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17 de jun de 2007

Lágrimas Flamejantes

Homem pedra que desfaz entre a relva.
Suvenir o baú límpido da sua consciência.
O clarão lhe vem aos olhos como bolhas de cristal.
Um ínfimo traje lhe comporta em sua indumentária.
O pensamento aberto voador que lhe faz vivente.

O pulo do gato entre os pequenos bosques.
A massa cinza da cidade polui seu pensamento.
No asfalto quente esfacelada a massa cinzenta e fria.
Os Burgos lhe dão o veneno e nada mais é igual.

O fino trato de pura seda faz de veludo os olhares,
os encontros, os toques: a fala!
Calabouço, húmido, áspero, triste: pessimismo.
Falta da chave-mestra para toda a distância.

A calada da noite, os olhos cintilantes,
as lágrimas flamejantes, os dedos irritadiços,
os pensamentos quebradiços, o medo, o nada, o vício,
as portas estancadas, as unhas quebradas,
o calor, a dor, a repressão, a ilusão,
os sonhos, os felizes sonhos: lindos sonhos!

As lágrimas vertentes, o grito estridente,
o coração choroso, o cheiro, o tudo e o gozo.
As falhas, as omissões e contradições.
Os urros, o interior, a falta, o desapego e o calor.
As salivas, as mordidas, o sangue e o olhar.
As mãos dadas separadas, a palavra não ouvida e a ferida.

Leandro Borges - 10/2005

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