados grenais!
Ó terra de todas as querências,
teu sangue peleador repleto das essências
das raízes do teu bravo povo aguerrido.
Que por muitas vezes sofrido, por ter o seu valor.
Não deixa de ser um pampa florido
feito de pessoas feitas em amor.
Meu querido rincão,
meu querido pago.
A ti dedico meus versos
como o saborear de um mate amargo.
Sinto um Porto Alegrar em cada sorriso,
em cada suspiro das tuas gurias.
São tantas e tão belas crias,
que me farto de doçuras e alegrias.
Uma saudade sempre me invade ao partir
e certamente ao regressar volto a sorrir,
ao te ver nascer nos meus olhos no horizonte.
Quando volto da jornada, tropiada distânte.
Gosto da liberdade da redenção,
da mescla da tua gente, da tradição.
Me sinto contente e feliz dentro do teu grande útero.
Ó cidade amada, que por mim sempre serás cortejada,
que me inspira a arlequinar por todas as tuas ruelas,
como veias que escorrem dentro de mim: singelas.
Vem descansar o desejo, ao contemplar teu pôr do sol.
Em consecutivos finais de dias alaranjados,
passam arrastados em aquarela de tons floreados.
Beijo eterno e doce, de quase tocar de lábios saúdam.
Degrade avermelhado, do Sol com o Guayba brindam, Porto Alegram!
Leandro Borges
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